O maior desafio deste século: unir tecnologia e pessoas

Este artigo foi publicado no dia 18/06/2019 em minha coluna no portal R7 e no portal Inova360.

 

Pensar que somente a tecnologia vai resolver todos os problemas das empresas e da humanidade é o nosso maior problema

O processo de transformação digital que estamos vivendo, tanto no mundo corporativo como no pessoal, é inegável e contínuo. Existem, fundamentalmente, duas aproximações sobre este processo no mercado. Os fabricantes e integradores de tecnologia, que colocam a tecnologia como única via de salvação das empresas. O caminho é usar mais e mais tecnologia para reduzir custo, aumentar a assertividade e a produtividade, melhorar a experiência do cliente, e por aí vai.

Outro ponto de vista são os futuristas, aquelas pessoas que dizem como vai ser o mundo em 2050. Com este segundo grupo sou bastante crítico porque, independentemente do que diga, se é certo ou não, se faz sentido ou não, eles nunca dizem o mais importante, como levar sua empresa ao cenário que eles vislumbram.

Portanto, por um lado temos um vendedor de tecnologia vendendo o seu peixe e advogando em causa própria, e outro, que também se baseia somente em tecnologia e que pode falar o que quiser, porque ninguém vai pedir satisfação dentro de 30 anos se suas previsões não se cumprirem.

Sinceramente me aterroriza pensar que é neste cenário que estamos construindo um dos pilares mais importantes do processo de transformação que estamos vivendo.

Pensar que somente a tecnologia vai resolver todos os problemas das empresas e da humanidade é o nosso maior problema.

Para começar a discussão, a transformação digital não acontece no datacenter, ela ocorre na sociedade, nas pessoas e no negócio.

Concentrar-se na tecnologia é ignorar todo o resto, por isso os estudos mostram que mais de 70% dos processos de transformações digital não funcionam.

Podemos substituir o homem pela tecnologia em atividades repetitivas, mas está muito longe de substituirmos a criatividade e a sensibilidade humanas. Provavelmente este estágio nunca chegue (ao menos eu torço, espero e trabalho para que não).

Um produto pode ser produzido por robô, mas será consumido por um humano.

A dinâmica perversa da otimização e melhoria contínua levada ao extremo pela pressão do crescimento ilimitado, o alto grau de tecnologia existente a um custo cada vez menor, podem levar (e estão levando) as empresas à síndrome de Lesch-Nyhan (autocanibalismo).

A falta de consciência, a ganância ou ambas, poderiam nos levar a modelos de negócio onde aplicamos a tecnologia ao extremo, por exemplo, hoje em dia já temos fábricas totalmente autônomas. Mas se todas as empresas fizessem isso, em um espaço curto de tempo teríamos as empresas mais otimizadas do cemitério.

As empresas (e as pessoas) morreriam de inanição, as primeiras por não terem clientes e as segundas por não terem trabalho.

Produtos produzidos por robôs não são consumidos por robôs.

Se o empresário não quiser pensar no ser humano como tal, ao menos que pense como cliente.

A dicotomia de gestão que temos é que a imensa maioria das empresas sem tecnologia, direta ou indireta, não seria capaz de inovar, ser competitiva e, portanto, sobreviver.

Porém, se não considerarmos as pessoas nesta equação geraríamos um problema social de tal magnitude que o menor problema que teríamos seria que a empresa quebrasse.

Os líderes das maiores empresas do Vale do Silício e as maiores fortunas do planeta estão discutindo e buscando alternativas para manter de “estabilidade” sócio-econômica, onde o estado garanta a renda mínima universal para que o modelo social-econômico atual não se desmorone e tenhamos um cataclismo social global.

Devemos esperar que o estado resolva esta situação tão extrema e crítica? Eu não quero gerar um caos e esperar que outros, que se mostraram incompetentes em situações conhecidas e mais simples, resolvam o meu futuro e o dos meus filhos. Serei eu a fazer esta transformação.

Como? Onde está o equilíbrio? É possível unir tecnologia e pessoas nesta nova economia? Para a nossa tranquilidade (teórica) a resposta é sim. Digo teórica porque isso não acontecerá de forma automática nem espontânea.

