O que o meu filho vai ser quando crescer?

Este artigo foi publicado: no dia 12/11/2019 na minha coluna no R7 e no portal Inova360.

 

O futuro das profissões tem sido motivo de grandes debates, e não é para menos

O que você vai ser quando crescer?

Com o intuito de ser simpático e por não saber o que falar, esta é uma pergunta tão recorrente como chata às crianças.

Tenho um filho e já vi muita gente perguntar isso a ele.

Até os 9 anos a resposta era jogador de futebol, depois passou a ser youtuber, mas recentemente ouvi algo que me surpreendeu, ele, com apenas 11 anos respondeu:

Não sei, e não tem como saber ainda, provavelmente eu tenha uma profissão que ainda não foi inventada”.

Embora ele tenha toda razão não é uma resposta comum para uma criança, mas talvez o fato dele me ver e ouvir preparar conteúdos, livro, artigos, palestras, o tenha dado alguma vantagem sobre outras crianças da mesma idade.

Sobre a resposta do meu filho, não há nenhuma dúvida, é exatamente assim. Haverá um número imenso de novas profissões nos próximos anos e muitas das profissões atuais desaparecerão, se não completamente, ao menos da forma como as conhecemos hoje.

Porém, a divergência ocorre quando tentamos quantificar isso, porque, dependendo a fonte que divulga a previsão, a porcentagem de profissões que existirão no futuro e ainda não foram inventadas variam de 60% a 85% e o ano entre 2030 e 2040.

De todas formas, o dado em si não é relevante, e sim o fato de que estamos diante de uma transformação brutal no mercado de trabalho.

Sempre tivemos este tipo de mudança, desapareceram o técnico de máquina de escrever, telefonistas, ascensoristas e surgiram os programadores, web designers e os cientista de dados. O assombro não é pela desaparição ou surgimento de novas profissões, porque isso sempre aconteceu, a questão é a velocidade com que isso está acontecendo e com que ainda vai acontecer nos próximos 30 anos. Serão centenas ou milhares e isso traz consigo diversos questionamentos que ainda não temos resposta e outros que temos a resposta, mas não temos a solução.

O primeiro é que o sistema educativo, os cursos técnicos e as universidades não estão preparadas. A maioria das universidades hoje, em todos os cursos de graduação, ensinam história.

Surge, na verdade aumenta e se acentua, o conceito de multidisciplinaridade – novas profissões que são produto da fusão de profissões atuais. Como exemplo podemos citar o advogado e o engenheiro de segurança digital, que alguns cursos estão fusionando para criar o profissional de direito digital, ou o engenheiro eletrônico que aprende um pouco de medicina (ou vice-versa) para poder desenvolver equipamentos médicos.

Novas profissões como consultor de aposentadoria, analista digital post mortem, gestor de resíduo ou designer de inovação, serão importantes.

De todas formas, é um exercício complexo tentar adivinhar as profissões do futuro, além de nos trazer poucos benefícios. Talvez, o mais inteligente a fazer seja abstrair-se das profissões e concentrarmos nossa atenção nas características fundamentais dos profissionais, independentemente da profissão.

Como pai e como gestor, é nisso que eu estou me concentrando.

Os hard skills, ou seja, o conhecimento formal e técnico sobre uma determinada área, meu filho aprenderá na escola, na internet ou na faculdade (se ela mudar até lá) ou em cursos específicos.

Há alguns anos os profissionais de RH falam em soft skills, e realmente eles são fundamentais e marcam a diferença no desenvolvimento da carreira profissional. Competências como relacionamento interpessoal, comunicação, negociação, produtividade pessoal, e uma longa lista, tem muito mais peso e relevância ao longo da vida profissional do que o conhecimento técnico.

Um bom profissional é formado por hard e soft skills, porém a Tecno-Humanização vai além do profissional e pensa no ser humano de forma integral, criando, assim, o conceito de deep skill.

E por que a Tecno-Humanização se preocupa com isso?

