Consumidor consciente cancela marcas lobo vestidas em pele de cordeiro

Este artigo foi publicado no dia 01/09/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Aprenda o que é greenwashing e a identificar estas empresas. Elas colocam em perigo o consumidor e são desleais com seus competidores.

Fingir ser bom é bem pior que ser assumidamente mal.

Você pode discordar de mim, eu respeito, mas essa é a minha opinião!

A empresa que não atua corretamente por desconhecimento, é incompetente.

A empresa que, de forma consciente e deliberada, não cumpre a lei ou não age de forma ética, é hipócrita. Porém, com o aumento da conscientização do consumidor e a vitrine transparente das redes sociais, este tipo de empresa será penalizada pelo mercado e terão vida curta.

Agora, a empresa que usa o greenwashing, que institucionaliza a mentira para aumentar suas vendas, para mim é indigna e deveria ser fortemente punida.

Greenwashing é o termo inglês que define a estratégia de promover discursos, anúncios, ações, documentos, propagandas e campanhas publicitárias sobre ser ambientalmente correto, sem sê-lo.

Segundo um estudo publicado pela Nielsen, em junho de 2019, 42% dos consumidores brasileiros estão mudando seu hábito de consumo para reduzir seu impacto no meio ambiente.

O mesmo estudo mostra que estamos mais conectados, 64% dos consumidores têm smartphone e 48% utilizam o celular para interações em redes sociais, portanto com mais voz ativa para denunciar as tentativas de empresas que fingem ser o que não são.

O aumento da sensibilização sobre o consumo consciente de produtos sustentáveis começou na cosmética, onde hoje, as novas gerações consultam a composição do produto, pesquisam a origem e comprovam a veracidade da informação divulgada.

A segunda indústria a aderir este movimento foi a dos produtos de higiene, limpeza e utilidades doméstica.

E agora, outra indústria está levantando esta bandeira de lutar contra o greenwashing, que é a indústria têxtil.

Esta tendência irreversível de transparência leva as empresas a atuarem em duas frentes, a primeira é garantir que suas práticas produtivas são realmente sustentáveis, já que esta indústria é a segunda que mais polui no mundo.

A segunda linha de trabalho é sensibilizar ao consumidor para que conheça e dê valor a isso.

A Malwee, uma das maiores indústrias têxtil do país, está trabalhando internamente há muitos anos para produzir uma moda sustentável, quer ampliar sua área de impacto positivo na sociedade.

Embora vão continuar buscando novas tecnologias para reduzir seu impacto negativo no planeta, porém a empresa considera que não basta produzir um produto sustentável, é preciso orientar e transmitir ao consumidor o conceito de consumo consciente.

Que basicamente se refere a comprar o que se precisa, aprender a montar um fundo de armário que permita combinar melhor as peças reduzindo o consumo de moda sazonal, aprender a melhorar a manutenção das peças (lavagem e secagem), enfim, estes são alguns dos cuidados que geram um impacto extremamente positivo no meio ambiente.

Mas, em um país com tanta diferença social como o Brasil, com uma renda média tão baixa, é difícil falar sobre as consequências do impacto da moda no meio ambiente em 2050 para quem está preocupado chegar ao fim do mês.

Por tanto, como fazer isso?

Quais são os desafios?

Sobre isso vamos conversar nesta quarta-feira com o Head de marketing da Malwee Brasil no quadro Visão Tecno-Humanista no programa Inova360 na Record News, às 8h, e depois vamos debater sobre este desafio em nossa Live, às 19h e você pode participar deste processo de inovação aberta, inscrevendo-se aqui.

A compaixão aumenta os resultados da empresa

Este artigo foi publicado no dia 24/12/2019 no inova360

 

Cuidar da sociedade onde se atua e do planeta onde se vive é algo mais que compaixão, é inteligência

A compaixão é um traço humano que nos ajuda a manter nossa existência.

Nascemos compassivos, porém, estudos mostram que a partir dos 5 anos iniciamos um comportamento mais egoísta que é potencializado pelo ambiente competitivo das escolas.

Embora a compaixão seja inata ao ser humano, alguns filósofos a consideram antinatural.

