Empresas humanizadas são mais profissionais

Este artigo foi publicado: no dia 22/10/2019 na minha coluna no R7 e no portal Inova360.

 

Da porta para dentro da empresa, somos profissionais. Esta frase, tão famosa no passado, ainda é válida nos dias de hoje?

A sua empresa possui o Portal do Profissionalismo?

Se você não sabe o que é, deixe-me explicar.

Estes “portais” eram muito comuns na entrada das empresas no século passado. Acreditava-se que tinham um grande poder, pois faziam com que cada pessoa que passasse por ele deixasse do lado de fora os problemas, todas as preocupações e a vida pessoal, só passando por ele o lado profissional do colaborador.

Ultimamente, as empresas têm sofrido muito com isso. Seus portais do profissionalismo não têm funcionado como no passado.

E de quem é a culpa?

Infelizmente é assim que ainda pensam alguns executivos. São capazes de enxergar as transformações do novo momento que estamos vivendo, mas continuam buscando culpados pelas coisas que não funcionam como funcionavam no passado.

Outros pensam que a evolução da espécie humana mudou algo em nós e, aparentemente. o portal deixou de ter efeito. Portanto, é preciso construir um portal novo para as novas gerações.

Em minha visão, pensar desta forma é de uma ingenuidade despropositada pois o portal nunca funcionou! Nem nunca funcionará!

A diferença é que antes a maioria das pessoas fingiam separar quem elas eram no trabalho de quem eram em sua vida pessoal e outras acreditavam realmente que isso era possível e tentavam, de fato, fazê-lo.

Imaginem por um momento que você estivesse passando qualquer uma destas situações:

O seu filho está doente, te olha com aqueles olhinhos lacrimejantes de febre, quando você vai sair de casa;

Sua mãe está com alguma doença grave;

Seu irmão tem problemas financeiros;

Seu melhor amigo foi mandado embora e está com depressão;

Você está passando por uma situação sentimental delicada, seu relacionamento está acabando.

Mas não é somente situações negativas, também podem ser positivas:

Você recebeu uma proposta de emprego na empresa que queria;

O seu primeiro filho, tão desejado e aguardado, está pra nascer;

Está em processo de compra de uma casa, um carro ou algum bem que seja importante pra você;

Você acabou de se apaixonar.

Enfim, como você pôde perceber, para estar exposto a estes exemplos e outras centenas deles, basta estar vivo.

Eu tenho feito esta pergunta a vários empresários e executivos:

Sinceramente você acha possível criar processos à prova de emoções de seus colaboradores?

O mais incrível é que alguns pensam que sim! Acreditam que, independente de quem o execute, será feito da mesma maneira.

Querem ver um exemplo como este pensamento é absurdo?

Vejamos, um analista de crédito, seguindo estritamente os processos, aprova um crédito com o mesmo critério se na semana anterior o pai dele faleceu ou o filho dele nasceu?

São emoções e estado de ânimo radicalmente opostos e, obviamente, o analista de crédito, ainda que imbuído de toda sua boa fé e profissionalismo, não analisaria o crédito como o mesmo critério.

Para que não fique somente no terreno do achismo ou da opinião pessoal, Richard Thaler, economista americano, ganhou o prêmio Nobel de economia em 2017 com seu estudo de economia comportamental, onde demonstrou que não é possível separar as emoções dos processos de tomadas de decisões econômicas.

Portanto, Thaler somente demonstrou o que já sabíamos e tínhamos vergonha de admitir. Ou seja, não é possível separar as emoções da razão, não é possível separar parte de nós, somos um todo.

A empresa contrata um ser humano, uma pessoa completa, e querer que ele só traga ao trabalho o profissional e deixe “o resto” em casa. É possível?

Por favor, em que mundo vivemos?

É obvio que não tratamos igual ao presidente da empresa, que um cliente ou nossa avó. O comportamento deve ser diferente, porém, nossa forma de pensar e, principalmente, nossos valores, são os mesmos.

Se você acredita que pode ser profissional e agressivo na empresa, se você é capaz de despedir seu melhor amigo para alcançar os resultados, espremer até praticamente asfixiar seu fornecedor, fazer qualquer coisa para subir na empresa e, em casa você é “bonzinho”, em algum dos dois lugares, você está fingindo ser quem não é.