No artigo Empresas humanizadas são mais profissionais, vimos que uma empresa não contrata um profissional, e sim um ser humano.

No livro da Tecno-Humanização descrevemos este conceito em profundidade, porém, podemos trazer alguns pontos que são relevantes para este artigo.

A autoestima, autoconfiança, compaixão, entusiasmo, ética, entre outros, são características fundamentais para qualquer ser humano e, independente da profissão, vitais para as empresas.

Toda empresa, de qualquer setor ou tamanho, hoje depende de inovação. Algum profissional é capaz de inovar sem autoestima e autoconfiança?

O número de empresas humanizadas está crescendo e a necessidade de empresas humanizadas é enorme. Porém, não é possível uma cultura organizacional humanizada sem compaixão.

Profissionais liberais colaborando através de ecossistemas produtivos, baseados em economia colaborativa, tem aumentado e tem se tornado uma tendência. Como empreendedor posso dizer, este modelo não é sustentável sem resiliência e muito entusiasmo.

E, após ver o show de horrores de escândalos e corrupção em nossa sociedade, não há dúvidas que a ética é um valor muito apreciado. As empresas pensam em governança e a Tecno-Humanização vai além, ao dizer que é necessário governança + ética, como descrevemos no artigo Governança não garante ética.

Portanto, é obvio que temos que nos preocupar com o futuro do trabalho dos nossos filhos.

Robôs, Inteligência Artificial vão destruir postos de trabalho repetitivos e não criativos? Sim.

O setor de tecnologia vai criar oportunidades e postos de trabalho? Sim.

A quantidade de postos de trabalho criado será menor que os postos destruídos? Sim.

Temos que acompanhar de perto a evolução do futuro das profissões? Claro!

Os pais e as escolas sempre prepararam as novas gerações para um futuro que seria uma evolução da versão anterior. Desta vez é diferente. Pela primeira vez, estamos preparando uma geração para construir um futuro que não temos a menor ideia de como será.

A única certeza é que não se parecerá em nada ao nosso presente.

Por isso, eu me senti muito orgulhoso da resposta do meu filho, mas se me perguntarem o que eu quero que o meu filho seja quando crescer, a minha resposta será:

Honesto, honrado, entusiasta, compassivo, autoconfiante e ético.

Ah! Querem saber a profissão?

Sei lá…

 

Imagem: Freepik

Empresas humanizadas são mais profissionais

Este artigo foi publicado: no dia 22/10/2019 na minha coluna no R7 e no portal Inova360.

 

Da porta para dentro da empresa, somos profissionais. Esta frase, tão famosa no passado, ainda é válida nos dias de hoje?

A sua empresa possui o Portal do Profissionalismo?

Se você não sabe o que é, deixe-me explicar.

Estes “portais” eram muito comuns na entrada das empresas no século passado. Acreditava-se que tinham um grande poder, pois faziam com que cada pessoa que passasse por ele deixasse do lado de fora os problemas, todas as preocupações e a vida pessoal, só passando por ele o lado profissional do colaborador.

Ultimamente, as empresas têm sofrido muito com isso. Seus portais do profissionalismo não têm funcionado como no passado.

E de quem é a culpa?

Infelizmente é assim que ainda pensam alguns executivos. São capazes de enxergar as transformações do novo momento que estamos vivendo, mas continuam buscando culpados pelas coisas que não funcionam como funcionavam no passado.

Outros pensam que a evolução da espécie humana mudou algo em nós e, aparentemente. o portal deixou de ter efeito. Portanto, é preciso construir um portal novo para as novas gerações.

Em minha visão, pensar desta forma é de uma ingenuidade despropositada pois o portal nunca funcionou! Nem nunca funcionará!

A diferença é que antes a maioria das pessoas fingiam separar quem elas eram no trabalho de quem eram em sua vida pessoal e outras acreditavam realmente que isso era possível e tentavam, de fato, fazê-lo.

