E se já tivermos passado do nosso objetivo?

Este artigo foi publicado no dia 18/02/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Corremos tanto sem saber pra onde ir, que existe a possibilidade de já termos passado do nosso objetivo sem perceber

Estamos presenciando a loucura de viver em um mundo VUCA, com tecnologias exponenciais que criam modelos de negócios e empresas disruptivas através da transformação digital.

Se você sabe o que esta frase significa e representa, porém, estas expressões não fazem parte de seu vocabulário, não se preocupe, isso só mostra que você não é um papagaio que repete as expressões da moda só para parecer hipster (palavra inglesa usada para descrever um grupo de pessoas com estilo próprio e que habitualmente inventa moda, determinando novas tendências alternativas.

Se você não entendeu a frase, não se sinta um peixe fora d’agua, e fique tranquilo, eu vou te ajudar.

Estamos presenciando a loucura de viver em um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA), com tecnologias que surgem, crescem e desaparecem a velocidade de vertiginosa (exponenciais), muitas vezes além da minha capacidade de assimilação. Estas tecnologias promovem um processo que busca melhorar a experiência do cliente, otimiza processos, reduz custo, aumenta a assertividade das empresas substituindo processos manuais por tecnologia digital (transformação digital). Toda essa tecnologia viabiliza novos modelos de negócios que rompem completamente os modelos atuais (disruptivo).

Ficou um pouco mais claro?

Então sigamos em frente.

E por que você precisa saber essas coisas, se você não se dedica a trabalhar com isso?

Por um motivo muito simples, toda essa loucura vai te impactar, vai mexer com você, vai mudar o seu estilo de vida, pessoal e profissional, você querendo ou não.

Então, o mais inteligente é saber o que está acontecendo à sua volta, pra dançar conforme a música, ou se a música não te agradar, trocar de baile.

Com frequência, não saber o que vai acontecer, ou o que está acontecendo, nos provoca ansiedade. Não conseguir acompanhar o ritmo, poderia provocar ou acentuar sentimentos depressivos.

A sensação de não pertencimento a um movimento tão forte de transformação é horrível. Por isso, muitas vezes jogamos o jogo, sem saber o porquê, nem para quê, estamos fazendo o que fazemos.

A principal característica do efeito manada é correr na mesma direção e sentido dos que estão a minha volta. Temos muito arraigadas crenças que nos foram transmitidas em nossa infância.

“Quem bate primeiro, bate duas vezes.”

“Quem chegar por último é a mulher do padre.”

E assim por diante.

Temos que correr, correr, correr e correr.

Só que ir a velocidades muito altas oferece inúmeros perigos.

Não nos dá tempo de planejar corretamente o percurso e podemos errar a rota.

Não temos tempo de desfrutar da viagem. E, o pior de tudo, muitas vezes não sabemos pra onde estamos indo, só vamos.

Saber o destino, nosso objetivo, é fundamental para traçar a rota adequada.

E se já tivermos passado do nosso objetivo?

Cada vez mais isso tem acontecido.

Tenho conversado com pessoas que correm tanto que ultrapassam seus objetivos e nem percebem. Correr virou fim e não meio.

Mas passar do ponto de freada tem riscos e consequências graves.

Um deles é chegar ao fim da vida, cansados, esgotados, olhar à sua volta e não entender o porquê nem para quê estão ali.

Chegar a um destino que não é o seu, olhar pra trás e ver que sua vida foi pequena, que a única coisa que você fez foi correr.

Ou então, viver uma vida à velocidade maior do que a necessária, provocar acidentes, chocar-se com obstáculos e tomar um susto desnecessário a cada momento.

Sim, é filosófico e transcendental questionarmos qual é o objetivo de vida, qual o legado quero deixar, para que faço o que faço, vale a pena fazer o que faço.

E o principal, por quem eu faço tudo isso?

São essas perguntas que, ao correr tanto, não temos tempo de responder.

E se não paramos para isso, sabe quando as faremos?

Normalmente em um leito de hospital.

Quem nunca viu uma pessoa que, após ter um infarto ou ser diagnosticado com câncer, mudar completamente seu estilo de vida?

Normalmente, essas pessoas passam a dedicar mais tempo à família, se alimentam melhor, praticam atividades físicas, desfrutam da natureza, desvirtualizam os encontros, abraçam, beijam e dizem “eu te amo” com mais frequência.

Realmente é preciso esperar tomar uma pancada deste tipo para entender isso?

Não importa o quanto você corra, o quanto você saiba dos termos da moda do início do artigo. Ao final, tudo o que fazemos é por e para o ser humano, sempre.

Podemos sair, correr, acelerar, isso tudo faz parte do contexto e do momento, mas sempre sabendo pra onde ir, e principalmente, pra onde voltar. Revisitar a essência, nunca se distanciar mais do que o necessário da nossa fonte de energia vital, e voltar ao básico sempre, porque é lá onde sempre esteve, e sempre estará, o que buscamos.

 

Imagem: Pixabay

Por favor, precisamos de CEOs Tecno-Humanistas

Este artigo foi publicado no dia 13/02/2020 na minha coluna no IT Forum 365

 

Os objetivos do CEO tradicional e de um Tecno-Humanista são os mesmos, a diferença é que o segundo é muito mais efetivo pela forma de alcança-los

Um CEO deve determinar a estratégica da empresa. Para o nível acima, ele deve apresentar, defender e ser o ponto focal entre o conselho e a equipe executiva. Para sua equipe, ele deve comunicar o plano estratégico, liderar a equipe executiva para que os objetivos sejam implementados e os resultados alcançados.

Na prática ele é medido por tudo isso, porém, pago pelos resultados que entrega.

No artigo onde falo que governança não garante ética, cito uma adaptação de Eliyahu M. Goldratt a uma frase bíblica: “Diga-me como me medes e eu te direi como me comportarei”.

Se o CEO é pago pelo resultado financeiro, ele coloca o resultado no centro do seu processo de toma da decisão, simples assim. Por essa razão, os executivos orientados a objetivos sempre foram, e ainda são muito valorizados.

Um CEO deve realmente ser orientado a objetivos, e não devemos mudar sua característica, mas sim rever a forma como se atinge o objetivo. Colocar o ser humano no centro do processo de inovação, de transformação digital, enfim, no centro do processo de tomada de decisão.

Tudo é por e para o ser humano!

Desta forma, os resultados passarão a ser consequência, e não objetivo final.

Empresas humanizadas são mais rentáveis!

O CEO que queira alcançar, ou melhorar muito, seus resultados, deve levar esta visão humanista ao seu planejamento estratégico.

Não basta planejar o crescimento do negócio e depois encaixar a todas as peças da engrenagem, inclusive os recursos humanos, em função disso, como era feito no passado.

Muitos CEOs consideravam possuir uma visão humanista ao dar treinamento ou algum benefício social acima da média do mercado. Ou então, em ações de pseudo-responsabilidade-corporativa, com muito boas intenções, mas hipócritas em sua essência, mesmo que de forma involuntária ou inconsciente.

Os CEOs de agora, que precisamos cada vez mais nas empresas, são pessoas que colocam o ser humano no centro do processo, ajudam em seu desenvolvimento e atuam baseados em um sistema de gestão de triple bottom line, onde olham não apenas o resultado financeiro, mas também o impacto social e o impacto meio-ambiental da operação.

A partir desta visão, o CEO pode desenhar, criar e implementar modelos de negócios rentáveis, conscientes e humanizados.

Caso exista algum tipo de ceticismo ou resistência a alcançar resultados através dessas premissas, a Tecno-Humanização tem ferramentas, modelos e uma metodologia que mostra o “porquê” e, principalmente, o “como” fazer.

