Mundo VUCA, Mundo BANI, Mundinho m…

 

ALEX (CEO): Que manhã bonita! Temperatura agradável, o parque está vazio. Perfeito!

JOSÉ: Aqui  na cidade é tudo diferente, mas esse parque é gostoso. Como se chama?

ALEX (CEO): Parque Villa Lobos! 

Vamos aproveitar enquanto estamos caminhando pra eu te contar sobre o Mundo VUCA e o Mundo BANI, porque depois quando começar a correr… não dá mais pra falar.

Vamos lá.

O termo VUCA foi criado pelo exército americano no final dos anos 80, em um cenário pós guerra-fria e é um acrônimo, uma sigla, das palavras em inglês: Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity, ou seja, Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade.

No início dos anos 2000, este conceito chegou forte no mundo corporativo e nos ajudou a ver que o mundo era:

Volátil porque as mudanças no mundo empresarial começaram a acontecer muito rápido. Isso nos obriga a sermos ágeis.

Incerto porque tudo muda o tempo todo, fica cada vez mais difícil prever os resultados futuros.

Complexo porque agora tudo está conectado e qualquer coisa que aconteça em outro lugar nos afeta aqui, e isso torna os nossos cenários econômicos complexos.

E por fim, Ambíguo, isso significa que é difícil se planejar, por conta da falta de clareza e pela falta de controle de todas as variáveis de qualquer problema.

Este conceito tornou-se popular há alguns anos e, ao entendê-lo, passamos a gerir nossos negócios de uma maneira diferente.

José, como bom observador, fica concentrado na explicação de Alex, e claramente se sente orgulhoso de seus conhecimentos.

ALEX (CEO): Entendeu? 

JOSÉ: Não!

ALEX (CEO): Como não?!!!

 JOSÉ: Seu Alex, ceis complica demais da conta as coisas e coloca nome complicado pra tudo. Quer só:

Lá na roça, as coisas muda muito rápido, o clima, os preço do mercado, as vontade do pai, os animais que tem dia que estão bão e no outro já não tão. Isso é esse tal de volátil?

E incerto então?

A gente nunca tem certeza do que plantar, se a lavoura vai ser boa, se a safra vai ser boa, se não vai ter praga, se o preço vai compensar.

nóis nunca tivemos certeza de nada.

Quer que eu continue?

ALEX (CEO): OK, já entendi. Você quer me dizer que lá no sítio vocês também tem um ambiente VUCA?

JOSÉ: Não Seu Alex, o que eu quero dizer é que as coisas são assim desde que o mundo é mundo, e no sítio não precisamos de ninguém pra nos contar isso.

ALEX (CEO): Entendi… Mas agora você vai ver porque já não falamos do Mundo VUCA, agora estamos vivendo em um Mundo BANI. Quer ver você se sair dessa, seu matuto metido sabichão. (risos)

Este conceito foi criado pelo antropólogo, autor e futurista norte-americano Jamais Cascio, que observou a pandemia tornar o Mundo VUCA ultrapassado.

Agora vivemos em um mundo BANI que significa “Brittle, Anxious, Nonlinear, Incomprehensible”, ou seja, Frágil, Ansioso, Não-linear e Incompreensível.

Frágil porque a pandemia nos mostrou que estamos expostos a qualquer coisa e não somos nada perante a natureza.

A consciência dessa nossa fragilidade criou um mundo Ansioso.  Esta doença está se convertendo em uma das doenças mais comuns de nossos tempos e o Brasil é o país com o maior número de pessoas com transtorno de ansiedade do mundo!

Não-linear é uma característica de nossos tempos, os eventos parecem desproporcionais e totalmente desconexos. Não há um padrão, uma sequência de eventos e organizações estruturadas e rígidas não conseguem atender ao mercado.

As tomadas de decisões corporativas sempre devem obedecer a uma lógica e estar baseada em dados, porém, a lógica já não funciona. Às vezes quanto mais dados e mais análises, pior. E isso torna nosso mundo Incompreensível e nós executivos temos um grande desafio.

E agora? O que tem a dizer?

JOSÉ: Me desculpa, eu não quero ofender o senhor nem esse antro-não-sei-o-quê que criou essa bobada.

