Os 4 passos para empreender com sucesso!

Este artigo foi publicado no dia 08/01/2020 no R7 e inova360.

 

Nunca foi tão fácil empreender, e nunca foi tão difícil fazer com o que o empreendimento dê certo

A receita do sucesso de muitos colunistas, blogueiros, youtubers ou influencers digitais é dar receitas de como ter sucesso.

Oferecer uma receita, lista, dicas, passos, lições de como ser milionário, como ter sucesso, como aprender inglês em 7 dias, ou qualquer coisa, vende! E como vende!!!

Então, eu também vou dar a minha receita. Em apenas 4 passos vou te ensinar como fazer para empreender com sucesso.

Empreender vem do Latim, IMPREHENDERE, que significa colocar em desenvolvimento e/ou execução, realizar tarefas.

Esta lista vai te ajudar em qualquer época do ano, mas principalmente no início, onde, com certeza, após o Réveillon, você fez a sua listinha de projetos, profissionais e pessoais, para 2020.

 

1º Passo: NÃO COPIE NINGUÉM, SEJA VOCÊ

Existem biografias fantásticas, elas devem servir para inspirar, mostrar que outras pessoas fizeram as coisas, não para que você faça as suas.

Ler o livro do Steve Jobs serve para ver como ele resolveu seus problemas, como ele desenvolveu seus negócios. Talvez te de ideias, insights, mas jamais para que você tente copiar e ser Steve Jobs.

Assistir ao filme Bohemian Rhapsody ou Rocketman, tentar se comportar como Freddie Mercury ou ser tão excêntrico como Elton John não vai te converter em um deles.

Existem diferentes versões de uma passagem sobre Mozart que é muito ilustrativa.

Mozart recebeu uma carta de um jovem de 15 anos perguntando como ele poderia compor uma ópera. Mozart respondeu que, com 15 anos, ele era muito jovem para compor uma ópera, que era algo muito complexo.

O jovem não se conformou e enviou outra carta questionando a resposta de Mozart, enfatizando como ele poderia dizer isso se ele próprio compôs sua primeira ópera aos 9 anos. Mozart respondeu novamente dizendo: “É verdade, mas eu não perguntei a ninguém como se fazia”.

Tentar copiar padrões é um erro porque você tenta fazer algo que outro já fez, porém, em outras circunstâncias, com outras habilidades ou competências, em outro entorno, enfim…

O Steve Jobs não leu “seu” próprio livro para aprender como ele tinha que ser, ele simplesmente foi.

Provavelmente ele se inspirou em outras pessoas, mas não copiou ninguém.

 

2º Passo: OUÇA TODO MUNDO, E FAÇA O QUE ACHAR CERTO

 A este tipo de comportamento, eu chamo de técnica da avó.

Com 18 anos eu comprei uma moto, cada vez que eu ia na casa da minha avó, ela me dizia para não andar no sol, não andar na chuva, não pegar estrada, enfim, recomendações de avó.

Eu dizia que sim a tudo.

Não fazia nenhum sentido discutir com minha avó de mais de 70 anos que só estava preocupada com o neto. Depois, eu fazia o que achava certo.

Leia muito, veja como outras pessoas fazem as coisas, converse com muita gente, ouça todo mundo, estude, depois, decida, com toda esta informação, o que faz sentido pra você.

Inclua uma variável importante a tudo – SEU FEELING.

Estude muito, aprenda todas as técnicas, desenvolva todas as competências possíveis e aplique todas elas com o coração, e não com a razão. O seu sentimento é tão ou mais importante que a técnica.

Seguir o que manda uma determinada instituição que da cursos que vêm da ONU, uma universidade por mais renomada que seja ou as melhores práticas do Vale do Silício sem aplicar fatores locais e pessoais, o seu sentimento e propósito, em minha modesta opinião, é uma barbaridade.

 

3º Passo: NÃO PEÇA CONSELHOS, BUSQUE MENTORIA

Pedir conselhos também não é uma boa ideia.

Porque quem da conselhos, normalmente, da um conselho a si mesmo. Diz ao outro o que ele gostaria de ser ou fazer, mesmo que de forma inconsciente. Ou, pior ainda, diz ao outro o que deve fazer, por interesse próprio, levando ao outro a uma posição que vai beneficia-lo.

Por último, e mais perigoso, a “internet” está cheia de pessoas que dão conselhos e “ensinam” técnicas maravilhosas sem nunca terem usado. Há pessoas que leram a Lei do Triunfo, de Napoleon Hill, e vendem cursos dos segredos das mentes milionárias.