Este trabalho de mudança de Mindset, grosso modo, a forma que temos de ver o mundo, vem em primeiro lugar, tanto no trabalho de planejamento, como no de implantação de um modelo Tecno-Humanizado.

Outra mudança significativa…

Hoje, na imensa maioria das empresas, o processo de transformação digital é liderado pelo CIO.

Da mesma forma que o CEO, ao ser medido somente pelo resultado financeiro, pensava somente em como alcança-lo, se o CIO é medido pela transformação digital, ele focará prioritariamente na tecnologia para alcançar seus objetivos.

Como consequência, segundo a McKinsey, 70% dos processos de transformação digital não funcionam.

A massiva digitalização de processos travestida de transformação digital pelo mercado, quase sempre se limita a otimizar o existente. E isso os estudos sobre o tema têm provado não ser suficiente. Dependendo do tipo de tecnologia aplicada, há de se fazer mudanças mais estruturais no modelo de negócio, quase como uma consequência natural.

A transformação digital, ou tecnológica, como define a Tecno-Humanização, é somente um meio e não um fim.

O objetivo deve ser transformar a empresa, construir um modelo que seja rentável, consciente e humanizado, e depois aplicar a tecnologia para viabiliza-lo.

Portanto, o verdadeiro processo de transformação surge no CEO, que passa a ser responsável para estratégia, inovação e transformação do negócio.

Obviamente, o CEO não será responsável por implementar a transformação tecnológica, nem liderar pessoalmente a inovação, mas sim liderar e transmitir a cultura de inovação e transformação da empresa. Em outras palavras, ele precisa ser o principal sponsor (patrocinador) do processo.

Desta forma, asseguramos que ambos pilares, tecnologia e modelo de negócio, estão a serviço da estratégia e do negócio, ao invés de se preocuparem apenas com suas respectivas áreas ou departamento.

Seguindo a série que começou no artigo anterior, “Basta! O Diretor de Recursos Humanos Deve Acabar”, onde você pode entender o porquê da mudança de nomenclatura, fazemos a segunda alteração no organograma da empresa.

Com a visão e incumbência de liderar o processo estratégico da empresa baseado na transformação, inovação e humanização, o CEO passa a se chamar Responsável pela Tecno-Humanização.

Um CEO faz tudo, dentro da governança, para alcançar os resultados financeiros, um CEO Tecno-Humanista constrói uma sociedade melhor, faz tudo por e para o ser humano, e como consequência, consegue melhores resultados financeiros.

Se neste momento você está se questionando por que um CEO deve se preocupar em construir uma sociedade melhor sendo que não é sua função, você precisa se Tecno-Humanizar.

E se pensou que você já é humano fora da empresa, ajuda muita gente em sua vida pessoal, mas na empresa você é pago para entregar retorno ao acionista, que é quem te paga, você precisa se Tecno-Humanizar urgentemente.

Ter o lucro como um fim, se mostrou nocivo, temos que mudar a forma de fazer as coisas, corrigir a rota e buscar o lucro sem destruir.

Por isso precisamos de um CEO Tecno-Humanista, que seja capaz de criar riqueza sem gerar miséria.

 

Imagem: Pixabay

Tecnologia contra o câncer

Este artigo foi publicado no dia 11/02/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

Dos filmes de ficção científica à realidade em menos de 40 anos. Estamos literalmente voando em direção à cura

A ciência segue os caminhos da ficção mais uma vez.

Em 1987, fui à locadora e aluguei um filme com o casal da moda àquela época, Meg Ryan e Dennis Quaid, Viagem insólita. Me lembro que a sinopse era, Tuck Pendleton (Dennis Quaid), um piloto de teste da Marinha, se ofereceu para uma experiência médica altamente perigosa: um submarino com Tuck no comando foi encolhido até o tamanho molecular, para ser inserido no corpo de um coelho vivo. Se bem-sucedido, o teste poderia resultar em inovações radicais em técnicas cirúrgicas. Entretanto, alguns ladrões tentam roubar Tuck e o submarino enquanto ambos estavam miniaturizados e, por acidente, Tuck e o submarino acabam sendo injetados no corpo de Jack Putter (Martin Short), um amável balconista hipocondríaco. Assim, Jack tem de lidar com coisas que nunca mexeu na vida para tentar salvar Tuck.

Em 1989, a autora Joanna Cole lança The Magic School Inside Human Body (A Escola Mágica por Dentro do Corpo Humano, em tradução literal), seu terceiro livro da serie de um ônibus mágico que se encolhia e entrava no corpo humano para mostrar e ensinar às crianças seu funcionamento. Após alguns anos a serie virou desenho animado.

Nunca saberemos se a ciência imitou a ficção ou vice-versa, mas o que sabemos é que estamos cada vez mais próximos da era em que “naves” microscópicas viajarão pelo nosso corpo, detectando e tratando doenças.

A nanotecnologia é uma ciência que se dedica ao estudo da manipulação da matéria numa escala atômica e molecular lidando com estruturas entre 1 e 1000 nanômetros.

Para se perceber o que isto significa, considere uma praia de 1.000 km de extensão e um grão de areia de 1 mm, este grão está para esta praia como um nanômetro está para o metro. (1×10−9 metros)

O Observatório BE&SK tem acompanhado dezenas de iniciativas de nanorrobôs que são introduzidos no corpo humano para aplicar medicamento diretamente nas células cancerosas, aumentando muito a assertividade do tratamento e evitando os efeitos colaterais.

Porém, de todas as pesquisas neste sentido, uma deles me chamou a atenção, foi um estudo publicado no jornal Nature Biotechnology, onde os cientistas da Universidade Estadual do Arizona (ASU), em colaboração com pesquisadores do Centro Nacional de Nanociência e Tecnologia (NCNST), da Academia Chinesa de Ciências, programaram com sucesso os nanorrobôs para reduzir tumores cortando sua irrigação sanguínea. Este método se mostrou muito eficaz, reduzindo rápida e sensivelmente os tumores, e em alguns casos, eliminando-os totalmente.

A nanotecnologia tem ajudado a medicina a avançar rumo à cura de doenças realmente graves, e este avanço é digno da sociedade exponencial em que vivemos. Tudo indica que estamos no caminho certo, porém, ainda temos muitos anos pela frente para dominar a tecnologia, testa-la e valida-la para que possa ser aplicada em massa. Se passarão décadas talvez.

E o que fazer até que isso seja uma realidade, técnica e economicamente viável, para o brasileiro médio?

Podemos rezar para não ser afetado por uma doença grave e, se for afetado, rezar para ser curado pelos tratamentos disponíveis hoje.

Mas longe de cruzar os braços e esperar que outros façam alguma coisa, temos pessoas que, movidas por um propósito, pela dor da perda de um ser querido, ou por ambas, estão fazendo realmente a diferença em nossas vidas.

Nutricionistas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desenvolveram um produto que atende às necessidades dos pacientes que receberam quimioterapia: com alto valor nutricional, alimenta e alivia os efeitos colaterais do tratamento.

Uma empresa de sorvetes se interessou pelo projeto e começou a fabricar o Ypy, nos sabores chocolate, morango e limão. A diferença dele para o produto comum está na composição – e não exatamente no gosto.

Outro exemplo é o caso do engenheiro Joel de Oliveira Junior, que, tendo perdido um filho para o câncer, desenvolveu um dispositivo, em formato de curativo, que monitora on-line e envia alertas sobre o estado de saúde dos pacientes.

Sabemos que o tratamento contra o câncer é agressivo e debilita a saúde do paciente, deixando seu sistema imunológico baixo e abrindo às portas do organismo para qualquer doença. Portanto, é fundamental monitorar e atuar rápido ante qualquer intercorrência.

