Sentido de urgência ou de pressa?

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JOSÉ: Bom dia, Seu Alex!

Só queria avisar o senhor que eu já recebi aquelas informação que o senhor pediu para os diretores. Só falta o Santos (CSO) pra entregar, mas ele me falou que manda agora de manhã. Ele não conseguiu mandar antes porque disse que tava vendendo e não tinha tempo.

Eu já vou começar a juntar tudo como o senhor pediu e, assim que receber a parte do senhor Santos, eu mando para o senhor. Só espero que ele me mande mesmo.

ALEX (CEO): Tranquilo José, ainda temos tempo. Me entrega quando terminar, sem pressa. Mas não conta para ninguém…

JOSÉ: Ué, não era urgente? O Seu Breno falou que fez na hora do almoço dele e a Dona Rosa fez ontem à noite.

ALEX (CEO): Relaxa, eles choram demais. E cá entre nós, o Breno precisa mesmo emagrecer.

Mas só para você saber, eu sempre peço com antecedência, aperto o pessoal, senão, não sai.

Sabe José, vou te ensinar uma coisa.

Tem um escritor americano que já escreveu mais de 20 livros e é professor emérito em Harvard, uma das universidades mais importantes do mundo e ele escreveu um livro que fala sobre o sentido de urgência.

A maioria das pessoas não tem o sentido de urgência, vão fazendo as coisas no ritmo que dá… e isso é coisa de medíocres e perdedores.

A mensagem que ficou para mim, a partir da leitura do livro, é que precisamos criar um sentido de urgência na empresa. Ou seja, tudo tem que ser “pra ontem” e fazer com que as pessoas desenvolvam isso, porque aqui somos vencedores e queremos estar alinhados com as técnicas de gestão mais modernas.

 

José fica pensativo…

JOSÉ: Mas se alguém perguntar sobre o relatório final e ele ainda não estiver pronto?

ALEX (CEO): Eu falo que estamos trabalhando nisso e logo desvio o assunto para outra coisa mais urgente e com maior prioridade.

Ninguém me fala nada.

Eu sou o CEO e dono da empresa.

JOSÉ: Então  né? Se o senhor tá dizendo que é assim…

ALEX (CEO): Bem, agora preciso que você corra atrás da assinatura dos NDA dos diretores para a reunião com o investidor.

Você já mandou para eles?

JOSÉ: Já sim, senhor! O senhor falou que era urgente, então mandei pelo sistema.

ALEX (CEO): Boa! Mas neste caso é urgente mesmo. Preciso que você vá de mesa em mesa pedindo que assinem, porque eu vou convocar uma vídeo urgente, para falar sobre a preparação da reunião com os investidores.

E se prepara que os gringos anteciparam a reunião para semana que vem e vamos ter que trabalhar no final de semana.

JOSÉ: Podexá

 

No caminho de volta para casa…

ALEX (CEO): José, dando continuidade aos seus ensinamentos e à conversa que tivemos hoje pela manhã sobre o sentido de urgência. É importante que você saiba que vivemos em um mundo exponencial, que tudo vai muito rápido, e, como eu sempre digo, precisamos estar alinhados com as melhores práticas do mercado.

Uma empresa moderna tem que ser ágil.

Lá no campo o ritmo é outro, vocês são lentos, muito devagar. Aqui precisamos de aceleração máxima, José!!! Rsrsrs

Entendeu?

JOSÉ: Ah! O sítio… Mas não se preocupe, eu entendi sim, senhor.

 

José suspira com um ar de nostalgia…

ALEX (CEO): Que foi? Deu saudade do sítio?

JOSÉ: Deu sim! Mas eu estava aqui pensando e fiquei com dó da Estrela e do Dourado. Ainda bem que eles vive lá.

ALEX (CEO): Quem são Estrela e Dorado? Imagino que sejam animais.

JOSÉ: São sim. A Estrela é a minha égua e o Dorado era o cavalo do pai. Todo mês a gente ia tomar banho de cachoeira. Era o nosso dia juntos. A cachoeira ficava meio longe, a gente pegava um dia de semana e passava o dia lá, ia de manhã e voltava à tardinha. Sábado e domingo não dava porque fervia de gente.

Tinha parte do caminho que a gente galopava, era plaino e a gente apostava corrida, era gostoso o vento no rosto. Mas tinha um lugar que a gente ia ao passo, atravessando o sítio do Seu Merivaldo. Oh homi caprichoso ! Na ida, a gente ficava olhando do lado direito da estrada, ele tem uns animal lustroso, uns cachaço que da gosto de . A mió panceta do mundo é a dele, eu o pai parava na volta e comprava panceta, lombinho e choriço pra gente assá uma carninha especial.

Na volta, a gente passava bem devagar pra olhar o outro lado da estrada, a muié do Seu Merivaldo tem umas flor bunita demais. Ela é bem caprichosa, que nem ele.

E a plantação ficava bem na direção do pôr do sol. As veiz, se tinha tempo, a gente parava só pra vê o pôr do sol daquele lugar, com a flor e as planta dela na frente. Parecia um cartão postal.

A mãe era amiga dela, e quando ela era viva, ela ia com a gente e parava lá e passava o dia com a Dona Cleide, cuidando das planta.

Depois, a gente apertava o passo e galopava de novo.

ALEX (CEO): Muito bonito isso José, ter esse costume de passar um tempo com seu pai e sua mãe. Mas não entendi, por que você falou que ficou com dó dos cavalos?

JOSE: Lá a gente aperta quando precisa apertar, galopa quando precisa galopá, mas trota ou vai ao passo quando pode ir.

Sabe Seu Alex, a cachoeira era bonita, mas o melhor do passeio era a viagem. Apostar corrida com o meu pai, ver as flores da Dona Cleide, ver o pôr do sol, passar pelos pinhero, sentir os cheiros, observar os passarinho, tudo isso faz parte do caminho.

Aqui, com esse tal sentido de urgência, cêis num presta atenção na viagem, só importa chegar antes no destino.

Se a Estrela e o Dorado trabalhassem aqui, iam ter que galopar o tempo todo, em pouco tempo eles se machucariam ou morreriam por esgotamento. Tudo bem, o senhor compraria outro cavalo pra substituir, mas isso é triste.

Na natureza, quando se acelera se perde a paisagem, e na vida, quando se acelera demais se perde detalhes que são o melhor da vida.

O que vocês perdem acelerando tanto?

Será que não estão perdendo alguma fase importante do desenvolvimento do produto ou do negócio?

As veiz as pessoa confunde ter urgência com ter pressa, ser ágil com atropelar tudo, e isso não é bão não.

 

“Não é por muito madrugar  que amanhece mais cedo”.

Provérbio popular

 

 

Tudo que puder ser feito mais rápido é melhor, mas tem coisa que tem que esperar o tempo certo.

Essa história do senhor pedir tudo urgente as pessoa num gosta não. Elas pode não falar nada pro senhor, mas que elas pensa… elas pensa.

Ninguém gosta de ficar sem almoço, trabalhar à noite ou no final de semana pra nada…

O senhor vai desmotivar o povo, ou vai deixar eles doente que nem o senhor deixaria a Estrela e o Dorado…

 

 

 

Imagens: BE&SK