E esta “atitude esquizofrênica” imposta pelo mercado tem vida curta. Não é possível viver assim por muito tempo sem sofrer ou ficar doente.

Reconhecer que as emoções fazem parte do processo é o primeiro passo para humanizar a empresa, para abrir as portas ao ser humano completo, não somente o profissional, eliminar portais imaginários e banir do mundo corporativo frases como estas:

“Da porta para dentro somos profissionais”.

“Os problemas ficam do lado de fora”.

“Aqui se vem trabalhar não fazer amigos”.

“O único que vale aqui é resultado, os sentimentos não importam”.

Acredito que todos nós já ouvimos ou até dissemos algumas delas, mas não se sinta culpado por isso. Não devemos nos julgar, nem nos considerar más pessoas por isso. Este tipo de comportamento foi o que aprendemos nas escolas de negócio e nas empresas e pensávamos ser a forma correta de atuar. E, sejamos sinceros, funcionou por um bom tempo.

A tecnologia também contribuiu para este processo, tendo em vista que ela levou o trabalho para fora do escritório físico e “invadiu” a casa e a vida pessoal do colaborador. Sendo assim, para que se mantenha o equilíbrio, da mesma forma, a empresa deveria permitir que o colaborador traga sua vida pessoal para o trabalho também. Tudo isso, obviamente, obedecendo à uma lógica de sensatez e sem exageros.

Mas quando isso deixou de funcionar?

Quando chegamos ao limite e não conseguíamos, ou não queríamos, fingir mais, quando quem ainda tentava fingir começou a adoecer. E o maior gatilho da mudança foi quando chegou uma nova geração que se recusou a aceitar essa dualidade pessoal-profissional.

Somos quem somos, somos um ser completo (e maravilhoso), e tentar “comprar” somente um pedacinho é desrespeitar nossa plenitude; chega ser cruel desde o ponto de vista pessoal e, o pior, pouco inteligente do ponto de vista corporativo, porque não permite explorar todo o nosso potencial.

Ao contrário do que pensam os executivos favoráveis ao conceito do Portal do Profissionalismo, quanto mais a empresa cuida do ser humano, mais o ser humano entrega o melhor profissional à empresa, portanto…

Empresas humanizadas são mais profissionais!

Como complemento ao artigo, conversamos com Tania Moura, VP da ABRPH (Associação Brasileira de Profissionais de Recursos Humanos), para conhecer sua visão sobre empresas humanizadas, vale a pena ouvir.

 

 

Imagens:  Pixabay

Organizações multigeracionais

Este artigo foi publicado: no dia 28/08/2019 no ITForum365 e no dia 03/09/2019 em minha coluna no portal R7 e no portal Inova360.

 

Pela primeira vez na história da humanidade temos quatro gerações simultâneas no mercado de trabalho

Na minha época…

Quando eu era criança esta frase gerava certo pânico porque eu sabia que vinha história antiga que não me interessava. De jovem, passei a gostar porque era a oportunidade que eu tinha de conhecer os meus antepassados e entender melhor o meu presente. De adulto, senti muito não poder desfrutar mais das histórias porque os mais velhos já não estavam…

Qualquer semelhança NÃO é mera coincidência com as empresas.

Antes o jovem fazia trabalhos menos nobres e os mais velhos tinham o conhecimento, experiência e, portanto, o poder.

A transição era feita de forma gradativa e todos os jogadores aceitavam o jogo como parte de seu plano de carreira.

Porém, com a democratização da informação, o conhecimento chegou mais rápido aos jovens, a sociedade exponencial permite que a intensidade em que vivemos acelere o processo de experiências e maturidade das novas gerações e isso nos leva à que os jovens já não queiram esperar a “sua vez”, eles a fazem.

Tudo isso tem gerado muito conflito nas organizações.

Ainda tem gente dizendo, nos bate-papos de amigos de 50+, coisas do tipo: “A geração de hoje não quer saber nada com nada”, “são muito mi-mi-mi”, “não estão comprometidos”.

Em paralelo, os (cada vez) mais jovens estão traçando seu caminho, alguns ainda aceitam o mundo corporativo tradicional, porém sem aceitar seu tradicionalismo e questionando tudo, e outros estão empreendendo.

Até aqui nada novo, só estava contextualizando, mas…

A novidade é que pela primeira vez na história da humanidade, temos quatro gerações simultaneamente no mercado de trabalho.

