Qual a responsabilidade do consumidor no caos corporativo?

Este artigo foi publicado no dia 19/10/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Toda história tem dois lados e pode ser contada de diferentes formas. Consumidor consciente cria empresas conscientes, consumidor irresponsável…

Em mais de 70 artigos tenho falado sobre a responsabilidade das empresas na construção social.

Tenho apontado os pontos que considero importantes para as empresas elevarem seu nível de consciência e humanização para melhorarem seus resultados e construírem um mundo melhor.

Em muitas situações tenho denunciado, segundo minha visão, os despropósitos, hipocrisias, irresponsabilidades, sejam propositais ou por falta de conhecimento.

Mas será que o consumidor não tem nenhuma parcela de culpa em tudo isso?

Uma empresa obedece a dois vetores de força, um deles é a ambição de seus acionistas e o segundo é o comportamento de seus clientes.

Quanto maior a ambição maior a probabilidade de se tornar ganância.

E seguindo a brilhante frase de Eliyahu M. Goldratt:

“Diga-me como me medes e eu te direi como me comportarei”

A ambição desmedida de crescimento, só focada em resultados financeiros, aumenta consideravelmente o risco de cometer deslizes éticos em nome de um bem maior.

Normalmente as justificativas são gerar empregos e arrecadar mais impostos, mas a realidade é que esse bem maior normalmente é o bem próprio.

O segundo vetor de força é o comportamento do consumidor.

Pode ser consciente, buscando produtos e empresas conscientes e pagando um preço justo, ou pode ser como tem sido…

Exigindo menores preços, comprando em sites com produtos de procedência duvidosas ou diretamente de uma produção que provoca injustiça social.

Quantas vezes, em bate-papo com amigos vemos as pessoas reclamando que a qualidade dos produtos tem baixado, os comércios locais estão fechando, o desemprego aumentando, o governo não faz nada, e dez minutos depois conta que comprou um produto em um site chinês.

O produto comprado pode ser mais barato por vários motivos. Primeiro por economia de escala, por ter menor tributação, menor custo produtivo, mas também pode ser porque não respeita as condições mínimas de trabalho, não paga um salário justo, e assim por diante.

Mas não importa, como é mais barato eu fecho os olhos e compro.

Se a pessoa que produziu vive em condições de miséria não é nosso problema, está longe mesmo…

Se eu contribuo para destruir empregos e empresas locais, não me importa.

O único que importa é comprar mais barato!

Veja bem, não quero insinuar um comportamento protecionista e me fechar para o mundo, talvez é importante sempre avaliar com uma perspectiva mais ampla que o preço do produto.

O consumidor também deve elevar seu nível de consciência e considerar o impacto de seu comportamento.

Não seria justo considerar que todos os problemas que temos na sociedade são responsabilidade das empresas.

O consumidor tem o poder de mudar as empresas, mas não o exerce, é mais fácil reclamar, porém fazer o mesmo.

E não me refiro somente a produtos, também a serviços e conteúdos.

Conheço pessoas que passaram anos reclamando que a programação da TV caiu a qualidade, mas consome.

Reclama que não se fazem música como antigamente, mas consome a atual.

Então do que estamos falando?

Se eu considero que a qualidade não é boa, eu não devo consumir. Esta é a minha forma de exigir um aumento de qualidade.

Se a TV aberta é ruim em sua opinião e você não pode pagar por um conteúdo de maior qualidade, vá a biblioteca pública de sua cidade e pegue um livro e não dê sua audiência a quem não a merece.

Não é uma questão de dinheiro e sim de consciência.

Consumidor exigente motiva a empresas serem melhores e oferecem produtos de maior qualidade a preços mais competitivos.

Consumidor consciente exerce um vetor de força em mesma direção, porém sentido contrário à ganância corporativa, reduzindo seu impacto negativo.

Consumidor medíocre e irresponsável contribuem para que empresas sejam inconscientes, exercendo uma força na mesma direção e sentido de sua ganância, potencializando e incentivando seu comportamento nocivo.

Que tipo de consumidor é você?

Melhor ainda.

Que tipo de consumidor você quer (e vai) ser?

 

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Qual será o futuro do trabalho no novo normal?

Este artigo foi publicado no dia 13/10/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Estamos em um momento único de ressignificação da importância do trabalho para nós, os tipos de profissões e os modelos de trabalho do futuro

Você já ouviu ou se fez esta pergunta ultimamente?

Ela tem sido motivo de debate frequente nas Lives durante a pandemia.

Existem muitas variáveis a serem avaliadas.

Por um lado, a tecnologia que vai modificar os tipos de trabalho e a forma de executa-los. A tecnologia vai eliminar profissões e criar outras, destruir muitos postos de trabalho e criar outros que exigem qualificações diferentes.

O comportamento das novas gerações tem provocado uma grande mudança no trabalho e nas relações com as empresas.

As bases do compromisso do trabalhador com a empresa costumavam ser à necessidade ou a resignação, e agora passou a ser o propósito.

