A verdadeira Transformação Digital não acontece no Data Center

Este artigo foi publicado no dia 04/08/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Todo e qualquer transformação, seja digital ou de negócios, implicam necessariamente mudança de Mindset

A digitalização de processos acontece no Data Center, a transformação digital não.

Esta confusão é muito frequente e foi provocada pela indústria de tecnologia, que começou a chamar indevidamente de transformação digital as digitalizações de processos.

Uma empresa que vende em uma loja física e passa a vender em um e-commerce, fez uma transformação digital?

Não, ela digitalizou o processo de vendas, passou a fazer no online o que fazia no presencial.

Semanticamente a diferença é sutil, na prática é gigantesca.

O processo de vendas em si, foi digitalizado, passou a utilizar a tecnologia para realizar tarefas.

Os benefícios vendidos à empresa são:

A loja passa a estar aberta 24 horas, não precisa vender somente no bairro ou na cidade, ela pode vender para o país ou para o mundo.

O computador não tira férias, não fica doente, não pede aumento, não tem sindicato, enfim…

Outras vantagens, é que, o computador sempre apresenta as ofertas de produtos complementares (up selling).

Puxa vida!

Porque eu não pensei nisso antes…

Aí a empresa investe e a “transformação digital” que foi vendida como a 8ª maravilha do mundo moderno, não funciona.

Harry Robinson, sócio sênior da McKinsey disse que 70% dos processos de transformação falham?

Mas ele não descobriu nada, a pesquisa da McKinsey só confirma um estudo feito por John Kotter, Professor Emérito de Liderança da Harvard Business School, em 1.996, onde mostrou que somente 30% dos processos de transformação organizacional davam certo.

E por que isso acontece?

A McKinsey perguntou aos executivos que passaram por um processo de transformação falido o que eles teriam feito diferente, e as resposta mais recorrentes foram: dedicar mais tempo à comunicação dos motivos para a mudança; ter mais agilidade para neutralizar pessoas resistentes; definir metas mais claras; e dedicar mais tempo no alinhamento com a equipe de gestores.

Todos os pontos mencionados se referem às pessoas.

Esta é a diferença entre digitalização e transformação digital, a primeira se refere à tecnologia, porém para que ela funcione e seja uma transformação digital de verdade é necessário envolver as pessoas.

Aí vem o segundo equívoco, muitas empresas de tecnologia dizem que consideram, e até se preocupam com as pessoas em seus processos de transformação digital, dando treinamento a elas.

Ensinar a uma pessoa usar sua tecnologia não é preocupar-se pelas pessoas, continua sendo preocupar-se pela tecnologia, porque afinal de contas ela precisa ser operada por alguém.

Mais que “preocupar-se” pelas pessoas é necessário ocupar-se e isso implica, na fase prévia ao processo de digitalização, entender o impacto para o negócio e para as pessoas (clientes, colaboradores e sociedade).

Após definir o impacto da digitalização, se define o papel de cada um, se identifica as resistências, assessment de Mindset da organização e nível de engajamento.

Em função destes indicadores, se define planos de ação para trabalhar as pessoas, e somente após esta transformação se inicia a digitalização de processos.

Por isso, para a BE&SK considera que empresas de tecnologia devem liderar os processos de digitalização e empresas de desenvolvimento devem liderar os processos de transformação digital.

Esta semana, quarta-feira 05/08, no quadro Visão Tecno-Humanista do programa Inova360, exibido pela Record News às 8:00hs, estaremos com Fabio Roth, CEO da 5àSec maior rede de franquias de lavanderia do pais, e vamos conversar sobre as bases do processo de transformação digital e de negócios de sua atividade.

O debate continuará em nossa Live com o Rafael e com os parceiros do programa, em nosso canal de Youtube, às 19hs.

Para que ao final da jornada do programa Visão Tecno-Humanista, possamos responder à 5àSec e a vocês, quais são estes pilares e como preparar a organização para a transformação digital.

 

Imagem: Pixabay

Seja egoísta, ajude o próximo!

Este artigo foi publicado: no dia 30/11/2019 na minha coluna no R7 e no portal Inova360.

 

O altruísmo corporativo aumenta o engajamento dos colaboradores e a lucratividade da empresa

Cada um por si e Deus pra todos.

Se você é vítima da crença arcaica tenho uma boa notícia, ela caducou.

