Fazer o que precisa vs. fazer o que é certo

 

EDUARDO (CIO): Bom dia a todos!

Hoje temos um convidado especial em nossa reunião. O José, assistente pessoal do Alex.

Pessoal, hoje a reunião vai ser fácil.

Mensagem única e direta.

Quero a integração de sistemas já!

O pessoal lá de cima tá puto. O Alex quer isso para ontem porque o conselho está pressionando.

Já que as coisas não andaram sozinhas e vocês não fizeram direito o trabalho de vocês, eu quero revisar o cronograma, saber onde e por que está atrasado e o que vocês vão fazer para resolver o problema.

Vilela, me fale sobre a integração.

VILELA (PO): Nós estamos no cronograma.

EDUARDO (CIO): Como assim?

A compra foi feita há seis meses e ainda não estão todos os sistemas integrados. Mas, para todos os efeitos, estamos no cronograma!

Quem aprovou este cronograma?!!!

VILELA (PO): O Jorge (gerente de TI) aprovou com você.

EDUARDO (CIO): Comigo?

Eu não me lembro de ter aprovado um prazo tão longo assim.

Quando ele me mostrou as fases, me pareciam fazer bastante sentido.

VILELA (PO): Então deixa eu explicar quais são as fases, onde estamos e por que a integração foi desenhada desta maneira.

Na due dilligence, nós identificamos que eles utilizavam muitos sistemas diferentes ao nosso, alguns proprietários inclusive.

A primeira fase foi migrar os sistemas que eles tinham, que eram iguais ou piores que os nossos. Neste caso foi fácil porque a migração dos iguais é automática e a dos piores, nós mantivemos os nossos e tiramos os deles.

Agora estamos na fase mais complexa.

Para usar os sistemas deles, que eram melhores, precisamos aprender como funciona, mudar alguns processos internos para adaptar-nos ao sistema, enfim, tem uma curva de aprendizado longa.

No meio do caminho tivemos outro problema. O Fábio (CFO) pressionou para mandarmos embora a equipe que havia desenvolvido o melhor sistema que eles tinham, e você aceitou lembra?

EDUARDO (CIO): Mas tínhamos que mostrar eficiência na integração e era uma equipe caríssima, ganhavam mais que vocês. Eu fiz isso para protegê-los!

Se pago mais para eles, vocês se sentiriam mal e desmotivados.

Se igualo o salário de vocês ao deles, aumentaríamos muito o nosso custo e, com o tempo, cabeças  rolariam.

Então a solução foi dispensar a equipe deles. Aí agora você está dizendo que não temos ninguém em nossa equipe capaz de entender como funciona o sistema deles?

VILELA (PO): Não é isso, mas sim que vamos conseguir aprender e implantar o sistema aqui, só que vai demorar mais tempo.

EDUARDO (CIO): E a documentação do sistema?

VILELA (PO): Eu não sei se havia documentação, mas não encontramos os documentos que poderiam nos ajudar a acelerar este processo.

Mas fica tranquilo que vamos fazer.

EDUARDO (CIO): Vamos fazer para ontem?

VILELA (PO): Para ontem não. Trata-se de um sistema complexo, que é o core da empresa.

Criamos uma equipe multidisciplinar com operações, finanças e jurídico para revisar os processos, enfim é uma mudança profunda.

Porém, acreditamos que nos trará muitos benefícios a longo prazo.

EDUARDO (CIO): E se mantivermos o nosso sistema e trazermos somente os dados do deles?

VILELA (PO): Neste caso seria mais rápido. E se não der para trazer os dados, deixamos só para consulta de histórico, usamos o nosso e pronto. Em duas semanas está resolvido.

EDUARDO (CIO): Então é isso que vamos fazer.

VILELA (PO): Não é melhor falarmos com o Jorge (gerente de TI) antes? Ele está doente e não pôde vir hoje, mas semana que vem ele estará de volta.

EDUARDO (CIO): E perder mais uma semana?!!! Nem pensar.

Aqui as coisas mudaram, o bom para a empresa é o bom para o conselho, portanto, se tivermos que deixar de ter algumas funcionalidades que o sistema deles tinha, a gente deixa.

Outra coisa, implantaremos as vantagens que eles tinham no nosso sistema com tempo.

Mas a migração eu quero já! Além do mais, ao manter o nosso sistema, mandamos uma mensagem clara de quem manda aqui. Quem comprou e quem foi comprado!

Vou sair daqui e mandar um e-mail pro Alex dizendo que em duas semanas os sistemas estarão migrados.

Dá seus pulos, Vilela.

Se precisar de qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo, me fala.

Veja o que precisa para cumprir o prazo, mas cumpra!

Agora todo mundo vá fazer isso acontecer.

 

Todos saem da sala.

O José também está saindo e Eduardo lhe chama.

EDUARDO (CIO): José, pode ficar um momento por favor.

Como você está conhecendo todas as áreas da empresa, eu gostaria que você participasse de outra reunião da minha equipe. Essa reunião foi diferente, era muito tática, somente para tratar o tema da integração.

Não deu para você conhecer nada da nossa área.

JOSÉ: Engano do senhor. Deu para ver muita coisa.

EDUARDO (CIO): O que você quer dizer com isso?

JOSÉ: Quer que eu fale mesmo?

EDUARDO (CIO): Claro!

JOSÉ: Ôceis falaram um montão de vez, “o sistema deles”. A partir do momento que ôceis compraram a empresa não deveria ter mais “eles e nóis”, é uma coisa só, não é?

EDUARDO (CIO): Sim, mas veja bem. Eu me referia ao sistema, não à equipe. A equipe somos uma só.

JOSÉ: Ué, então não entendi. Se o senhor diz que somos todos a mesma empresa, por que o senhor disse que queria mandar a mensagem de quem manda aqui?

EDUARDO (CIO): Não, mas isso é diferente. É uma forma de falar. Às vezes, no mundo corporativo, é importante marcar território José. O CIO da empresa que compramos foi mandado embora, mas o segundo quis tentar abrir espaço e pegar o meu lugar, então é bom ele receber essa mensagem.

JOSÉ: Então tá né, se o senhor diz que é assim.

Agora, o que me deixou maluquinho de tudo foi que ôceis gostaram do sistema da outra empresa porque era melhor.

Mandaram as pessoa que conhecia o sistema embora para economizar, ficaram sem as pessoa e acabaram gastando mais dinheiro tentando aprender a fazer o sistema funcioná.

E agora que estavam perto de conseguir, jogam fora tudo isso,  não podem esperar porque num-sei-quem desse tal conseio quer que se faça tudo rápido.

Tá loco como céis gosta de jogar dinhero fora. Quem paga tudo isso?

Não seria melhor o senhor explicá para eles que é melhor esperar um pouco e fazer as coisa direito?

Seria o melhor para a empresa.

EDUARDO (CIO): É mais ou menos isso. Mas não é tão simples assim.

JOSÉ: Como não uai?

EDUARDO (CIO): Nossa equipe de executivos é muito experiente e domina todas as técnicas de gestão do mercado.

Tomando essa decisão hoje, talvez eu tenha prejudicado um pouco o investidor, mas reduzo a pressão.

Depois, antes do final do ano fiscal, eu faço alguns ajustes para compensar.

O acionista nunca perde.

É para isso que ele me paga.

JOSÉ: Então talvez o senhor tenha que cometer outro erro ou injustiça para corrigir essa.

Que bola de neve da gota.

Não adianta não Seu Eduardo, eu agradeço muito a tentativa do senhor, mas eu não consigo entender esse mundo d’ôceis.

EDUARDO (CIO): É José, você tem toda a razão do mundo.

Mas falar com o conselho sobre isso só seria possível em outro momento, estamos no início da relação e precisamos e ganhar a confiança deles e dos investidores mostrando que somos capazes de entregar os resultados combinados.

JOSÉ: Agora o senhor acabou de me matar.

Aqui na cidade ôceis ganham a confiança deixando de falar a verdade e fazendo o que é pior da empresa, só para não defender o que é certo?

Que jeito estranho de ganhar confiança e agradar uma pessoa.

Ôceis fazem o que precisa fazer para agradar o investidor, mesmo que não seja certo.

O que significa que para agradar ao investidor ôceis prejudica ele.

Acho que eu sou muito lerdo para entender essa lógica d’ôceis.

 

Imagens: BE&SK

Cada um é responsável por todos

 

 

CLÁUDIO (CHRO): Boa tarde a todos!

Tenho o resultado da pesquisa de clima que encomendamos.

Agradeço a todos por terem dado um “empurrãozinho” na equipe de vocês. A adesão foi de 97% dos colaboradores.

FÁBIO (CFO): No meu caso foi fácil. Durante a minha reunião de equipe eu disse: Pessoal, agora é o momento de preencher a pesquisa, me sentei na frente deles e esperei eles preencherem. Simples assim. Já até imagino de qual departamento são os 3% que não preencheram…

ALEX (CEO): Pessoal, sem dardos envenenados. Vamos nos concentrar no resultado da pesquisa.

CLÁUDIO (CHRO): Eu enviei o resultado completo a todos vocês para que leiam e possam, com um plano de ação por área, dar o feedback ao time de vocês.

É importante que cada um de vocês leia o relatório completo e elabore um plano para corrigir os desvios da área de vocês.

FÁBIO (CFO): Eu já dei uma olhada em diagonal e na minha área está tudo bem.

SANTOS (CSO): Claro! Quem vai falar mal da empresa e do chefe preenchendo uma pesquisa na frente dele? Você desvirtua a pesquisa, Fábio (CFO).

