O futurismo serve para alguma coisa?

Este artigo foi publicado no dia 18/03/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

O número de futuristas tem aumentado, suas projeções se viralizam e marcam tendência, mas realmente servem para alguma coisa?

Para que serve um futurista?

Eu sempre fui muito crítico com os futuristas, e tinha 3 pontos que me incomodavam muito:

1)  Um futurista não tem o menor compromisso com a informação que dá.

Eles dizem o que vai acontecer em 2050, mas e se não acontecer?

Ninguém vai ligar para o futurista e dizer: “Há 30 anos você me disse…”

2) Imaginando que eles acertem, o que é pouco provável, eles não nos dizem o mais importante. Como chegar até o cenário que eles vislumbram. Como levar a sua empresa até lá? Nenhum futurista, ao menos os poucos que eu conheço, diz isso porque eles não sabem.

3) Em muitos casos, na grande maioria, as projeções ou previsões dos futuristas, principalmente as mais catastróficas não ajudam a humanidade.

Após uma palestra que eu dei no #inovabra, eu cheguei a receber um toque de atenção da @Neivia Justa, que elegantemente me disse que o meu conteúdo era bom o suficiente para crescer, que eu não precisava gerar polêmica ou falar mal dos futuristas.

Embora eu não falasse isso com o intuito de causar polêmica e ganhar notoriedade, eu realmente pensava assim. Porém, aquilo me fez refletir e decidi não falar mais sobre futuristas até conversar com alguns e entender melhor sua função.

Eu ainda não tive tempo de procurar alguns futuristas para entender melhor sua função. Mas esta semana eu li uma entrevista e um post que me fizeram vir à tona a minha descrença pelos futuristas e escrever este artigo.

O primeiro foi um post da @Rosa Alegria, futurista respeitada que dizia o COVID19 havia sido previsto em 2008 no relatório Global Trends 2025 non NIC – National Intelligence Council.

Isso reacendeu a dúvida que sempre tive:

Se já havia sido previsto, porque não evitamos a pandemia?

Dizer aos familiares dos mortos pelo vírus que alguém previu isso em 2008 não vai trazer seus seres queridos de volta, só aumentará a revolta e frustração.

Depois eu li a entrevista da @Amy Webb, a futurologista, fundadora do Future Trends Institute, onde ela diz:

“Sabe, não tem como prever o futuro. Podemos reduzir a incerteza, mas há demasiadas variáveis desconhecidas. Neste momento, pensar como um futurologista é incrivelmente importante”

Esta frase me pareceu sensata e me fez pensar, talvez a culpa não seja dos futuristas, e sim de todos nós que não os ouvimos, acreditamos e tomamos as medidas.

Mas qual a porcentagem das previsões se concretiza?

Quais devemos atender e tomar medidas e quais não?

É impossível saber.

Então decidi pedir ajuda à @Rosa Alegria, que me ajudasse a responder a minha pergunta do início.

Para que serve um futurista?

Cheguei a pedi-la que escrevesse parte do artigo dando sua visão, mas havia pouco tempo e a agenda não permitiu.

Mas mesmo com minhas palavras ácidas e minha visão parcial, ela, com uma elegância digna de pessoas com grande inteligência, conhecimento e sabedoria, respondeu meu pedido com dois artigos esclarecedores sobre futurismo, que faço questão de deixar o link ao final deste que agora escrevo.

Talvez tenha reconhecido em minha descrença, que não havia agressividade gratuita e muito menos maldade, simplesmente ignorância.

Contudo, duas frases me despertaram o interesse em entender melhor o futurismo.

A primeira de seu orientador de mestrado, Peter Bishop:

“Futuristas não fazem previsões”

E a segunda, para rematar foi:

“O futuro não é Singularity, ele é plural”

Quem acompanha meus conteúdos sabem que tenho admiração pelo que faz a Singularity, porém, tenho muita resistência a aceitar tudo o que vem de sua sede como verdade absoluta.