Estamos na era da colaboração, portanto, temos que pensar no coletivo e não somente no individual.

Vou te dar 3 motivos para pensar no próximo: Por consciência, porque está na moda ou por egoísmo.

Isso mesmo, você leu certo, por egoísmo.

Está comprovado cientificamente que ajudar o próximo faz bem!

Jorge Moll Neto, PhD, fundador e coordenador da Unidade de Neurociência Cognitiva e Comportamental e cofundador e presidente do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, demonstrou em um estudo científico os benefícios do altruísmo.

Ele comparou a resposta cerebral (bioquímica e cognitiva) em três situações:

Quando você ganha dinheiro.

Quando você doa parte deste dinheiro que ganhou à uma causa que você acredita ou considera nobre.

Quando você nega a doação por não acreditar na causa.

Quando você ganha dinheiro, ativa o mesolímbico dopaminérgico, a região cerebral da recompensa e gera uma sensação de bem-estar.

Ao opor-se à doação, você também ativa o sistema de recompensa, porém ativa simultaneamente outras regiões do cérebro que estão relacionadas à sentimentos aversivos que reduzem ou até pode anular as boas sensações.

No caso da doação, você ativa o sistema de recompensa e ativa também circuitos seletivos relacionados a sentimentos afiliativos que são próprios de cuidados mãe-filho, formação de casais ou de proteção ao cônjuge, portanto, o sentimento de bem-estar se vê potencializado produzindo uma sensação de prazer maior a quando se ganha.

A lembrança da experiência prazerosa de ajudar o próximo é de longo prazo, porque fica registrada no sistema límbico do cérebro, onde temos a nossa memória sensorial e afetiva.

Isso não acontece com as teóricas sensações de bem-estar ao comprar uma roupa ou um celular, que em poucos dias desaparecem e precisamos de “outra dose”.

O terceiro grande benefício é a influência que fazer o bem tem em nosso entorno, as pessoas que são contagiadas com o seu exemplo.

O quarto e último beneficio, obviamente, é de quem recebe a ajuda.

Portanto…

SEJA EGOÍSTA!

AJUDE O PRÓXIMO!

Você ajudará a uma pessoa ou causa, à sociedade e, de forma cientificamente comprovada, sobretudo, ajudará a você mesmo.

E o que isso tem a ver com o mundo corporativo?

O primeiro é que não podemos nos esquecer jamais que as empresas não são formadas por “recursos”, e sim por pessoas, que pensam e sentem.

Se uma empresa considera o impacto social em suas decisões e ações, isso faz com que seus colaboradores se sintam mais comprometidos e orgulhos da organização onde trabalham.

Isso, associado ao propósito da empresa (é importante que a empresa tenha um propósito), eleva o nível de engajamento do colaborador a um sentimento de pertencimento que não se consegue com dinheiro.

Uma empresa que se preocupa, e principalmente se ocupa, do impacto social de seu negócio muda de patamar para seus colaboradores, clientes e parceiros.

E isso se nota nos resultados.

Raj Sisodia, Jagdish N. Sheth e David Wolfe mostram em seu livro Firms of Endearment (empresas carinhosas em tradução livre).

Segundo os autores, empresas, do S&P 500, com paixão, propósito e compaixão cresceram 14x mais.

SER GENEROSO E ALTRUÍSTA É RENTÁVEL!

Talvez você esteja pensando, isso só funciona lá fora.

No Brasil isso não daria certo.

Pois é, você errou de novo.

Em meus treinamentos, eu apresento um estudo feito no Brasil, que mostra que as empresas brasileiras, humanizadas e conscientes foram 6x mais rentáveis.

Portanto, se achava bobagem a sua empresa pensar no impacto social (de verdade) ou se pensava que eu sou um romântico e utópico, reveja seus conceitos.

Humanize sua empresa, faça com que ela seja pense no próximo, mesmo que seja por interesse e benefício próprio, a sociedade agradece do mesmo jeito.

Mas não pense que isso se resolve com uma campanha do agasalho ou que a Responsabilidade Social Corporativa, usada de forma hipócrita, vai resolver o seu problema.

Também não estamos falando de empresas que só visam lucro e, o empresário, em sua vida privada, é filantropo.

Precisamos de algo verdadeiro e genuíno.

Seja egoísta, ajude o próximo!

O maior beneficiado será você.

 

Imagens: Pixabay e BE&SK