ROSA (CLO): Pra começar, eu acho que deveríamos voltar a fazer a pesquisa com a empresa anterior, que dava o resultado fechado de toda a empresa. Essa história de fazer por áreas é pouco efetiva. Temos o Fábio que manipula, o meu caso que, ao ter uma área com duas pessoas, elas não vão falar o que pensam de verdade nunca, porque seria fácil descobrir o que cada uma falou…

BRENO (COO): Cláudio, eu não vou conseguir ler até no final da próxima semana. Esse relatório é super grande e eu estou enrolado com dois projetos grandes, finais de semana incluídos.

CLÁUDIO (CHRO): Você deveria ser o primeiro a ler, não porque a sua pesquisa esteja ruim, mas sim, por ter a maior equipe.

BRENO (COO): Justamente por isso não consigo. Tenho a maior equipe, e muita coisa pra fazer.

ALEX (CEO): O que está acontecendo hoje com vocês? Não estamos aqui para julgar os critérios da pesquisa e sim o resultado dela. Podemos discutir o tipo de estudo na próxima vez, esta já está feita. Mas adianto que fui eu que escolhi este modelo de pesquisa, pois assim, posso ver também como vocês estão administrando as suas equipes.

ROSA (CLO): Mas isso não se vê na avaliação 360?

ALEX (CEO): Também, mas eu cruzo a informação das duas para avaliar o desempenho de vocês.

FÁBIO (CFO): Eu estou tranquilo. A minha avaliação de desempenho foi excelente e os meus resultados também. Só deve se preocupar quem não faz bem o seu trabalho.

 

Neste momento, Santos envia uma mensagem em um grupo paralelo de WhatsApp criado com alguns diretores mais próximos, no qual ele diz:

“O Alex nos avalia… mas quem avalia o Alex?”

 

E se cruzam o olhar com ar de aprovação ao questionamento de Santos.

ALEX (CEO): Pessoal, vamos voltar aqui.

Cláudio (CHRO) qual é o resumo geral?

CLÁUDIO (CHRO): Bem, o resultado não difere muito dos anteriores no que se refere aos parâmetros, porém houve um aumento muito grande dos fatores negativos.

Os fatores desfavoráveis são os mesmos que nos outros anos, no entanto, aumentou muito a porcentagem de cada um.

Antes tínhamos 8% de fatores desfavoráveis, 32% em mais ou menos e 60% em favorável.

Agora temos 58% em desfavoráveis!!!

Os fatores que mais chamaram a atenção foram:

  • Falta de integração empresa-funcionário;
  • Falta de credibilidade mútua empresa-funcionário;
  • Falta de envolvimento com o negócio;
  • Crescimento de doenças psicossomáticas.

Resumindo, não se sentem integrados nem comprometidos, não confiam em nós e estão ficando doentes, com depressão, transtorno de ansiedade e estresse.

ALEX (CEO): Tem algum ponto positivo?

CLÁUDIO (CHRO): Tem sim.

Temos uma alta dedicação e uma alta retenção de talentos. Nós estancamos a sangria das pessoas que estavam saindo.

FÁBIO (CFO): Claro que estancamos. Agimos para aumentar a massa salarial da empresa em 18%. Isso vai trazer consequências.

EDUARDO (CIO): Eu acho ilusório pensar que conseguimos frear a debandada de talentos só aumentando salário.

Quem ficou por dinheiro não foram os bons nem os comprometidos, ficaram os mercenários, os acomodados e os que são medianos. Os comprometidos e bons de verdade têm espaço no mercado.

FÁBIO (CFO): Gente, pera lá. Sério mesmo que estamos perdendo tempo com isso?

Eu entendo que tenhamos que fazer essas pesquisas para mostrar pro mercado que nos preocupamos com o clima interno da empresa, e agora também temos que mostrar serviço para os acionistas.

Mas a verdade é uma só: A maioria das pessoas mente nestas pesquisas.

Sem contar que tem muita gente mi-mi-mi, muita frescura para o meu gosto. Agora qualquer coisinha é motivo de depressão.

Isso é uma empresa e não um balneário.

O que interessa são os números!

Se querem trabalhar aqui, ótimo. Se não querem, tem quem queira.

São 14 milhões de desempregados no mercado, gente.

Temos onde escolher…

 

Alguns diretores balançam a cabeça em sinal de aprovação. Neste momento, entra na sala a secretária do Alex.

SUZANNA (PA): Sr. Alex, me desculpe interrompê-lo, mas o senhor Jorge retornou a ligação e o senhor pediu para avisá-lo.

ALEX (CEO): Ah! Ótimo. Pede 20 segundos e eu atendo sim. Preciso falar com ele urgente.

Pessoal, é preocupante esta situação.

As pessoas são o nosso maior ativo, sempre nos preocupamos por eles, e, de repente, as coisas pioraram.

Não sei o que aconteceu, só que precisamos entender o problema e resolvê-lo urgente.

Eu preciso atender essa ligação imediatamente, porque estou atrás deste cara há dois dias. É o presidente da empresa que estamos negociando a compra.

Revisem o relatório, tomem as medidas e nos falamos na próxima reunião.

 

Termina a reunião…

Durante o jantar, José pergunta:

JOSÉ: O senhor tá preocupado né?

ALEX (CEO): Estou sim. Nunca tivemos um resultado tão péssima na pesquisa de clima como na de hoje? Não entendo o que aconteceu. Sempre cuidamos das pessoas.

JOSE: O senhor não me perguntou, mas eu vou falar. Eu achei estranho uma coisa.

Vocês pagaram para uma empresa perguntar para os funcionários d’ôceis o que eles acham da empresa, do trabalho e d’ôceis? É isso?

ALEX (CEO): Sim.

JOSÉ: Por que vocês mesmo não conversam com as pessoa?

ALEX (CEO): Porque elas mentiriam. Elas ficariam com medo de falar o que pensam do chefe pro próprio chefe, e falar mal da empresa para o dono da empresa, e assim por diante.

JOSÉ: Então não entendi, porque ôceis falaram que as pessoa mente na pesquisa também.

E tudo que saiu bom é mérito d’ôceis e o que saiu ruim é porque as pessoa reclamam demais e sem motivo.

igual o filho do meu primo Jão que veio estudar na cidade.

Quando ele passava na prova, o mérito era dele. Mas quando ele tirava nota vermelha ou repetia de ano, a culpa era dos professores. Ele falava que os professores pegava no pé dele à toa.

Para mim, essa história de empurrá a culpa pro outro, não costuma acabar bem não, Seu Alex!

O senhor conhece Antoine de Saint-Exupéry? O escritor do pequeno príncipe.

Ele disse: “Cada um é responsável por todos. Cada um é o único responsável. Cada um é o único responsável por todos.”

Mais uma vez Alex fica sem reação ao ver a José citar Antoine de Saint-Exupéry e também pela mensagem…

 

 

Imangens: BE&SK

Crescimento inorgânico é para crescer a empresa ou o ego?

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ALEX (CEO): Bom dia, pessoal!

Tudo bem?

Eu marquei esta reunião para falar sobre a integração.

 

Santos (CSO) respira com alívio e Alex percebe.

ALEX (CEO): O que foi, Santos?

SANTOS (CSO): Pensei que falaríamos dos números novamente e não deu tempo ainda, desde a semana passada, de implantar as medidas sobre as quais conversamos.

ALEX (CEO): Nem me fale dos números. Nunca estivemos tão mal, tão abaixo da meta. O conselho está me pressionando muito.

SANTOS (CSO): Bem, estamos abaixo, mas todos aqui sabemos porquê…

 

Alex (CEO) respira com ar de cumplicidade e resignação.

ALEX (CEO): Voltando à pauta da reunião.

Temos um problema enorme com a integração.

Faz quase seis meses que compramos a empresa e a integração está crua.

Os únicos pontos do nosso planejamento que foram finalizados no prazo foram a reestruturação e a otimização de custos.

O Fábio cortou o orçamento rapidinho.

No resto estamos atrasados. É inaceitável!

Edu (CIO), por que ainda estamos usando dois sistemas?

EDUARDO (CIO): O sistema que eles usavam era proprietário e a empresa está pedindo uma fortuna pela migração.

ALEX (CEO): Mas isso não foi avaliado e acordado na due diligence?

EDUARDO (CIO): Isso foi identificado, nós pedimos para eles conversarem com o fornecedor e nos disseram que não haveria problema.

ALEX (CEO): Então se vira. O antigo CIO agora está na sua equipe, não está?

Resolva isso já!

Se acabou, no próximo fechamento de mês não quero dois sistemas.

Cláudio (CHRO), o que está acontecendo?

Eu tive que assinar um monte de rescisão.

Pensei que já tínhamos terminado com a limpeza.

Bom, pelo menos espero que estejam indo os ruins.

CLÁUDIO (CHRO): Pior que não, os ruins nós mandamos embora, agora estão indo alguns bons.

ALEX (CEO): E por quê?

CLAUDIO (CHRO): Alguns porque estavam muito conectados com os que nós mandamos embora, um me falou que não se adaptou à nossa cultura, e outros afirmaram que nós impusemos nossa forma de trabalhar sem perguntar se eles concordavam. Tiveram dois ou três que disseram que, em alguns casos, eles tinham processos ou ferramentas melhores, mas nós os obrigamos a usar as nossas, isto representou um downgrade.

FABIO (CFO): Pera lá! Tem essa agora?

Quem comprou a empresa? Nós!