Detalhe, muitas destas pessoas, e eu conheço alguns, estavam em uma situação extremamente delicada financeiramente. Não te parece estranho que a pessoa que vai te ensinar ser milionário, em alguns casos, tenha menos dinheiro que você?

Atualmente há muitos empreendedores de palco, que nunca levantaram uma empresa, nunca quebraram, enfim…

Tudo isso é tão absurdo como um celibatário dando orientações para a vida sexual de um casal.

Não espere que alguém te diga o que fazer. Se soubesse o segredo do sucesso, certamente usaria para ele.

Um mentor vai te ajudar a alcançar seus objetivos de forma mais rápida e assertiva. Porém, para que uma pessoa te ajude a encontrar o melhor caminho, ela já deve ter trilhado, de preferência mais de uma vez, diferentes caminhos iguais ou similares. Portanto, cuidado para não contratar um mentor que tenha muitas técnicas de mentoria, mas seja um “celibatário” em sua área de atuação.

 

4º Passo: NÃO ACREDITE EM RECEITAS PRONTAS, ELAS NÃO EXISTEM

O imediatismo e a preguiça são a combinação perfeita para formar clientes de receitas prontas.

O filósofo, professor e escritor Mario Sergio Cortella diz que prometeu a todos os seus filhos que, quando cumprissem 12 anos, ele os ensinaria o “segredo da vida”.

O filho mais velho, no dia do aniversário de 12 anos, o acordou às 4h da manhã, ansioso por aprender o tão esperado o segredo da vida.

E seu pai disse:

“Vaca não dá leite”

“Você tem que tirar”

Este ensinamento é fantástico, e deveríamos tê-lo como guia. A única receita pronta que funciona é o trabalho.

Portanto, se você começou a ler este artigo buscando 4 passos que te dissesse o que você tem que fazer, me desculpe, procurou a pessoa errada.

Eu não sei o que você tem que fazer para ter sucesso, mas disse o que você não deve fazer. Note que em 3 dos 4 passos, comecei o título do tópico com a palavra “não” – “não copie…”; “não peça…” e “não acredite…”.

Mas por que as pessoas buscam receitas prontas?

Porque tem medo de explorar, de errar, de fazer.

É sempre muito mais fácil que alguém nos diga o passo a passo.

Mas como isso não existe, a maioria das pessoas se conforma com a mediocridade.

Rodrigo Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, diz:

“A diferença entre o medo e a coragem, é a ação”

Pare de buscar receitas e trabalhe.

Acerte, erre, mas faça.

Aja, e agora!

 

Imagem: Pixabay

Organizações multigeracionais

Este artigo foi publicado: no dia 28/08/2019 no ITForum365 e no dia 03/09/2019 em minha coluna no portal R7 e no portal Inova360.

 

Pela primeira vez na história da humanidade temos quatro gerações simultâneas no mercado de trabalho

Na minha época…

Quando eu era criança esta frase gerava certo pânico porque eu sabia que vinha história antiga que não me interessava. De jovem, passei a gostar porque era a oportunidade que eu tinha de conhecer os meus antepassados e entender melhor o meu presente. De adulto, senti muito não poder desfrutar mais das histórias porque os mais velhos já não estavam…

Qualquer semelhança NÃO é mera coincidência com as empresas.

Antes o jovem fazia trabalhos menos nobres e os mais velhos tinham o conhecimento, experiência e, portanto, o poder.

A transição era feita de forma gradativa e todos os jogadores aceitavam o jogo como parte de seu plano de carreira.

Porém, com a democratização da informação, o conhecimento chegou mais rápido aos jovens, a sociedade exponencial permite que a intensidade em que vivemos acelere o processo de experiências e maturidade das novas gerações e isso nos leva à que os jovens já não queiram esperar a “sua vez”, eles a fazem.

Tudo isso tem gerado muito conflito nas organizações.

Ainda tem gente dizendo, nos bate-papos de amigos de 50+, coisas do tipo: “A geração de hoje não quer saber nada com nada”, “são muito mi-mi-mi”, “não estão comprometidos”.

Em paralelo, os (cada vez) mais jovens estão traçando seu caminho, alguns ainda aceitam o mundo corporativo tradicional, porém sem aceitar seu tradicionalismo e questionando tudo, e outros estão empreendendo.

Até aqui nada novo, só estava contextualizando, mas…

A novidade é que pela primeira vez na história da humanidade, temos quatro gerações simultaneamente no mercado de trabalho.

Não há opção, aprendemos a lidar com a multigeracionalidade ou temos um problema.

