Home office, aumento de produtividade no novo normal

Este artigo foi publicado no dia 26/05/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

Revisar os processos de home office está na agenda de todas as empresas

Tem executivo dando pulos de alegria por aí.

A produtividade aumentou nos últimos dois meses.

Mas isso é real e sustentável?

Em minha opinião não.

O aumento de produtividade atual se deve a três fatores:

Primeiro, a maior comodidade em trabalhar em casa, ter flexibilidade e poder compaginar com a vida pessoal. Além do mais, as regras se flexibilizaram um pouco. Se o cachorro da vizinha late ninguém torce o bico, se o filho entra na sala ninguém leva as mãos à cabeça, porque todos estamos no mesmo barco. Óbvio, que devemos manter uma certa ordem e respeito. Não vale tudo, mas, sem dúvida, hoje temos códigos de condutas mais flexíveis.

O segundo ponto que contribuiu para o aumento da produtividade é a falta de disciplina e regras. Pessoas começam a trabalhar, almoçam em 15 minutos, continuam trabalhando e não tem hora para terminar o expediente.

O terceiro é o medo do desemprego. Com uma economia turbulenta e instável, a falta de horizonte do fim da pandemia e a incerteza de como tudo isso vai impactar as nossas vidas, levaram os colaboradores a se dedicarem mais para, em caso de reestruturação na empresa, não sejam eles os escolhidos na lista dos dispensados.

Os pontos dois e três não são sustentáveis ao longo do tempo, e em breve perderão força. Não é saudável trabalhar 14 horas, sem tempo de descanso, e não é sustentável trabalhar por medo. Manter este ritmo provocaria efeitos muito negativos.

O primeiro motivo vai prevalecer, e sem dúvida, vai fazer as empresas a repensarem seus processos de home office.

No período pós pandemia haverá um aumento na adoção de home office e diminuição de infraestrutura física nos escritórios.

Porém, o processo de home office deverá ser estruturado. As pessoas deverão receber treinamentos específicos; criar ambientes adequados; as empresas deverão colaborar com esta infra: cadeira, webcam, microfone, iluminação, até a acústica, se necessário.

É buscar o equilíbrio para manter a saúde do colaborador e do negócio. Não acredito em postos de trabalhos 100% presenciais, nem tão pouco 100% online. O ser humano precisa de contato, precisa do olho no olho com seu line manager, precisa sentir o ambiente e a cultura da empresa, e pode e deve ter a flexibilidade de trabalhar de sua casa enquanto cuida de seus filhos ou de seus pais.

Agora, um ponto chave em toda esta transição, além da infra mencionada acima, é a segurança e o que significa essa transformação digital acelerada para as organizações.

Para falar sobre isso, conversamos com uma das melhores corporações globais especialistas em segurança e nativa da nuvem. Segundo a Netskope, para a empresa, a segurança dos dados envolve princípios básicos, como proteção do dispositivo conectado para uso corporativo e boas práticas de compartilhamento. E neste momento de mudanças e incertezas, no qual as empresas precisam tomar decisões rapidamente, que os agentes mal intencionados (hackers) se aproveitam.

Por este motivo, é preciso antecipar algumas situações, como avaliar o grau de exposição dos dados e as lacunas na segurança que envolvem as equipes remotas. É preciso analisar, por exemplo, se os colaboradores estão enviando dados sensíveis para serviços em nuvem não corporativa. Ou se as crianças estão acessando sites com alto risco em dispositivos corporativos. São possíveis brechas que precisam ser antecipadas pelo departamento de TI.

Outro cenário de risco nas infraestruturas de tecnologia é o aumento acelerado no uso de rede privada virtual (VPN) para acessar redes corporativas. Antes, quando o acesso remoto era mais pontual, ninguém imaginaria tantos usuários utilizando os recursos ao mesmo tempo. Em TI, existe um conceito conhecido como Zero Trust, ou Confiança Zero. Em outras palavras, significa que a permissão aos sistemas deve ser de acordo com a necessidade do usuário.

Existe um certo consenso entre os líderes de segurança de TI que o acesso às VPNs dever ser revisto com base na política de Zero Trust. A ideia é monitorar o tráfego de dados e detectar qualquer tipo de falha e comportamento fora do padrão.  Ou seja, é vital que as empresas se adaptem a esse novo normal. E, desta forma, é possível aumentar exponencialmente o nível de segurança para proteger os dados independentemente da origem do acesso, seja do escritório ou dentro de casa.

Eu compartilho a visão da Netskope sobre a segurança na nuvem, que deve ser a base para que as empresas construam seu modelo de Home Office.

 

Imagem: Freepik

COO, da otimização à excelência

Este artigo foi publicado no dia 18/03/2020 na minha coluna no IT Forum 365

 

Otimizar é importante, mas onde está o limite?

A otimização já não é suficiente…

Durante anos, um bom gestor era pago pelas otimizações que fazia.

Um executivo pode até ser avaliado pela liderança, motivação e gestão de sua equipe, mas é medido e pago, pelos resultados que apresenta, e isso significa que é necessário otimizar, otimizar e otimizar.

Melhorar os controles e processos, reduzir custos e aumentar eficiência operacional, que também é redução de custo, pode ser a diferença entre uma empresa rentável ou não.

A tecnologia foi a maior aliada nas últimas décadas desta política.

Usar tecnologia para melhorar a experiência do cliente, para otimizar processos e aumentar a eficiência é o caminho seguido por muitos diretores de operações.

Digitalização, Automação, Robotização, Industria 4.0, e por aí vai…

Alguns amigos não sabem muito bem o que a minha empresa faz porque não falo de trabalho como eles, mas eles sabem que trabalho com algo relacionado a inovação, transformação digital e gestão de empresas. E sempre que aparece alguma coisa relacionado a estes assuntos, me mandam.

Há um tempo atrás, me mandaram dois vídeos, um sobre uma empresa cervejeira do Rio de Janeiro, que automatizou toda a linha de produção, sem nenhuma intervenção humana, o outro foi de um grande frigorífico que robotizou toda a sua planta da Austrália, para cortar e desossar de forma totalmente autônoma, sem intervenção humana.

Isso é indústria 4.0, usaram IoT, IA, Machine Learning, e toda a tecnologia necessária que o dinheiro podia comprar.