Não há opção, aprendemos a lidar com a multigeracionalidade ou temos um problema.

Além de ser uma bobagem, não é necessário aceitar 100% do que pensa e faz cada geração, mas é fundamental entendê-las, aceitar o que se está de acordo, debater o que não, mudar o que se pode e respeitar o que não se pode.

Para isso precisamos de duas características fundamentais: respeito e tolerância. Ambas são inerentes a organizações humanizadas.

E como se faz isso?

Antes de dar alguns exemplos de como a Tecno-Humanização leva isso às empresas, vou contar um caso que ilustra o que fazemos.

Em um colégio, aumentou muito a violência entre alunos do ensino médio e do ensino fundamental. Os maiores hostilizavam os mais novos.

A diretora tomou uma medida brilhante, criou um programa onde cada criança mais velha almoçava com um mais novo, e lhes incentivava a conversar. Eles tinham que contar coisas de suas vidas, o que eles gostavam, o que havia acontecido no dia anterior etc..

No início, as conversas eram monossilábicas (típicas em adolescentes), mas após dois meses, eles conversavam e se divertiam.

Após três meses a escola desenvolveu atividades integradas entre grupos de diferentes idades.

O interessante que os relacionamentos passaram a ter um vínculo de carinho e cuidado, similar ao de irmão mais velho. O resultado foi sensacional, a violência e hostilidade desapareceram e a conclusão foi: conhecer e reconhecer no outro, através de conversas, um ser humano que como você, tem medos, tristezas, alegrias, sonhos etc..

A Tecno-Humanização se inspirou neste caso para aplicar algumas das técnicas que utilizamos para humanizar as empresas.

Vamos a alguns exemplos.

Em 2016 eu conheci um App que se chamava Never eat alone (hoje tem outro nome), que foi criado para ajudar as pessoas socializarem em grandes corporações e não almoçarem sozinhas. Eu usei o App a meu favor e o apliquei para criar conexões nas empresas. Três almoços da semana eram aleatórios (o algoritmo escolhia pessoas por áreas de afinidades), outro dia a pessoa podia agendar com uma pessoa específica, de pessoas de outras áreas ao presidente da empresa, e outro dia estava permitido agendar com amigos da empresa. Nestes almoços as pessoas eram instruídas a conversarem sobre assuntos não relacionados à empresa.

Outra ferramenta que utilizamos é uma plataforma que eu tive o imenso prazer de conhecer e participar este ano, a AWAKEN TALKS. É uma plataforma onde pessoas contam suas histórias de vida, seus momentos de despertar e suas superações, e através delas inspiram  outras pessoas.

Desde o ponto de vista corporativo, quando as pessoas percebem que o “colaborador 436”, que se senta na outra ponta do andar, é um ser humano, como eu e como você, que padece das mesmas angústias ou que se fortalece com as dificuldades da vida, surge empatia e tratar com o “Sr. José do faturamento”, um senhor desconhecido de cara fechada, passa a ser muito mais fácil.

Ao trazer estas técnicas, entre outras, rompemos a barreira do preconceito etário e criamos uma convivência mais respeitosa e enriquecedora através da empatia.

No contexto das organizações multigeracionais, não é garantido que uma pessoa da geração baby boomer ou X, possa agregar algo em projetos de holocracia, métodos ágeis ou tecnologias exponenciais, mas com certeza podem dar o equilíbrio que qualquer empresa precisa, podem inspirar, podem mostrar como se faz as coisas e em muitos casos, como não devemos fazê-las, seja por orientação ou por exemplo.

Não estamos vivendo em uma era de mudanças e sim uma mudança de era.

O que nos trouxe até aqui, não é o que vai nos levar daqui em adiante, portanto, em muitos casos é importante entender o modelo anterior para não o repetir.

Em qualquer caso, saber aproveitar os benefícios da multigeracionalidade é ter um negócio mais saudável construindo um mundo melhor.

Imagem: Pixabay

Altruísmo corporativo

 

ALTRUÍSMO CORPORATIVO
Seja egoísta, ajude o próximo!

Se você é vítima da crença arcaica que diz “Cada um por si e Deus pra todos”.

Trago uma boa notícia, essa crença caducou e estamos na era da colaboração, portanto, temos que pensar no coletivo e não somente no individual.