Embora ainda tenha um componente importante de subsistência, o trabalho aumentou consideravelmente seu peso na satisfação e desenvolvimento da vida pessoal do trabalhador.

A pandemia acelerou algumas tendências e consolidou outras como o trabalho à distância.

Qual o melhor modelo?

Presencial, home office, híbrido?

Por outro lado, a legislação e a cultura não estão preparadas para estes possíveis novos modelos.

Não basta dizer que agora podemos trabalhar de qualquer lugar e pronto, as pessoas se adaptam. É necessário que todos os implicados, a empresa, os líderes, os colaboradores, os clientes e parceiros entendam isso e atuem em consequência.

Qualquer que seja o modelo, exigem um processo de aculturamento e adaptação para que isso seja sustentável ao longo do tempo.

Os questionamentos e reflexões são constantes e necessários, mas o que me preocupa são as milhares ou milhões de pessoas que estão assistindo este momento como expectador.

Esperando o “como vai ser o futuro do trabalho”, esperando que alguém decida e defina como vai ser seu próprio futuro.

E se a pessoa não gostar do futuro que outros decidiram por ela?

Ela pode reclamar?

Por poder, pode… afinal de contas reclamar é um dos esportes nacionais.

Mas onde e para quem se reclama se você não gosta do mundo que criaram pra você enquanto você se omitia?

Tem um guichê pra isso?

Há uma frase que eu gosto muito do dramaturgo francês Philippe Destouches que diz:

Os ausentes nunca têm razão

Temos uma oportunidade grandiosa de participar deste debate, de somar, de agregar nossa visão, entender os diferentes interesses e pontos de vista, e dar o seu.

Devemos mudar a pergunta de como será o futuro do trabalho? por uma oração mais inclusiva e auto responsável e passar a dizer como eu quero que seja o futuro do trabalho.

Aproveitar ainda para incluir na equação a variável mais importante de todas e gerar a reflexão como eu quero que seja O MEU trabalho do futuro?

Entender todas as mudanças que estão acontecendo e criar a sua própria. Criar o seu espaço dentro do espaço maior.

E para isso não é necessário grandes recursos nem grandes oportunidades, basta entender que é possível você criar o seu trabalho do futuro ideal.

A partir daí, se buscam os recursos necessários e se constrói com o que se tem.

Acompanhe e participe ativamente deste momento de transformação do futuro do trabalho, absorva todas as informações, entenda todas as perspectivas, e crie o seu futuro do trabalho.

Você pode começar nesta quarta-feira, dia 14/10, no quadro Visão Tecno-Humanista do programa Inova360 na Record News, às 8h, vamos iniciar o estudo de caso da STATE Innovation Hub conversando com o Fernão Barboza e vamos abordar o futuro do trabalho pelo ponto de vista da Tecno-Humanização.

Depois, continuaremos o debate em uma Live, às 19h e você pode fazer parte deste processo de inovação aberta, inscrevendo-se aqui.

 

 

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Fórmula para crescer: Negócio é negócio, misérias a parte

Este artigo foi publicado no dia 05/10/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

A exigência pelo crescimento é grande e desde que se cumpra a lei, vale tudo para crescer, até fechar os olhos para barbaridades.

Esta semana assisti uma palestra extremamente interessante sobre o agronegócio e a importância deste setor para a economia do país.

A palestra foi proferida por uma pessoa que tenho profunda admiração como profissional e ser humano.

A palestra se desenvolveu de forma brilhante, baseada em dados confiáveis, conhecimento e experiências de décadas no setor.

Não é nenhuma novidade, sabemos que nosso maior cliente de produtos agropecuários é a China, e de repente veio a frase que ficou retumbando em minha cabeça durante toda a semana…

“Não estou de acordo com o sistema político da China, mas negócio é negócio.”

Eu entendi perfeitamente o contexto, os motivos e as justificativas de tal frase.

Acredito que este tipo de raciocínio que nos foi ensinado nas últimas décadas, foi o que nos trouxe até aqui como sociedade.

Não estou apontando o dedo e em absoluto assumo uma atitude condenatória, simplesmente sinalizando algo que todos executivos formados nas últimas décadas aprendemos, e eu me incluo nisso.

Esta forma de pensar e atuar está baseado na frase escrita pelo poeta romano Ovídio, em sua obra Heroides, há mais de 2.000 anos:

“Os fins justificam os meios”

Este conceito, que a simples vista parece razoável e aceitável quando se coloca a favor lado do coletivo, ao ser aplicado a favor do individual é terrível.

O primeiro princípio da Tecno-Humanização diz que:

Todo modelo com o tempo, se deteriora, e se distancia de sua finalidade inicial.

E vemos claramente isso na obra O Príncipe de Maquiavel, onde, embora não cita a frase de Ovídio, aplica o conceito quando afirma que o governante deve agir de forma ética sempre que possível, porém, caso necessário e a razão de motivos de Estado, façam o uso de recursos injustos para manter o poder.

Quantas empresas não tem aplicado o mesmo conceito nas últimas décadas?