Segundo Joel, fundador da Luckie Tech, “O objetivo é oferecer uma solução simples e acessível para garantir o bem-estar e afastar riscos durante o tratamento de câncer em crianças e adolescentes”.

Não precisamos esperar e não precisamos necessariamente importar. Temos iniciativas no Brasil que aplicam tecnologia pensando no ser humano.

A tecnologia da Luckie Tech já está sendo analisada em outros países como EUA, Suécia, Finlândia, Emirados Árabes para diminuir a taxa de mortalidade nas crianças em tratamento.

É inspirador ver como pessoas converter a dor da perda em força para transformar o futuro de outras pessoas.

Na mesma linha que descrevi no artigo “Inovação com propósito”, Joel participará como palestrante no evento da Tecno-Humanização, com a palestra “Tecnologia sem propósito é vazia”. E posso garantir que por essa palestra, meu caro leitor, você não perde por esperar.

 

Imagem: Pixabay

Qual será a comida do futuro?

Este artigo foi publicado no dia 28/01/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

Cápsulas, shakes, impressora 3D, Robô cozinhando, enfim, são muitas opções que a tecnologia nos traz. Mas faz sentido?

Nas últimas feiras de tecnologia e inovação, sempre há um grande espaço reservado para a gastronomia.

O maior ativo de uma pessoa hoje é o tempo, ninguém tem tempo pra nada, ou ao menos é isso que a maioria das pessoas dizem. Ninguém tem paciência pra nada, todo mundo estressado, enfim…

Portanto, seguindo a linha de pensamento de muitas escolas de negócio e empreendedorismo, que uma startup deve curar a dor do cliente (eu não estou de acordo), as startups enxergam nesta dor uma oportunidade e se colocam mãos-a-obra.

E surgem diferentes vertentes no mercado para resolver isso.

Há um grupo que surge da evolução da indústria de suplementos. Com o aumento da longevidade do ser humano, é necessário tomar suplementos vitamínicos, porque não estamos biologicamente preparados para viver tanto tempo sem ajuda da tecnologia.

Surfando essa onda, algumas empresas, como a Ocean Droop ou como Koz Susani Design, em seu projeto Just Add Water, estão trabalhando nas “comidas de astronautas”, transformando alimentos, de forma concentrada, em pílulas.

Outra linha segue por robotizar a elaboração das comidas, desde de soluções como a da empresa brasileira Bionicook, que criou a primeira rede de fast food 100% automatizada do planeta, capaz de preparar lanches on demand, feitos na hora sem intervenção humana, ou até uma solução mais gourmet como a Moley Robotics que criou braços robóticos capazes de fazer receitas que são introduzidas em sua plataforma.

Um grupo de pesquisadores estão apostando em impressoras 3D capazes de “imprimir” comida.

Já temos impressoras que imprimem pizza, doces, mas, nesta linha, o projeto que mais me chama a atenção é o criado pela designer de alimentos Chloé Rutzerveld, que criou uma impressora 3D que imprime uma base de carbo-hidrato e nela plantou vegetais e cogumelos, criando um ecossistema comestível.

 

Com tanta tecnologia os restaurantes tradicionais estão buscando formas de inovar e manter o seu espaço.

Temos restaurantes embaixo do mar nas ilhas Malvinas (Ithaa Undersea Restaurant) ou no céu, a 50 metros de altura, sustentado por um guindaste, como o projeto Dinner in the sky, que surgiu na Bélgica e já está em mais de 40 países, inclusive Brasil.

Outros restaurantes inovam no modelo de negócio, como o Benihana, que conheci como estudo de caso no meu MBA antes mesmo de ver o espetáculo oferecido pelo chef em uma mesa em U. Para quem ainda não conhece, vale a pena ver o chef de cozinha fazendo acrobacias e preparando sua comida na sua frente. Também tem restaurantes que permitem que você possa cozinhar, como o Tantra, em São Paulo, ou trazer os ingredientes para que o chef cozinhe pra você.

Enfim, diferentes modelos, alguns são variações dos modelos atuais outros muito futuristas, que reduzem o prazer de comer e, principalmente, a importância das refeições familiares a uma capsula.

Eu já tive duas ou três conversas sobre isso com uma pessoa que está convencida, ou abduzida, que o futuro da comida está em shakes, que ela vende em espaços denominados EVS, Espaço de Vida Saudável.

Segundo ela, esta “refeição” que inicialmente só tinha o objetivo de ajudar as pessoas a emagrecerem, agora tem muita tecnologia por trás e se converterá na comida do futuro. “Não temos mais tempo para cozinhar, nem fazer refeições longas, temos que produzir”

Produzir o quê?

Para quê e para quem?

Sim, claro que temos que produzir, mas não podemos esquecer a importância da gastronomia na história da humanidade e na cultura dos povos. Não é possível entender uma cultura de um país sem considerar sua gastronomia.

Uma capsula pode conter todos os nutrientes e suplementos necessários para a saúde (sempre com acompanhamento profissional) ou um shake pode até ser uma solução temporária para eliminar peso.

Mas eles jamais conterão as memórias afetivas, o cheiro e o sabor da comida dos domingos na casa da avó. Aquele bolo feito com muito mais amor que ingredientes. As risadas das primeiras receitas de recém-casado que não deram certo. As longas conversas em família aos domingos, ou os jantares em família onde contamos como foi o nosso dia.

Tudo isso faz parte de algo que vai muito além da alimentação do corpo. Me permitam contar uma história pessoal.

Em 2007, eu morava em Madri, minha esposa estava grávida do nosso segundo filho, e teve alguns problemas que nos impediu viajar nas férias de verão daquele ano.

Eu tinha que buscar atividades para fazer com a minha primogênita de 10 anos naquele longo período de férias escolares.

A ideia veio rápido, eu já cozinhava com ela quase todos os finais de semana, era uma atividade pai & filha. Escolhíamos receitas, íamos comprar os ingredientes e cozinhávamos. Depois, oferecíamos os pratos à minha esposa.

Busquei um curso de culinária para pais e filhos e não encontrei. Depois de muito insistir, convenci uma escola a criar um. Eles criariam as aulas, baseadas nas receitas do chef inglês Jamie Oliver (minha filha era fã) e eu me encarregava de trazer pais e filhos para o curso. Convenci meu chefe, colegas de trabalho, amigo, e conseguimos viabilizar o curso.

Durante 8 sábados, das 11h às 13h tínhamos aula, cozinhávamos e depois almoçámos o que havíamos feito. Minha filha, hoje adulta, se lembra de tudo com muito carinho. Além de cozinhar, passamos tempo juntos, aprendemos, acertamos, erramos, enfim, vivemos.

Sim, a tecnologia está à nossa disposição para nos servir, ajudar na correria do dia a dia, mas não podemos permitir que ela substitua parte da nossa cultura e de nossas vidas.

Ah! O meu segundo filho, aquele da gravidez complicada, já tem 12 anos e faz um risoto de queijo brie com presunto de parma delicioso!

 

Imagem: Pixabay

Basta! A diretoria de recursos humanos deve acabar!

Este artigo foi publicado no dia 30/01/2020 no IT Forum 365

 

Não faz mais nenhum sentido reduzir o ser humano a um recurso. A nomenclatura reflete a forma de atuar.

Isso mesmo. Basta!

Começamos chamando o departamento que deveria cuidar das pessoas de recursos humanos e terminamos tratando os humanos como recursos.

Isso não é mais aceitável!