Portanto, quem dita as regras somos nós.

Que frescura do caramba! Eles deveriam estar agradecidos por fazerem parte de uma organização como a nossa.

ALEX (CEO): Tenho que concordar com o Fábio.

Ele fez um excelente trabalho na parte financeira da integração.

FABIO (CFO): Cortar é comigo mesmo. E como estava combinado, aproveitei a integração para cortar alguma gordura que a gente tinha. Aí o sindicato não enche o saco e ninguém fala nada no Glassdoor.

Eu aproveitei para mandar embora uns caras com salário baixo e contratar outros baratos.

Tem muito desempregado disposto a trabalhar por um salário menor.

Outra coisa que temos que aproveitar é o pessoal que está chegando com a integração, que querem mostrar serviço, que são ambiciosos.

Vocês têm que aprender a política do meio-a-meio.

Principalmente você Breno (COO), que tem a área com o maior TLC*.

BRENO (COO): O que é a política meio-a-meio?

FÁBIO (CFO): Pagar a metade do salário por trabalhar meio-período, 12 horas. Rsrsrsrsrsrsrs

Algumas pessoas riram, mas a maioria se sentiu desconfortável com a piada sem graça.

ROSA (CLO): Fábio, você não deve fazer mais este tipo de piada por aí. Se algum funcionário te ouvir, podemos ter problemas.

ALEX (CEO): Eu não imaginei que estivesse tão ruim assim.

Cláudio (CHRO), contrata uma pesquisa de clima urgente e vamos ver o tamanho do problema, se é que ele existe.

Estou um pouco fora do dia-a-dia porque a negociação da compra da próxima empresa e o conselho estão me absorvendo.

As coisas estão difíceis e preciso de vocês, tanto para finalizar a integração, como para melhorar os resultados.

Agora vamos produzir!

Quero o plano de integração finalizado este mês, não me interessa como, e a pesquisa de clima para a próxima reunião.

 

No caminho de volta a casa, Alex estava pensativo e não conversou muito.

José, levantou-se às 2:30h para beber água e viu o Alex na varanda fumando.

JOSÉSeu Alex,  bem com o senhor?

O senhor tem dormido pouco e mal, não faz mais as caminhadas,  com olheira…

ALEX (CEO): As coisas não estão saindo como eu imaginei. A ideia era acelerar o nosso crescimento de forma inorgânica, mas a minha equipe não está respondendo à altura este novo desafio.

JOSÉSeu Alex, por que o senhor quer crescer? Por que quer comprar estas empresas?

ALEX (CEO): Porque precisamos crescer José. Uma empresa deve crescer todos os anos porque o mercado exige isso.

Precisamos comprar empresas e ficarmos grande o suficiente para não sermos comprados.

Ter um portfólio maior, chegar a novos mercados, conseguir economia de escala, sinergias, enfim…

JOSÉ: Entendi. E a equipe do senhor pensa assim também?

ALEX (CEO): O que você quer dizer com isso?

JOSÉ: Nada não senhor.

Eu vou voltar para cama, o senhor deveria descansar também.

Ao voltar para a cama, José conecta a frustração de Alex com a sua equipe, a falta de comprometimento de alguns diretores e as atitudes deles, de estarem mais preocupados em agradar os investidores que em realizar seu trabalho.

 

José volta para a varanda.

JOSÉSeu Alex, o senhor conhece a diferença entre ser ambicioso e ganancioso?

ALEX (CEO): Não!

JOSÉ: Quando uma pessoa ambiciosa vê o senhor com uma camiseta bonita, ela quer trabalhar para comprar uma igual, ou melhor. Uma pessoa gananciosa, além de comprar uma camiseta igual, ela acha injusto que o senhor tenha uma camiseta tão bonita. Por isso, ela quer tomar a sua camiseta porque acha que merece mais que o senhor.

ALEX (CEO): O que isso tem a ver com a empresa? Você sabe de alguma coisa?

JOSÉ: Talvez tenha gente na equipe que, ao invés de trabalhar com o senhor para comprar muitas camisetas, tá querendo tirar a do senhor. Arrancar do corpo mesmo, sabe?

Boa noite, Seu Alex.

Durma bem.

 

* TLC = Sigla para Total Labor Cost

 

Imagens: BE&SK

Diga-me como me medes e te direi como me comportarei

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SANTOS (CSO): Fala pessoal!

Tudo bem?

Hoje o José vai participar da reunião com a gente.

Para quem não conhece, ele é o assistente pessoal do Alex.

José, tudo o que conversarmos aqui é confidencial, OK?

Você não deve dizer nem pro Alex.

Posso confiar em você?

JOSÉ: Mas Seu Santos, ele é meu chefe e dono da empresa.

SANTOS (CSO): Sim, José, mas para a empresa funcionar, nós temos que fazer certas coisas e o Alex não precisa saber todos os detalhes. Ele confia em mim e tem muita coisa na cabeça.

Além do mais, não estamos enganando o Alex, ele já foi diretor comercial, sabe como funciona e tudo o que acontece aqui.

Então? Tenho a sua palavra que você não vai comentar nada sobre essa reunião?

JOSÉ: Se é assim, então o senhor tem a minha palavra.

 

Santos fez José assumir o compromisso publicamente de não contar nada porque sabe que o José dá muito valor à palavra.

SANTOS (CSO): Pessoal, antes de começar a reunião de forecast eu queria atualizá-los.

A reunião com os gringos foi um sucesso! Eles vão investir em nossa empresa, por isso, queria agradecer por terem dado aquela inflada nas oportunidades.

A nossa previsão de vendas foi importante na decisão dos compradores. Obrigado e parabéns a todos!

Agora…

Tem um ponto que eu preciso comentar. Eles incluíram uma cláusula no contrato que impõe que, se não cumprirmos pelo menos 80% da previsão de vendas, eles retiram o investimento.

Então, vamos ter que cumprir de qualquer jeito!

VENDEDOR 1: Mas isso significa quase 40% a mais do nosso target!!! E isso que a nossa cota já era de crescimento.

SANTOS (CSO): Eu sei e você tem razão. Mas eu já estou trabalhando nisso. Agora com a entrada dos investidores, nós de vendas seremos medidos somente por vendas e o Alex, mesmo sendo o dono, vai ser medido pelo conselho por EBITDA.

Então eu tive uma ideia, vamos poder dar condições especiais de pagamento, porque os juros vão abaixo do EBITDA e não nos prejudica, nem prejudica ao Alex. Depois eu vou alinhar isso com ele.

VENDEDOR 2: O Alex sabe que inflamos a pipeline?

SANTOS (CSO): Não! A filosofia da empresa é que cada diretor tem que administrar o seu negócio como se fosse seu, então eu fiz o que tinha que ser feito.

Se você não pode vender resultado de hoje, venda expectativa de futuro!

VENDEDOR 3: Mas isso me matou Santos. Esse ano eu não vou cobrar bônus. Nos dois últimos anos eu alcancei 130% e 145% da meta, e como os crescimentos do ano seguinte são sempre em cima dos resultados alcançados, se somarmos esse aumento dos gringos, a minha meta passou a ser quase 4x a que eu tinha há dois anos. É impossível!

SANTOS (CSO): Pode ser que esse aumento dos gringos tenha complicado um pouco as coisas, mas complicou para todo mundo, não foi só para você.

De toda forma, vou revisar os números e se eu vir alguma injustiça muito grande, eu ajusto.

Agora vamos revisar as oportunidades porque eu tenho que apresentar o forecast ainda esta semana.

José estava sentado ao lado de Janaína e, à medida que ela colocava em uma planilha os valores que cada vendedor dizia que iria fechar aquele mês, a planilha calculava um valor diferente, que não coincidia com a soma das oportunidades daquele vendedor.

Ao terminar a reunião, José procurou Santos.

JOSÉ: Sr. Santos! O senhor tem um minutinho?

SANTOS (CSO): Tenho sim. Pode falar.

JOSÉ: O senhor me desculpa me intrometer, mas acho que tem um erro na planilha da Janaína. As somas não estão corretas.

SANTOS (CSO): Impossível José. Eu e a Janaína desenvolvemos essa planilha há muitos anos e vamos aprimorando ano a ano.

Sabe José, a parte mais importante do meu cargo é a previsibilidade. Quando eu dou um forecast eu cumpro (a qualquer preço). Isso me dá credibilidade e tudo isso graças a essa planilha.

A Janaína é mais importante que os vendedores.

JOSÉ: Seu Santos, o senhor vai me desculpar, mas quando um vendedor dizia que ia fechar a oportunidade A, B e C, e a soma das 3 dava 500 mil, a planilha colocava 420. E tinha outro vendedor que dizia que ia vender 700 e a planilha colocava 800. Tá errado!

Santos dá uma gargalhada bem alta!

SANTOS (CSO): Ah! É isso? Não se preocupe, está certo sim.

Sabe José, isso faz parte da minha inteligência de negócio e da equipe. Tem vendedor que é otimista, mas não costuma cumprir o forecast, tem outros que guardam coisas na manga para não se comprometerem com números mais agressivos, mas no final sempre cumprem. Então, como eu e a Janaína conhecemos bem cada um, colocamos um fator de correção sobre o forecast de todos. Entendeu?

JOSÉ: Acho estranho, mas entendi sim senhor. Eu acho que seria melhor que, ao invés do senhor e a Janaína inventarem uma fórmula para traduzir o que os vendedores querem dizer, que ôceis ajudem os vendedor a fazer as previsão corretamente, não seria?