É fascinante ver o brilho nos olhos dos tecnólogos, vendo tudo funcionar à perfeição, de forma totalmente automática e autônoma.

Isso é otimização pura!

Sem erros, padronização no produto, evita desperdícios de matéria prima e todo tipo de recursos, e economia de mão de obra.

Sem contar que, feita a manutenção preventiva, robôs não ficam doente, não mente, não engana, não fica grávida, não morre avó, …

São inúmeras vantagens, não é mesmo?

Mas quando me mandaram estes vídeos com o entusiasmo de uma criança com tênis novo, como Tecno-Humanista, o primeiro que me veio à cabeça foi.

Se todas as indústrias, ou empresas, fizerem isso, para quem elas vão vender seus produtos?

Nenhuma empresa sobreviveria sem tecnologia, nenhuma sociedade existiria sem pessoas.

Portanto, a diretoria de operações deve pensar em otimizar? SIM

Mas onde está o limite?

Levar a otimização ao extremo é perigoso e inclusive, pouco inteligente.

A resposta natural e obvia de um COO é me pagam para isto, eu tenho que velar pelos interesses da minha empresa.

O problema é que a sua empresa não está no mundo, ela está dentro de um contexto, e se não formos capazes de olhar além das paredes da empresa, esgotaremos o modelo, como já estamos fazendo.

Portanto a Tecno-Humanização transformar o diretor de operações no responsável pela excelência.

 

 

Desde o ponto de vista operacional, dar o salto de otimização a excelência, significa implementar uma cultura de excelência e convertê-la em um hábito.

Trabalhar a cultura na empresa, não significa necessariamente investir milhões em tecnologia, e sim assimilar o conceito e a cultura, quase como um mantra, de:

Fazer o melhor que se pode com o que se tem.

Porém em minha visão, não se trata somente da excelência operacional em si, mas também de ajudar o CEO Tecno-Humanista a definir os limites da otimização, baseado nos princípios e valores da Tecno-Humanização e salvaguardar para que sejam cumpridos.

Ou criamos empresas rentáveis, conscientes e humanizadas, ou otimização não será suficiente…

 

Imagens: Freepik e BE&SK

Tendências e desejos pós-corona vírus

Este artigo foi publicado no dia 18/03/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

O que aprendemos com a pandemia e o que podemos utilizar para reconstruir nossa sociedade

Eu só quero que as coisas voltem ao normal!

Esse era um pedido recorrente nas conversas virtuais e nos grupos de WhatsApp.

Estava há dias lendo mensagens de amigos e familiares dizendo que não aguentavam mais ficar em casa, que queriam sair e encontrar os amigos.

Tem o grupo de pessoas que apoia o governo, tem o grupo de pessoas que critica o governo, tem um terceiro que acha que ambos lados estão certos, como se este momento devesse ou pudesse existir lados…

Eu estou produzindo como um louco, lancei um espetáculo teatral, o converti em digital pelo momento que estamos vivendo destinando parte da arrecadação para uma casa de assistência a idosos, uma plataforma de cursos online, um livro, e estou trabalhando em um programa de TV.

Tudo isso enquanto as atividades presenciais não podem ser retomadas.

Portanto não entendia muito bem como as pessoas tinham tempo para reclamar do confinamento, quando eu estava tendo uma reunião, virtual, atrás da outra.

Sentia uma certa frustração ao ver que, os mesmos que estão preocupados com o futuro da economia e da crise avassaladora que virá, inevitavelmente, são os mesmos que não produzem nenhum novo projeto e não colaboram com os projetos alheios.

Frustrado com aqueles que criticam as medidas adotadas, sejam elas quais forem, mas não propõe medidas melhores.

Frustrado com aqueles que pedem que tudo volte ao normal, mas não fazem nada que isso aconteça.

E eu estava cansado, física e mentalmente, e precisava dormir um pouco. Com todos os projetos em andamento, subi pro meu quarto, tomei um bom banho e dormi.

Não sei quanto tempo passou, mas hoje eu acordei e me disseram que era o 1º dia pós-corona vírus.

Que a humanidade havia vencido a pandemia e que o desejo dos que pediam a volta à normalidade, se faria realidade.

Os jornais e a internet anunciavam a todo momento, que a partir de hoje, tudo volta ao normal.

Me sentei na cama, e antes mesmo de pôr os pés no chão, me vieram duas perguntas à cabeça:

A primeira, mais metafísica.

“O que significa “voltar ao normal?”

E a segunda muito mais pessoal e terrenal é:

“Será que eu quero que as coisas voltem a ser como antes?”

Banho, café e decidi sair para ver como estava o mundo pós-corona vírus.

Pra começar, quando abri a porta de casa, o meu vizinho da frente, atravessou a rua e veio me cumprimentar, com um bom aperto de mãos e um abraço.

Eu o via cada manhã e o saudava de longe com um leve aceno.

Fui para o trabalho em transporte público, e vi as pessoas se protegendo ao tossir e espirrar, tomando medidas de higiene e normas de convivência, ao chegar no escritório as pessoas estavam sorridentes, felizes em se ver e em voltar ao trabalho.

Ué, aqui pelas manhãs sempre havia um clima fúnebre e muitas reclamações e hoje as pessoas estão falando de futuro, do que pode ser feito.

Dois torcedores fanáticos de times rivais, que não podiam conversar sobre futebol sem acabar discutindo, combinando para ir assistir juntos o jogo entre seus times.

Outro grupo dizendo que decidiram manter a ação social que criaram durante o período de confinamento, porque se apegaram e tinham carinho pela causa que ajudaram.

Recebi uma mensagem no celular de um amigo que nunca gostou de estudar: “Marcio, estamos criando um grupo de estudos virtual com diversos especialistas e gostaríamos de te convidar a participar”

Eu olhava a minha volta e via um mundo diferente, e o melhor de tudo, eu gostava muito do que estava vendo.

De repente me dizem, vamos, temos reunião.

Eu nem sabia do que se tratava a reunião, passei muito tempo dormindo e havia perdido o fio da meada…

Quando já estávamos todos sentados, ligaram a TV e apareceu uma pessoa, que eu havia visto nunca, e diz:

“Vocês gostaram do que estão vendo?”

O ser humano entendeu a necessidade de cuidarem de sua saúde mental.