É inegável a contribuição de Taylor e Fayol para o desenvolvimento da administração moderna. A economia mundial e, consequentemente, o desenvolvimento da humanidade no último século se deve em parte ao trabalho realizado por eles.

Foram simplesmente brilhantes.

Porém, segundo o primeiro princípio da Tecno-Humanização:

Todo modelo, com o tempo, se deteriora e se distancia de sua finalidade inicial.

Por isso, vamos iniciar uma série de artigos sobre a estrutura organizacional atual.

O primeiro artigo da série fala sobre o departamento de Recursos Humanos.

O discurso que está na boca de todo executivo hoje é que precisamos inovar, fazer diferente, ser disruptivo, pensar fora da caixa (não gosto desta expressão).

O problema é que este discurso fica somente nisso, em uma declaração de intenções, as vezes por incompetência, outras por fazer parte do absurdo mise em scène corporativo onde se diz o que está na moda e se faz o que o bônus do trimestre manda. Sem se importar com o impacto gerado por nossas ações.

Mas a reflexão que me provoca esse discurso é que as empresas necessitam resultados diferentes, mas continuam fazendo as coisas da mesma forma que sempre foi feito.

Se Einstein levantasse a cabeça de seu túmulo, sentiria vergonha alheia e provavelmente diria:

“Senhoras e senhores, muitos de vocês usaram minhas frases em seus power points ou leram minhas frases em apresentações de outros, mas pelo jeito não assimilaram nada.

Principalmente à frase que disse que é insanidade continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

Muito tem se falado sobre o RH 4.0, que ninguém sabe exatamente o que é, ou então vemos algumas escolas famosas oferecendo cursos de RH Digital… Tudo bem, mas que tal pararmos para pensar um pouquinho?

Não se trata de aprender a usar mais tecnologia para turbinar a ações de hoje.

Se muitos departamentos de recursos humanos têm participação discreta atualmente, não é a tecnologia que vai mudar este cenário e passar a dar relevância.

Não se humaniza uma empresa “digitalizando” o RH.

Recentemente, participei de um painel onde um dos painelistas comentou que possuíam uma solução de feedback e isso humanizava a empresa.

Tudo bem, tais soluções fazem parte do processo, são muito úteis e necessárias, mas ainda está longe de ser o ideal.

A Tecno-Humanização acredita que as palavras e as nomenclaturas são importantes, portanto, não podemos continuar chamando o departamento mais importante da empresa de recursos humanos.

Não faz sentido frequentar eventos que falam de propósito, dizer que a empresa é humanizada e colocar em seu cartão diretor ou diretora de recursos humanos.

Pessoas não são recursos, são seres humanos!

Outra coisa que mudamos é tirar o cargo de “diretor(a) de” e colocamos “responsável por”, não se trata apenas de uma questão semântica.

A preposição “de” indica uma representação institucional enquanto a preposição “por” ou suas variações “pelo ou pela” indicam um envolvimento direto, inclusive operativo, em sua área de responsabilidade.

Ser diretor(a) de recursos humanos é muito diferente de ser responsável pelo talento e cultura organizacional.

Vamos excluir desta discussão as atividades operacionais que são inerentes e necessários em ambos cenários. Vamos nos concentrar somente na visão estratégica.

Hoje, muitos departamentos de recursos humanos têm como prioridade treinamento, em alguns casos adestramento, medir o clima da empresa quando as coisas não vão bem e como tarefa mais árdua atualmente, buscar a forma de levantar a moral da tropa após processos de transformação digital.

Se o processo é bem-sucedido, deixa um clima pesado, de luto, pelas baixas causadas pela digitalização de processos e pelo estresse gerado pela mudança na forma de trabalhar em função da chegada de novas tecnologias.

Se o processo é malsucedido, além dos pontos anteriores, geram frustração e sensação de ameaça constante.

TI faz a transformação digital e RH sai recolhendo os cacos…

A prioridade da empresa é o resultado, e isso é inquestionável, porém o que a Tecno-Humanização preconiza é a forma como se busca este resultado e os meios utilizados.

A empresa atual coloca o resultado no centro, faz um planejamento estratégico, contrata profissionais pensando no perfil necessário, cria processos, enfim, faz tudo visando alcança-lo, e assim por diante.

Recursos humanos em muitas ocasiões, por não dizer na maioria delas, atuam de forma reativa, para dar suporte às áreas de negócio.

A Tecno-Humanização considera a área incumbida de cuidar de pessoas estratégica, elimina o Diretor(a) de Recursos Humanos e traz o Responsável pelo Talento e Cultura Organizacional.

Em nossa visão, pessoas não são um mal necessário como pensam, e demonstram, muitos empresários. Elas são o grande diferencial de uma empresa.

Desenvolver o ser humano, trabalhar o Mindset e a Humanização. Dado o seu papel estratégico, esta deve ser a prioridade do departamento de Talento e Cultura Organizacional.

A partir deste momento, mudar a forma das pessoas enxergam o negócio, seu trabalho e a forma que ele impacta o resultado da empresa, a sociedade e o meio ambiente, faz toda a diferença.

Trabalhar a inteligência emocional e o engajamento das pessoas ao propósito da empresa faz com que seja possível captar e engajar talentos, e os resultados mudam drasticamente de forma positiva.

A Tecno-Humanização inicia seus processos de transformação pelas pessoas e pela área responsável por Talento e Cultura Organizacional.

Transformação digital requer pessoas com mentalidade digital.

Organizações ágeis requerem pessoas com mentalidade ágil.

Organizações exponenciais requerem pessoas com mentalidade exponencial.

E assim por diante…

Não é possível transformar nada, se não transformarmos o Mindset das pessoas.

Algumas empresas, como a Malwee, tem sua CHRO Karina Vasques liderando o processo de transformação digital da empresa.

Novos tempos e nova economia requerem novos enfoques.

Fora diretor(a) de RH e o novo cargo de responsável pelo Talento e Cultura Organizacional deve, no mínimo, co-liderar os processos de transformação da organização.

 

Imagem: Pixabay

O algoritmo é meu pastor, nada me faltará

Este artigo foi publicado no dia 21/01/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Estamos entrando em uma espiral muito negativa onde empresas tem usado algoritmos para guiar seu rebanho. Você faz parte disso?

Até onde vai o limite da otimização?

Esta pergunta, de resposta aparentemente simples, tem rondado minha cabeça ultimamente muito mais do que eu gostaria. Para mim a resposta seria, no limite da humanização, da individualidade de cada ser humano ou até no impacto social gerado pela otimização.

Mas se é uma resposta simples, por que não consigo responder de forma definitiva e ela sempre volta?

Vamos tirar a minha reflexão do abstrato e trazer exemplos para que você possa entender melhor.

Estamos permitindo que os algoritmos ocupem um espaço que racionaliza o sentimento e padroniza a criatividade. Isso é abuso de quem faz e inocência de que aceita.

Recentemente, na busca incessante de resultados, o Spotify, por certo, empresa que eu admiro, comentou que está usando Machine Learning, ou seja, inteligência artificial para analisar os “skip the song” (pular para a próxima música). Esta informação é extremamente valiosa para eles, a ponto de informar os artistas o que seu público “gosta” ou “não gosta”, e isso condiciona a criação das próximas música.

Desta forma, o artista deixa de criar o que ele sente e passa a fazer, de maneira totalmente racional e deliberada, o que o cliente quer ouvir.

Para mim, o cúmulo deste processo é quando vejo, por exemplo, o MIT desenvolvendo um algoritmo que analisa várias características de uma música e determina qual a probabilidade de virar um hit.

Hoje decidi escrever este artigo em minha sala de som, ao lado da minha coleção de vinil e me pergunto.