SANTOS (CSO): Em teoria sim, mas, se eles aprenderem a fazer as previsões corretamente, a inteligência do negócio estará com eles e não comigo. Aí, qualquer diretor comercial serve. Da forma que está hoje, não vale nenhum diretor comercial, tem que ser eu.

E de resto? O que achou da reunião?

JOSÉ: Eu fiquei com uma dúvida. O vendedor 3 disse que ele bateu a meta e, como todo ano ceis têm que crescer, a cota dele aumenta a cada ano. E quem não bate a meta acaba tendo uma cota menor, porque ela é calculada sobre o resultado do ano anterior.

SANTOS (CSO): Mais ou menos. Quem não bate a meta, não fica para o próximo ano. Mas a vezes temos exceções.

JOSÉ: É assim que vocês incentiva o vendedor que faz um bom trabalho? Quem bate a meta tem cota maior, quem não bate tem cota menor. Mundo doido esse d’oceis .

Outra coisa, esse negócio que o senhor falou aí de baixar preços, aumentar a forma de pagamento, pra poder cumprir as metas de vendas, não prejudica a empresa?

SANTOS (CSO): Eu sou pago para vender José. A parte financeira é com Fábio. Ele que se vire. Mas como eu comentei, os juros vão depois do EBITDA, e isso não prejudica.

Sobre os descontos, sim, impactam um pouco a rentabilidade, mas pelo menos mantemos as vendas e a roda continua girando.

Se o lucro baixar, ano que vem a gente reestrutura, corta custo, como todos os anos, e vida que segue. Pelo menos, eu garanto mais um ano meu cargo e da minha equipe.

E agora, com a chegada dos gringos, eu tenho que bater a meta sim ou sim, porque eu quero chegar a VP de vendas do grupo ou até quem sabe ocupar o lugar do Alex se ele for para outro cargo…

JOSÉ: Entendi. Até logo, Seu Santos.

José sai pensativo, refletindo sobre o que viu hoje…

Os vendedores mentem pro senhor Santos e ele sabe disso.

O senhor Santos mente pro senhor Alex e ele sabe disso.

Quem bate a meta, tem cota maior no próximo ano.

Quem não bate a meta, tem cota menor no próximo ano.

O senhor Santos vende mais barato para bater sua meta, mesmo sabendo que isso vai significar que muita gente vai perder o emprego ano que vem. Mas ele pensa de verdade que isso é o melhor para a empresa.

Enfim, eu não consigo entender a lógica desse mundo corporativo…

Mas tem uma coisa que ficou clara para mim.

Diga-me como me medes e eu te direi como me comportarei! *

 

* Frase de Eliyahu M. Goldratt no livro A meta

 

 

Imagens: BE&SK

O teatro das visitas internacionais

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ALEX (CEO): Boa noite a todos!

Agradeço a todos o esforço por terem assinado o NDA urgente e terem se conectado em uma sexta-feira à noite, mas o pessoal da Leech Investment antecipou a reunião para a próxima semana, portanto vou precisar de um esforço de vocês.

Teremos que trabalhar no final de semana para preparar tudo.

Claudio (CHRO), preciso que você envie um comunicado a todo mundo que é preciso limpar as mesas e deixar tudo ordenado.

A reunião é na quinta, portanto, quero que o pessoal da limpeza deixe tudo perfeito entre terça e quarta.

Pede para o pessoal de facilities revisar se está tudo funcionando, se tem lâmpada queimada etc, para mostrar que nos preocupamos com o ambiente de trabalho.

Santos (CSO), no final do dia quero organizar um jantar com 3 clientes importantes. Precisam falar inglês e, principalmente, ser amigos. Tem que ser clientes satisfeitos e que falem bem da gente.

Vamos apresentar o pessoal como um parceiro sem abrir qual é o projeto. Quero que eles vejam que temos a capacidade de mobilizar presidentes de empresas grandes, e que essas pessoas também deem uma visão positiva do mercado brasileiro.

Garanta que esse pessoal fale bem gente e da economia.

SANTOS (CSO): Alex, eu não tenho como garantir isso. Se fosse o nosso interlocutor habitual, eu até poderia pedir, mas para o presidente da empresa… Não temos essa abertura.

ALEX (CEO): Então dá uma olhada nas redes sociais e nas últimas entrevistas e escolhe em função do “discurso”.

Fábio (CFO), preciso dos números atualizados amanhã. Quero uma relação dos indicadores nos quais estamos bem, porque estes irão primeiro e em negrito na apresentação. Os que não estivermos bem, colocamos bem pequeno, ou até, se possível nem incluímos. Se tiver algum indicador ruim que seja obrigatório, quero 3 argumentos para justificá-lo e iniciativas para corrigi-lo. Inclusive, acho importante colocar 1 ou 2 indicadores que não estão indo tão bem para não parecer tudo muito perfeito.

Pessoal, como mensagem geral: Não quero nada falso, todos os dados reais e as informações precisam ser reais. Somos uma empresa séria, mas também somos inteligentes. Vamos mostrar o quê e como nos interessa. Este projeto é muito importante para nós e, por isso, temos que impressionar os gringos.

Felipe (CMO), você vai ficar com uma parte pesada do trabalho.

Pelo NDA, você é que terá que consolidar a apresentação para os investidores. Quero um template bem bonito.

Inicialmente, eu havia pensado em fazer a reunião no hotel, mas, acho bom que eles vejam a empresa.

Por isso, quero que você faça alguns cartazes e adesivos simpáticos, com palavras ou frases motivacionais e os coloquem pelo escritório, para mostrar que o ambiente é moderno.

Na terça pela manhã, quero fazer uma revisão com todos da apresentação já consolidada.

Nessa reunião, após revisar e validar o conteúdo, vamos decidir quem deve apresentar cada parte.

Assim mostramos que somos uma equipe, um bloco coeso.

Santos (CSO), estava me esquecendo, segunda, na sua reunião de vendas, eu quero que você revise a pipeline ‘oportunidade por oportunidade’. O seu pessoal fez o que nós pedimos há três meses?

SANTOS (CSO): Fizeram sim, e na segunda eu reviso tudo.

ALEX (CEO): Ótimo! José, aproveitando, quero que você participe da reunião do Santos na segunda.

É importante você ver a parte comercial da empresa, de onde vem nosso dinheiro.

Pessoal, eu estarei disponível durante todo o final de semana. Se não me localizarem, liguem pro José e ele me acha.

Valeu time! Vamos trabalhar!!!

Essa é a reunião mais importante das nossas vidas.

 

Na manhã seguinte, durante a caminhada…

JOSÉ: Seu Alex, posso fazer uma pergunta?

ALEX (CEO): Claro! Diga.

JOSÉ: Por que essa reunião com o gringo é tão importante?

ALEX (CEO): Eu quero ampliar o meu negócio, precisamos crescer rápido e quero comprar três empresas em um ano. Minha organização não tem os recursos para estas aquisições e esta empresa de fora, que é um fundo de investimento, pode colocar o dinheiro e virar meu sócio.

JOSÉ: Entendi. E eles vêm para conhecer a empresa?

ALEX (CEO): Não, estamos conversando com esta operação há mais de um ano, buscando e avaliando companhias no mercado. Com o fundo estamos conversando há pouco mais de 6 meses. Eles vêm para a última apresentação e, se gostarem, vão fechar o negócio.

JOSÉ: Então, se eles fecharem o trato com o senhor, eles serão sócios da empresa?

ALEX (CEO): Sim e não. Eles terão participação, mas eu terei o controle acionário. Além de ter a maior parte das ações, continuo como CEO e vou ser presidente do conselho.

JOSÉ: Não sei muito bem o que significa isso, mas o senhor lembra quando a gente foi almoçá e o senhor falou que não gostava de redes sociais?

ALEX (CEO): Não me lembro exatamente o dia, mas é verdade. Não gosto mesmo, é tudo de mentira.

JOSÉ: Então, aí mesmo que eu queria chegar. Ontem na reunião, o senhor deu ordem para todo mundo organizar a reunião com os gringo.

Pediu para eles fazerem um monte de coisas que não fazem normalmente, pediu para apresentarem uma empresa que não é a empresa do senhor.

Isso também não é um teatro? Não é falso?

ALEX (CEO): Imagina! Não tem nada a ver. Eu não pedi para mentirem nos números, até falei explicitamente que não queria nenhuma mentira.

JOSÉ: O pai pintava a cerca quando estava feio. Arrumava a porteira quando quebrava, tratava outras coisas para manter tudo em ordem e evitar que elas quebrassem. Limpava a casa do senhor toda semana.

Por exemplo, ele fazia isso o ano inteiro, porque era o certo, não só quando o senhor ia pro sítio.

ALEX (CEO): Mas nos negócios, as aparências são importantes. O jogo cênico nas negociações é fundamental.

Um dia você vai aprender.

JOSÉ: Brigado Seu Alex, mas eu não quero aprender isso não.

La na roça, as pessoa que vivem de aparência não são bem vista não senhor.

Tinha uma família que gostava de viver de aparência, que era muito falada.

Eles compravam o que não precisavam, com um dinheiro que eles não tinham, para mostrar para quem não importava.

Frase extraída do livro “Aprenda a criar riqueza sem gerar miséria com a Tecno-Humanização”

ALEX (CEO): Você está confundindo vida pessoal com mundo corporativo.

JOSÉ: Tô não Seu Alex, a gente é um só. Se somos verdadeiros e transparente, temos que ser dentro e fora da empresa, porque quem é falso, com certeza é dentro e fora. E a forma do senhor combater os fingido da empresa é sendo verdadeiro.