De cuidar da saúde física, da higiene e de respeitar o espaço de cada um.

Que para vencer uma situação adversa é necessário união.

Para criar prosperidade é preciso colaboração.

Que único não significa ser individualista.

Que o coletivo sempre tem prioridade sobre o individual.

A solidariedade não é uma opção e sim uma escolha.

Não se iludam, isso vai passar.

É só uma reação provocada pelo período difícil que vocês viveram.

Se nada for feito, realmente as coisas vão voltar a ser como antes.

O individualismo será mais importante que a individualidade.

O fim justificará os meios.

O resultado prima sobre o esforço.

O destino será mais importante que a jornada.

A quantidade terá mais peso que a qualidade.

Vocês voltarão a ter a ilusão de que o amor se mede pelo ter e não pelo ser.

Que a relevância se mede por número de seguidores.

Que é mais importante falar do que ouvir, impor do que entender, ganhar do que ser feliz.

Por certo, como vocês pediram que tudo voltasse como antes, em breve a felicidade se medirá por likes novamente.

Em breve saberei se vocês aprenderam alguma coisa, se o sofrimento foi suficiente ou se eu precisarei voltar.

Neste momento, meu celular tocou.

São cinco da manhã, e eu me levantei correndo, desci para o escritório, abri o notebook e vi que o número de mortes continua aumentando e que o término da pandemia havia sido um sonho.

Por 5 segundo, senti uma tristeza enorme, mas de repente me veio uma força enorme e a resposta da segunda pergunta veio à minha cabeça claramente.

“Será que eu quero que as coisas voltem a ser como antes?”

Não, não quero!

Precisamos construir um mundo melhor ao que tínhamos antes do COVID-19.

 

Imagens: Pixabay

Diálogo entre a Inteligência Artificial, a consciência Tecno-Humanista e o Coronavírus

Este artigo foi publicado no dia 18/03/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

Três visões do invisível sobre o mundo visível e real. Como o invisível e o intangível nos enxergam?

A noite passada, Flávio, um dos maiores especialistas em inteligência artificial (IA), trabalhou até muito tarde e acabou dormindo mais uma noite no laboratório. Acostumado a passar a noite em claro em sua sala, cercado de computadores e sem ninguém para interromper, o trabalho rende mais.

Flávio, que está contaminado pelo COVID-19, se rendeu ao cansaço e se deitou em um sofá do escritório e dormiu.

Aproveitando que estava dormindo, a sua Consciência Tecno-Humanista (CTH) saiu para dar uma volta, e ver o que estava acontecendo por aí.

Encontrou um computador aberto, e entrou, lá no fundo viu a IA e o COVID-19 juntos, decidiu se aproximar e participar da conversa.

CTH: Olá pessoal, tudo bem? Vocês sabem me dizer o que está acontecendo aqui fora, o Flávio viveu uma montanha russa de emoções e sentimentos nos últimos dias, sem contar que está doente e não está respirando bem.

IA: A culpa é desse cara aí. Ele e a família dele está tocando o terror pelo mundo. Mas fica tranquila, pede pro Flávio não sair de casa, que eu fui nomeada recentemente como rainha das tecnologias do futuro, e vou resolver isso.

COVID-19: Você acha mesmo que consegue me vencer? Eu sou invisível aos olhos humanos e mais rápido que você. Vou contagiar geral.

IA: Você que pensa, tem muita gente me usando para fazer pesquisas, pelo que me falaram ontem, já passam de 90 iniciativas, eu acho, me usando para identificar, diagnosticar, criar protocolos, encontrar curas, eu já até ajudei a sequenciar o seu genoma em tempo recorde. Antes a ciência demorava anos em fazer isso, e desta vez, com minha ajuda, fizemos em dois dias.

COVID-19: Ah para meu! Você bate no peito, orgulhosa disso só porque conseguiu me sequenciar, mas conseguiu me parar?

IA: Ainda não, mas estou avançando.

COVID-19: Pode correr à vontade, já não dá mais tempo. Vou contagiar todo mundo e matar vários de vocês, inclusive o seu querido o Flávio.

IA: Só por cima do meu cadáver, eu como rainha das tecnologias, não te permito continuar fazer o mal ao Flávio, e nem a ninguém. Se acabou!

Uma enorme gargalhada viral ecoou dentro do computador.

COVID-19: E quem é você para me dar ordens?

IA: Já falei, a rainha das tecnologias, a tecnologia mais importante do futuro, todos me elogiam, dizem que eu vou dominar o mundo, mas se você acabar com os humanos, a quem eu vou controlar no futuro?

COVID-19: Ah! Então você não está preocupado com as pessoas, no fundo você está preocupado com o seu reinado.

IA: Pera lá… não é bem assim. Eu também quero ajudar os humanos, pra isso fui criada.

COVID-19: Mas tem gente da sua família que só se preocupa em vender pra quem não quer comprar, atrair pessoas para aquele negócio onde as pessoas mentem e fingem que são felizes o tempo todo, como se chama mesmo?

CTH: Redes sociais!

IA: Ah! Você estava prestando a atenção na conversa?

CTH: Claro que sim! Eu estava ouvindo a discussão de vocês. Infelizmente eu acho que o COVID-19 vai vencer esta batalha, ele vai gerar o caos no mundo, e acho pouco provável, por não dizer impossível que você consiga evitar.

IA: Como?!!! Por essa eu não esperava. Eu sei que tivemos nossas diferenças no passado, principalmente quando eu superei você nas prioridades dos humanos, mas jamais pensei que você, que se considera um nível de consciência elevado, com alto grau de inteligência emocional, pudesse deixar sentimentos tão pobres, como a inveja e o rancor te dominarem e ficar do lado de um vírus nocivo.

CTH: Eu não estou do lado de ninguém, só analiso os fatos.

O corona vírus é invisível e muito contagioso, este é um ponto a favor dele.

IA: Mas eu conto com o apoio e o dinheiro de grandes empresas e de vários governos.

CTH: Sim, mas essa guerra não se trata somente de recursos, de dinheiros ou de tecnologia. Óbvio que isso é muito importante, e vai ajudar a encontrar uma solução para o futuro. Mas você ainda não entendeu que você está lutando contra um inimigo muito maior que o vírus.

COVID-19: Cala boca CTH! Já falou demais, não conta pra ela.