Quantos vezes executivos aplicam este conceito tomando decisões consideradas necessárias para sua empresa sabendo que contribuem para desigualdade e miséria, e depois, para dormir melhor, as maquiam como um mal necessário para um bem maior?

Vender a um cliente (país) que priva de liberdade seu povo, oferece em muitos casos (não em todos), condições laborais e humanas inferiores as que o executivo aceitaria para seu pior inimigo.

Mas tudo isso não é problema do executivo, ele é pago para vender.

Além do mais, ele faz isso para dar trabalho a muitas pessoas, ele gera renda, ele paga imposto, então, está tudo certo.

É isso mesmo?

Esta é a fórmula para o crescimento econômico que utilizamos nas últimas décadas e funcionou. O problema é que o objetivo não deveria ser o crescimento e sim o desenvolvimento, como mostro em meu artigo Crescimento vs. Desenvolvimento: Digitalizar o jogo acelera o colapso.

Todo mundo clama por um mundo melhor ao mesmo tempo que diz fazer tudo que está em suas mãos para que ele o seja.

Mas é este o caminho a seguir?

Outra coisa que me assombra, é que para atender a todas as exigências e poder vender a este tipo de cliente é preciso alcançar um alto nível de excelência muito grande, tanto tecnológica como de gestão.

Cuidar da parte tecnológica, operacional e de pessoas.

Buscando na cadeia produtiva do agronegócio, é fácil encontrar empresas com as mais diversas e renomadas certificações, ISO, GPTW, etc., e para finalizar a limpeza de consciência, uma forte governança.

Mas se depois, de todo o esforço para fazer tudo certo dentro de casa, eu deixo que os cifrões tapem meus olhos para o que acontece ao outro lado da barreira, realmente faz sentido ter a parede cheia de certificações?

Será que não chegou a hora de mudar a forma de atuar?

O conceito de Negócios são negócios, misérias a parte, já não deveria ter espaço.

Foi ele o direto responsável pela sociedade doente que temos hoje.

Chegou o momento de aprender a criar riqueza sem gerar miséria.

 

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A pior Transformação digital é aquela que você não quer ver…

Este artigo foi publicado no dia 29/09/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Uma empresa com 0% de tecnologia não conseguiria sobreviver, porém uma empresa 100% automatizada também não.

A transformação digital é um caminho sem volta para as empresas, a aplicação da tecnologia nas atividades produtivas é uma necessidade.

Porém, a frase de Paracelso, médico e físico do século XVI nunca foi tão atual.

“A diferença entre o remédio e o veneno é a dose”

A primeira por falta de competitividade e capacidade produtiva e a segunda por retirar o poder aquisitivo de seus clientes.

Se todas as empresas automatizassem suas atividades, quem compraria seus produtos, se estaria todo mundo desempregado?

Há de se buscar um equilíbrio, para evitar um problema social maior que o benefício da automação.

Para fazer uma análise do processo de transformação digital de uma empresa, vamos eliminar a variável sociológica da equação por um momento.

Todo processo de transformação digital tradicional busca otimização de processos, redução de custos, aumento de produtividade e assertividade, e por fim, melhorar a experiência do cliente.

E este é um dos motivos pelo qual fracassam 70% dos processos de transformação que consideram a tecnologia e não as pessoas.

Estamos fazendo a transformação digital do canal de distribuição de uma empresa que tem como um dos grandes pilares de sua liderança no mercado, a proximidade e o tratamento pessoal e personalizado de seus distribuidores.

Neste caso, a diferença entre o sucesso e o fracasso deste projeto será saber definir a dose exata de tecnologia, para que o remédio não se converta em veneno.

Digitalizar o processo sim, eliminar o trato humano com os distribuidores não.

O importante neste processo que estamos realizando em um cliente é ser capaz de digitalizar o processo de vendas B2B para seu canal de distribuição sem abrir mão do trato próximo e humano.

Pensar que a tecnologia vai resolver todos os problemas da empresa costuma ser o maior problema de uma empresa.

Outro aspecto importante a ser considerado em um processo como este é a transformação digital passiva que a empresa está exposta. Normalmente os consultores e principalmente as empresas de tecnologia consideram somente a transformação digital ativa.

O conceito de transformação ativa e passiva criado pela BE&SK está no artigo Sinto muito, mas a transformação digital não vai salvar a sua empresa.

Em muitos casos é necessário atuar em duas frentes, digitalizar um processo para aumentar os resultados e poder financiar a transformação da empresa pelo o impacto da transformação digital passiva.

É necessário criar este modelo bimodal, digitalizar um processo por um lado para garantir resultado a curto prazo e em paralelo desenhar a transformação organizacional por outro, para garantir a continuidade da empresa no futuro.

Na quarta-feira, dia 30/09, no quadro Visão Tecno-Humanista do programa Inova360 na Record News, às 8h, vamos iniciar o estudo de caso da Fedrigoni conversando com o Gerente de marketing e vendas de papéis especiais da Fedrigoni Brasil, e vamos abordar sua transformação digital ativa no canal de distribuição B2B.

Depois, continuaremos o debate em uma Live, às 19h e você pode fazer parte deste processo de inovação aberta, inscrevendo-se aqui.