ALEX (CEO): Era só o que faltava. Me chamou de falso e agora fala que na minha empresa tem gente hipócrita.

A minha equipe é fiel e leal, estamos juntos há muito tempo e não tem ninguém falso.

 

José usou um tom mais ríspido.

JOSÉ: Desculpa Seu Alex, não quis ofender ninguém. Não tá mais aqui quem falou…

 

Imagens: BE&SK

Sentido de urgência ou de pressa?

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JOSÉ: Bom dia, Seu Alex!

Só queria avisar o senhor que eu já recebi aquelas informação que o senhor pediu para os diretores. Só falta o Santos (CSO) pra entregar, mas ele me falou que manda agora de manhã. Ele não conseguiu mandar antes porque disse que tava vendendo e não tinha tempo.

Eu já vou começar a juntar tudo como o senhor pediu e, assim que receber a parte do senhor Santos, eu mando para o senhor. Só espero que ele me mande mesmo.

ALEX (CEO): Tranquilo José, ainda temos tempo. Me entrega quando terminar, sem pressa. Mas não conta para ninguém…

JOSÉ: Ué, não era urgente? O Seu Breno falou que fez na hora do almoço dele e a Dona Rosa fez ontem à noite.

ALEX (CEO): Relaxa, eles choram demais. E cá entre nós, o Breno precisa mesmo emagrecer.

Mas só para você saber, eu sempre peço com antecedência, aperto o pessoal, senão, não sai.

Sabe José, vou te ensinar uma coisa.

Tem um escritor americano que já escreveu mais de 20 livros e é professor emérito em Harvard, uma das universidades mais importantes do mundo e ele escreveu um livro que fala sobre o sentido de urgência.

A maioria das pessoas não tem o sentido de urgência, vão fazendo as coisas no ritmo que dá… e isso é coisa de medíocres e perdedores.

A mensagem que ficou para mim, a partir da leitura do livro, é que precisamos criar um sentido de urgência na empresa. Ou seja, tudo tem que ser “pra ontem” e fazer com que as pessoas desenvolvam isso, porque aqui somos vencedores e queremos estar alinhados com as técnicas de gestão mais modernas.

 

José fica pensativo…

JOSÉ: Mas se alguém perguntar sobre o relatório final e ele ainda não estiver pronto?

ALEX (CEO): Eu falo que estamos trabalhando nisso e logo desvio o assunto para outra coisa mais urgente e com maior prioridade.

Ninguém me fala nada.

Eu sou o CEO e dono da empresa.

JOSÉ: Então  né? Se o senhor tá dizendo que é assim…

ALEX (CEO): Bem, agora preciso que você corra atrás da assinatura dos NDA dos diretores para a reunião com o investidor.

Você já mandou para eles?

JOSÉ: Já sim, senhor! O senhor falou que era urgente, então mandei pelo sistema.

ALEX (CEO): Boa! Mas neste caso é urgente mesmo. Preciso que você vá de mesa em mesa pedindo que assinem, porque eu vou convocar uma vídeo urgente, para falar sobre a preparação da reunião com os investidores.

E se prepara que os gringos anteciparam a reunião para semana que vem e vamos ter que trabalhar no final de semana.

JOSÉ: Podexá

 

No caminho de volta para casa…

ALEX (CEO): José, dando continuidade aos seus ensinamentos e à conversa que tivemos hoje pela manhã sobre o sentido de urgência. É importante que você saiba que vivemos em um mundo exponencial, que tudo vai muito rápido, e, como eu sempre digo, precisamos estar alinhados com as melhores práticas do mercado.

Uma empresa moderna tem que ser ágil.

Lá no campo o ritmo é outro, vocês são lentos, muito devagar. Aqui precisamos de aceleração máxima, José!!! Rsrsrs

Entendeu?

JOSÉ: Ah! O sítio… Mas não se preocupe, eu entendi sim, senhor.

 

José suspira com um ar de nostalgia…

ALEX (CEO): Que foi? Deu saudade do sítio?

JOSÉ: Deu sim! Mas eu estava aqui pensando e fiquei com dó da Estrela e do Dourado. Ainda bem que eles vive lá.

ALEX (CEO): Quem são Estrela e Dorado? Imagino que sejam animais.

JOSÉ: São sim. A Estrela é a minha égua e o Dorado era o cavalo do pai. Todo mês a gente ia tomar banho de cachoeira. Era o nosso dia juntos. A cachoeira ficava meio longe, a gente pegava um dia de semana e passava o dia lá, ia de manhã e voltava à tardinha. Sábado e domingo não dava porque fervia de gente.

Tinha parte do caminho que a gente galopava, era plaino e a gente apostava corrida, era gostoso o vento no rosto. Mas tinha um lugar que a gente ia ao passo, atravessando o sítio do Seu Merivaldo. Oh homi caprichoso ! Na ida, a gente ficava olhando do lado direito da estrada, ele tem uns animal lustroso, uns cachaço que da gosto de . A mió panceta do mundo é a dele, eu o pai parava na volta e comprava panceta, lombinho e choriço pra gente assá uma carninha especial.

Na volta, a gente passava bem devagar pra olhar o outro lado da estrada, a muié do Seu Merivaldo tem umas flor bunita demais. Ela é bem caprichosa, que nem ele.

E a plantação ficava bem na direção do pôr do sol. As veiz, se tinha tempo, a gente parava só pra vê o pôr do sol daquele lugar, com a flor e as planta dela na frente. Parecia um cartão postal.

A mãe era amiga dela, e quando ela era viva, ela ia com a gente e parava lá e passava o dia com a Dona Cleide, cuidando das planta.

Depois, a gente apertava o passo e galopava de novo.

ALEX (CEO): Muito bonito isso José, ter esse costume de passar um tempo com seu pai e sua mãe. Mas não entendi, por que você falou que ficou com dó dos cavalos?

JOSE: Lá a gente aperta quando precisa apertar, galopa quando precisa galopá, mas trota ou vai ao passo quando pode ir.

Sabe Seu Alex, a cachoeira era bonita, mas o melhor do passeio era a viagem. Apostar corrida com o meu pai, ver as flores da Dona Cleide, ver o pôr do sol, passar pelos pinhero, sentir os cheiros, observar os passarinho, tudo isso faz parte do caminho.

Aqui, com esse tal sentido de urgência, cêis num presta atenção na viagem, só importa chegar antes no destino.

Se a Estrela e o Dorado trabalhassem aqui, iam ter que galopar o tempo todo, em pouco tempo eles se machucariam ou morreriam por esgotamento. Tudo bem, o senhor compraria outro cavalo pra substituir, mas isso é triste.

Na natureza, quando se acelera se perde a paisagem, e na vida, quando se acelera demais se perde detalhes que são o melhor da vida.

O que vocês perdem acelerando tanto?

Será que não estão perdendo alguma fase importante do desenvolvimento do produto ou do negócio?

As veiz as pessoa confunde ter urgência com ter pressa, ser ágil com atropelar tudo, e isso não é bão não.

 

“Não é por muito madrugar  que amanhece mais cedo”.

Provérbio popular

 

 

Tudo que puder ser feito mais rápido é melhor, mas tem coisa que tem que esperar o tempo certo.

Essa história do senhor pedir tudo urgente as pessoa num gosta não. Elas pode não falar nada pro senhor, mas que elas pensa… elas pensa.

Ninguém gosta de ficar sem almoço, trabalhar à noite ou no final de semana pra nada…

O senhor vai desmotivar o povo, ou vai deixar eles doente que nem o senhor deixaria a Estrela e o Dorado…

 

 

 

Imagens: BE&SK

Responsabilidade além dos muros da empresa

 

ALEX (CEO): Bom dia, pessoal!

Seguindo a nossa política de otimização na gestão e de seguir as best practices do mercado, muitos de vocês têm me apresentado projetos para melhorar as áreas de cada um.

Porém, em nossa última revisão de resultados recebemos uma lição do José por tratarmos as coisas de maneira segmentada. E, nesta mesma reunião, o Cláudio comentou que o nosso turnover é alto. Então, eu preciso urgente que vocês me mandem um documento com os seus projetos e planos e o impacto que isso terá em nossa gente.

 

José olha assustado para Alex.

JOSÉ: Que eu fiz o quê, Seu Alex?

ALEX (CEO): Nos deu uma lição José. E depois que você me falou sobre humildade intelectual.

Confesso que fiquei um pouco bravo com você naquele dia, mas depois percebi que você tinha razão e decidi ouvi-lo e vou analisar o impacto  que nossos investimentos terão nas pessoas.

JOSÉ: Desculpa se eu zanguei o senhor.

ALEX (CEO): Imagina, eu te agradeço.

Vamos lá, preciso desse documento até sexta.

FABIO (CFO): O famoso depois de amanhã…

ALEX (CEO): Isso mesmo, Fábio.

O objetivo desse trabalho é ver quantas pessoas vamos recortar o ano que vem.

Porque eu entendo que todos esses projetos que vocês estão trabalhando vão supor uma redução de pessoas, não?

SANTOS (CSO): Não necessariamente, Alex.

No meu caso, eu estou trabalhando com o Felipe (CMO) para melhorar nosso go-to-market*, mas, para conseguir o crescimento que você pediu, eu preciso de mais vendedores.

Vamos investir em sistemas de prospecção e inteligência de mercado e precisamos de braços depois para utilizar as informações e contatos gerados.