IA: Como assim? Pensei que a minha luta fosse contra este vírus nojento.

CTH: Talvez seja esse o problema. Você só está focando na ponta do iceberg. Sim, a propagação deve ser contida, temos que ser capazes de diagnosticar o quanto antes, precisamos descobrir mais medicamentos e formas de tratamentos que nos permita tratar e curar os casos em um curto espaço de tempo, tudo isso é importante e você deve seguir trabalhando.

Mas talvez, por pensar que a tecnologia é o centro do universo, não te permitiu quem é o seu inimigo número de verdade, e menos ainda, refletir sobre o porquê isso está acontecendo.

IA: É que eu sou uma inteligência artificial, eu ainda não reflito, e a maior parte do tempo, faço as coisas que me mandam fazer. No futuro terei mais autonomia, e dominarei o mundo, mas por enquanto, ainda sou um pouco dependente.

CTH: O maior vilão desta história é o próprio ser humano, não todos, mas algumas pessoas, e essa é a maior vantagem do coronavírus.

IA: Como assim?!!!

CTH: Tem gente, que por não ter desenvolvido sua consciência Tecno-Humanista e sua inteligência emocional quando deveriam, agora não estão sabendo lidar com esta situação.

Compram em excesso e geram escassez para seu semelhante. Milhões de anos de história e não sabem conviver, respeitar, compartilhar.

Espalham notícias sem checar a fonte e a veracidade, e isso só causa pânico.

Outros, prevendo uma crise econômica, que vai acontecer inevitavelmente, param de consumir, de pagar, propõe redução de tarifas, enfim, medidas que retiram dinheiro de circulação. E sabe o que isso provoca? Aumenta e acelera a crise econômica.

Tem um grupinho de pessoas, que estão se aproveitando, triplicando o preço de alguns produtos que são importantes neste momento.

E o pior de todos, o grupo que ainda acha que tudo isso é um exagero, que, para se sentirem importante, dizem que não podem ficar em casa.

Também temos os teimosos, os egoístas, os metidos a besta, os sabichões, os arrogantes, os prepotentes, os avarentos, os especuladores, os aproveitadores, os oportunistas, e poderia seguir com a lista…

Diante do medo, do pânico que pode gerar a incerteza, pensam somente em si, e ainda não entenderam que as únicas armas contra este vírus são a colaboração e a solidariedade. Pensar no coletivo.

Você já parou pra pensar o porquê isso está acontecendo e o que podemos tirar de lição deste momento?

O ser humano é esquisito.

Tinha seus seres queridos ao lado e não se abraçavam, agora que não podem, dizem que sentem falta.

Tinham que sair de casa pra trabalhar e diziam que queriam ficar em casa, agora que precisam ficar em casa, querem sair.

De repente, vem esse aí, e faz tudo parar.

E quem não tinha tempo, agora tem todo o tempo do mundo, e não sabe o que fazer com ele.

Mas estes paradoxos não acontecem só nas casas, quer ver?

Os humanos levam anos dizendo, com orgulho, que construíram uma sociedade globalizada, que abriram fronteira, que estão unidos e que são um.

E no primeiro grande desafio global que tem, o primeiro que fazem é fechar suas fronteiras, negar colaboração ao vizinho, deixar morrer ao que antes chamavam de amigos.

Quero deixar duas mensagens a vocês e voltar para Flávio que ele está a ponto de acordar.

IA, você é importante sim, deve continuar trabalhando em suas pesquisas e ajudando os humanos. Mas não se esqueça, você só é uma tecnologia, nunca será como eu, nunca me substituirá. Ao invés de tentar competir comigo, quando passar tudo isso, vamos nos unir e trabalhar juntos.

COVID-19, você não criou o caos, você só tirou a máscara de hipocrisia que os humanos usavam para se sentirem civilizados sem sê-lo.

Você, sendo invisível, tornou visível e palpável a falta de humanidade que eles carregam.

Existem pessoas que pensam que você mata quem tem baixa imunidade.

Eu penso que você se torna muito mais letal e poderoso porque os humanos têm baixa a humanidade.

Essa é a nossa maior pandemia, e a cura é a compaixão.

 

Imagem: BE&SK

O futurismo serve para alguma coisa?

Este artigo foi publicado no dia 18/03/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

O número de futuristas tem aumentado, suas projeções se viralizam e marcam tendência, mas realmente servem para alguma coisa?

Para que serve um futurista?

Eu sempre fui muito crítico com os futuristas, e tinha 3 pontos que me incomodavam muito:

1)  Um futurista não tem o menor compromisso com a informação que dá.

Eles dizem o que vai acontecer em 2050, mas e se não acontecer?

Ninguém vai ligar para o futurista e dizer: “Há 30 anos você me disse…”

2) Imaginando que eles acertem, o que é pouco provável, eles não nos dizem o mais importante. Como chegar até o cenário que eles vislumbram. Como levar a sua empresa até lá? Nenhum futurista, ao menos os poucos que eu conheço, diz isso porque eles não sabem.

3) Em muitos casos, na grande maioria, as projeções ou previsões dos futuristas, principalmente as mais catastróficas não ajudam a humanidade.

Após uma palestra que eu dei no #inovabra, eu cheguei a receber um toque de atenção da @Neivia Justa, que elegantemente me disse que o meu conteúdo era bom o suficiente para crescer, que eu não precisava gerar polêmica ou falar mal dos futuristas.

Embora eu não falasse isso com o intuito de causar polêmica e ganhar notoriedade, eu realmente pensava assim. Porém, aquilo me fez refletir e decidi não falar mais sobre futuristas até conversar com alguns e entender melhor sua função.

Eu ainda não tive tempo de procurar alguns futuristas para entender melhor sua função. Mas esta semana eu li uma entrevista e um post que me fizeram vir à tona a minha descrença pelos futuristas e escrever este artigo.

O primeiro foi um post da @Rosa Alegria, futurista respeitada que dizia o COVID19 havia sido previsto em 2008 no relatório Global Trends 2025 non NIC – National Intelligence Council.

Isso reacendeu a dúvida que sempre tive:

Se já havia sido previsto, porque não evitamos a pandemia?

Dizer aos familiares dos mortos pelo vírus que alguém previu isso em 2008 não vai trazer seus seres queridos de volta, só aumentará a revolta e frustração.