Imaginem por um momento que você estivesse passando qualquer uma destas situações:

O seu filho está doente, te olha com aqueles olhinhos lacrimejantes de febre, quando você vai sair de casa;

Sua mãe está com alguma doença grave;

Seu irmão tem problemas financeiros;

Seu melhor amigo foi mandado embora e está com depressão;

Você está passando por uma situação sentimental delicada, seu relacionamento está acabando.

Mas não é somente situações negativas, também podem ser positivas:

Você recebeu uma proposta de emprego na empresa que queria;

O seu primeiro filho, tão desejado e aguardado, está pra nascer;

Está em processo de compra de uma casa, um carro ou algum bem que seja importante pra você;

Você acabou de se apaixonar.

Enfim, como você pôde perceber, para estar exposto a estes exemplos e outras centenas deles, basta estar vivo.

Eu tenho feito esta pergunta a vários empresários e executivos:

Sinceramente você acha possível criar processos à prova de emoções de seus colaboradores?

O mais incrível é que alguns pensam que sim! Acreditam que, independente de quem o execute, será feito da mesma maneira.

Querem ver um exemplo como este pensamento é absurdo?

Vejamos, um analista de crédito, seguindo estritamente os processos, aprova um crédito com o mesmo critério se na semana anterior o pai dele faleceu ou o filho dele nasceu?

São emoções e estado de ânimo radicalmente opostos e, obviamente, o analista de crédito, ainda que imbuído de toda sua boa fé e profissionalismo, não analisaria o crédito como o mesmo critério.

Para que não fique somente no terreno do achismo ou da opinião pessoal, Richard Thaler, economista americano, ganhou o prêmio Nobel de economia em 2017 com seu estudo de economia comportamental, onde demonstrou que não é possível separar as emoções dos processos de tomadas de decisões econômicas.

Portanto, Thaler somente demonstrou o que já sabíamos e tínhamos vergonha de admitir. Ou seja, não é possível separar as emoções da razão, não é possível separar parte de nós, somos um todo.

A empresa contrata um ser humano, uma pessoa completa, e querer que ele só traga ao trabalho o profissional e deixe “o resto” em casa. É possível?

Por favor, em que mundo vivemos?

É obvio que não tratamos igual ao presidente da empresa, que um cliente ou nossa avó. O comportamento deve ser diferente, porém, nossa forma de pensar e, principalmente, nossos valores, são os mesmos.

Se você acredita que pode ser profissional e agressivo na empresa, se você é capaz de despedir seu melhor amigo para alcançar os resultados, espremer até praticamente asfixiar seu fornecedor, fazer qualquer coisa para subir na empresa e, em casa você é “bonzinho”, em algum dos dois lugares, você está fingindo ser quem não é.

E esta “atitude esquizofrênica” imposta pelo mercado tem vida curta. Não é possível viver assim por muito tempo sem sofrer ou ficar doente.

Reconhecer que as emoções fazem parte do processo é o primeiro passo para humanizar a empresa, para abrir as portas ao ser humano completo, não somente o profissional, eliminar portais imaginários e banir do mundo corporativo frases como estas:

“Da porta para dentro somos profissionais”.

“Os problemas ficam do lado de fora”.

“Aqui se vem trabalhar não fazer amigos”.

“O único que vale aqui é resultado, os sentimentos não importam”.

Acredito que todos nós já ouvimos ou até dissemos algumas delas, mas não se sinta culpado por isso. Não devemos nos julgar, nem nos considerar más pessoas por isso. Este tipo de comportamento foi o que aprendemos nas escolas de negócio e nas empresas e pensávamos ser a forma correta de atuar. E, sejamos sinceros, funcionou por um bom tempo.

A tecnologia também contribuiu para este processo, tendo em vista que ela levou o trabalho para fora do escritório físico e “invadiu” a casa e a vida pessoal do colaborador. Sendo assim, para que se mantenha o equilíbrio, da mesma forma, a empresa deveria permitir que o colaborador traga sua vida pessoal para o trabalho também. Tudo isso, obviamente, obedecendo à uma lógica de sensatez e sem exageros.

Mas quando isso deixou de funcionar?