O que diriam os algoritmos sobre Bohemian Rhapsody?

O que?

Uma canção que duplica o tempo médio do mercado atual, que começa como uma balada, vira ópera e depois vira rock e em alguns momentos hard rock, e para acabar, não tem refrão?

Nem pensar!!!

Há pouco mais de um ano apareceram uns pseudo gurus do marketing dizendo a importância do storytelling, mas o que diria os algoritmos quando Renato Russo escreveu Faroeste Caboclo?

Uma canção que tem mais de 9 minutos, conta uma história e um personagem que ninguém conhece e que fala palavrão?

Isso não tocará nas rádios, principal veículo de divulgação musical da época.

De novo, nem pensar!!!

E poderia citar centenas de exemplos, também no cinema, na literatura, na pintura e assim por diante.

Em minha opinião, os algoritmos podem ajudar a polir uma obra, ser utilizado na pós-produção, porém, me preocupa vê-los ditar o que eu vou consumir…

Pra começar, eu já comentei em outro artigo, me resisto a usar plataformas de streaming de música, porque não quero que me guiem e me levem a escutar o que outros decidiram por mim.

E as redes sociais e seus algoritmos? Te mostram o que você quer ver ou o que interessa a eles que você veja?

Desde o ponto de vista do cliente, é uma escolha ser guiado ou não.

Desde o ponto de vista da empresa, qual o limite ético das empresas em direcionar e induzir seus clientes a consumir um produto? Qual o limite para decidir o que devo e posso consumir e o que não?

Estes algoritmos, podem gerar um paradoxo que não temos a menor ideia de como pode acabar.

Se existem algoritmos que, baseados em meus hábitos de consumo e navegação, me oferecem o conteúdo mais aderente ao meu perfil, e outros que analisam meus hábitos para criar conteúdos e produtos a medida, isso me leva a um paradoxo.

No inicio me ofereciam algo que eu gostava, agora criam e entregam algo que imaginam ou sabem que eu vou gostar.

No final, eu consumo algo que não sei se é o que eu realmente quero ou o querem que eu queira…

Mais que um trava-línguas é um dilema que pode ser perverso.

E estes algoritmos estão cada vez mais invadindo o meu direito de escolha, se é que algum dia ele existiu.

Me vejo, vivendo dentro da maravilhosa canção admirável gado novo de Zé Ramalho.

Ê, ô, ô, vida de gado

Povo marcado, ê!

Povo feliz!

E quem não gostar do que a maioria gosta?

Para está as técnicas de neuromarketing, gatilhos mentais usados de forma pouco éticas, para “convencer” a você entrar na trilha.

O Facebook admitiu recentemente que monitora a localização dos usuários, mesmo quando a função está desativada, ou seja, contra a minha vontade. Os algoritmos de reconhecimento de voz, facial e de linguagem corporal, são capazes de analisar meu estado de humor.

Os algoritmos de análise grafológica podem analisar meus textos, minhas postagens e, cruzando com todo o anterior, utilizando computação quântica, que já está no mercado, podem traçar um perfil comportamental, inclusive antecipando-se a tendências e comportamentos futuros, antes de que eu mesmo saiba que os terei.

Isso é bom ou ruim?

Se for usado para evitar comportamentos suicidas, genocídios, dependências, e outros comportamentos nocivos à sociedade, é ótimo.

Agora, se servir somente para tentar me empurrar goela abaixo o último hit da Pablo Vitar… me desculpem, mas ao menos para mim, é péssimo.

Mas onde está a novidade?

A manipulação de massas sempre existiu, através da oratória, da arte, dos meios de comunicação, etc.

Porém, a diferença é que antes, a origem das mensagens vinha de uma mente, normalmente com inteligência acima da media, que surgia de tempos em tempos, que tinha um poder de comunicação limitado pela geografia e recursos financeiros.

Hoje, com tecnologia, a origem pode ser um algoritmo, com uma capacidade absurdamente elevada e um poder de propagação global a custo zero. E se for feito de forma estruturada e com recursos, pode se converter em uma arma perigosíssima.

Então, onde está o limite?

Quem deve impor este limite?

Sinceramente acho pouco provável que a legislação seja capaz de controlar isso. A lei deve evitar, controlar e punir as exceções, a regra deve ser regulada pela conscientização.

Onde as empresas, leia-se executivos, sejam conscientes de que suas decisões e ações corporativas transcendem os resultados do final do trimestre e impactam as pessoas. Que não vale tudo para alcançar os resultados.

É uma utopia?

Seria se a criatura não afetasse ao criador, mas, neste caso, nem mesmos os criadores destes algoritmos estão livres de seus efeitos. Só precisam entender que eles e seus familiares fazem parte do mesmo coletivo que manipulam.

Otimizar processos e algoritmos para vender mais não é ruim em si mesmo.

Mas termino com a mesma dúvida do início.

Onde está o limite da otimização?

 

Imagem: Pixabay

Futuro da energia: a autogeração; o presente: a otimização

Este artigo foi publicado no dia 16/01/2020 no IT Forum 365.

 

Somos cada vez mais dependentes de fontes energéticas para manter o mosaico tecnológico que estamos montando

Você consegue se imaginar passar 24 horas sem usar nenhuma fonte de energia?

Não se trata só de não carregar o seu celular, não usar seus eletrodomésticos, ou não usar o carro, mas desligue o datacenter da sua empresa, dos hospitais, polícia, iluminação pública e assim por diante.

Nossa dependência é tão grande que se instalaria um caos gigantesco em nossas vidas que não somos capazes de calcular.

O processo de transformação digital tem aumentado consideravelmente a quantidade de equipamentos nas empresas e nas casas, e, consequentemente, o consumo energético.

Vários estudos indicam que a energia elétrica é maior gasto operacional de um datacenter.

Os equipamentos são cada vez mais eficientes desde o ponto de vista energético, porém, mesmo assim, a tendência é de incremento de consumo pelo aumento da capacidade de processamento.

O uso de Cloud Computing reduz o gasto de energia, mas não o elimina, tendo em vista que, mesmo que ele não ocorra na infra própria, ele acontece no site do provedor de serviço e é parcialmente repassado.

A computação quântica vai reduzir muito o consumo energético, mas continuaremos reféns dos sistemas de telecomunicação, storage, segurança, entre outros.

Empresas: aumento de uso de energia

Transporte atual: fonte de energia fóssil

Futuro do transporte – carros elétricos e autônomos: energia

Micro mobilidade – patinetes e bicicletas elétricas: energia

Internet: energia

Smart Home (IoT): aumento da demanda de energia

Smart City (IoT): aumento da demanda de energia

E poderíamos seguir…

A dependência continua aumentando, mas a matriz energética está mudando. Por questões ambientais os combustíveis fósseis estão sendo substituídos por energia limpa.

Segundo a Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA), o custo tem reduzido drasticamente nos últimos anos e já é competitivo.

 

 

Esta demanda crescente converte o setor energético em um setor muito atrativo para os investidores. Segundo o estudo da Bloomberg New Energy Finance 2018, em 2017 foram investidos aproximadamente 280 bilhões de dólares em novas energias renováveis.

Com tanta necessidade as empresas de energia estão otimistas e se preparando para o aumento da demanda.

Além disso, segundo dezenas de iniciativas que seguidas através do observatório da Tecno-Humanização, identificamos uma tendência da autogeração de energia.

Vejamos somente algumas iniciativas.

Universidade de Michigan conseguiu, pela primeira vez, placas solares 100% transparentes.

Isso permitirá que edifícios de vidros inteiros ou grandes janelas captem energia solar.

Agora eles estão trabalhando para aumentar a eficiência do painel.