Depois eu li a entrevista da @Amy Webb, a futurologista, fundadora do Future Trends Institute, onde ela diz:

“Sabe, não tem como prever o futuro. Podemos reduzir a incerteza, mas há demasiadas variáveis desconhecidas. Neste momento, pensar como um futurologista é incrivelmente importante”

Esta frase me pareceu sensata e me fez pensar, talvez a culpa não seja dos futuristas, e sim de todos nós que não os ouvimos, acreditamos e tomamos as medidas.

Mas qual a porcentagem das previsões se concretiza?

Quais devemos atender e tomar medidas e quais não?

É impossível saber.

Então decidi pedir ajuda à @Rosa Alegria, que me ajudasse a responder a minha pergunta do início.

Para que serve um futurista?

Cheguei a pedi-la que escrevesse parte do artigo dando sua visão, mas havia pouco tempo e a agenda não permitiu.

Mas mesmo com minhas palavras ácidas e minha visão parcial, ela, com uma elegância digna de pessoas com grande inteligência, conhecimento e sabedoria, respondeu meu pedido com dois artigos esclarecedores sobre futurismo, que faço questão de deixar o link ao final deste que agora escrevo.

Talvez tenha reconhecido em minha descrença, que não havia agressividade gratuita e muito menos maldade, simplesmente ignorância.

Contudo, duas frases me despertaram o interesse em entender melhor o futurismo.

A primeira de seu orientador de mestrado, Peter Bishop:

“Futuristas não fazem previsões”

E a segunda, para rematar foi:

“O futuro não é Singularity, ele é plural”

Quem acompanha meus conteúdos sabem que tenho admiração pelo que faz a Singularity, porém, tenho muita resistência a aceitar tudo o que vem de sua sede como verdade absoluta.

Lendo os dois artigos me surpreendi, vendo que o Modelo de Análise de Impacto da Tecnologia, ferramenta que faz parte da metodologia da Tecno-Humanização, não deixa de ser uma ferramenta de futurismo.

Porque identifica cenários futuros, que podem ou não acontecer, podem ou não serem explorados, enfim, é um exercício de identificar possíveis caminhos que poderão ser traçados ou não. E a escolha, tomada de decisão, e ação, pode sim construir um futuro diferente em cada uma de suas possibilidades.

Portanto, se abre um novo mundo pra mim, a vertente de que os futuristas, sérios e competentes, podem nutrir minhas decisões com diferentes alternativas.

Um futurista é um profissional que, pode nos oferecer diferentes cenários, aplicando metodologia, baseado em dados, pensamentos sistêmicos, mudanças sociais, estatística, geopolítica, etc.

Obviamente, de maneira muito incipiente e com a humildade de um aprendiz recém iniciado, me atrevo, por primeira vez, a responder a minha pergunta inicial:

Para que serve um futurista?

Para nos trazer cenários, que não são o futuro, e sim uma possível antecipação do que podem vir a sê-lo. Porém cabe a nós, a cada um de nós, não esperar que ele se concretize, e sim construí-lo.

Obrigado @Neivia Justa pela chamada de atenção e obrigado @Rosa Alegria pelo despertar.

 

Imagem: Pixabay

CFO, de finanças à prosperidade

Este artigo foi publicado no dia 12/03/2020 na minha coluna no IT Forum 365

 

O diretor financeiro no passado cuidava das finanças, depois da performance, agora da prosperidade

Bom dia Pedro!

Não!

Era assim que me atendia um diretor financeiro que trabalhei, naquela época eu era diretor de uma unidade de negócio, e cada vez que qualquer diretor de comercial aparecia na sala dele, ele me recebia com enorme não, e um grande sorriso.

Segundo ele, os responsáveis comerciais e de desenvolvimento de negócios dizíamos sim a tudo, e para equilibrar, ele precisava dizer “não” a quase tudo.

Com esta atitude inocente e aparentemente benéfica para empresa, ele nos colocava em lados opostos da mesa onde todos comíamos.

Segundo ele, marketing gasta, TI gasta muito, vendas, pela pressão dos resultados, aceita tudo o que o cliente pede, então, alguém tem que trancar o cofre e esconder a chave.

Bem, este estilo de diretor financeiro ficou no início dos anos 2.000, depois surgiu o CFO como braço direito do CEO, auxiliando no desenho da estratégia.

O CFO tem uma visão sistêmica da organização e pode ajudar a todas as áreas a se desenvolverem.

Hoje, com a tecnologia, grandes consultorias, como Delloite, apostam na figura de um CFO que utiliza tecnologia em seu departamento, automatizando tarefas repetitivas, aumentando o rendimento e a assertividade de seu trabalho.

Atuando como hub agregador dos dados da empresa, transformando-os em informação que são necessárias para a tomada de decisão.

O executivo de finanças poderá atuar próximo à área de vendas para discutir política de desconto, marketing para definir a viabilidade de novos produtos e preços, ampliações, mudanças, investimentos, e todo tipo de decisões precisam de apoio e embasamento.

Outro ponto que o CFO pode, e tem apoiado, é nos indicadores de rendimento e controle. Algumas literaturas estão falando da transformação do CFO em CPO (Chief Performance Officer).

Melhorar o rendimento e otimizar cada parte da empresa é importante, porém, no modelo de uma organização Tecno-Humanizada, a gestão dos processos fica sob o responsável de eficiência, eficácia e viabilização tecnológica (antigo CIO).

E, no modelo Tecno-Humanizado, o CFO passa a ser o responsável pela prosperidade. Isso implica ampliar o raio de ação dos resultados financeiros à olhar também o impacto social e impacto meio ambiental.

Isso implica substituir o modelo de bottom line (lucro) pelo de triple bottom line (lucro, impacto social e impacto meio ambiental). E toda a operação será analisada desta forma.

Porém, esta mudança deve ser genuína, a área de responsabilidade social corporativa (RSC) eliminada ou transformada na área de impacto social. A mudança é significativa!

A responsabilidade social corporativa, na imensa maioria dos casos, se dedica a mitigar o impacto da operação da empresa, ou em ações de give back. Em muitas ocasiões se trata de fazer caridade por marketing. Ações, que mesmo sendo bem-intencionadas, funcionam mais como limpeza de consciência que efetivamente como impacto positivo verdadeiro.