O filósofo alemão Schopenhauer considera a compaixão “um dos caminhos para a negação da vontade”. Para ele as ações humanas são naturalmente guiadas pelo egoísmo, portanto, pensar no outro é sempre em detrimento de si próprio, e isso demanda esforço e um alto consumo energético.

Nietzsche segue a mesma linha de Schopenhauer sobre o egoísmo, porém, tem uma visão ainda mais negativa. O filósofo considera a compaixão um sinal de fraqueza.

“Quando alguém se compadece, perde a força. Pela compaixão aumenta-se e multiplica-se o desperdício de energia que o sofrimento, por si próprio, já traz à vida”.

Mas se por um lado Nistzche considera a compaixão como um esforço hostil à vida, Dalai Lama acredita que este sentimento é capaz de transformar o mundo.

Segundo Dalai Lama, guia espiritual e líder político do Tibete, é possível ensinar e cultivar a compaixão. Porém, quando adultos, não aprendemos a ter compaixão e sim nos reconectamos a uma característica natural que estava perdida dentro de nós.

Mas a compaixão não é uma característica do ser humano e está no âmbito de sua vida pessoal? O que isso tem a ver com o mundo corporativo?

Jamais podemos esquecer que empresas são formadas por, e para, pessoas.

Por isso, desde o ponto de vista de gestão, cada vez mais pessoas aderem à linha de pensamento de líder Tibetano. Do psicólogo Daniel Goleman ou Raj Sisodia à Michael Porter, passando por grandes empresários, como Richard Branson (Virgin Group), há um senso comum de que o lucro não deve ser o único indicador de resultado de uma empresa.

Existem estudos, tanto no exterior como nacionais, que demonstram que empresas que tem uma visão humanizada e atuam com compaixão, pensando não somente no lucro, mas também no impacto social e meio ambiental (triple bottom line) de sua operação, são extremamente mais rentáveis.

Toda empresa que queira sobreviver, se desenvolver e ter melhores resultados a partir de agora deve pensar, e acima de tudo atuar, de forma genuína, baseada na compaixão.

Portanto, é fundamental para a empresa buscar uma visão de compaixão e agir em consequência disso.

Nesta linha, segundo os estudos realizados por Tania Singer, psicóloga alemã, neurocientista social e chefa científica do Laboratório de Neurociências Sociais da Sociedade Max Planck em Berlim, os treinamentos não devem buscar a compaixão, e sim virtudes como paciência, generosidade, perdão, entre outros, que dão origem à compaixão.

Este artigo está sendo publicado no dia 24/12, véspera de natal, e considero oportuno mostrar, através de uma fábula que ilustra perfeitamente a compaixão e como isso garante a nossa existência. Em seguida mostrarei alguns exemplos de compaixão corporativa e como isso impacta positivamente nas empresas.

“Uma pessoa, como último desejo antes de morrer, queria conhecer o céu e o inferno, e isto lhe foi concedido.

Ao abrirem a porta do inferno, viram uma sala em cujo centro havia um banquete em uma mesa maravilhosamente posta. Em volta dela, estavam sentadas pessoas famintas e desesperadas.

Cada uma delas segurava uma colher, mas como tinham os cotovelos invertidos, virados ao contrário, não conseguiam alcançar suas próprias bocas. O sofrimento era imenso.

Em seguida, foi o céu.

Entrou em uma sala idêntica à primeira, havia a mesma mesa, o mesmo banquete, as pessoas em volta, com os mesmos cotovelos ao contrário. A diferença é que todos estavam saciados.

– Eu não compreendo – por que aqui as pessoas estão felizes, enquanto na outra sala morrem de aflição, se é tudo igual?

O guia sorriu e respondeu:

– Você não percebeu?

Aqui as pessoas também possuem os cotovelos invertidos, afinal de contas, somos todos iguais, elas também não podem levar a comida à própria boca, mas elas levam a comida à boca do outro, se alimentam uns aos outros.”

No mundo corporativo, empresas que pensam e agem pensando em construir um mundo melhor, obtém melhores resultados.

Primeiro porque aumenta significativamente o engajamento de seus colaboradores. Consegue atrair e engajar mais talentos. Os clientes, buscam e reconhecem cada vez mais empresas conscientes e humanizadas e isso, automaticamente, leva à empresa a melhores e maiores resultados.