ALEX (CEO): O seu caso é diferente, pois dependemos de vendas para viver e, por isso, parte do “vamos recortar de outras áreas” podemos dedicar aqui.

Agora,  nos outros setores eu entendo que vai reduzir muito o número de pessoas.

Colocar tanta tecnologia é para melhorar a assertividade, disponibilidade, alcance e reduzir custos, principalmente o de pessoal.

Não se preocupem com o formato, porque nós vamos consolidar as informações.

Claudio (CHRO), assim que tivermos uma foto geral eu quero que você prepare um plano pensando em 3 coisas.

       1. Plano de demissões:

  • Preparar um PDV** com incentivos para que as pessoas possam ficar em casa com os filhos pequenos. Assisti a um documentário e vi que na Suécia o governo paga 16 meses de licença maternidade. Não vamos pagar as mães todo esse tempo, mas veja quanto tempo conseguimos ajudar.                                                                                                                                                                                                                                                                                  Vamos parecer uma empresa nórdica e moderna.                                                                                                                                                                                                                                                                                          Rosa (CLO), veja se tem como bloquear o recurso para elas não receberem o dinheiro e, no dia seguinte, irem para o nosso concorrente.
  • Quem não entrar no PDV, sem problemas. Vamos pagar todos os direitos, tudo o que corresponde sem fazer nenhuma engenharia…                                                                                                                                                              Nos preocupamos com as pessoas.

      2. Vocês devem passar a lista dos low performance que vamos “promover ao mercado”.

      3. Dos que ficam, quais vocês querem reciclar ou quais perfis teremos que contratar para utilizar as novas tecnologias que vão ser implantadas.

 

FABIO (CFO): Alex, muito bonito esse desejo de Bom Samaritano, mas você precisa parar de ver documentários noruegueses.

ALEX (CEO): Sueco.

FABIO (CFO): Dá na mesma. Isso funciona lá, aqui, se quisermos convencer os investidores o mês que vem, precisamos ter um resultado extraordinário. Só que se dermos dinheiro para o povo ficar em casa às nossas custas, não vamos conseguir.

Outro ponto, isso de reciclar, gastar dinheiro com curso é loucura.

Mandamos embora o pessoal mais antigo, nos livramos do passivo trabalhista e contratamos essa molecada que vem voando pela metade do preço. Como fizemos a vida toda…

Além do mais, agora chegou a minha hora de fazer o que fizeram comigo.

Tive um chefe que me falava: “Vou te pagar meio salário deste cargo porque você trabalha só meio período: 12 horas!!!” 

rsrsrsrsrs

 

Mais da metade deram risada da “piadinha”…

FELIPE (CMO): Nunca diga essa piada fora desta sala hein!

Se fizer isso em rede social, vai me custar dinheiro e trabalho para limpar a nossa imagem.

FABIO (CFO): Que exagero. O que tem hoje é muita frescura, ou melhor, mimimi!

BRENO (COO): Eu gosto da ideia de formar as pessoas, assim elas trabalham como eu quero, mas, com a pressão da velocidade de crescimento que temos, eu não tenho tempo para esperar a curva de aprendizagem das pessoas. 

Eu quero gente formada e pronta.

Aqui, já se vem formado de hard e soft skill. Tem muita gente desempregada, é o momento de aproveitarmos isso e contratar gente boa, barata. 

EDUARDO (CIO): E as pessoas que a gente mandar embora? Vamos dar algum tipo de capacitação?

ALEX (CEO): Como assim?!!!!

O mercado e o mundo estão mudando muito rápido, as pessoas precisam entender isso e se reinventarem, mas essa responsabilidade é de cada um, eu não posso assumir isso.

Aproveitando que você falou Eduardo (CIO), essa semana eu estava vendo uns vídeos antigos que recebi e nos quais mostravam algumas fábricas, inclusive no Brasil, que já são 100% automatizadas.

Que coisa linda…

Preciso que você trabalhe com cada líder para automatizar o máximo que pudermos de nossa operação: RPA***, IoT****, etc.

Bem pessoal!

Vamos produzir.

Até a semana que vem.

 

No caminho de volta para casa.

ALEX (CEO): José, eu notei a sua cara quando eu estava falando sobre automatizar o máximo e mandar gente embora. 

O que você acha disso?

JOSÉ: Sabe Seu Alex, o senhor me desculpe, mas essa história de falar que as pessoa tem que se reinventar é muito fácil.

O povo que ganha R$1.500 bruto por mês não sabe o que está vindo, o que fazer, onde fazer e o pior, quando descobre, não pode pagar.

Outro dia eu acompanhei o Seu Eduardo (CIO) numa reunião.

Eles tavam falando do RPA.

Não dá pra dizer que a auxiliar administrativa se converta em engenheira de RPA ou especialista em processos para não ser mandada embora. 

O senhor lembra quando, na minha primeira reunião, seis falaram que queriam ser uma empresa ESG?

Então…

Deveriam se preocupar com isso.

ALEX (CEO): Mas não vem não seu matuto. rsrsrs

Agora eu te peguei.

A automação e a robotização já chegaram no campo, tem muita máquina substituindo mão de obra.

A tecnologia resolve muita coisa, José.

JOSÉ: O senhor tem razão Seu Alex.

 

“Mas pensar que a tecnologia 

vai resolver todos os problemas 

das empresas e da humanidade 

é o nosso maior problema” (1)

 

E digo mais, o senhor falou que é lindo as empresa só com robô, não é?

ALEX (CEO): Sim! É maravilhoso não ter gente enchendo o saco. Pedindo aumento. Faltando. Ficando doente…

JOSÉ: Mas aí que eu não entendi.

Se todas as empresas automatizarem tudo…

 

Quem vai comprar os produtos dela, 

se todo mundo estará desempregado? (2)

 

(1) Frase do livro “Aprenda a criar riqueza sem gerar miséria com a Tecno-Humanização”

(2) Reflexão extraída do conceito de autofagia corporativa do livro “Aprenda a criar riqueza sem gerar miséria com a Tecno-Humanização”

 *Go-to-market: Isso se refere à forma como as empresas buscam inserir seus produtos no mercado, de forma que atinjam seu público-alvo e consigam receita.

** PDV: Ponto de venda

*** RPA: Em português, Automação de Processos Robóticos

**** IoT: Em português, Internet das coisa

 

Imagens: BE&SK

Liderança: Faça o que eu mando, não faça o que eu faço

 

 

ALEX (CEO): José, vamos comer alguma coisa rapidinho aqui perto porque temos pouco tempo.

JOSÉ: Tudo bem, Seu Alex.

Enquanto esperam por uma mesa no restaurante, Alex observa como todo mundo está usando o celular.

 

Ao sentar-se, Alex pergunta:

ALEX (CEO): José, além do LinkedIn que eu te pedi, você tem outras redes sociais?

JOSÉ: Tenho não, Seu Alex.

ALEX (CEO): Olha, eu tenho, mas não uso.

Você reparou que está todo mundo com o celular nas mãos? Todo mundo fotografando o prato e ninguém se conversa!

Eu não gosto de redes sociais porque é tudo falso.

É um mundo paralelo, onde as pessoas postam o que gostariam de ser ou ter, não o que são. Só mostram a parte mais bonita de suas vidas, e quando não há parte uma bonita, elas inventam para parecer que tem uma vida interessante…

Bem, a nossa comida chegou.

No caminho de volta a empresa…

ALEX (CEO): José, como estão indo os cursos online?

JOSÉ: Eu fazendo tudinho como o senhor mandou Seu Alex.

Amanhã vou começar aquele de mindi-não-seiquê.

Risos…

ALEX (CEO): Mindfulness José. Significa atenção plena, isso é muito bom. Eu pedi pra colocarem este curso para o pessoal porque eu li na Harvard Business Review que isso aumenta a produtividade.

É muito bom meditar José, deixar a mente em branco…

JOSÉ: Eita! Que coisa esquisita essa de deixar a mente em branco. E se eu esquecer tudo o que eu aprendi?

ALEX (CEO): Muito pelo contrário, vai te ajudar a melhorar a memória e o raciocínio.

JOSÉ: E o senhor? Faz esse tal de mindfulness?

ALEX (CEO): Eu não faço, mas faço outro tipo de meditação.

Um tempo atrás, depois que o Steve Jobs e outros líderes famosos foram para a Índia, virou moda e eu fui também e aprendi a meditar lá. Só que ultimamente não tenho feito muito.

Mas, em uma semana, os funcionários vão começar a meditar toda manhã, antes de começarem a trabalhar.

Como somos uma empresa moderna e pensamos nas pessoas, vamos fazer um esforço e parar 15 minutos todos os dias para que todos possam meditar.

Precisamos render mais!

 

Saindo do elevador…

Espera, espera! – grita Alex.

Um funcionário que estava entrando na empresa segura a porta pra que ele e José possam entrar.

ALEX (CEO): José, enquanto eu faço uma ligação, pede para Susana me mandar o material daquele treinamento de Líder 4.0 por e-mail, por favor.

Vamos contratar mais um curso.

Como te falei investimos muito em educação corporativa.

JOSÉ: Ela falou que já mandou pelo sistema Seu Alex.

ALEX (CEO): Eu sei, mas é muito chato esse sistema, eu não sei usar direito, não lembro minha senha, enfim, melhor por e-mail mesmo.

 

No final da tarde Cláudio vem à sala de Alex.

CLAUDIO (CHRO): Alex, tem um minuto?

ALEX (CEO): Tenho sim. Diga.

CLAUDIO (CHRO): Lembra na reunião sobre diversidade que vimos que o nosso turnover estava alto e pensávamos que era pela diversidade?