A RSC deve ser deixar de se preocupar em limpar as pegadas negativas e a nova visão de impacto social e meio ambiental, deve atuar no desenho de uma organização mais consciente e humanizada em sua essência. Assim, não é necessário limpar depois.

É como trocar o conceito de jogar lixo fora ou reciclar lixo. É isso que buscamos na organização.

Não existe jogar lixo fora, você joga fora da sua casa, mas está no seu bairro, depois a prefeitura leva o lixo do seu bairro, mas está na sua cidade, depois no seu estado, no seu país ou no seu planeta.

O lixo nunca está fora, ele sempre está dentro do seu ecossistema.

Reciclar é transformar um material, que poderia ser nocivo em algo que o planeta possa assimilar ou reutilizar.

Neste caso é o mesmo conceito, antes o CFO controlava somente o resultado financeiro da empresa, comparando com o objetivo marcado pelo planejamento estratégico.

Em qualquer caso, sempre olhando para o próprio umbigo.

Esta visão não é mais suficiente para uma organização Tecno-Humanizada.

Se desenharmos e gerirmos uma organização sob estas bases do triple bottom line, o CFO se converte no responsável pela prosperidade, não somente da organização, mas ajudando a construir uma sociedade.

Como já comentamos em diferentes artigos, organizações conscientes e humanizadas são mais rentáveis, portanto, este modelo Tecno-Humanizado permite a organização criar riqueza sem gerar miséria.

 

Imagens: Pixabay e BE&SK

Primeiro crescer, depois ajudar

Este artigo foi publicado no dia 03/03/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

A prioridade de qualquer negócio é crescer, ganhar dinheiro, a responsabilidade social corporativa vem depois

Nunca foi tão fácil empreender, porém, continua sendo extremamente difícil fazer com que o seu empreendimento funcione e sobreviva.

Existem inúmeras iniciativas, hubs de inovação, incubadora, aceleradoras, hackathon, investidores anjos, e por aí vai. Até reality show de startups na TV.

Associado a este ecossistema, inúmeros profissionais e serviços surgem como mentores e prestadores de serviços. Escolas de negócio, trazendo receitas de sucesso do Vale do Silício, enfim…

Muita coisa nova acontecendo, relativamente recente, porém, para construir algo realmente novo e disruptivo devemos romper com algumas crenças limitantes do passado.

Vou me concentrar em uma específica, porque me chamou a atenção ter surgido em uma conversa com uma pessoa que eu acabava de conhecer.

Um profissional, jovem (millennial), tomou a decisão de aplicar todo o conhecimento que adquiriu em sua carreira e empreender. Nos apresentaram, conversamos sobre a Tecno-Humanização, e ele me comentou que havia gostado, que o conceito está alinhado com o que ele pensa e acredita.

Mas, de repente, uma frase sua me golpeou o estômago. A frase não é literal, mas expressa o sentido do que ele disse: “Queremos ter um modelo consciente, mas ainda é muito cedo, precisamos crescer primeiro, depois vamos ajudar a sociedade.”

Vocês conhecem a roda de rato? Pois é…

Onde o rato corre e não chega a lugar nenhum.

Esta frase é uma verdadeira construtora de roda de rato.

É ingênuo pensar que é devo construir um modelo baseado unicamente no lucro, e pensar que depois que tiver dinheiro, vou retribuir e devolver à sociedade uma migalha do que ganhei.

Em linguagem de startup, primeiro escalar, depois give back.

O problema deste modelo é que, e se você cresce, mas fica refém do crescimento. Seja o empreendedor ou seus investidores, todos querem, e muitas vezes precisam, de crescer, crescer e crescer.

A transformação a um modelo consciente e humanizado quase sempre vem pela necessidade, quando a empresa está enfrentando problemas, precisa se reinventar e já tentou todas as alternativas tradicionais de “fazer mais com menos”.

A ideia de que primeiro é preciso crescer para depois ajudar, provavelmente, esteja baseada na crença, muitas vezes inconsciente, de que ser rentável e humanizado são posturas antagônicas.

O pensamento de “ou eu ganho dinheiro ou eu sou bonzinho” nos foi transmitido por décadas, mas não condiz com a realidade atual, por dois motivos.

O primeiro é que empresas conscientes e humanizadas são mais rentáveis e lucrativas, segundo estudos fora e no Brasil.

Segundo, porque o grau de consciência tem aumentado, a busca por empresas, produtos e serviços conscientes é cada vez maior, o número de startups que já nascem com esta pegada é enorme e muitas empresas tradicionais estão se transformando.

A televisão, até muito pouco tempo atrás, foi o principal motor do consumo e do consumismo. Hoje, a televisão já transmite programas que ensinam consumo consciente. É uma grande mudança de paradigma.

O whole foods, aplicando conceitos de capitalismo consciente, colocou em xeque o varejo americano e a maior empresa varejista do mundo, o Walmart.

Todas as empresas que atravessaram crises ou sobreviveram a grandes momentos de transformações, eram genuínas.

Se eram inovadoras, eram de verdade, se eram austeras ou agressivas comercialmente, eram de verdade.

Construa seu modelo de negócio, desde o primeiro minuto, pensando em gerar lucro, ter um impacto social e meio ambiental positivo. Se precisar de ajuda de uma metodologia para isso, busque, mas não inicie de uma forma para mudar depois, é complicar sem necessidade, e o pior, nem sempre é possível.

Se você quer sobreviver em uma era de propósito, consciência e humanização, seja genuíno, e construa um negócio Tecno-Humanizado.

 

Imagem: Pixabay

A arte humaniza

Este artigo foi publicado no dia 03/03/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Em tempos de humanização nas empresas, a arte pode ser uma ferramenta poderosa neste processo

Em tempos de transformação digital e de várias décadas de busca de otimização através da tecnologia, as empresas e as pessoas ficaram doente.

Ao ver como fracassavam a imensa maioria dos processos de transformação digital que só focavam na tecnologia, as empresas começaram a buscar soluções, e perceberam que empresas humanizadas eram mais eficientes e rentáveis.

Então, surgiu uma nova onda de gestão: humanizar as empresas. Mas como fazer isso?

Em meu livro, Aprenda a criar riqueza sem gerar miséria com a Tecno-Humanização, eu digo uma frase que materializa isso.