Além de ser uma bobagem, não é necessário aceitar 100% do que pensa e faz cada geração, mas é fundamental entendê-las, aceitar o que se está de acordo, debater o que não, mudar o que se pode e respeitar o que não se pode.

Para isso precisamos de duas características fundamentais: respeito e tolerância. Ambas são inerentes a organizações humanizadas.

E como se faz isso?

Antes de dar alguns exemplos de como a Tecno-Humanização leva isso às empresas, vou contar um caso que ilustra o que fazemos.

Em um colégio, aumentou muito a violência entre alunos do ensino médio e do ensino fundamental. Os maiores hostilizavam os mais novos.

A diretora tomou uma medida brilhante, criou um programa onde cada criança mais velha almoçava com um mais novo, e lhes incentivava a conversar. Eles tinham que contar coisas de suas vidas, o que eles gostavam, o que havia acontecido no dia anterior etc..

No início, as conversas eram monossilábicas (típicas em adolescentes), mas após dois meses, eles conversavam e se divertiam.

Após três meses a escola desenvolveu atividades integradas entre grupos de diferentes idades.

O interessante que os relacionamentos passaram a ter um vínculo de carinho e cuidado, similar ao de irmão mais velho. O resultado foi sensacional, a violência e hostilidade desapareceram e a conclusão foi: conhecer e reconhecer no outro, através de conversas, um ser humano que como você, tem medos, tristezas, alegrias, sonhos etc..

A Tecno-Humanização se inspirou neste caso para aplicar algumas das técnicas que utilizamos para humanizar as empresas.

Vamos a alguns exemplos.

Em 2016 eu conheci um App que se chamava Never eat alone (hoje tem outro nome), que foi criado para ajudar as pessoas socializarem em grandes corporações e não almoçarem sozinhas. Eu usei o App a meu favor e o apliquei para criar conexões nas empresas. Três almoços da semana eram aleatórios (o algoritmo escolhia pessoas por áreas de afinidades), outro dia a pessoa podia agendar com uma pessoa específica, de pessoas de outras áreas ao presidente da empresa, e outro dia estava permitido agendar com amigos da empresa. Nestes almoços as pessoas eram instruídas a conversarem sobre assuntos não relacionados à empresa.

Outra ferramenta que utilizamos é uma plataforma que eu tive o imenso prazer de conhecer e participar este ano, a AWAKEN TALKS. É uma plataforma onde pessoas contam suas histórias de vida, seus momentos de despertar e suas superações, e através delas inspiram  outras pessoas.

Desde o ponto de vista corporativo, quando as pessoas percebem que o “colaborador 436”, que se senta na outra ponta do andar, é um ser humano, como eu e como você, que padece das mesmas angústias ou que se fortalece com as dificuldades da vida, surge empatia e tratar com o “Sr. José do faturamento”, um senhor desconhecido de cara fechada, passa a ser muito mais fácil.

Ao trazer estas técnicas, entre outras, rompemos a barreira do preconceito etário e criamos uma convivência mais respeitosa e enriquecedora através da empatia.

No contexto das organizações multigeracionais, não é garantido que uma pessoa da geração baby boomer ou X, possa agregar algo em projetos de holocracia, métodos ágeis ou tecnologias exponenciais, mas com certeza podem dar o equilíbrio que qualquer empresa precisa, podem inspirar, podem mostrar como se faz as coisas e em muitos casos, como não devemos fazê-las, seja por orientação ou por exemplo.

Não estamos vivendo em uma era de mudanças e sim uma mudança de era.

O que nos trouxe até aqui, não é o que vai nos levar daqui em adiante, portanto, em muitos casos é importante entender o modelo anterior para não o repetir.

Em qualquer caso, saber aproveitar os benefícios da multigeracionalidade é ter um negócio mais saudável construindo um mundo melhor.

Imagem: Pixabay

Cuidar das pessoas aumenta a taxa de sucesso da transformação digital

Este artigo foi publicado: no dia 21/08/2019 no ITForum365 e no dia 27/08/2019 em minha coluna no portal R7 e no portal Inova360.

 

Contratar uma empresa de tecnologia para fazer sua transformação digital é tão absurdo quanto um laboratório farmacêutico cuidar da sua saúde

Sinceramente eu não entendo…

Se você não contrata um laboratório farmacêutico para cuidar da sua saúde, por quê contrata uma empresa de tecnologia para fazer a sua transformação digital? Se você contratasse um laboratório farmacêutico para cuidar da sua saúde, o que ele te recomendaria como a única solução para ser saudável?

O que ele te venderia? REMÉDIO.