Quem está perto da natureza e do ser humano, é perfeitamente consciente de que não somos nada.

As pragas surgem sem avisar.

A morte idem, meu pai estava bão num mês no outro ele morreu.

E claro, como respeitamos a natureza e suas leis, respeitamos o altíssimo, cada um com sua crença, não ficamos ansiosos por aquilo que ainda não aconteceu.

Uma pergunta Seu Alex, esse povo que inventa esse Mundo que o senhor falou aí, ganha dinheiro com isso?

ALEX (CEO): Ganha sim. 

JOSÉ: Então tá explicado tanta floritura para algo que sempre foi assim e sempre será.

Eu acredito que temos que lutar para melhorar o Mundo que o Chico Anysio descreveu, e o senhor pode fazer isso.

ALEX (CEO): Que mundo é esse José?

JOSÉ: Era isso o que eu meu pai queria que eu fizesse quando me mandou pra morar com o senhor, lutar contra esse mundo. O senhor pode se sentar?

[José começa a recitar o texto]

“E vamos falar do mundo, mundo moderno
marco malévolo
mesclando mentiras
modificando maneiras
mascarando maracutaias
majestoso manicômio
meu monólogo mostra
mentiras, mazelas, misérias, massacres
miscigenação
morticínio, maior maldade mundial
madrugada, matuto magro, macrocéfalo
mastiga média morna
monta matumbo malhado
munindo machado, martelo
mochila murcha
margeia mata maior
manhazinha move moinho
moendo macaxeira
mandioca
meio-dia mata marreco
manjar melhorzinho
meia-noite mima mulherzinha mimosa
maria morena
momento maravilha
motivação mútua
mas monocórdia mesmice
muitos migram
macilentos
maltrapilhos
morarão modestamente
malocas metropolitanas
mocambos miseráveis
menos moral
menos mantimentos
mais menosprezo
metade morre
mundo maligno
misturando mendigos maltratados
menores metralhados
militares mandões
meretrizes marafonas
mocinhas, meras meninas,
mariposas
mortificando-se moralmente
modestas moças maculadas
mercenárias mulheres marcadas
mundo medíocre
milionários montam mansões magníficas
melhor mármore
mobília mirabolante
máxima megalomania
mordomo, Mercedes, motorista, mãos
magnatas manobrando milhões
mas maioria morre minguando!
moradia meiágua, menos, marquise
mundo maluco
máquina mortífera
mundo moderno melhore
melhore mais
melhore muito
melhore mesmo
merecemos
maldito mundo moderno
mundinho merda!”

Alex não conseguiu conter as lágrimas.

ALEX (CEO): José, você não deixa de me surpreender. Então vamos para o escritório transformar esse “mundinho merda”. 

 

Imagem: BE&SK

Como pode funcionar o marketing de conteúdo se todo mundo quer falar, e quase ninguém está disposto a ouvir?

 

FELIPE (CMO): Bom dia pessoal! Amanhã vamos apresentar o plano de marketing do próximo ano, mas já posso antecipar a vocês, que além das ações corporativas, vamos apoiar-nos muito na geração de conteúdo por parte dos executivos, queremos transmitir uma imagem próxima ao consumidor e vocês terão que ser ativos nas redes sociais.

ALEX (CEO): Quem vai criar os conteúdos?

FELIPE (CMO): Ah! Não se preocupe! Nosso time de conteudistas fará todo o trabalho. Alex, no seu caso, nós cuidaremos da sua rede social, embora você também possa interagir com o público caso queira. Se houver alguma questão ou comentário que mereça a sua atenção, nós perguntaremos a você. Vamos intensificar a estratégia do marketing de conteúdo. Acabamos de contratar uma pessoa para ficar olhando o mercado e as redes sociais, assim nos manteremos atualizados e poderemos escrever sobre as últimas tendências. José, no seu caso que está começando é fundamental você comentar artigos e postagem de outras pessoas que tenham relevância e autoridade digital. Isso se chama subir em ombros de gigante. Esse conceito é bem antigo, procede de Isaac Newton, que escreveu em 1675: “Se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes.” Não importa se você conhece a pessoa, o importante é pegar carona na relevância dela. Você deve reenviar algum post e postar com frequência, no mínimo diária. Solicitar conexão com pessoas importantes para sua rede. Entendeu?