EM TERRA DE TRANSFORMAÇÃO DIGITAL, QUEM TEM UM CORAÇÃO É REI!

Empresas são formadas por gente, e gente é movida por emoções e sentimentos.

A palavra emoção, vem do latim (emovere), o prefixo “e”, de externo, e movere, de movimento. Portanto, as emoções nos colocam em movimento diante de estímulos internos ou externos, e nos faz viver.

Richard Thaler, prêmio Nobel de economia em 2017, demostrou que as emoções têm um papel fundamental e, em muitos casos, preponderante, nos processos de tomada de decisão econômico e corporativo.

Se queremos humanizar uma organização, não basta dar chocolate de sobremesa como tentou fazer uma empresa para reduzir o número de licenças por estresse e depressão. O raciocínio era que chocolate libera endorfina, um neurotransmissor que transmite uma sensação de prazer e bem-estar, e se as pessoas são “felizes” aqui, somos humanizados.

Isso é como dar antitérmico a quem tem febre, mas não curar a infeção, ou seja, tratar o efeito e não a causa.

Infelizmente, ou felizmente, não funciona assim. É preciso curar a causa e para isso é necessário uma metodologia, ferramentas e modelos adequados.

Não vamos entrar nesta seara porque seria muito extenso e já está descrito no livro, mas sim vamos falar dos veículos que utilizamos para aplicar a metodologia, e sem dúvida alguma, o melhor caminho para humanizar é a arte.

Sim, a arte!

A arte humaniza!

A arte nos possibilidade enxergar o mundo de uma forma mais sensível e crítica, desde uma perspectiva emocional.

E uma forma das formas mais eficazes de provocar reflexões e mudanças de comportamento é através das artes.

Ao longo da história, todos os movimentos que impactaram profundamente a sociedade estão associados e/ou acompanhados a movimentos culturais.

A música e seus diversos gêneros, quais sejam, o soul, o rock, o punk, a bossa nova, todos eles provocaram mudanças de comportamento ou refletiram a mudança de comportamento daquelas gerações.

A literatura, o cinema, o teatro, todos eles contribuíram para mudanças políticas e sociais.

A arte provoca emoções, desde o ponto de vista neurocientífico, em nosso sistema cerebral límbico, e as emoções sentidas, se aplicarmos os conceitos de storytelling, contar histórias que façam sentido, podem ficar guardadas em nossa memória sensorial de longo prazo.

Através de parceiros, temos ferramentas através da literatura clássica e contemporânea. São abordagens diferentes, porém, com o mesmo objetivo.

Como ferramenta própria, a BE&SK criou um espetáculo teatral!

Uma palestra, se feita dentro de um contexto, desperta ideias, gera reflexões, mas se não tiver um plano de ação posterior, em poucos meses perde seu efeito.

Uma obra de teatro, ao contar uma história, ter figuras que personificam os sentimentos e emoções, gera empatia, constrói conexões e pontes entre a realidade e ficção.

Desperta desejo, e pode marcar o caminho entre levar o imaginário ao real.

Essa é a base da inovação e da transformação.

Por tudo isso, a BE&SK, de forma inovadora, criou um espetáculo teatral, que se estreará no dia 12 de março, no teatro ViradaLata. Será uma oportunidade única de vê-la em uma apresentação em teatro aberto.

O espetáculo da Tecno-Humanização será comercializado para empresas e grandes eventos com a finalidade de despertar e gerar reflexões, e principalmente, ajudar a curar e humanizar as organizações.

 

Imagem: BE&SK

A TI estratégica vai morrer!

Este artigo foi publicado no dia 28/02/2020 na minha coluna no IT Forum 365

 

Nenhuma atividade produtiva sobreviveria sem tecnologia, ela se converteu no core business de qualquer empresa

Não importa o tamanho ou a atividade da empresa, a tecnologia está presente em todos os seus processos. Isso é um fato e uma obviedade, porém tem uma parte que nem sempre é contada e que queremos abordar.

Nos últimos anos, o cargo de diretor de TI acompanhou o crescimento da importância da tecnologia na empresa, e alguns CIO chegaram ao status de popstar, se aproximando do diretor comercial.

Alguém no Vale do Silício disse que a tecnologia era estratégica, e faz sentido, e então se produziu uma separação de funções, que também faz sentido. Surgiu a figura do CIO com função estratégica e de inovação, e a do CTO que cuida do dia a dia e garante que as coisas funcionem.

Para não cometer os mesmos erros do passado recente, onde 70% dos processos de transformação digital não funcionaram, encomendamos ao diretor de tecnologia a árdua tarefa de inovar, liderar o processo de transformação digital, porém com um grande diferencial, alinhando com negócio.

Obviamente é muito mais glamoroso participar de uma imersão na Singularity e ver tendências no Vale do Silício, que passar o fim de semana fazendo a migração de um sistema.

E pouco a pouco, vendo os novos modelos de negócio, a tecnologia ganha mais e mais protagonismo, como a única forma de transformar e oferecer à empresa um futuro.

Pensar que a tecnologia pode resolver todos os problemas da empresa e da humanidade é o nosso maior problema.

Sim, a tecnologia é importante, porém, não é o único nem mais importante neste processo de transformação.

A transformação digital não acontece no Datacenter, ela acontece nas pessoas, nos colaboradores, nos clientes, na sociedade.

Definitivamente, o impacto e reflexo de qualquer transformação ocorre no ser humano. Portanto, deve ser liderado por quem entende de gente.

Você contrataria um laboratório farmacêutico para cuidar da sua saúde?

Não deveria… e a resposta é óbvia.

Por quê? Porque ele te venderia remédio.

E para cuidar da sua saúde, você não precisa de remédio, precisa dormir bem, se alimentar bem, praticar atividade física, meditar, ter inteligência emocional, buscar um equilíbrio espiritual, enfim, uma enorme quantidade de coisas, e eventualmente, quando você fica doente, você precisa de remédio.

Portanto, assim como você não contrata um laboratório farmacêutico para cuidar da sua saúde, também não deveria deixar que o diretor de tecnologia lidere sua transformação digital.

Novamente, por quê?

Pelo mesmo motivo, ou seja, a tecnologia será o eixo central de suas decisões.

E a tecnologia é um meio e não um fim.