Quando chegamos ao limite e não conseguíamos, ou não queríamos, fingir mais, quando quem ainda tentava fingir começou a adoecer. E o maior gatilho da mudança foi quando chegou uma nova geração que se recusou a aceitar essa dualidade pessoal-profissional.

Somos quem somos, somos um ser completo (e maravilhoso), e tentar “comprar” somente um pedacinho é desrespeitar nossa plenitude; chega ser cruel desde o ponto de vista pessoal e, o pior, pouco inteligente do ponto de vista corporativo, porque não permite explorar todo o nosso potencial.

Ao contrário do que pensam os executivos favoráveis ao conceito do Portal do Profissionalismo, quanto mais a empresa cuida do ser humano, mais o ser humano entrega o melhor profissional à empresa, portanto…

Empresas humanizadas são mais profissionais!

Como complemento ao artigo, conversamos com Tania Moura, VP da ABRPH (Associação Brasileira de Profissionais de Recursos Humanos), para conhecer sua visão sobre empresas humanizadas, vale a pena ouvir.

 

 

Imagens:  Pixabay

Cuidar das pessoas aumenta a taxa de sucesso da transformação digital

Este artigo foi publicado: no dia 21/08/2019 no ITForum365 e no dia 27/08/2019 em minha coluna no portal R7 e no portal Inova360.

 

Contratar uma empresa de tecnologia para fazer sua transformação digital é tão absurdo quanto um laboratório farmacêutico cuidar da sua saúde

Sinceramente eu não entendo…

Se você não contrata um laboratório farmacêutico para cuidar da sua saúde, por quê contrata uma empresa de tecnologia para fazer a sua transformação digital? Se você contratasse um laboratório farmacêutico para cuidar da sua saúde, o que ele te recomendaria como a única solução para ser saudável?

O que ele te venderia? REMÉDIO.

A questão é que para cuidar da sua saúde você não precisa de remédio, você precisa dormir bem, se alimentar de forma saudável, praticar atividade física, buscar equilíbrio em sua espiritualidade, e, eventualmente, quando fica doente, você precisa de remédio. É exatamente isso que acontece quando você contrata uma empresa de tecnologia para fazer o seu processo de transformação digital, eles te vendem TECNOLOGIA.

E para um processo de transformação tecnológica, você precisa fundamentalmente, preocupar-se e ocupar-se das pessoas, depois do modelo de negócio e para viabilizar esta transformação, aplicar tecnologia.

Leia o artigo –  Fique atento: as tecnologias analógicas também vão impactar a sua vida para entender porque eu já não falo transformação digital e sim transformação tecnológica

Esse é um erro de conceito e o mais comum no processo de transformação digital das empresas. Olhar somente para a tecnologia é se preocupar com o final sem cuidar do processo de transformação em si.

A BE&SK encontrou o modelo matemático que explica este erro e mostra o caminho para corrigi-lo.

Modelo matemático: Viés da sobrevivência

Durante a segunda guerra mundial os EUA encomendaram a seus engenheiros que reforçassem seus aviões para evitar que fossem abatidos.

Como era inviável por peso, blindar todo o avião, os engenheiros analisaram os aviões que regressavam de combate e definiram as áreas com mais furos de balas como as áreas mais frágeis e, portanto, as que deveriam ser reforçadas.

Esta estratégia se mostrou um fracasso e os aviões americanos continuavam a serem abatidos. E sabe por quê? Porque os aviões analisados eram os que sobreviviam ao ataque, portanto, os furos de balas mostravam as áreas, que mesmo atingidas, não eram tão críticas porque o avião resistia ao ataque.

O matemático e estatístico Abraham Wald, que conhecia o viés de sobrevivência, e participou do SRG (grupo de pesquisa de estatística) encarregado de resolver este problema, mostrou que as partes que deveriam ser reforçadas eram justamente as que não possuíam tiros, porque provavelmente eram as que, quando atingidas derrubavam os aviões (tanque de combustível, motor e piloto).