JOSÉ: Entendi sim.

FELIPE: De qualquer forma, vou pedir para te mandarem uma guia que temos para te ajudar no início. Até amanhã!

 

FIM DA REUNIÃO

 

Alex notou que José passou o dia mais calado, porém ficou receoso de perguntar o que estava acontecendo na frente de outras pessoas, quis evitar o constrangimento da reunião de ESG e decidiu perguntar no carro, no caminho de volta a casa.

ALEX (CEO): E aí José! Está tudo bem?  O que achou sobre o marketing de conteúdo?

JOSE: Pra ser sincero com o senhor, estou um pouco injuriado com esse tal de LinkedIn.

 

Risos do Alex…

 

ALEX (CEO): Eu notei que você estava mesmo calado. O que aconteceu?

JOSE: O senhor quer mesmo saber?

ALEX (CEO): Claro! Estamos sozinhos e pode me contar.

JOSE: Oh! Eu mandei convite pra um monte de gente, ninguém me respondeu. Quando eu coloquei que era trainee e assistente direto do senhor, choveu conexão… Por quê?

ALEX (CEO): Ah! Isso é normal no mundo corporativo. Quem não tem cargo importante, quer se conectar com quem tem. Quem tem cargo importante só se conecta com outro do mesmo nível. Com o tempo você se acostuma. Mas era só isso que te deixou chateado?

JOSE: Não senhor. Eu mandei mensagem para algumas pessoas, elas leram e não responderam. Será que é porque eu não sou importante ou é por falta de educação mesmo?

ALEX (CEO): Não fique chateado, pensa que você é apenas um trainee, e os diretores de empresas não tem tempo pra te responder.

JOSE: Mas lá no sítio, quando alguém pergunta ou pede alguma coisa, as pessoas respondem, mesmo que seja para dizer que não podem fazer o que pedimos. Lá nóis é simples mas tem educação.

ALEX (CEO): Não tome isso como algo pessoal. Sem contar que tem muita gente que se conecta a todo mundo porque está interessado em quantidade. Tem gente que se coloca meta de número de conexão: “Quero ter 10.000 conexões em 3 meses”, e passa o dia fazendo isso.

JOSE: Mas para quê?

ALEX (CEO): Para quando publicarem qualquer conteúdo, ele ser lido por mais pessoas.

JOSE: Mas se as pessoas passam o tempo todo se conectando e publicando, quando terão tempo de ler tudo o que os outros publicam também.

ALEX (CEO): Isso é impossível. Se eu fosse ler tudo o que me mandam e publicam, eu não trabalharia.

JOSE: Então agora que eu me perdi de vez Seu Alex. Me desculpe a minha “ingnorância” mas… Se o marketing de conteúdo significa publicar estórias, lá no sítio a gente chama de causo, para as pessoas verem, como isso pode dar certo se nesse tal de LinkedIn todo mundo só quer falar, e quase ninguém quer ouvir?

ALEX (CEO): Olha, mais uma vez eu não sei o que te responder, mas desta vez eu estou feliz. Quero que você faça essa pergunta ao Felipe amanhã na reunião. Toda nossa estratégia está baseada em marketing de conteúdo, vamos investir muito dinheiro nisso e estou curioso pra saber o que ele vai responder. Talvez em um mundo VUCA ou BANI que estamos vivendo agora, tenhamos que repensar algumas coisas.

JOSE: Mundo o quê Seu Alex?

Alex dá uma enorme gargalhada.

ALEX (CEO): Me desculpa José, falei como se estivesse falando com algum executivo. Já estamos chegando, mas te prometo que amanhã, durante a nossa caminhada eu te explico o que é o Mundo VUCA, Mundo BANI e as diferenças entre eles.

JOSE: Cada coisa estranha “oceis” fala.

ALEX (CEO): Agora vamos descansar. Isso se eu conseguir porque essa sua perguntinha do marketing me deixou com a pulga atrás da orelha.

 

 

Imagem: BE&SK