Lendo os dois artigos me surpreendi, vendo que o Modelo de Análise de Impacto da Tecnologia, ferramenta que faz parte da metodologia da Tecno-Humanização, não deixa de ser uma ferramenta de futurismo.

Porque identifica cenários futuros, que podem ou não acontecer, podem ou não serem explorados, enfim, é um exercício de identificar possíveis caminhos que poderão ser traçados ou não. E a escolha, tomada de decisão, e ação, pode sim construir um futuro diferente em cada uma de suas possibilidades.

Portanto, se abre um novo mundo pra mim, a vertente de que os futuristas, sérios e competentes, podem nutrir minhas decisões com diferentes alternativas.

Um futurista é um profissional que, pode nos oferecer diferentes cenários, aplicando metodologia, baseado em dados, pensamentos sistêmicos, mudanças sociais, estatística, geopolítica, etc.

Obviamente, de maneira muito incipiente e com a humildade de um aprendiz recém iniciado, me atrevo, por primeira vez, a responder a minha pergunta inicial:

Para que serve um futurista?

Para nos trazer cenários, que não são o futuro, e sim uma possível antecipação do que podem vir a sê-lo. Porém cabe a nós, a cada um de nós, não esperar que ele se concretize, e sim construí-lo.

Obrigado @Neivia Justa pela chamada de atenção e obrigado @Rosa Alegria pelo despertar.

 

Imagem: Pixabay

Tendências Tecno-Humanizadas para 2020

Este artigo foi publicado no dia 07/01/2020 no IT Forum 365

 

Temos uma oportunidade única de Tecno-Humanizar o mundo. Posso contar com você?

Começamos um novo ano, uma nova década e um novo ciclo.

A década passada foi de grande importância para a humanidade, aprendemos muitas coisas. Embora estejamos informatizando as empresas e digitalizando processos há mais de quase 50 anos, foi nesta década que cunhamos a expressão transformação digital.

Nunca tivemos tanto recurso disponível para investimentos em novos negócios, tanta tecnologia disponível, barata e acessível. Somos privilegiados porque vivemos um momento ímpar da história da humanidade.

Quando Juscelino Kubitschek anunciou em seu governo um plano de desenvolvimento agressivo, que tinha como slogam 50 anos em 5, parecia uma loucura para a maioria dos mortais.

Hoje, vivendo em uma sociedade exponencial, Juscelino seria considerado conservador para alguns e lento para outros.

O primeiro campus de pesquisa de Inteligência Artificial foi criado em 1.956 no Dortmouth College, porém, evoluiu mais nos últimos 5 anos que em toda sua história.

Blockchain foi criado em 2008 e já teve mais impacto para a humanidade que tecnologias que estão no mercado há mais de cinquenta anos.

Plataformas integradoras como Amazon Alexa, Google Home, entre outras, estão fomentando e incrementando o uso de IoT no entorno doméstico, enquanto a indústria 4.0 está levando IoT para a indústria e para o agronegócio.

Carros autônomos, drones, big data, analytics, impressora 3D, computer vision, e uma longa lista de tecnologias que vão impactar a humanidade de maneira jamais vista.

Porém, esta década será lembrada como um dos momentos mais delicados da nossa história.

O homem acelerou forte na direção equivocada, e esteve a ponto de colidir.

Esta nova década que se inicia é muito mais do que uma simples passagem de ano no calendário.

É o momento de corrigir rota e ajustar o rumo.

Nos últimos 5 anos o homem apostou todas as suas fichas na tecnologia, e cá entre nós…

Pensar que a tecnologia resolveria todos os problemas das empresas e da humanidade foi o nosso maior problema.

Diversos estudos de diferentes consultoras mostram que mais de 70% dos processos de transformação digital não alcançaram seus objetivos.

E para a Tecno-Humanização estava claro que isso iria acontecer. Certamente que não nos alegramos com essa constatação, e era uma questão de tempo que a nossa visão se confirmasse.