Hoje, este modelo matemático, com ferramentas mais modernas, é usado por fundos de investimentos para bater índices de referências do SP&500.

Como o viés de sobrevivência nos ensina a aumentar a taxa de sucesso do processo de transformação digital?

Ao aplicar tecnologia para resolver seus problemas atuais, a imensa maioria por não dizer todos, estão relacionados ao crescimento, tais como aumentar as vendas (receita), reduzir custos, otimizar seu negócio e seus processos, isso significa blindar a parte que, mesmo atingida, mantém o avião no ar.

Não é a tecnologia que vai resolver estes problemas, ela só vai digitalizá-lo.

E como eu mostrei em meu artigo Crescimento vs. desenvolvimento, digitalizar este jogo só acelera o colapso.

Quando uma empresa digitaliza seus processos para melhorar a experiência do cliente, ela impacta seus clientes, transformando a forma de entregar seu produto e a forma deles consumi-lo. Isso gera mudança de comportamento nos clientes e na sociedade.

Quando a tecnologia é usada para otimizar processos, isso impacta os produtos, serviços, colaboradores, a forma de trabalhar, a cultura organizacional etc.

Em qualquer caso, sejam impactos internos ou externos, a transformação digital não acontece no datacenter, ela SEMPRE acontece nas pessoas.

Ao colocar a tecnologia no centro do processo de transformação digital a empresa está olhando para o lado errado.

Como resolver este problema?

A Tecno-Humanização coloca o ser-humano no centro do processo de inovação e transformação digital, a partir dele, desenha uma organização rentável e consciente que resolva problemas reais do ser-humano, e então, aplica tecnologia para viabilizar este modelo.

Obviamente a tecnologia tem muita relevância no processo de transformação tecnológica, porém elas são um meio e não um fim me si mesma.

A tecnologia representa menos de 20% do processo de transformação tecnológico de uma empresa, e sua função é viabilizar um processo de transformação mais amplo.

Esta afirmação é feita de acordo com o modelo de transformação digital ativa e passiva da BE&SK (escreverei um artigo em breve falando sobre isso), e ajuda as empresas a entenderem o porquê os estudos de McKinsey, Forbes, Wipro, Gartner, mostram que mais de 70% dos processos de transformação digitais não funcionam.

Todo processo de transformação, seja tecnológico, de negócio, comportamental, sempre começa e termina no ser-humano, organizações e negócios só existem por e para o ser-humano, pensar de forma diferente é atuar contra si mesmo.

E neste caso, termino como comecei.

Sinceramente eu não entendo…

Imagem: Pixabay

Como é o profissional de um futuro singular?

Este artigo foi publicado no dia 13/08/2019 em minha coluna no portal portal R7 e no portal Inova360.

 

O executivo agressivo abre espaço para o executivo consciente

Eu já coloquei em meu Curriculum e em meu LinkedIn que eu era orientado a objetivos. Lembro-me quando o meu chefe direto, ao me promover a diretor, me deu os parabéns, disse que eu merecia aquele reconhecimento, porém aquilo era somente uma formalidade, que eu só seria considerado um bom executivo quando despedisse o meu melhor amigo, se necessário, porque isso mostraria meu comprometimento com os resultados e objetivos da empresa.

Nos últimos 30 anos aprendemos nos MBAs das melhores escolas de negócios que, além de competências técnicas, sociais e emocionais, uma característica extremamente valorizada nos executivos é a orientação a objetivos.

Quem trabalha em multinacional sabe a importância de ser assertivo em seus forecasts (previsão de resultados). Neste tipo de empresa se assina o forecast com sangue e, cumpri-los ou não, depende a continuidade no cargo.

No setor de tecnologia, falo com conhecimento de causa, os fabricantes, para cumprir seus compromissos de vendas aprovam descontos elevados nos fechamentos de trimestres e de ano fiscal. Batem suas metas, cumprem os compromissos com seus chefes e ganham seus bônus. A empresa apresenta os resultados de crescimentos que os analistas esperam, as ações sobem e os executivos são promovidos e reconhecidos.