Se você não pensar no próximo por consciência e convicção faça-o porque está na moda, finja que você é bom.

Se não quiser fazer nem por isso, OK, tenho outra alternativa, faça por egoísmo.

Está comprovado cientificamente que ajudar o próximo faz bem!

Jorge Moll Neto, PhD, fundador e coordenador da Unidade de Neurociência Cognitiva e Comportamental e co-fundador e presidente do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, demonstrou em um estudo científico os benefícios do altruísmo.

Ele comparou a resposta cerebral (bioquímica e cognitiva) em três situações:

Quando você ganha dinheiro.

Quando você doa parte deste dinheiro que ganhou à uma causa que você acredita ou considera nobre.

Quando você nega a doação por não acreditar na causa.

O resultado não nos deveria surpreender, as regiões cerebrais ativadas quando você ganha dinheiro, mesolímbico dopaminérgico, está associado a região da recompensa e gera uma sensação de bem-estar.

Ao opor-se à doação, você ativa o sistema de recompensa, porém você também ativa a outras regiões do cérebro que estão relacionadas à sentimentos aversivos que reduzem ou até pode anular as boas sensações.

No caso da doação, você ativa o sistema de recompensa e ativa também circuitos seletivos relacionados a sentimentos afiliativos que são próprios de cuidados mãe-filho, formação de casais ou de proteção ao cônjuge, portanto, o sentimento de bem-estar se vê potencializado produzindo uma sensação de prazer maior a quando se ganha.

Além deste benefício direto, também sabemos que o impacto causado por uma boa ação, ao estar no sistema límbico do cérebro, onde reside a memória de longo prazo, fica para sempre.

Porém, a teórica sensação de bem-estar ao comprar um bem qualquer, uma roupa ou um celular por exemplo, tem curta duração e aos poucos dias não nos lembramos mais e precisamos de “outra dose”.

O terceiro grande benefício é a influência que fazer o bem tem no entorno, nas pessoas à sua volta, que são contagiadas com o seu exemplo.

O quarto e último beneficio, obviamente, é de quem recebe a ajuda.

Portanto…

SEJA EGOÍSTA!

AJUDE O PRÓXIMO!

Você ajudará a uma pessoa ou causa, à sociedade e, de forma cientificamente comprovada, sobretudo, ajudará a você mesmo.

OK, e o que isso tem a ver com o mundo corporativo?

O primeiro é que não podemos nos esquecer jamais que as empresas não são formadas por recursos como definiu Fayol, e sim por pessoas, que pensam e sentem.

Sem entrar nesta seara que será objeto de outro post, vamos pensar “somente” no negócio.

Se uma empresa considera o impacto social em suas decisões e ações, isso faz com que seus colaboradores se sintam orgulhos da organização onde trabalham.

Isso, associado ao propósito da empresa (é importante que a empresa tenha um propósito), eleva o nível de engajamento do colaborador a um sentimento de pertencimento que não se consegue de outra forma.

Uma empresa que se preocupa, e principalmente se ocupa, do impacto social de seu negócio muda de patamar para seus colaboradores, clientes e parceiros.

E isso se nota nos resultados.

Raj Sisodia, Jagdish N. Sheth e David Wolfe mostram em seu livro Firms of Endearment (empresas carinhosas em tradução livre).

Segundo os autores, empresas, do S&P 500, com paixão, propósito e compaixão cresceram 14x mais.

SER GENEROSO E ALTRUÍSTA É  RENTÁVEL!

Portanto, se achar bobagem a sua empresa pensar no impacto social (de verdade) ou se pensar que eu sou um romântico e utópico, OK, não há problema.

Faça por interesse e inteligência empresarial.

Ah! Por certo, não pense que isso se resolve com uma campanha do agasalho ou que a Responsabilidade Social Corporativa, usada de forma hipócrita, vai resolver o seu problema.

Também não estamos falando de empresas que só visam lucro e, o empresário, em sua vida privada, é filantropo.

Precisamos de algo verdadeiro.

Um sistema de gestão baseado em triple bottom line, onde estas ações não sejam colaterais, para lavar a consciência, eles devem fazer parte do negócio e uma metodologia adequada para concretizar e tangibilizar as boas intenções.

Pois é, hoje é o seu dia de sorte!

Conheça a metodologia que pode te ajudar.

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Se trata de um framework de Technology, Business & Mindset Transformation.

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