 

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Transformação digital Humanizada constrói empresas mais rentáveis

Este artigo foi publicado no dia 08/09/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Ao cumprir 50 anos do artigo de Milton Friedman, fica claro que o que nos trouxe até aqui não é o que vai nos levar daqui em adiante

O que diria Friedman se levantasse a cabeça?

Este mês comemoramos o jubileu de ouro do artigo publicado no New York Times por Milton Friedman.

Mas quem foi Milton Friedman?

Um economista brilhante, prêmio Nobel de economia em 1976, assessor de três presidentes americanos, neoliberalista e defensor da economia de mercado.

Suas teorias tiveram uma enorme participação no desenvolvimento do capitalismo e da economia mundial.

Segundo Friedman, a empresa pertence a seus acionistas e, portanto, sua única função é gerar lucro para eles, respeitando a lei.

Em famoso artigo, este, ele disse:

“There is one and only one social responsibility of business—to use its resources and engage in activities designed to increase its profits.”

uma e apenas uma responsabilidade social das empresas – usar seus recursos e se envolver em atividades destinadas a aumentar seus lucros.”

Isso significa que Friedman era insensível e cruel, que só se preocupava com o dinheiro?

Eu suponho, e espero, que não.

Ele simplesmente baseou sua teoria em um raciocínio lógico.

Se a empresa tem lucro, a empresa cresce de maneira saudável.

Se a empresa ganha mais dinheiro e cresce, empresa gera mais emprego.

Se empresa gera mais emprego, paga salário e gera bem-estar econômico para as pessoas.

Se empresa cresce, gera mais emprego e vende mais, empresa recolhe mais impostos.

Se o estado arrecada mais impostos e cumpre sua função de servir, oferece maior bem-estar social para as pessoas.

De todas formas, o estado deve ter o menor papel possível, o mercado regula e a economia e a sociedade, e viveremos felizes para sempre.

A teoria é muito boa, de uma lógica esmagadora e funcionou durante um tempo.

Empresas cresceram, o emprego aumentou, as pessoas ganharam dinheiro e a qualidade de vida da humanidade subiu vários pontos em relação ao século passado.

Tudo parecia ir bem, até que algumas variáveis não consideradas nesta equação começaram a ter mais peso que o próprio objetivo do modelo.

O entorno também mudou e a tecnologia jogou por terra uma das principais premissas da teoria de Friedman.

Empresa que cresce e ganha dinheiro gera emprego…

Esta premissa já não é verdadeira, ao menos não na mesma proporção que antes.

Com tecnologia, é possível escalar, ser global, ser unicórnio, com dezenas ou no máximo centenas de colaboradores.

Outro aspecto que não se considerava neste modelo, eram fatores inerentes ao ser humano, que afloram e se tornam ainda mais predominantes em situações de alta pressão, como a ética, o ego, a ganância, a hipocrisia, entre outros.

Quando se começou a falar em otimização de processos, a gestão ainda estava gatinhando, havia muita margem de manobra, portanto tudo era feito em benefício do negócio e com a boa fé.

Não obstante, ao avançar e a administração ganhar tantas ferramentas e se transformar quase em uma ciência, o espaço para otimização diminuiu e começaram e repetir-se os ciclos: Fazer mais com menos… ano após ano.

Este modelo, já esgotado, aumentou a pressão e a imensa maioria das pessoas não costumam reagir bem sob pressão e para manter o alto padrão conseguido nos tempos de bonança, começaram a buscar os resultados a qualquer custo.

Neste caso, o escudo dos executivos é dizer que suas empresas têm forte governança e agem dentro da lei. Diga-se de passagem, em alguns casos, os negócios cumprem as leis que são feitas a medida para seus negócios.

GOVERNANÇA NÃO GARANTE ÉTICA

 

A ética, por ignorância ou por falta de carácter, é frequentemente confundida com governança e compliance. A governança é muito importante e necessária nas empresas, mas não é suficiente.

O ego, poder, ganância e o egoísmo fizeram com que as empresas cruzassem uma linha muito perigosa.

E todo os deslizes e excessos cometidos pelas empresas, a maioria de forma inconsciente, estão voltando com juros e correção monetária à própria empresa.

O excesso de pressão e de otimização, colocou o Brasil como líder mundial de pessoas com transtorno de ansiedade e o país com maior número de pessoas com depressão da América Latina.

A depressão o transtorno de ansiedade são a segunda maior causa de licença e absenteísmo laboral.

Este é somente um exemplo, mas há muitos mais.

Tem o outro lado da moeda, empresas que entenderam que não vale tudo para ganhar dinheiro, e ganham mais dinheiro ainda sendo consciente e humanizado. Também tem, cada vez mais, empresas que querem ser mais humanizadas e não sabem como.

Como há muita informação a ser explorada neste aspecto decidi escrever um e-book com a Humanizadas, empresa que realiza uma pesquisa em mais de um milhar de empresas brasileiras, onde vamos mostrar o impacto positivo da humanização nos resultados e uma metodologia que aplica tecnologia para humanizar sua empresa.