A parte não tão bonita desta história é que tudo está baseado somente em crescimento (ler artigo Crescimento vs. Desenvolvimento), ao aprovar descontos agressivos a empresa sacrificou rentabilidade para crescer, e normalmente no primeiro dia útil do novo ano fiscal, seja necessário reduzir custos e recortar o número de headcount (número de colaboradores).

Ser orientado a objetivos não pode ser considerado algo ruim, muito pelo contrário, continua sendo importante e necessário. O problema vem da pressão excessiva pelo resultado, a qualquer custo, e isso leva algumas pessoas a fazerem qualquer coisa para alcançá-lo.

Neste momento, vários profissionais estarão lendo e se auto justificando dizendo “fiz o que tinha que fazer”, “é meu trabalho”, “eu nunca fiz nada fora da lei”, “eu tinha o respaldo do compliance da empresa”, e assim por diante.

Eu não condeno nem julgo ninguém, eu também já fui assim. A diferença é que eu entendi que não podia continuar fomentando uma economia de escassez, onde eu era pressionado e pressionava muito para alcançar os resultados, e isso levava a destruir postos de trabalho e negócios para alcançar os meus objetivos.

Eu achava péssimo a política do “fazer mais com menos”, eu achava terrível que amigos meus fossem mandados embora, e até eu mesmo já passei por isso.

Se você leu o artigo “Transtorno Dissociativo Corporativo: o gap entre a fala e a atitude” sabe que eu fazia isso e depois reclamava das consequências dos meus atos e não associava o desemprego aos meus atos.

E neste caso, é pior ainda, eu não só permitia, mas tinha um papel ativo neste processo.

Nos últimos anos, com a economia baseada em crescimento, aprendemos que esse comportamento é normal, que é assim que funciona e acabamos acreditando nisso.

Então devemos ser orientados a objetivos ou não? A resposta é fácil, claro sim! Quem não tem objetivos não avança. Quem não sabe para onde ir é arrastado pelas circunstâncias. Portanto ser orientado a objetivos é fundamental, tanto pessoal como profissionalmente.  O problema não está na orientação à objetivos e sim em sua definição.

Os objetivos quantitativos devem, sempre, estar acompanhados dos qualitativos. O marco de atuação não deve ser a lei e sim a ética. A lei é o mínimo e básico, devemos elevar a forma que atuamos para não ter o que reclamar.

Isso é muito mais fácil falar do que fazer, tem muita gente que dirá que tem que jogar o jogo porque tem conta para pagar, porque não tem escolha. Este ponto é delicado, sempre temos escolha, mesmo que elas não sejam fáceis.

Não reclame daquilo que você permite!

Veja como um executivo agressivo resolve os problemas  no canal observatório BE&SK.

Imagem: Pixabay

O maior desafio deste século: unir tecnologia e pessoas

Este artigo foi publicado no dia 18/06/2019 em minha coluna no portal R7 e no portal Inova360.

 

Pensar que somente a tecnologia vai resolver todos os problemas das empresas e da humanidade é o nosso maior problema

O processo de transformação digital que estamos vivendo, tanto no mundo corporativo como no pessoal, é inegável e contínuo. Existem, fundamentalmente, duas aproximações sobre este processo no mercado. Os fabricantes e integradores de tecnologia, que colocam a tecnologia como única via de salvação das empresas. O caminho é usar mais e mais tecnologia para reduzir custo, aumentar a assertividade e a produtividade, melhorar a experiência do cliente, e por aí vai.

Outro ponto de vista são os futuristas, aquelas pessoas que dizem como vai ser o mundo em 2050. Com este segundo grupo sou bastante crítico porque, independentemente do que diga, se é certo ou não, se faz sentido ou não, eles nunca dizem o mais importante, como levar sua empresa ao cenário que eles vislumbram.

Portanto, por um lado temos um vendedor de tecnologia vendendo o seu peixe e advogando em causa própria, e outro, que também se baseia somente em tecnologia e que pode falar o que quiser, porque ninguém vai pedir satisfação dentro de 30 anos se suas previsões não se cumprirem.