A questão é que para cuidar da sua saúde você não precisa de remédio, você precisa dormir bem, se alimentar de forma saudável, praticar atividade física, buscar equilíbrio em sua espiritualidade, e, eventualmente, quando fica doente, você precisa de remédio. É exatamente isso que acontece quando você contrata uma empresa de tecnologia para fazer o seu processo de transformação digital, eles te vendem TECNOLOGIA.

E para um processo de transformação tecnológica, você precisa fundamentalmente, preocupar-se e ocupar-se das pessoas, depois do modelo de negócio e para viabilizar esta transformação, aplicar tecnologia.

Leia o artigo –  Fique atento: as tecnologias analógicas também vão impactar a sua vida para entender porque eu já não falo transformação digital e sim transformação tecnológica

Esse é um erro de conceito e o mais comum no processo de transformação digital das empresas. Olhar somente para a tecnologia é se preocupar com o final sem cuidar do processo de transformação em si.

A BE&SK encontrou o modelo matemático que explica este erro e mostra o caminho para corrigi-lo.

Modelo matemático: Viés da sobrevivência

Durante a segunda guerra mundial os EUA encomendaram a seus engenheiros que reforçassem seus aviões para evitar que fossem abatidos.

Como era inviável por peso, blindar todo o avião, os engenheiros analisaram os aviões que regressavam de combate e definiram as áreas com mais furos de balas como as áreas mais frágeis e, portanto, as que deveriam ser reforçadas.

Esta estratégia se mostrou um fracasso e os aviões americanos continuavam a serem abatidos. E sabe por quê? Porque os aviões analisados eram os que sobreviviam ao ataque, portanto, os furos de balas mostravam as áreas, que mesmo atingidas, não eram tão críticas porque o avião resistia ao ataque.

O matemático e estatístico Abraham Wald, que conhecia o viés de sobrevivência, e participou do SRG (grupo de pesquisa de estatística) encarregado de resolver este problema, mostrou que as partes que deveriam ser reforçadas eram justamente as que não possuíam tiros, porque provavelmente eram as que, quando atingidas derrubavam os aviões (tanque de combustível, motor e piloto).

Hoje, este modelo matemático, com ferramentas mais modernas, é usado por fundos de investimentos para bater índices de referências do SP&500.

Como o viés de sobrevivência nos ensina a aumentar a taxa de sucesso do processo de transformação digital?

Ao aplicar tecnologia para resolver seus problemas atuais, a imensa maioria por não dizer todos, estão relacionados ao crescimento, tais como aumentar as vendas (receita), reduzir custos, otimizar seu negócio e seus processos, isso significa blindar a parte que, mesmo atingida, mantém o avião no ar.

Não é a tecnologia que vai resolver estes problemas, ela só vai digitalizá-lo.

E como eu mostrei em meu artigo Crescimento vs. desenvolvimento, digitalizar este jogo só acelera o colapso.

Quando uma empresa digitaliza seus processos para melhorar a experiência do cliente, ela impacta seus clientes, transformando a forma de entregar seu produto e a forma deles consumi-lo. Isso gera mudança de comportamento nos clientes e na sociedade.

Quando a tecnologia é usada para otimizar processos, isso impacta os produtos, serviços, colaboradores, a forma de trabalhar, a cultura organizacional etc.

Em qualquer caso, sejam impactos internos ou externos, a transformação digital não acontece no datacenter, ela SEMPRE acontece nas pessoas.

Ao colocar a tecnologia no centro do processo de transformação digital a empresa está olhando para o lado errado.

Como resolver este problema?

A Tecno-Humanização coloca o ser-humano no centro do processo de inovação e transformação digital, a partir dele, desenha uma organização rentável e consciente que resolva problemas reais do ser-humano, e então, aplica tecnologia para viabilizar este modelo.

Obviamente a tecnologia tem muita relevância no processo de transformação tecnológica, porém elas são um meio e não um fim me si mesma.

A tecnologia representa menos de 20% do processo de transformação tecnológico de uma empresa, e sua função é viabilizar um processo de transformação mais amplo.

Esta afirmação é feita de acordo com o modelo de transformação digital ativa e passiva da BE&SK (escreverei um artigo em breve falando sobre isso), e ajuda as empresas a entenderem o porquê os estudos de McKinsey, Forbes, Wipro, Gartner, mostram que mais de 70% dos processos de transformação digitais não funcionam.

Todo processo de transformação, seja tecnológico, de negócio, comportamental, sempre começa e termina no ser-humano, organizações e negócios só existem por e para o ser-humano, pensar de forma diferente é atuar contra si mesmo.

E neste caso, termino como comecei.

Sinceramente eu não entendo…

Imagem: Pixabay