Adotamos algumas medidas, melhorou, mas ainda não resolveu.

Vamos ver agora se com este curso de líder 4.0 a gente consegue melhorar isso.

ALEX (CEO): Com certeza sim! Enquanto isso, faz uma análise nas entrevistas demissionais para entender os motivos.

CLAUDIO (CHRO): Já fiz isso. Mas as pessoas mentem, é raro a pessoa que fala verdade na entrevista demissional. Se ela saiu da empresa queimada, ela não fala porque não quer que a empresa melhore. Se ela está saindo numa boa, ela também não fala porque tem medo de ficar mal com a empresa e quando pedirem referência dela a gente não falar bem.

Enfim, por aí a gente não consegue informação útil.

ALEX (CEO): José, fica de olho nisso também.

Você que conversa com o pessoal operacional, presta atenção porque mesmo a nós sendo tão bons, dando tanto treinamento para as pessoas, eles vão embora.

JOSÉ: Eu já sei, Seu Alex.

CLAUDIO (CHRO): Como assim?!!! Você sabe o que está acontecendo para que a gente não consiga engajar talento?

JOSÉ: É simpres. Ocêis contrataram um curso pras pessoas pensarem e deixar a cabeça em branco (mindfulness), mas vocês mesmo não fazem.

ALEX (CEO): Eu já te falei, nós não temos tempo pra isso, e vários executivos fazem o seu tipo de meditação.

JOSÉ: Pois é. Ocêis perguntaram pras pessoa se elas também não tem o jeito delas de se concentra? Ou se elas queria fazer esse trem aí?

CLAUDIO (CHRO): Mas isso é bom pra elas e custa caro. Estamos fazendo isso pensando nelas, e na produtividade é claro. Todo mundo ganha.

JOSÉ: Qué vê otra coisa?

A semana passada eu fiz o curso de segurança, e lá diz que cada pessoa deve entrar na empresa com o seu crachá. Hoje o Seu Alex pediu pra segurarem a porta pra ele entrá.

ALEX (CEO): Espera um momento, eu sou o dono da empresa. Será que vou ter que pedir permissão para entrar na minha própria empresa?

CLAUDIO (CHRO): José, essa regra se aplica aos funcionários, como diretores temos alguns privilégios.

Além do mais, essa norma é difícil de ser cumprida.

Quando o pessoal vai almoçar juntos, é comum segurarem a porta para os colegas entrarem, por cortesia.

JOSÉ: Mas por que tem isso no curso?

CLAUDIO (CHRO): Porque segue as melhores práticas do mercado. E, entre mim e você, como quase ninguém cumpre, se quisermos podemos utilizar como argumento em caso de demissões complicadas.

JOSÉ: Tem mais, o Seu Alex falou na reunião que gastou um dinheirão no sistema de workflow, mas hoje pediu pra Susana um documento por fora do sistema.

ALEX (CEO): Você está me controlando agora? Eu fiz isso porque não tenho tempo e eu vi que a HSM publicou que uma das principais características de um líder 4.0 é a gestão de tempo.

JOSÉ: Não é isso, Seu Alex, mas se vocês falam uma coisa e fazem outra… fica difícil das pessoa acreditá nus cêis.

Lá na roça o pai armoçava com os peão, tava junto, e o que ele pedia pra todo mundo ele também fazia.

Se eu fosse ocêis, eu num gastava dinhero com esse novo curso.

Depois cêis vão fazê tudo diferente mesmo.

Há muito tempo já num funciona essa conversa de “Faça o que eu mando e não faça o que eu faço”.

 

 

Imagens: BE&SK

Otimização de custos: forma “granfina” de enganar o cliente

 

Precisamos aumentar a nossa rentabilidade. Para isso, podemos aumentar a receita e/ou reduzir custos.

Podemos piorar a fórmula, piorar a qualidade do produto para quebrar antes e comprarem mais, podemos reduzir o tamanho da embalagem, assim como configurar a máquina para colocar umas gramas a menos nas embalagens, alguns metros a menos no rolo, o cliente não tem como conferir mesmo…

Onde está o limite entre a otimização e a ética?

ALEX (CEO): José, hoje eu tenho um almoço com um amigo. Ele é presidente de uma grande indústria alimentícia e quero que você me acompanhe.

Os almoços e jantares de negócios fazem parte do dia-a-dia de um executivo e você precisa começar a aprender como se comportar e como eles funcionam. O bom é que hoje é com um amigo, portanto, você não precisa se preocupar.

É importante que você observe tudo, pois é uma boa forma de aprender.

JOSÉTá bão Seu Alex. A gente vai comer essas comida esquisita ou comida de verdade?

Risos…

ALEX (CEO): Fica tranquilo! É um bom restaurante, mas tem “comida de verdade”, como você diz.

Vamos lá?

Tudo era muito diferente para o José.

Manobrista na porta do restaurante, uma pessoa com guarda-sol para acompanhar o cliente até a porta, outra pessoa pra recepcioná-lo na entrada, mais uma pra acompanhar até a mesa, enfim… muita gente pra servir.

Alguns minutos depois, chegou o amigo do Alex e começaram a conversar sobre amenidades, família, política, viagens, etc., e José só observando, até chegar o momento de falar de negócios.

ALEX (CEO): E como estão os negócios?

O amigo olhou para o José e depois para Alex, como se estivesse perguntando com o olhar se o José era de confiança.

Alex entendeu e disse para ele não se preocupar, já que o José é como se fosse um familiar, então a conversa poderia fluir tranquilamente. Ressaltou também que está ensinando a ele tudo o que sabe.

AMIGO DO ALEX: No ano passado o EBITDA* aumentou 8,5%, mesmo durante uma pandemia. Nossos concorrentes caíram entre um 10% e um 20%. Mas já sabe como funciona isso, nunca é suficiente, este ano temos de crescer de novo.

O amigo percebeu que o José arregalou os olhos com os números (mesmo sem saber o que era EBITDA).

AMIGO DO ALEX: José, já que o Alex está te ensinando como funciona este mundo, deixa eu te explicar. A gente é pago para cumprir objetivos, não importa como. Na verdade, existem algumas regras que se chamam governança e obviamente a lei.

E quando a gente acaba o ano fiscal, zera tudo, e o próximo ano começa tudo de novo, só que com um objetivo maior e mais difícil.

É muita pressão.

JOSÉ: Ah! Agora eu entendo. É por isso que o senhor ia pescar cada vez que acabava o ano?

ALEX (CEO): Isso mesmo José, era meu ritual para desestressar um pouco. Ter um tempo só pra mim.

Alex dirige-se a seu amigo.

ALEX (CEO): Qual o seu plano pra esse ano?

AMIGO DO ALEX: Sinceramente, estou tão esgotado que estou fazendo o que eu pensava que nunca faria.

Praticamente esgotamos a via de incrementar receita de forma orgânica, o mercado está recessivo pela pandemia e a concorrência agressiva, está difícil roubar market share.

Reduzir custo então, já tocamos o osso.

O caminho é a inovação, e estamos fazendo parceria com startupshackathons, mas isso é uma roleta russa. A gente pode encontrar uma solução ou um produto amanhã e arrebentar, ou pode não encontrar nunca.

ALEX (CEO): E o que vocês vão fazer pra crescer neste cenário?

O executivo resistiu um pouco antes de contar na frente do José, como se tivesse vergonha de falar o que estava fazendo.

AMIGO DO ALEX: O ano passado começamos a trabalhar a otimização e a engenharia de produção. Começamos a reduzir sutilmente as embalagens ou o produto.

Por exemplo, estamos configurando as máquinas para colocar 5 gramas a menos de margarina em cada pote. Foi assim que batemos a meta do ano passado.

Este ano vamos fazer com os biscoitos.

José, isso não é nada ilegal, nós informamos na embalagem o novo peso.

JOSÉ: Eu num falei nada não senhor.

AMIGO DO ALEX: Eu sei, não estou me justificando, só estou te dizendo como parte de seu aprendizado. Nós, eu o seu chefe, não fazemos nada ilegal, a pressão é grande, exploramos o limite, mas cumprimos as leis e as regras. Isso é importante que você aprenda.

E é importante que saiba que tem gente no mercado que vende produtos abaixo das especificações, mas nós não.

Papel higiênico abaixo da metragem, manteiga com menos quantidade porque injetam “bolha de ar” nas máquinas para preencher menos potes, enfim…

JOSÉ: Sim senhor.

AMIGO DO ALEX: Você sabia que a maioria dos consumidores não olha o peso ou quantidade dos produtos? Mas, se questionarem a redução, dizemos que nos adequamos a realidade do mercado, que as pesquisas mostram que os consumidores se preocupam com sua saúde e esperam produtos com porções menores.

Desta forma, tudo resolvido.

JOSÉ: Obrigado pela explicação.

Falaram um pouco mais de negócios, mercado, bolsa, política e terminaram o almoço.

Na volta ao escritório, Alex comenta a José:

ALEX (CEO): José, essas duas horas custam uma fortuna. Além de tudo o que você ouviu, e espero que tenha assimilado, ele foi super gentil te orientando em relação à otimização de custos na produção. É um grande aprendizado, José.

Você gostou?

JOSÉ: Depende.

ALEX (CEO): Depende de quê?

JOSÉ: Eles reduzem os preços também?

Alex solta uma gargalhada.

ALEX (CEO): Não, José! Com a inflação aumentando, flutuação do câmbio encarecendo a matéria-prima, aumento do frete, risco país, índice de confiança e macroeconômicos ruins, seria impossível manter o preço, que dirá reduzir.