Este e-book mostrará que é possível criar riqueza sem gerar miséria.

O que diria Friedman se levantasse a cabeça?

 

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Mudança comportamental + Tecnologia = Nova civilização

Este artigo foi publicado no dia 15/09/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

A combinação entre a mudança comportamental das novas gerações e a tecnologia é muito poderosa. Não vivemos em uma era de mudança e sim uma mudança de era.

Onde vamos parar?

Tenho ouvido a muitos executivos perguntando isso.

É difícil tomar decisões se não sabemos para onde vamos.

Senhor executivo, o mundo gira independente da flutuação do cambio do dólar, da não reforma tributária tão sonhada ou de qualquer outra coisa que você considere importante.

Sim, o mundo gira impulsado por premissas diferentes às suas, a uma velocidade muito maior a que você estava acostumado e vai em múltiplas direções. E agora?

É preciso entender isso se quiser que seu negócio continue existindo.

Passamos de um mundo onde a mudança comportamental acontecia de geração em geração e costumava ser tênue.

A cada 3 ou 4 gerações havia uma ruptura radical com a anterior, mas era um fenômeno estranho, a ponto de serem chamadas revoluções.

De repente a tecnologia assumiu o protagonismo e nas últimas quatro décadas e passou a ser considerada o agente transformador da sociedade.

Na verdade, há um pequeno erro de conceito nesta visão, o agente transformador é e sempre foi o ser humano.

 

 

Este ciclo foi sistematizado pela Tecno-Humanização para mostrar que tudo começa e termina no ser humano e a tecnologia é um meio.

Embora seja apenas um meio, tem um peso enorme neste processo de transformação que estamos vivendo.

A tecnologia tem acelerado os processos de mudanças e que antes eram leves entre gerações e grandes a cada 3 ou 4 gerações, passaram a ser muito grande entre cada geração.

Assim como na vida algumas pessoas suam frio, secam a boca, sentem tontura e náusea quando se movimentam a uma velocidade muito grande, algumas empresas estão sofrendo do mesmo mal.

Não são capazes de entender e acompanhar a velocidade das mudanças.

E isso, pode ser o início do fim para elas.

Se este cenário já não fosse o suficientemente complexo, surge outra variável.

A tecnologia deu tamanho poder às pessoas que está surgindo algo novo para a humanidade, estamos vendo mudanças comportamentais dentro da mesma geração, portanto o ciclo de encurta ainda mais.

Temos a aceleração da tecnologia nas mudanças e a aceleração das mudanças comportamentais intrageracionais.

A velocidade de mudanças na sociedade é muito maior a que a maioria das empresas e pessoas podem assimilar. Na verdade, elas não podem assimilar de maneira orgânica e natural.

É necessário, obrigatoriamente, um trabalho de preparação executiva e organizacional, porque do contrário haverá uma diferença de décadas, ou de século, entre o que pensamos e o que realmente acontece na realidade.

Conheço frigoríficos em dificuldades e foodtech de carne baseado em planta recebendo investimentos de centenas de milhões, como aconteceu recentemente com Futuro Burger.

A plataforma de videoconferência Zoom supera a IBM em valor de mercado.

O Mercado Livre, um marketplace de e-commerce que não fabrica nem vende nada, já representa mais de 20% da receita do Correios e está esperando que seja privatizado para comprar o Correios brasileiro.

E poderia seguir com dezenas de exemplos.

Mas com tantas mudanças e tão rápidas, volto à pergunta do início, onde vamos parar?

Para que você quer saber?

Ninguém sabe e provavelmente não importa.

É importante saber que estamos vivendo um momento histórico, e antes de tentar lutar contra ele, vamos ajudar a construir empresas mais conscientes.

Aproveitar a maior consciência das novas gerações, aplicar tecnologia para humanizar empresas, em definitiva construir uma nova sociedade que seja capaz de criar riqueza sem gerar miséria.

O grande risco da mentalidade fixa nas empresas

Este artigo foi publicado no dia 08/09/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Quantas oportunidades sua empresa perde por ter tomadores de decisão com mentalidade fixa? O maior problema das empresas não está no mercado, estão dentro.

Pessoas de mentalidade fixa me dão preguiça…

Me disseram que é porque eu fiz 50 anos e a essa idade vamos ficando mais criteriosos.

No meu caso não é verdade, eu nunca gostei de pessoas assim, só não sabia por quê.

Pessoas que tem o não como resposta padrão.

Pessoas que consideram que “o mundo é assim”.

Pessoas que consideram idade sinônimo de sabedoria.

Pessoas que dizem “já vi esse filme”.

Pessoas que tem como filosofia de vida a Lei de Gerson.

E sobretudo, pessoas que tomam decisões baseadas somente em crenças e não em fatos.

As crenças fazem parte do processo de tomada de decisão, e provavelmente seja inevitável, porém não devem nunca ser único elemento a ser considerado, nem o mais importante.