 

A SolarRoadway criou tecnologia para construir estradas com painéis solares, capazes de carregar carros elétricos por indução ou abastecer a iluminação pública.

O primeiro projeto, foi em uma pequena cidade da França, e embora tenha sido um fracasso, por fazer muito barulho nos carros, piorando a dirigibilidade, o fabricante disse que já está melhorando a tecnologia com uma nova versão de placas.

E muito mais, como um polímero criado por engenheiros da universidade do Colorado, que reflete a luz solar evitando o aquecimento. Com um custo de centavos por metro quadrado, promete eliminar a necessidade do ar condicionado.

Usinas de processamento de lixo que gerando combustível biosintético para caldeiras ou usinas para o meio rural, ou usinas que processam fezes animais, gerando energia através de biogás.

Estas tecnologias estão muito próximas à maturidade, e agora as empresas estão buscando o aumento da eficiência e a miniaturização para levá-las ao mercado doméstico.

O sonho de muitos pesquisadores é descentralizar a geração de energia, reduzindo custos relativos a distribuição.

Se usarmos as fontes de energias oferecidas pela natureza, poderemos chegar, no futuro, à auto geração de energia a um custo muito baixo e sem impacto ambiental.

Porém, muitas destas iniciativas não chegarão ao mercado, devido a algum tipo de limitação técnica ou inviabilidade econômica no curto prazo. Outras sofrerão pressão e lobbies de grandes empresas com interesses comerciais contrários, e sem dúvida, o maior impedimento é o próprio governo, que quando não sabe como taxar e controlar algo, o proíbe, mas, contudo, inevitavelmente várias destas iniciativas impactarão nossas vidas em breve.

Enquanto estas iniciativas ainda não estão disponíveis, o que podemos e devemos fazer é usar soluções que otimizem e racionalizem o nosso consumo, como por exemplo, uma empresa 100% brasileira, que desenvolveu um equipamento com tecnologia de ponta e inteligência codificada que estabiliza a frequência elétrica, melhora a qualidade e gera economia de energia.

Este tipo de solução está alinhado com a Tecno-Humanização por obedecer ao conceito de gestão do Triple Bottom Line. O impacto financeiro para a empresa é enorme uma vez que reduz o custo de energia em até́ 25% em KW/h e 70% na manutenção e queima de equipamentos. O meio ambiente também ganha, já que a solução elimina o desperdício em setores como o comercial, que segundo a Procel (2011) desperdiça 14% de energia elétrica, o que representa 20% da energia elétrica no Brasil.

O impacto social também é claro: a indústria responde por 35% da energia consumida no país e a energia elétrica representam um dos custos mais elevados para o processo produtivo. Ao reduzir o custo de produção, podemos reduzir também o preço do produto para o cliente final.

A Line Control, com tecnologia 100% nacional, oferece o sonho de qualquer empresa: reduzir o custo de energia elétrica e aumentar a vida útil dos equipamentos elétricos e eletrônicos. Tudo isso com um modelo de negócio moderno, associado ao direcionador da desmaterialização da Tecno-Humanização, ou seja, o cliente não precisa comprar o equipamento. Ele simplesmente contrata o serviço e paga uma porcentagem da economia em energia elétrica, com um fator importante, o cliente acompanha todo o processo de consumo, redução do consumo e economia gerada através de uma central online e em breve através de aplicativo, tudo de forma transparente e online.

O observatório BE&SK vai manter os olhos abertos para as inovações de auto geração no mundo e pensando no futuro, enquanto isso, vamos racionalizar o consumo com tecnologia local hoje.

 

Imagem: Pixabay

Todo mundo pode empreender! Será?

Este artigo foi publicado no dia 14/01/2020 no R7 e inova360.

 

Os livros de autoajuda dizem que você pode tudo, inspiram e motivam as pessoas se lançarem. Mas isso é bom?

Você pode tudo!

Todo mundo pode tudo!

Você pode ser o que quiser!

São os mantras dos livros de autoajuda, e quem sou eu para discordar.

As redes sociais estão cheias de histórias de superação onde pessoas vencem barreiras aparentemente intransponíveis e alcançam objetivos improváveis, que mostram que tudo é possível.

Mensagens inspiradoras e positivas são sempre bem-vindas!

Mas devem ser feitas, sempre, com responsabilidade. E isso nem sempre acontece.

Para cada história de sucesso, há milhares ou milhões de pessoas que ficaram pelo caminho. O risco, e em minha opinião a irresponsabilidade, dos livros de autoajuda e das histórias de superação da internet, é que transmitem uma ilusão de que é fácil converter a exceção em regra.

Vou contar uma experiência pessoal.

Com 26 anos eu saí do país, sem falar o idioma do país para onde eu fui, com pouco dinheiro, sem experiência internacional e com uma esposa grávida. Trabalhei muito, me esforcei e venci. Construí minha vida, minha família e uma excelente carreira, cheguei executivo de uma multinacional.

Mas também conheci centenas de pessoas que foram para o mesmo país e cidade que eu, trabalharam tão duro quanto, mas voltaram frustrados e com uma mão na frente e outra atrás.

Lembro até hoje da conversa com uma prima, que me disse “eu quero sair do país, aqui nada dá certo pra mim, ninguém me da uma oportunidade.”

Ela sempre teve uma visão de que o mundo estava contra ela, que ninguém gostava dela, enfim…

E continuou…

“Quero ir para fora como você, eu não tenho preguiça, trabalho no que precisar. Como não falo nenhum idioma, além do português, minha ideia é trabalhar de garçonete, trabalhar duro, mais e melhor que todos as outras garçonetes, aprender o idioma nas minhas horas de folga, e tenho certeza que em alguns meses, com muito esforço, serei promovida a responsável dos garçons, depois a gerente, e em poucos anos, talvez seja sócia ou monte meu próprio negócio.”

Eu a ouvi com paciência e fiz somente uma pergunta:

“O plano me parece fantástico, mas por que você não faz o mesmo aqui? O que te faz pensar que sair do seu país, ir para um lugar onde você não fala o idioma, não conhece a cultura e não tem documentação, vai ser mais fácil que aqui?”

Ela ficou em silêncio, embora nunca me dissesse, mas eu imagino que tenha sentindo um ódio mortal de mim, por eu ter, supostamente, me unido ao resto da humanidade para estar “contra ela”.

Eu não sou ninguém para dizer quem deve ou não deve sair do país, quem deve ou não deve empreender, enfim, todo mundo tem o direito de fazer o que quiser, porém, me preocupa que tomem este tipo de decisão baseados somente nos casos de sucesso, que são a imensa minoria.

Os aspirantes a empreendedores devem considerar também os milhões de casos de fracassos e, o mais importante, saber se tem as características, as competências e as habilidades necessárias para empreender.

Eu não concordo com os livros de autoajuda que dizem que todo mundo pode tudo. Melhor dizendo, eu concordo apenas parcialmente com esta afirmação.

Sim, todo mundo pode fazer o que quiser, mas nem todo mundo pode fazer o que quiser com excelência.

E neste pequeno matiz é onde reside a diferença entre o sucesso e o fracasso.

Todo mundo pode ser vendedor?

É óbvio que sim.

Mesmo pessoas tímidas, que não se comunicam ou se expressam com eloquência.

Pessoas que não saibam negociar.

Enfim, existem cursos que podem te ensinar todas as competências necessárias para ser um vendedor. E isso ajuda muito.

Agora, a pergunta que devemos nos fazer:

Todo mundo pode ser um excelente vendedor?

Eu entendo que não.

Todo mundo pode ser jogador de futebol? Sim!

Todo mundo pode ser um craque? Não!