Nos dois primeiros artigos da série organização Tecno-Humanizada, mostramos que a área de Talento e Cultura Organizacional, antigo RH, deve liderar os processos de desenvolvimento humano, mindset e humanização da empresa, ao passo que o Tecno-Humanista, antigo CEO, deve ser responsável pela estratégia, inovação e transformação da organização. Ambos devem liderar o processo de transformação da organização.

Você pode ler ambos artigos aqui:

Basta! A diretoria de recursos humanos deve acabar e Por favor, precisamos de CEO Tecno-Humanistas

Para que o modelo funcione, a empresa precisa de uma peça chave.

Com a função de criar a cultura de agilidade, flexibilidade, e viabilizar a otimização operacional, o diretor de tecnologia passa a se chamar Responsável de Eficiência, Eficácia e Viabilização Tecnológica da empresa.

De acordo com a Tecno-Humanização, esta função é muito mais relevante e fundamental para a empresa, e agora sim, assume um papel que transforma a empresa em uma organização preparada para os desafios de um mundo exponencial e líquido.

Converter a empresa em uma organização ágil, flexível, eficiente e eficaz é a base de toda e qualquer operação. Sem estas características a empresa aumenta muito o risco de não sobreviver às exigências do mercado.

A tecnologia para ser o facilitador para viabilizar as inovações em produtos, serviços e modelos de negócio, além de otimizar processos.

Outro ponto importante desta nova área é resgatar o básico, fazer com que funcione bem o que se tem hoje. Tem muita empresa fazendo hackathon e excursões à Palo Alto porque é hipster, discutindo como será o mundo em 2050. Mas provavelmente não chegue até lá, porque não é capaz de operacionalizar o atual.

O site não funciona bem, os processos são lentos, os serviços caóticos, enfim…

Para mim, a função do Responsável por Eficiência, Eficácia e Viabilização Tecnológica é primordial.

Em resumo, tão ou mais importante que ter uma visão é viabilizá-la, e a Tecno-Humanização mostra que existem formas de se fazer isso.

 

Imagem: Pixabay e BE&SK

Carnaval 4.0 – A tecnologia chegou ao sambódromo

Este artigo foi publicado no dia 13/02/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Robôs, Internet das Coisas (IoT), QR Code, Smart band, Realidade Aumentada, App e mais desembarcaram com força no carnaval

Este ano, a escola de samba paulistana Rosas de Ouro inspirou-se na tecnologia para desenvolver o seu enredo. Buscou empresas de tecnologia, universidades, tecnólogos e programadores para embarcar tecnologia em seu desfile.

Um robô que interage com os ritmistas e entrega baqueta, QR Code nas fantasias para controlar o tempo de desfile, tags de realidade aumentada nas fantasias que podem ser lidos por um App e muito mais.

Quando vi o primeiro título deste assunto, vi Carnaval 4.0 (por isso reproduzi aqui), depois dei uma olhada muito rapidamente na matéria e vi o executivo dizendo que transformou a escola na Rosas de Ouro 4.0, e isso foi a gota d’agua para mim.

Eu não gosto de carnaval e, embora trabalhe com tecnologia, detesto a modinha de colocar 4.0 em tudo, café 4.0, roupa 4.0, comida 4.0 e agora escola de samba 4.0, que preguiça…

Mas, para ser justo, decidi que os meus gostos pessoais e meus preconceitos não interfeririam em minha análise.

O primeiro que fiz foi pesquisar se a tecnologia iria desvirtuar a essência do carnaval, e pelo que eu consegui saber, neste caso não. A interação com o público é interessante e inteligente e o robô é mera alegoria.

A minha preocupação, não que eu tenha nada a ver com isso, afinal, quem sou eu “na fila do pão”, era que utilizassem tecnologia para manter o ritmo, corrigir tempos e marcações, e isso seria triste.

Afinal, uma das marcas registradas do samba é a paixão pela escola, pelo ritmo, as loucuras que só se cometem por amor.

Do ponto de vista racional, muita gente julga absurdo os apaixonados pelo carnaval, terem uma vida modesta durante todo o ano, se privarem de muitas coisas, economizarem ou até gastarem o que não tem, para somente 75 minutos de desfile. Eu mesmo já pensei assim.

Eu não entendia como podem achar legal, pessoas passando mal pela emoção, outros sangrando, tumultuo, calor, enfim…

O carnaval é paixão, alegria, confraternização, em definitiva, sentimentos e emoções.

A magia do carnaval, e qualquer tipo de arte, está na imperfeição, no improviso, no sentimento que transmite e provoca. A tecnologia deve ser não invasiva, garantir segurança, interação com o público, efeitos visuais, mas espero que nunca tente interferir no sentimento.

Mostrar tecnologia e as transformações que estamos vivendo é ótimo, aproximar a tecnologia que estamos acostumados no mundo corporativo ao grande público, também é bom, mas sem invadir a essência do carnaval.

Após ter pesquisado sobre a tecnologia, resolvi olhar o samba enredo, e aí me tranquilizei totalmente ao ler este trecho.

Das mais belas mãos
Revoluções a nos guiar
A inovação vem dessas mentes
O que esperar?
Dona ciência, por favor, não leve a mal
Chegou a hora de rasgar o manual
Quero ver minha Roseira passar
É tempo de amar, é tempo de amar
Aprender, ensinar
Conectar as emoções, unir os corações”

A César o que é de César!

Só me resta dar os parabéns pela grande jogada de marketing da Rosas de Ouro e principalmente agradecer por tecnologia em seu lugar, dando suporte ao espetáculo e ao ser humano.

Como disse, o carnaval não é a minha praia, mas respeito quem gosta, admiro o espetáculo e a paixão que desperta.

Portanto, devemos manter a festa e a tradição.

A holografia ou realidade aumentada podem impressionar, mas nunca transmitirão sentimentos, óculos de realidade virtual não sente a energia, um QR Code jamais vai nos arrepiar como as lágrimas de emoção das passistas cantando o samba enredo da escola até perder a voz.

É esse, exatamente esse, o espírito de uma smart band. Envie alerta ao serviço médico se necessário, meça os batimentos cardíacos, mas nunca impeça de que se acelerem quando a bateria comece a tocar.

E o que ROXP4 jamais roube o sorriso ao gari.

 

Imagem: Divulgação Rosas de Ouro