Como as empresas podem ter compaixão? O que isso significa na prática?

Podemos citar o Plano de Vida Sustentável da Unilever (USLP, na sigla em inglês), que, entre outras medidas, une à sua cadeia de fornecedores de matéria-prima mais de meio milhão de pequenas fazendas em partes pobres do mundo.

Este movimento é ir à direção oposta das últimas três décadas que nos levou a concentração de riqueza, concentração de fornecedores para aumento do poder de negociação, otimização de resultados através de economia de escala.

Para não perder competitividade, o USLP ensina e ajuda os pequenos produtores a ganharem excelência. Isso levará uma fonte de renda e dignidade às regiões humildes, combatendo desemprego, pobreza e ignorância.

Outro exemplo, foi quando a Toms, empresa de calçado, iniciou uma campanha há mais de 13 anos onde, a cada par de sapato vendido, ela doa outro. Devido ao sucesso da campanha, ela estendeu isso a todos seus produtos e passou a fazer parte de seu modelo de negócio. Neste período, a Toms, doou mais de 95 milhões de pares de calçados.

Se você é um Tecno-Humanista, pode baixar o relatório a Toms, no drive da Tecno-Humanização.

No Brasil temos vários exemplos. A Reserva é um deles, que criou a campanha 1P5P, ou seja, a cada peça vendida viabiliza 5 pratos de comida a quem tem fome. Desde maio de 2016, já foram viabilizados a entrega de 34.960.600 pratos de comida.

Ou seja, não nos faltam evidências mostrando que a mentalidade de que para gerar bons resultados é preciso ser egoísta e pensar somente no próprio umbigo é coisa do passado.

Em terra de robô e de transformação digital, quem tem um coração é rei.

 

Imagem: Pixabay

Entenda porque humanizar as empresas é urgente, necessário e rentável

Este artigo foi publicado no dia 09/07/2019 em minha coluna no portal R7 e no portal Inova360.

 

Estamos a ponto de colapsar o planeta e a economia e as pessoas atuam como se não vivessem aqui

Nos últimos 60 anos nós aprendemos em todo curso de gestão e escolas de negócio que a única função de uma empresa é gerar lucro.

Esse conceito de capitalismo tradicional foi forjado nas teorias de Milton Friedman, prêmio Nobel de economia em 1976, assessor de três presidentes americanos, economista neoliberal que acreditava que uma empresa, ao pertencer ao acionista, tinha como única obrigação maximizar o lucro ao seu dono e o marco de atuação deveria ser a lei, ponto final.

O bem-estar social, o meio-ambiente e qualquer outra questão era responsabilidade do estado, que por certo ele acreditava deveria ser o menor possível, porque o mercado regularia a economia.

Este modelo de capitalismo tradicional funcionou por muito anos, foi extremamente importante para o desenvolvimento da economia e da sociedade, porém, ao longo dos anos foi levado ao extremo e já não nos atende.

O primeiro princípio da Business Trasnformation Tecno-Humanizado é que todo modelo, com o passar do tempo, se deteriora e se desvia de seu propósito inicial.

Eu sou capitalista, acredito na propriedade privada, na meritocracia, que os cidadãos que estudam mais, que trabalham mais, que geram mais riqueza para a empresa e para a sociedade devam ser melhores remunerados e reconhecidos.

Todas essas coisas fazem sentido para mim, o que deixou de fazer é quando, para alcançar os objetivos no final do trimestre ou do ano fiscal, as empresas cometam barbaridades, quase todas imorais ou antiéticas e algumas ilegais.

As empresas se concentraram (e se concentram) no crescimento e não no desenvolvimento. E a pressão é tão grande que, para alcançar este crescimento, o foco está 100% no resultado e vale tudo para alcançá-lo.

Para a Tecno-Humanização, NÃO VALE TUDO, por convicção, por lógica e por fatos.

Ou mudamos a forma de atuar ou colapsaremos a economia, a sociedade e o planeta, e eu vou te dar 3 motivos que demonstram a necessidade de humanizar as empresas, colocar o ser-humano no centro, parar de olhar para o próprio umbigo e olhar para o todo, para o conjunto da obra. Os resultados devem ser consequência e não objetivo.