Todo mundo pode empreender? Claro que sim.

Todo mundo vai ter sucesso como empreendedor? Não!

A diferença entre um empreendedor “normal” e um empreendedor brilhante pode ser a falência.

Em um mundo cada vez mais competitivo, na corrida das startups não tem havido espaço para empreendedores normais, padrões e muito menos para medíocres.

Temos que ser responsáveis com as mensagens que damos, não podemos empurrar todo mundo da beirada do precipício para descobrir quem é capaz de voar.

Para empreender é necessário muito mais que um curso do Sebrae.

Isto é só uma pequeníssima parte. É necessário ter competências e principalmente atitudes que nem todo mundo tem. E não há nenhum problema nisso.

Como eu tratei em meu artigo A bipolaridade do empreendedorismo: Gênio ou inútil, nem todo mundo precisa ser empreendedor, executivo, chefe, rico, ou ter qualquer outro estereótipo para ser feliz.

Eu jamais diria se você deve ou não empreender.

Só te convido a uma reflexão e, mais que isso, a uma ação concreta.

Antes de queimar a sua rescisão e suas economias em um empreendimento, você deve saber se tem o perfil de empreendedor.

Existem ferramentas e profissionais no mercado que podem te ajudar com isso.

Conhecer os gaps que você tem e avaliar se o esforço para reduzir ou eliminar estes gaps valem a pena.

A partir daí, começa o processo para empreender.

E se o esforço for tão grande a ponto de não valer a pena?

Não há problema algum.

Quem disse que você precisa empreender para se realizar?

E se conseguir, mas não for acima da média?

Também não há problema algum.

Quem disse que você precisa ser um empreendedor brilhante e de sucesso para ser feliz?

 

Imagem: Pixabay

Os 4 passos para empreender com sucesso!

Este artigo foi publicado no dia 08/01/2020 no R7 e inova360.

 

Nunca foi tão fácil empreender, e nunca foi tão difícil fazer com o que o empreendimento dê certo

A receita do sucesso de muitos colunistas, blogueiros, youtubers ou influencers digitais é dar receitas de como ter sucesso.

Oferecer uma receita, lista, dicas, passos, lições de como ser milionário, como ter sucesso, como aprender inglês em 7 dias, ou qualquer coisa, vende! E como vende!!!

Então, eu também vou dar a minha receita. Em apenas 4 passos vou te ensinar como fazer para empreender com sucesso.

Empreender vem do Latim, IMPREHENDERE, que significa colocar em desenvolvimento e/ou execução, realizar tarefas.

Esta lista vai te ajudar em qualquer época do ano, mas principalmente no início, onde, com certeza, após o Réveillon, você fez a sua listinha de projetos, profissionais e pessoais, para 2020.

 

1º Passo: NÃO COPIE NINGUÉM, SEJA VOCÊ

Existem biografias fantásticas, elas devem servir para inspirar, mostrar que outras pessoas fizeram as coisas, não para que você faça as suas.

Ler o livro do Steve Jobs serve para ver como ele resolveu seus problemas, como ele desenvolveu seus negócios. Talvez te de ideias, insights, mas jamais para que você tente copiar e ser Steve Jobs.

Assistir ao filme Bohemian Rhapsody ou Rocketman, tentar se comportar como Freddie Mercury ou ser tão excêntrico como Elton John não vai te converter em um deles.

Existem diferentes versões de uma passagem sobre Mozart que é muito ilustrativa.

Mozart recebeu uma carta de um jovem de 15 anos perguntando como ele poderia compor uma ópera. Mozart respondeu que, com 15 anos, ele era muito jovem para compor uma ópera, que era algo muito complexo.

O jovem não se conformou e enviou outra carta questionando a resposta de Mozart, enfatizando como ele poderia dizer isso se ele próprio compôs sua primeira ópera aos 9 anos. Mozart respondeu novamente dizendo: “É verdade, mas eu não perguntei a ninguém como se fazia”.

Tentar copiar padrões é um erro porque você tenta fazer algo que outro já fez, porém, em outras circunstâncias, com outras habilidades ou competências, em outro entorno, enfim…

O Steve Jobs não leu “seu” próprio livro para aprender como ele tinha que ser, ele simplesmente foi.

Provavelmente ele se inspirou em outras pessoas, mas não copiou ninguém.

 

2º Passo: OUÇA TODO MUNDO, E FAÇA O QUE ACHAR CERTO

 A este tipo de comportamento, eu chamo de técnica da avó.

Com 18 anos eu comprei uma moto, cada vez que eu ia na casa da minha avó, ela me dizia para não andar no sol, não andar na chuva, não pegar estrada, enfim, recomendações de avó.

Eu dizia que sim a tudo.

Não fazia nenhum sentido discutir com minha avó de mais de 70 anos que só estava preocupada com o neto. Depois, eu fazia o que achava certo.

Leia muito, veja como outras pessoas fazem as coisas, converse com muita gente, ouça todo mundo, estude, depois, decida, com toda esta informação, o que faz sentido pra você.

Inclua uma variável importante a tudo – SEU FEELING.

Estude muito, aprenda todas as técnicas, desenvolva todas as competências possíveis e aplique todas elas com o coração, e não com a razão. O seu sentimento é tão ou mais importante que a técnica.

Seguir o que manda uma determinada instituição que da cursos que vêm da ONU, uma universidade por mais renomada que seja ou as melhores práticas do Vale do Silício sem aplicar fatores locais e pessoais, o seu sentimento e propósito, em minha modesta opinião, é uma barbaridade.

 

3º Passo: NÃO PEÇA CONSELHOS, BUSQUE MENTORIA

Pedir conselhos também não é uma boa ideia.

Porque quem da conselhos, normalmente, da um conselho a si mesmo. Diz ao outro o que ele gostaria de ser ou fazer, mesmo que de forma inconsciente. Ou, pior ainda, diz ao outro o que deve fazer, por interesse próprio, levando ao outro a uma posição que vai beneficia-lo.

Por último, e mais perigoso, a “internet” está cheia de pessoas que dão conselhos e “ensinam” técnicas maravilhosas sem nunca terem usado. Há pessoas que leram a Lei do Triunfo, de Napoleon Hill, e vendem cursos dos segredos das mentes milionárias.

Detalhe, muitas destas pessoas, e eu conheço alguns, estavam em uma situação extremamente delicada financeiramente. Não te parece estranho que a pessoa que vai te ensinar ser milionário, em alguns casos, tenha menos dinheiro que você?

Atualmente há muitos empreendedores de palco, que nunca levantaram uma empresa, nunca quebraram, enfim…

Tudo isso é tão absurdo como um celibatário dando orientações para a vida sexual de um casal.

Não espere que alguém te diga o que fazer. Se soubesse o segredo do sucesso, certamente usaria para ele.

Um mentor vai te ajudar a alcançar seus objetivos de forma mais rápida e assertiva. Porém, para que uma pessoa te ajude a encontrar o melhor caminho, ela já deve ter trilhado, de preferência mais de uma vez, diferentes caminhos iguais ou similares. Portanto, cuidado para não contratar um mentor que tenha muitas técnicas de mentoria, mas seja um “celibatário” em sua área de atuação.

 

4º Passo: NÃO ACREDITE EM RECEITAS PRONTAS, ELAS NÃO EXISTEM

O imediatismo e a preguiça são a combinação perfeita para formar clientes de receitas prontas.

O filósofo, professor e escritor Mario Sergio Cortella diz que prometeu a todos os seus filhos que, quando cumprissem 12 anos, ele os ensinaria o “segredo da vida”.