Sinceramente me aterroriza pensar que é neste cenário que estamos construindo um dos pilares mais importantes do processo de transformação que estamos vivendo.

Pensar que somente a tecnologia vai resolver todos os problemas das empresas e da humanidade é o nosso maior problema.

Para começar a discussão, a transformação digital não acontece no datacenter, ela ocorre na sociedade, nas pessoas e no negócio.

Concentrar-se na tecnologia é ignorar todo o resto, por isso os estudos mostram que mais de 70% dos processos de transformações digital não funcionam.

Podemos substituir o homem pela tecnologia em atividades repetitivas, mas está muito longe de substituirmos a criatividade e a sensibilidade humanas. Provavelmente este estágio nunca chegue (ao menos eu torço, espero e trabalho para que não).

Um produto pode ser produzido por robô, mas será consumido por um humano.

A dinâmica perversa da otimização e melhoria contínua levada ao extremo pela pressão do crescimento ilimitado, o alto grau de tecnologia existente a um custo cada vez menor, podem levar (e estão levando) as empresas à síndrome de Lesch-Nyhan (autocanibalismo).

A falta de consciência, a ganância ou ambas, poderiam nos levar a modelos de negócio onde aplicamos a tecnologia ao extremo, por exemplo, hoje em dia já temos fábricas totalmente autônomas. Mas se todas as empresas fizessem isso, em um espaço curto de tempo teríamos as empresas mais otimizadas do cemitério.

As empresas (e as pessoas) morreriam de inanição, as primeiras por não terem clientes e as segundas por não terem trabalho.

Produtos produzidos por robôs não são consumidos por robôs.

Se o empresário não quiser pensar no ser humano como tal, ao menos que pense como cliente.

A dicotomia de gestão que temos é que a imensa maioria das empresas sem tecnologia, direta ou indireta, não seria capaz de inovar, ser competitiva e, portanto, sobreviver.

Porém, se não considerarmos as pessoas nesta equação geraríamos um problema social de tal magnitude que o menor problema que teríamos seria que a empresa quebrasse.

Os líderes das maiores empresas do Vale do Silício e as maiores fortunas do planeta estão discutindo e buscando alternativas para manter de “estabilidade” sócio-econômica, onde o estado garanta a renda mínima universal para que o modelo social-econômico atual não se desmorone e tenhamos um cataclismo social global.

Devemos esperar que o estado resolva esta situação tão extrema e crítica? Eu não quero gerar um caos e esperar que outros, que se mostraram incompetentes em situações conhecidas e mais simples, resolvam o meu futuro e o dos meus filhos. Serei eu a fazer esta transformação.

Como? Onde está o equilíbrio? É possível unir tecnologia e pessoas nesta nova economia? Para a nossa tranquilidade (teórica) a resposta é sim. Digo teórica porque isso não acontecerá de forma automática nem espontânea.

Precisaremos mudar nossa visão e forma de atuar com relação à transformação digital e buscar uma jornada onde se use a tecnologia para gerar abundância. Aplicar a tecnologia para criar modelos de negócios rentáveis e conscientes. E sem dúvida, para que ambas transformações, a digital e a de negócios, sejam autênticas e sustentáveis ao longo do tempo, será necessário trabalharmos a transformação de mentalidade, ou seja, mindset.

Vejam onde chegamos, para fazer uma transformação digital precisamos tratar de forma integrada e sistêmica a transformação digital, de negócios e de mentalidade.

Complexo? Talvez, porém tão complexo quanto necessário.

Para que esta realidade exposta não seja apenas um discurso recheado de boas intenções, é necessário usar uma metodologia, ferramentas e modelos. A Tecno-Humanização das organizações é um framework de Technology, Business & Mindset Transformation, que une tecnologia e pessoas para transformar empresas em organizações rentáveis e conscientes.

Assista o vídeo do canal observatório BE&SK e veja um exemplo de uma empresa rentável e  consciente.

Imagens: Pixabay