Eles cresceram no ano passado reduzindo a quantidade do produto, porém aumentando o preço.

JOSÉ: Imaginei. Então Seu Alex, a minha resposta é não.

ALEX (CEO): Como assim?

JOSÉ: O senhor me perguntou se eu gostei do que ele me ensinou. E a minha resposta é não.

Lá na roça o Tião, que vende queijo, quando o pessoal pechincha no preço ou quer ficar com o troco, ele fala:

  • “A diferença entre você me dar 1 real e eu te dar 1 real, é 2 real”.

Se o amigo do senhor reduz o produto e sobe o preço, significa um aumento em dobro.

Pode ser legal, que nem ele falou, mas acho que não é ético não.

O senhor vai me desculpar Seu Alex, mas fazer isso, pra mim, é uma forma “granfina” de enganar o cliente…

 

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PS: a grafia correta da palavra “granfina” dita pelo matuto é grã-fina.

*EBITDA = Sigla para earnings before interest, taxes, depreciation and amortization, em português, lucro antes de juros, impostos depreciação e amortização. Em definição simples, serve para medir a eficácia das operações financeiras de uma empresa.

 

Imagem: BE&SK

Humildade intelectual é sinal de inteligência

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

 

ALEX (CEO): Não concordo!

É um absurdo sem tamanho, temos que continuar fazendo o que sempre fizemos.

Aborte esta ideia absurda, já!

 

José entra na sala do Alex.

JOSÉ: Dia Seu Alex, Dia Seu Felipe!

FELIPE (CMO): Só se for pra você José…

 

Felipe sai da sala visivelmente frustrado.

ALEX (CEO): Bom dia, José!

Espero que você esteja animado porque hoje a agenda está cheia.

Ah! Se quiser, aproveita pra sair hoje à noite, porque eu tenho a minha reunião semanal com o grupo de líderes, e nessa você não pode ir.

O dia passou voando. Entre reuniões, a maioria internas, vídeos, etc.

ALEX (CEO): José, vou pra casa tomar uma ducha e ir à reunião.

O que você decidiu?

JOSÉ: Vou pra casa Seu Alex.

 

No caminho de volta, Alex passa o tempo todo ao telefone.

Alex entra e sai de casa resmungando, claramente indignado com alguma coisa.

Às 23h, Alex chega em casa, continua bravo, e vê José sentado na varanda, olhando pro jardim.

Alex abre um vinho e senta-se, calado, ao lado do José.

JOSÉ: O que aconteceu Seu Alex?

O senhor está injuriado o dia todo, é pela briga com o Seu Felipe hoje de manhã?

ALEX (CEO): Não, na empresa está tudo bem.

Aquilo não foi briga não.

JOSÉ: Uai! Então por que o senhor está bravo o dia inteiro?

ALEX (CEO): Lá no grupo de líderes, tem um cara lá que está metendo os pés pelas mãos. Ele nem pertence ao grupo de ex-presidentes do grupo e já está querendo mudar as coisas.

Aliás, é mais ou menos parecido com o caso do Felipe.

Eu criei esta empresa e há anos fazemos as coisas do mesmo jeito. Agora o Felipe quer mudar tudo.

Eu sei o que precisamos fazer.

Eu tenho mais experiência.

Nós estamos lá há muito tempo, já fizemos muitas coisas e esse rapaz está apresentando ideias sem sequer me consultar.

Onde já se viu!!!

Quem ele pensa que é?

 

José ouve com atenção, mas continua olhando para o jardim.

ALEX (CEO): José? Você está prestando atenção?

JOSÉ: Estou sim, Seu Alex.

ALEX (CEO): E não vai falar nada?

JOSÉ: Posso falar?

ALEX (CEO): Claro!

JOSÉ: É que o senhor tá falando que não gosta que façam nada sem pedir permissão pro senhor, né?

ALEX (CEO): Isso é diferente. Aqui eu estou perguntando (portanto, te dou permissão para responder)

Lá no grupo de líderes é diferente. Apesar de falarmos que somos todos iguais, na prática, são os jovens que ouvem os mais velhos e não o contrário.

JOSÉ: Mas como funciona Seu Alex? Os jovens têm que ouvir os antigo, mas podem tentar fazer as coisa do diferente ou eles têm que ouvir e obedecer?

ALEX (CEO): No nosso grupo de ex-presidentes, nós ouvimos todo mundo, e se a ideia for boa, a gente faz.

O problema é que não aparece nenhuma ideia interessante.

Nós estamos lá há anos e já fizemos tudo!

O que uma pessoa que ainda nem foi presidente pode saber que a gente já não saiba?

E esse foi pior ainda, porque ele até conversou com alguns ex-presidentes, mas não falou comigo.

JOSÉ: Entendi! Então o senhor está bravo porque ele falou com outros ex-presidentes e não falou com o senhor?

ALEX (CEO): Não! Bem, mais ou menos. Lá, não se faz nada sem passar por mim. Agora ele vai ver só, vou articular aqui para dinamitar a ideia dele.

JOSÉ: Mas se a ideia for boa?

ALEX (CEO): Pelo o que eu ouvi dizer por aí, não deve ser.

JOSÉ: Ah! O senhor nem sabe qual é a ideia?

ALEX (CEO): Ele cometeu um erro grave, não veio até mim… Não interessa se a ideia dele é boa ou não.

 

José ficou pensativo.

JOSÉ: Seu Alex, o senhor conhece a música Meu Disfarce do Chitãozinho & Xororó? É um modão.

ALEX (CEO): Não! Não ouço este tipo de música.

O que ela tem?

JOSÉ: Nela tem uma frase que diz:

“Digo coisas que não faço, faço coisas que não digo”.

Lá ele fala sobre o amor, mas aqui também serve, porque é isso que cêis tão fazendo.

Cêis falam que todo mundo é igual, que todo mundo pode apresentar projetos, mas quando alguém faz isso sem pedir a bença pro senhor, o senhor, sem conhecer a ideia, fala que é absurda.

Pro grupo dos cêis evoluir é preciso dar oportunidade para novas ideias, e para isso é preciso de humildade Seu Alex.

Humildade intelectual?

ALEX (CEO): Será possível? O que você quer dizer com isso? Até você, José?

Fala em tom irritado.

 

JOSÉ: Mesmo não gostando de sertanejo, o senhor sabe quem é o Chitãozinho & Xororó?

ALEX (CEO): Sei, claro.

JOSÉ: O Xororó é o pai da Sandy, e ela convidou o pai pra gravar uma música juntos.

O Xororó já gravou mais de 70 discos, meu pai tem todos. Ele já vendeu 40 milhão de disco.

Quem tava fazendo o arranjo e a produção da música era o Lucas Lima, o marido da Sandy. Aquele da família Lima, sabe?

ALEX (CEO): Sei! Onde você quer chegar José?

JOSÉ: Sabe por que o Xororó se manteve no mais alto até hoje? Mesmo com a onda do sertanejo universitário?

O Xororó tem 51 anos de carreira e o Lucas tem 38 anos de idade.

E sabe o que o Xororó disse quando chegou no estúdio?

“Lucas, eu ia te pedir, você como arranjador, pra dar uma sugestão”.

E sabe o que é melhor de tudo?

Ele ouviu e seguiu a sugestão.

Entre a experiência (e a voz) do Xororó, a voz maravilhosa da Sandy, as ideias e o talento do Lucas, o trabalho final ficou maravilhoso.

Lá na roça a gente não se importa quem dá a ideia, se a ideia é boa, todo mundo abraça.

O senhor deveria ouvir o projeto dessa pessoa, antes de julgá-lo (e condená-lo).

O ego, a vaidade, a arrogância e a soberba não são boas companheiras.

ALEX (CEO): Você está me chamando de arrogante?!!!

Você não entendeu nada José!!!

Eu sou mais velho e, por isso, sei mais.

JOSÉ: Por isso mesmo Seu Alex.

O pai falava: “quanto mais velho eu sou, mais eu sei”.

Mas cada dia aparece uma coisa nova pra aprender e aí eu aprendo que num sei nada.

Sabe Seu Alex, acho que aqui na cidade cêis confunde humildade com servidão.

Lá no sítio nóis senti orgulho de ser humilde, mas isso num significa que nóis agacha a cabeça pra tudo não.

O nosso orgulho é por saber que nóis num sabe tudo.

De respeitá a natureza e saber que nóis nunca vai controla ela. De usar a sabedoria popular.

De saber que antes de falar, nóis temo que ouvir, por isso nóis tem dois ouvidos e só uma boca.

A Humildade intelectual é sinal de inteligência Seu Alex.

Quer vê só? Feche os olhos e ouve essa música, é bonita demais da conta!

 

 

Silêncio por uns segundos…

ALEX (CEO): Boa noite José!

JOSÉ: Boa noite Seu Alex!

Só mais uma coisinha!

Posso pedir um favor pro senhor?

Assiste o vídeo o Xororó dando uma aula de humildade e por favor compartilha com os amigo de nariz empinado do senhor.

ALEX (CEO): Se eu não tivesse prometido cuidar de você pro seu pai…

Alex se levantou bravo e saiu, talvez irritado consigo mesmo.

[Este vídeo deveria ser mostrado em todas as escolas de negócio. Vale a pena assistir e aprender. É uma lição de humildade que mostra que a excelência e a inovação só podem chegar com a humildade intelectual das equipes]

 

Imagem: BE&SK
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