Imaginem a seguinte situação, um desconhecido, através do amigo de um amigo, convida a duas pessoas, João e José, para um evento corporativo, e fala que haverá pessoas interessantes, boa troca de experiência, comida e bebida farta, ambiente seleto e agradável.

João tem mentalidade de crescimento, e enxerga imediatamente uma possível oportunidade de se relacionar com um grupo de profissionais qualificados, de ter um momento agradável, de construir uma rede de relacionamento saudável, e quem sabe até gerar oportunidades de negócio.

João mentaliza a oportunidade e a partir dela, busca a validação.

Pergunta quem estará na festa, quem já esteve nas festas anteriores e quais foram os resultados.

Se as respostas forem satisfatórias, confirma presença no evento.

No outro lado da mesa, José, uma pessoa com mentalidade fixa, imediatamente toma a decisão de não ir. Devido sua grande experiência de vida e baseado nos seguintes critérios.

Ninguém convida ninguém a um evento tão bom assim sem segundas ou terceiras intenções. Não existe almoço grátis e sabe Deus o que querem de mim.

Além do mais, esta pessoa que está me convidando quem ela pensa que é para me fazer um convite? Eu nem sei quem ela é, e se não a conheço é porque provavelmente ela não seja importante.

Mas como o amigo do amigo, insistiu tanto em que ela avaliasse o convite, José decide investigar quem é a pessoa que a convidou. Não com a intenção de validar o convite e sim de demonstrar que ele estava certo, e que o convite era suspeito.

São duas formas completamente diferentes de enxergar a mesma situação.

Em qual perfil você se encaixa?

Qual tipo de mentalidade é a sua? Fixa ou de crescimento?

O conceito de mentalidade de crescimento e de mentalidade fixa são descritos no livro Mindset de Carol Dweck, que recomendo a leitura.

Voltando ao nosso exemplo, é importante dizer que, seria ingênuo e inclusive irresponsável ir ao evento sem checar as referencias de quem convida e de quem já participou.

Mas a enorme diferença entre João e José, é que João valida as informações para tentar viabilizar a oportunidade e José para justificar que suas crenças e sua recusa estavam certas.

O mercado está cheio de “eventos”, todos os dias passamos na porta deles, somos convidados a entrar em alguns em outros podemos pedir para entrar.

Mas para isso, precisamos ter mentalidade de crescimento, ver e buscar as oportunidades, tentar entender o motivo e a razão das coisas, estar abertos a novas possibilidades e principalmente entender que o mundo mudou.

Você já pensou quantas oportunidades a sua empresa deixa escapar todos os dias por ter colaboradores como o José?

Um profissional com mentalidade de crescimento é um tesouro para a sua empresa.

Um profissional com mentalidade fixa é um lastre.

A boa notícia é que é possível ajudar às pessoas a mudarem de mentalidade fixa à de crescimento.

Existem infinidade de motivos para que uma pessoa tenha uma mentalidade fixa, e, portanto, não cabe a mim julga-la por isso.

Muito pelo contrário, me sinto no dever moral de ajuda-la a enxergar o mundo de outra forma.

Porém, aos meus 50 anos, considero que ganhei o direito de convida à minha festa e meu convívio somente pessoas com mentalidade de crescimento.

E sua empresa deveria fazer o mesmo.

Contratar somente pessoas com mentalidade de crescimento e aos que tem mentalidade fixa que querem e aceitam mudar.

Aos medíocres que consideram que sabem tudo, para o bem da sua empresa e de sua saúde mental, mantenha-lhes a uma distância prudencial de 3 a 4 anos luz…

Consumidor consciente cancela marcas lobo vestidas em pele de cordeiro

Este artigo foi publicado no dia 01/09/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Aprenda o que é greenwashing e a identificar estas empresas. Elas colocam em perigo o consumidor e são desleais com seus competidores.

Fingir ser bom é bem pior que ser assumidamente mal.

Você pode discordar de mim, eu respeito, mas essa é a minha opinião!

A empresa que não atua corretamente por desconhecimento, é incompetente.

A empresa que, de forma consciente e deliberada, não cumpre a lei ou não age de forma ética, é hipócrita. Porém, com o aumento da conscientização do consumidor e a vitrine transparente das redes sociais, este tipo de empresa será penalizada pelo mercado e terão vida curta.

Agora, a empresa que usa o greenwashing, que institucionaliza a mentira para aumentar suas vendas, para mim é indigna e deveria ser fortemente punida.

Greenwashing é o termo inglês que define a estratégia de promover discursos, anúncios, ações, documentos, propagandas e campanhas publicitárias sobre ser ambientalmente correto, sem sê-lo.

Segundo um estudo publicado pela Nielsen, em junho de 2019, 42% dos consumidores brasileiros estão mudando seu hábito de consumo para reduzir seu impacto no meio ambiente.

O mesmo estudo mostra que estamos mais conectados, 64% dos consumidores têm smartphone e 48% utilizam o celular para interações em redes sociais, portanto com mais voz ativa para denunciar as tentativas de empresas que fingem ser o que não são.