Precisaremos mudar nossa visão e forma de atuar com relação à transformação digital e buscar uma jornada onde se use a tecnologia para gerar abundância. Aplicar a tecnologia para criar modelos de negócios rentáveis e conscientes. E sem dúvida, para que ambas transformações, a digital e a de negócios, sejam autênticas e sustentáveis ao longo do tempo, será necessário trabalharmos a transformação de mentalidade, ou seja, mindset.

Vejam onde chegamos, para fazer uma transformação digital precisamos tratar de forma integrada e sistêmica a transformação digital, de negócios e de mentalidade.

Complexo? Talvez, porém tão complexo quanto necessário.

Para que esta realidade exposta não seja apenas um discurso recheado de boas intenções, é necessário usar uma metodologia, ferramentas e modelos. A Tecno-Humanização das organizações é um framework de Technology, Business & Mindset Transformation, que une tecnologia e pessoas para transformar empresas em organizações rentáveis e conscientes.

Assista o vídeo do canal observatório BE&SK e veja um exemplo de uma empresa rentável e  consciente.

Imagens: Pixabay

Sociedade 5.0: A Tecno-Humanização das Organizações

O Japão é um país admirável: terceira maior economia mundial, valores éticos e morais arraigados e profundos, baixa delinquência, alto nível de industrialização, excelente sistema educativo e um dos maiores índices de desenvolvimento humano (IDH).

O que mais se pode pedir?

Pois é!

O que pode parecer uma sociedade dos sonhos à distância, ao colocarmos uma lupa sobre ela vemos algumas questões que são extremamente preocupantes.

Os idosos com mais de 65 anos já são 27% da população, somente 28% jovens entre 20 e 30 anos (millenials) declaram saber o que é a felicidade (não necessariamente a tenha experimentado), o excesso de pressão pelo trabalho, disciplina e rigidez de conduta, acidentes naturais, pouca área produtiva, alto índice de poluição e acidentes naturais frequentes, são problemas que tiram o sono dos governantes japoneses.

Em paralelo a tudo isso, a indústria 4.0 e o processo de transformação digital ameaça automatizar tudo o que for possível e dizimar milhões de postos de trabalho. (ao menos é assim que muita gente enxerga esta transformação)

O que para muitos seria o fim dos tempos, para o Japão é motivo para repensar e redesenhar seu modelo de sociedade e segundo o governo parece ter encontrado o caminho para o próximo estágio da humanidade, que eles chamaram de sociedade 5.0.

Não se trata de substituir o ser humano por tecnologia, de inovar para eliminar mão de obra, reduzir custo e aumentar receita.

Através da educação, a sociedade 5.0 busca a convergência da tecnologia e do ser humano.

Usar tecnologia para resolver problemas realmente importantes da humanidade, como o envelhecimento da população, limitação energética, desastres naturais, segurança, desigualdade social e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Ao ler que o conceito japonês de sociedade 5.0 coloca o ser humano no centro das inovações tecnológicas e busca a convergência entre tecnologias e pessoas para construir uma sociedade melhor, me emocionei, respirei fundo, dei uma volta e permiti que o meu ego tomasse o controle (só por alguns instantes).

Me senti feliz, porque é exatamente isso que uma pessoa do interior de São Paulo, de origem humilde está fazendo há alguns anos.

OK, a BE&SK (minha empresa) não tem centenas de bilhões de dólares para investir em projetos de IA, IoT, Big Data, etc., como foi anunciado pelo Japão.

Não temos milhares de especialistas, nem a mesma mídia, mas me sinto orgulhoso por ter criado a metodologia da Tecno-Humanização que está super alinhado com o que alguns países consideram a melhor (e talvez única) saída para se criar uma sociedade melhor.

A BE&SK uniu Tecnologia e Propósito, Inovação e Consciência, Algoritmos e Pessoas, para criar a metodologia da Tecno-Humanização e transformar empresas em organizações rentáveis e conscientes, porque a BE&SK acredita na coexistência de um mundo fraterno e próspero.

Porém, sozinho eu não consigo nada e esta metodologia não tem nenhum valor, preciso de ajuda para levar este conceito ao dia a dia das pessoas e das empresas.

Exato, da sua ajuda!

Queremos mudança em nossa sociedade, por sejamos essa mudança!

O movimento se demonstra andando, precisamos agir e ensinar as empresas a criarem riqueza sem gerar miséria com a Tecno-Humanização.

Imagens: Pixabay
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