Diante dessa realidade, nós, Tecno-Humanistas, acreditamos que os maiores desafios da próxima década são:

 

1º – Unir tecnologia e pessoas para evitar o autocanibalismo corporativo

Nenhuma atividade produtiva sobreviveria sem tecnologia, mas nenhuma sociedade existiria sem pessoas.

Recentemente circularam na internet vídeos de empresas que mostravam orgulhosas suas fábricas totalmente automatizadas. Talvez os exemplos mais conhecidos são o da Império, cervejeira do Rio de Janeiro e um frigorífico da JBS na Austrália, totalmente robotizados. Não havia nenhuma intervenção humana direta no processo produtivo.

Em um destes casos, o vídeo que tinha o intuito de transmitir uma imagem de empresa inovadora e moderna, foi totalmente contraproducente.  A empresa recebeu muitas críticas em suas redes sociais pelo problema social de desemprego que gera.

Portanto buscar o equilíbrio entre tecnologia e pessoas é o nosso maior desafio. Tudo é feito por e para as pessoas. Por isso, a Tecno-Humanização coloca o ser humano no centro do processo de inovação e transformação digital.

A tecnologia é somente um meio para viabilizarmos empresas humanizadas.

E a boa notícia é que empresas humanizadas são mais rentáveis.

 

2º – Buscar os resultados extraordinários através da humanização das empresas

A Tecno-Humanização inverte a dinâmica das empresas.

Hoje, normalmente, elas pensam no resultado como um fim, aplicam a tecnologia para alcança-los e depois treinam as pessoas para que elas se sintam parte.

Este modelo é artificial e não tem funcionado.

Tenho vários exemplos de empresas que dizem que se preocupam com as pessoas, que são humanizadas, porque dão treinamento aos colaboradores, porque permitem que façam 20% ou 30% das horas de Home Office, porque estabelecem uma política de feedback ou, a que mais me chamou a atenção, foi uma empresa que visitei, que disse que da chocolate de sobremesa. O chocolate libera endorfina, um neurotransmissor que da uma sensação de felicidade, e a empresa diz que é humanizada.

Pois é… em neurociência, isso se chama, dissonância cognitiva, que é um mecanismo que temos para, mesmo não sendo verdade, nos auto enganarmos e nos fazer sentir melhor. Para saber mais, leia o artigo O desafio de vencer o medo à transformação em tempos  de transformações.

Temos muito trabalho pela frente, e a principal crença que temos que quebrar é a de que, para que uma empresa seja humanizada e consciente ela tem que abrir mão do lucro. Nada mais longe da verdade.

 

3º – Considerar os sentimentos no mundo corporativo e mudar nosso Mindset

Ainda temos pessoas que pensam que somos capazes de separar nossa vida pessoal da profissional, que temos duas personalidades diferentes e que separamos os sentimentos de cada uma delas.

Primeiro, a pessoa física e a jurídica habitam são personas que habitam o mesmo, único e indivisível, ser humano. Não dá nem devemos separa-los.

Segundo, já passamos da fase de tentar controlar as ações das pessoas através da criação de processos. Já passamos a fase de estruturar o padrão mental dos colaboradores para que “pensem” exatamente a empresa quer que pensem.

Agora estamos na fase de transformar o Mindset, primeiramente dos líderes e depois do restante da organização. Sair do Mindset fixo, onde o problema é de terceiros, a culpa é sempre de outros, para um Mindset de crescimento.

Mudar a visão da empresa neste processo de transformação que estamos vivendo.

Implantar um sistema de gestão de triple bottom line, atuando efetivamente, não somente no impacto financeiro do seu negócio, como no impacto social e meio-ambiental.

Quer crescer em 2020?

Aumentar seu negócio?

Inovar e fazer uma transformação digital humanizada?

Captar e engajar talentos?

Melhorar seus resultados através da humanização?

Espero que as empresas tenham aprendido que a tecnologia está para nos servir, não o contrário e que em 2020 aprendam a criar riqueza sem gerar miséria com a Tecno-Humanização.

 

Imagem: Pixabay