O aumento da sensibilização sobre o consumo consciente de produtos sustentáveis começou na cosmética, onde hoje, as novas gerações consultam a composição do produto, pesquisam a origem e comprovam a veracidade da informação divulgada.

A segunda indústria a aderir este movimento foi a dos produtos de higiene, limpeza e utilidades doméstica.

E agora, outra indústria está levantando esta bandeira de lutar contra o greenwashing, que é a indústria têxtil.

Esta tendência irreversível de transparência leva as empresas a atuarem em duas frentes, a primeira é garantir que suas práticas produtivas são realmente sustentáveis, já que esta indústria é a segunda que mais polui no mundo.

A segunda linha de trabalho é sensibilizar ao consumidor para que conheça e dê valor a isso.

A Malwee, uma das maiores indústrias têxtil do país, está trabalhando internamente há muitos anos para produzir uma moda sustentável, quer ampliar sua área de impacto positivo na sociedade.

Embora vão continuar buscando novas tecnologias para reduzir seu impacto negativo no planeta, porém a empresa considera que não basta produzir um produto sustentável, é preciso orientar e transmitir ao consumidor o conceito de consumo consciente.

Que basicamente se refere a comprar o que se precisa, aprender a montar um fundo de armário que permita combinar melhor as peças reduzindo o consumo de moda sazonal, aprender a melhorar a manutenção das peças (lavagem e secagem), enfim, estes são alguns dos cuidados que geram um impacto extremamente positivo no meio ambiente.

Mas, em um país com tanta diferença social como o Brasil, com uma renda média tão baixa, é difícil falar sobre as consequências do impacto da moda no meio ambiente em 2050 para quem está preocupado chegar ao fim do mês.

Por tanto, como fazer isso?

Quais são os desafios?

Sobre isso vamos conversar nesta quarta-feira com o Head de marketing da Malwee Brasil no quadro Visão Tecno-Humanista no programa Inova360 na Record News, às 8h, e depois vamos debater sobre este desafio em nossa Live, às 19h e você pode participar deste processo de inovação aberta, inscrevendo-se aqui.

Tecnologia deve gerar qualidade de vida, não preguiça!

Este artigo foi publicado no dia 25/08/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Temos uma oportunidade fantástica pela frente para construir uma sociedade melhor aplicando tecnologia, mas para isso precisamos elevar o nível de consciência corporativa.

A tecnologia está para nos servir, não o contrário!

Esta é a frase que está na capa do meu LinkedIn, e eu realmente acredito e trabalho para isso.

E nesta linha de raciocínio, eu me surpreendi com uma notícia que li de uma empresa que lançou o conceito uma cama para gamers.

Neste conceito a cama é cercada de tecnologia, que atende todas as necessidades de um gamer, para que não precisem se levantar para jogar.

 

 

Segundo a marca, que já fabricava cadeiras e outros acessórios para este público, era comum receber depoimentos do tipo: “Todos os dias eu tenho que me levantar da cama para poder jogar. Por que tem que ser tão difícil? “

Neste momento surge um dilema ético que muitas empresas nem consideram.

Faço um produto para atender esta demanda, mesmo sabendo que um grande número de pessoas passará dias trancados em seus quartos sem sair, ou crio um produto que conscientiza ao gamer que além de jogar ele deveria levantar-se da cama, praticar atividade física, relacionar-se com outras pessoas?

O caminho mais fácil é criar o produto e ganhar muito dinheiro, afinal de contas, a empresa não obriga ninguém a comprar seu produto e muito menos, tem a responsabilidade de controlar os hábitos das pessoas, não é mesmo?

Errado!

Em minha opinião, toda empresa tem responsabilidade sim na construção de hábitos saudáveis, equilíbrio e qualidade de vida.

Construir uma sociedade melhor é obrigação e responsabilidade de todos.

Não sou contra o vídeo game, inclusive existem estudos que mostram os benefícios em usa-los.

Mas como tudo na vida, deve ser feito com moderação.

Também não sou contra a cama gamer ou a qualquer outro produto, desde que as empresas criem mecanismos reais para conscientizar sobre os excessos.

Não basta escrever no manual, que quase ninguém lê, que este produto deve ser usado com moderação.

Do contrário, estaríamos contribuindo para uma geração de pessoas doentes, físicas e mentalmente. A falta de atividade física, falta de relacionamento, de toque, de abraço, prejudica, e muito, a qualquer ser humano.

E normalmente, as mesmas pessoas que ganha dinheiro com este tipo de produto, são os mesmos que reclamam que as novas gerações não sabem relacionar-se, não são comprometidas, não dão valor ao esforço para conquistar seus objetivos.

Como vai dar valor ao esforço uma pessoa considera um sacrifício ter que levantar-se de sua cama, caminhar 5 ou 10 metros até a mesa do computador para jogar vídeo game?

A este tipo de situação, na metodologia da Tecno-Humanização, é chamado de Transtorno Dissociativo Corporativo – veja esse meu artigo aqui.

Muitos executivos dissociam suas tomadas de decisões do impacto real que tem na sociedade. Por certo, sociedade que ele mesmo vive.