O filho mais velho, no dia do aniversário de 12 anos, o acordou às 4h da manhã, ansioso por aprender o tão esperado o segredo da vida.

E seu pai disse:

“Vaca não dá leite”

“Você tem que tirar”

Este ensinamento é fantástico, e deveríamos tê-lo como guia. A única receita pronta que funciona é o trabalho.

Portanto, se você começou a ler este artigo buscando 4 passos que te dissesse o que você tem que fazer, me desculpe, procurou a pessoa errada.

Eu não sei o que você tem que fazer para ter sucesso, mas disse o que você não deve fazer. Note que em 3 dos 4 passos, comecei o título do tópico com a palavra “não” – “não copie…”; “não peça…” e “não acredite…”.

Mas por que as pessoas buscam receitas prontas?

Porque tem medo de explorar, de errar, de fazer.

É sempre muito mais fácil que alguém nos diga o passo a passo.

Mas como isso não existe, a maioria das pessoas se conforma com a mediocridade.

Rodrigo Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, diz:

“A diferença entre o medo e a coragem, é a ação”

Pare de buscar receitas e trabalhe.

Acerte, erre, mas faça.

Aja, e agora!

 

Imagem: Pixabay

Tendências Tecno-Humanizadas para 2020

Este artigo foi publicado no dia 07/01/2020 no IT Forum 365

 

Temos uma oportunidade única de Tecno-Humanizar o mundo. Posso contar com você?

Começamos um novo ano, uma nova década e um novo ciclo.

A década passada foi de grande importância para a humanidade, aprendemos muitas coisas. Embora estejamos informatizando as empresas e digitalizando processos há mais de quase 50 anos, foi nesta década que cunhamos a expressão transformação digital.

Nunca tivemos tanto recurso disponível para investimentos em novos negócios, tanta tecnologia disponível, barata e acessível. Somos privilegiados porque vivemos um momento ímpar da história da humanidade.

Quando Juscelino Kubitschek anunciou em seu governo um plano de desenvolvimento agressivo, que tinha como slogam 50 anos em 5, parecia uma loucura para a maioria dos mortais.

Hoje, vivendo em uma sociedade exponencial, Juscelino seria considerado conservador para alguns e lento para outros.

O primeiro campus de pesquisa de Inteligência Artificial foi criado em 1.956 no Dortmouth College, porém, evoluiu mais nos últimos 5 anos que em toda sua história.

Blockchain foi criado em 2008 e já teve mais impacto para a humanidade que tecnologias que estão no mercado há mais de cinquenta anos.

Plataformas integradoras como Amazon Alexa, Google Home, entre outras, estão fomentando e incrementando o uso de IoT no entorno doméstico, enquanto a indústria 4.0 está levando IoT para a indústria e para o agronegócio.

Carros autônomos, drones, big data, analytics, impressora 3D, computer vision, e uma longa lista de tecnologias que vão impactar a humanidade de maneira jamais vista.

Porém, esta década será lembrada como um dos momentos mais delicados da nossa história.

O homem acelerou forte na direção equivocada, e esteve a ponto de colidir.

Esta nova década que se inicia é muito mais do que uma simples passagem de ano no calendário.

É o momento de corrigir rota e ajustar o rumo.

Nos últimos 5 anos o homem apostou todas as suas fichas na tecnologia, e cá entre nós…

Pensar que a tecnologia resolveria todos os problemas das empresas e da humanidade foi o nosso maior problema.

Diversos estudos de diferentes consultoras mostram que mais de 70% dos processos de transformação digital não alcançaram seus objetivos.

E para a Tecno-Humanização estava claro que isso iria acontecer. Certamente que não nos alegramos com essa constatação, e era uma questão de tempo que a nossa visão se confirmasse.

Diante dessa realidade, nós, Tecno-Humanistas, acreditamos que os maiores desafios da próxima década são:

 

1º – Unir tecnologia e pessoas para evitar o autocanibalismo corporativo

Nenhuma atividade produtiva sobreviveria sem tecnologia, mas nenhuma sociedade existiria sem pessoas.

Recentemente circularam na internet vídeos de empresas que mostravam orgulhosas suas fábricas totalmente automatizadas. Talvez os exemplos mais conhecidos são o da Império, cervejeira do Rio de Janeiro e um frigorífico da JBS na Austrália, totalmente robotizados. Não havia nenhuma intervenção humana direta no processo produtivo.

Em um destes casos, o vídeo que tinha o intuito de transmitir uma imagem de empresa inovadora e moderna, foi totalmente contraproducente.  A empresa recebeu muitas críticas em suas redes sociais pelo problema social de desemprego que gera.

Portanto buscar o equilíbrio entre tecnologia e pessoas é o nosso maior desafio. Tudo é feito por e para as pessoas. Por isso, a Tecno-Humanização coloca o ser humano no centro do processo de inovação e transformação digital.

A tecnologia é somente um meio para viabilizarmos empresas humanizadas.

E a boa notícia é que empresas humanizadas são mais rentáveis.

 

2º – Buscar os resultados extraordinários através da humanização das empresas

A Tecno-Humanização inverte a dinâmica das empresas.

Hoje, normalmente, elas pensam no resultado como um fim, aplicam a tecnologia para alcança-los e depois treinam as pessoas para que elas se sintam parte.

Este modelo é artificial e não tem funcionado.

Tenho vários exemplos de empresas que dizem que se preocupam com as pessoas, que são humanizadas, porque dão treinamento aos colaboradores, porque permitem que façam 20% ou 30% das horas de Home Office, porque estabelecem uma política de feedback ou, a que mais me chamou a atenção, foi uma empresa que visitei, que disse que da chocolate de sobremesa. O chocolate libera endorfina, um neurotransmissor que da uma sensação de felicidade, e a empresa diz que é humanizada.

Pois é… em neurociência, isso se chama, dissonância cognitiva, que é um mecanismo que temos para, mesmo não sendo verdade, nos auto enganarmos e nos fazer sentir melhor. Para saber mais, leia o artigo O desafio de vencer o medo à transformação em tempos  de transformações.

Temos muito trabalho pela frente, e a principal crença que temos que quebrar é a de que, para que uma empresa seja humanizada e consciente ela tem que abrir mão do lucro. Nada mais longe da verdade.

 

3º – Considerar os sentimentos no mundo corporativo e mudar nosso Mindset

Ainda temos pessoas que pensam que somos capazes de separar nossa vida pessoal da profissional, que temos duas personalidades diferentes e que separamos os sentimentos de cada uma delas.

Primeiro, a pessoa física e a jurídica habitam são personas que habitam o mesmo, único e indivisível, ser humano. Não dá nem devemos separa-los.

Segundo, já passamos da fase de tentar controlar as ações das pessoas através da criação de processos. Já passamos a fase de estruturar o padrão mental dos colaboradores para que “pensem” exatamente a empresa quer que pensem.

Agora estamos na fase de transformar o Mindset, primeiramente dos líderes e depois do restante da organização. Sair do Mindset fixo, onde o problema é de terceiros, a culpa é sempre de outros, para um Mindset de crescimento.

Mudar a visão da empresa neste processo de transformação que estamos vivendo.

Implantar um sistema de gestão de triple bottom line, atuando efetivamente, não somente no impacto financeiro do seu negócio, como no impacto social e meio-ambiental.

Quer crescer em 2020?

Aumentar seu negócio?

Inovar e fazer uma transformação digital humanizada?

Captar e engajar talentos?

Melhorar seus resultados através da humanização?

Espero que as empresas tenham aprendido que a tecnologia está para nos servir, não o contrário e que em 2020 aprendam a criar riqueza sem gerar miséria com a Tecno-Humanização.

 

Imagem: Pixabay