 

1º MOTIVO: MEIO-AMBIENTE

A Global Footprint Network, organização que estuda o consumo e analisa a nossa “pegada” pelo planeta, diz que “a humanidade quebrou seu limite: Nossos dados indicam que as emissões de carbono combinadas com todas as outras demandas humanas na biosfera consomem mais de 170% do que a Terra repõe – portanto, agora usamos quase dois planetas.”

Em 2018, a sociedade esgotou os recursos naturais renováveis do planeta no dia 01 de agosto (overshoot day), o resto do ano vivemos em déficit, destruindo o planeta.

Segundo a mesma entidade, precisaríamos de 5 planetas para viver com o estilo de vida americano, e de quase 2 planetas (1,8) para viver como vivemos no Brasil.

Talvez o primeiro, seja pelo consumismo e aqui, pelo desperdício.

Estamos a ponto de colapsar o planeta e as pessoas e empresas atuam como se não vivessem aqui.

Isso nos leva ao primeiro ponto do título desta matéria, precisamos tomar medidas urgentes. Mas se você não se sensibiliza por isso, não se preocupa pelo seu próprio futuro nem pelos seus descendentes, temos outro motivo.

 

2º MOTIVO: SAÚDE

As doenças das últimas décadas são a depressão e a ansiedade, os dois vilões que destroem vidas e famílias inteiras.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), nos últimos dez anos a incidência de depressão cresceu 18,4% atingindo 4,4% da população mundial.

Estes números são piores no Brasil, estamos acima da média mundial, chegando à 5,8% da população. Somos o campeão de depressão da América Latina e o segundo das Américas, ficando atrás somente dos EUA (5,9%).

Este título não é motivo de orgulho e sim de preocupação extrema.

O Brasil é recordista mundial em ansiedade. A prevalência na população mundial é de 3,6% e no Brasil atinge 9,3% da população, ou seja, um número 2,5 vezes maior.

Se tomarmos os dados do Ministério do Trabalho, a ansiedade e a depressão são a segunda causa de adoecimento no trabalho e a primeira causa de afastamento do trabalho.

A conclusão é simples, as empresas são um foco (não o único) de adoecimento da população em doenças tão graves como estas.

Isso nos leva ao segundo ponto do título, trabalhar de uma forma diferente, encarar os negócios com uma visão mais humanista para mudar este cenário é absolutamente necessário.

Se o meio-ambiente e a saúde não são suficientes, talvez você entenda outra linguagem.

 

3º MOTIVO: LUCRO

Empresas conscientes e humanizadas são mais rentáveis!

O estudo do instituto do capitalismo consciente americano, publicado no livro FIRMS ENDEARMENT, mostra que empresas conscientes do S&P 500, foram 14 vezes mais rentáveis das que não o são.

Para que não se diga que isso só acontece lá fora, que no Brasil não funciona, que não somos conscientes e nunca vamos ser (esse complexo de vira-lata que temos), vejamos o exemplo a seguir.

Um trabalho de doutorado na EESC-USP, baseado no estudo do Prof. Raj Sisodia (co-autor do livro anteriormente citado) realizado por Pedro Paro, ao comparar as 500 maiores empresas do Brasil, avaliando a rentabilidade acumulada, constatou que o desempenho financeiro das Empresas Humanizadas do Brasil (EHBR) é 6 vezes superior no longo prazo.

Se uma empresa humanizada contribui para o meio-ambiente, para a sociedade e é mais rentável, inevitavelmente surgem duas perguntas:

Por quê as empresas não são humanizadas?

Porque aprendemos que para ser executivos tínhamos que ser agressivos e orientados a objetivos (a qualquer custo).

Mas agora que já sabemos as consequências desta conduta, refaçamos a pergunta.

Por quê não humanizamos as empresas?

Porque a maioria das pessoas não sabem como fazer, não existia uma metodologia para ajudar e guiar a empresa nesta direção.

A BE&SK criou a metodologia da Tecno-Humanização das organizações, que é um framework de Technology, Business & Mindset Transformation, para transformar empresas em organizações rentáveis e humanizadas.

PD: O motivo “+1” está no artigo Transtorno Dissociativo Corporativo: o gap entre a fala e a atitude

Assista o video do canal observatório BE&SK e veja um exemplos de empresas conscientes e humanizadas.

Imagem: Pixabay