As empresas têm uma participação ativa e relevante na formação de uma sociedade, portanto é sua responsabilidade elevar o nível de consciência.

Não vale tudo para ganhar dinheiro.

Porque o preço que pagamos todos por isso é muito alto.

Nunca tivemos tanta tecnologia disponível e acessível, e isso pode ser uma grande oportunidade para aplica-la para construir um mundo melhor.

A pandemia, como qualquer evento de alto impacto emocional, tem elevado o nível de conscientização e humanização das pessoas.

E as empresas terão que fazer o mesmo para atender este novo comportamento de seus clientes.

Lembrando sempre que, a tecnologia está para nos servir, não o contrário.

A experiência do cliente na transformação digital e de negócio

Este artigo foi publicado no dia 18/08/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

A tecnologia derrubou fronteiras geográficas e o deu o poder ao cliente, isso obriga às empresas a oferecem uma experiência única a seus clientes

Esta semana recebi muitos contatos perguntando-me sobre o artigo da semana passada sobre marketing olfativo, então resolvi ampliar o conceito.

A experiência do cliente tem sido um dos objetivos perseguidos pelas empresas. Há um tempo o cliente já não compra produto nem serviço, ele compra experiência.

Mas as vezes estes conceitos difíceis de entender.

Então vamos dar um exemplo, para ficar mais claro.

Quando eu voltei para o Brasil, aluguei uma casa para conhecer o bairro antes de comprar um imóvel.

Na primeira semana fui colocar a conta de luz em meu nome.

Pesquisei na internet o endereço e horário de funcionamento do posto de atendimento mais próximo.

Fechava às 17h, e cheguei às 16:40h, e a porta de latão, como dos bares, estava abaixada deixando apenas um espaço aberto de 40 cm.

Bati suavemente e nada.

Me abaixei, olhei por baixo da porta e vi algumas pernas lá dentro.

Chamei várias vezes, bati mais forte, até que a atendente de uma loja ao lado saiu e me disse.

“Senhor, pode chamar à vontade, quando eles abaixam a porta não atendem mais.”

Fui embora indignado, voltei no dia seguinte, cheguei às 15:30h, peguei o meu número e fiquei esperando.

Deu um problema no sistema e ficamos sem atendimento por um tempo, quando voltou a atendente me disse, senhor, não sei se dará tempo de atender o senhor hoje, porque fechamos em 10 minutos.

Eu disse: Eu não saio daqui hoje sem ser atendido!

Pelo site de vocês, o horário é até às 17h e são 16:30h.

Para minha surpresa, ela me respondeu, mas nós fechamos às 17h.

Mas às 17h do “nosso horário”, e me mostrou o relógio de parede 20 minutos adiantado.

O ponto de atendimento tinha um processo de fechamento que durava uns 20 minutos, então eles criaram um fuso horário próprio, não se regiam mais pela hora de Brasília, adiantaram o relógio 20 minutos para não ter que ficar mais tempo na empresa.

Como vocês acham que foi a minha experiência com esta empresa?

Eles oferecem serviço de energia elétrica, e mesmo que o seu produto principal fosse bom, eu tive uma experiência ruim e se pudesse trocaria de marca.

Neste caso, não é possível porque se trata de uma concessão única e não tinha alternativa.

Mas a sua empresa tem esse privilégio?

A experiência do cliente deve ser cuidada em todos os pontos de contato com a empresa.

Um benchmarking da McKinsey mostra que mesmo tendo resultados aceitáveis em todas as áreas da empresa, a percepção do cliente sobre sua experiência pode não ser boa.

 

 

O pior de oferecer uma experiência ruim ao cliente é que isso marca.

A escritora americana Maya Angelou tem uma frase que uso em meus treinamentos quando falo de experiência do cliente.

“As pessoas esquecerão o que você disser, esquecerão que o você fizer, mas elas nunca esquecerão o que você as fez sentir”

Por isso a experiência do cliente é um dos pilares da transformação digital, ela deve ser considerada a todo momento.

Muitas vezes o desejo de otimizar processos e reduzir custos são muito atrativos, mas se isso implica em piorar a experiência do cliente é uma economia burra.

Conheço empresas que quebraram por isso.

O outro lado da moeda é ser capaz de melhorar a experiência do cliente, cuidar de cada detalhe sem descuidar do produto ou serviço principal que se entrega.

Também não teria servido de nada me receber bem no posto de atendimento da companhia elétrica, colocar flores naturais, música de qualidade, assentos confortáveis, temperatura e iluminação agradáveis, atendimento eficiente, e o serviço elétrico ser ruim.

Por isso, no programa desta semana, vamos falar com uma empresa que sabe muito de experiência do cliente.

Teremos no quadro Visão Tecno-Humanista desta semana a Nespresso, que trouxe um grande desafio ao programa.

Como levar a experiência do cliente ao mundo online?

Vamos falar iniciar nossa conversa em nosso quadro no programa Inova360 na Record News, às 8h, e depois vamos debater sobre este desafio em nossa Live, às 19h e você pode participar deste processo de inovação aberta, inscrevendo-se aqui.