Tecnologia deve gerar qualidade de vida, não preguiça!

Este artigo foi publicado no dia 25/08/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Temos uma oportunidade fantástica pela frente para construir uma sociedade melhor aplicando tecnologia, mas para isso precisamos elevar o nível de consciência corporativa.

A tecnologia está para nos servir, não o contrário!

Esta é a frase que está na capa do meu LinkedIn, e eu realmente acredito e trabalho para isso.

E nesta linha de raciocínio, eu me surpreendi com uma notícia que li de uma empresa que lançou o conceito uma cama para gamers.

Neste conceito a cama é cercada de tecnologia, que atende todas as necessidades de um gamer, para que não precisem se levantar para jogar.

 

 

Segundo a marca, que já fabricava cadeiras e outros acessórios para este público, era comum receber depoimentos do tipo: “Todos os dias eu tenho que me levantar da cama para poder jogar. Por que tem que ser tão difícil? “

Neste momento surge um dilema ético que muitas empresas nem consideram.

Faço um produto para atender esta demanda, mesmo sabendo que um grande número de pessoas passará dias trancados em seus quartos sem sair, ou crio um produto que conscientiza ao gamer que além de jogar ele deveria levantar-se da cama, praticar atividade física, relacionar-se com outras pessoas?

O caminho mais fácil é criar o produto e ganhar muito dinheiro, afinal de contas, a empresa não obriga ninguém a comprar seu produto e muito menos, tem a responsabilidade de controlar os hábitos das pessoas, não é mesmo?

Errado!

Em minha opinião, toda empresa tem responsabilidade sim na construção de hábitos saudáveis, equilíbrio e qualidade de vida.

Construir uma sociedade melhor é obrigação e responsabilidade de todos.

Não sou contra o vídeo game, inclusive existem estudos que mostram os benefícios em usa-los.

Mas como tudo na vida, deve ser feito com moderação.

Também não sou contra a cama gamer ou a qualquer outro produto, desde que as empresas criem mecanismos reais para conscientizar sobre os excessos.

Não basta escrever no manual, que quase ninguém lê, que este produto deve ser usado com moderação.

Do contrário, estaríamos contribuindo para uma geração de pessoas doentes, físicas e mentalmente. A falta de atividade física, falta de relacionamento, de toque, de abraço, prejudica, e muito, a qualquer ser humano.

E normalmente, as mesmas pessoas que ganha dinheiro com este tipo de produto, são os mesmos que reclamam que as novas gerações não sabem relacionar-se, não são comprometidas, não dão valor ao esforço para conquistar seus objetivos.

Como vai dar valor ao esforço uma pessoa considera um sacrifício ter que levantar-se de sua cama, caminhar 5 ou 10 metros até a mesa do computador para jogar vídeo game?

A este tipo de situação, na metodologia da Tecno-Humanização, é chamado de Transtorno Dissociativo Corporativo – veja esse meu artigo aqui.

Muitos executivos dissociam suas tomadas de decisões do impacto real que tem na sociedade. Por certo, sociedade que ele mesmo vive.

As empresas têm uma participação ativa e relevante na formação de uma sociedade, portanto é sua responsabilidade elevar o nível de consciência.

Não vale tudo para ganhar dinheiro.

Porque o preço que pagamos todos por isso é muito alto.

Nunca tivemos tanta tecnologia disponível e acessível, e isso pode ser uma grande oportunidade para aplica-la para construir um mundo melhor.

A pandemia, como qualquer evento de alto impacto emocional, tem elevado o nível de conscientização e humanização das pessoas.

E as empresas terão que fazer o mesmo para atender este novo comportamento de seus clientes.

Lembrando sempre que, a tecnologia está para nos servir, não o contrário.

E se já tivermos passado do nosso objetivo?

Este artigo foi publicado no dia 18/02/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Corremos tanto sem saber pra onde ir, que existe a possibilidade de já termos passado do nosso objetivo sem perceber

Estamos presenciando a loucura de viver em um mundo VUCA, com tecnologias exponenciais que criam modelos de negócios e empresas disruptivas através da transformação digital.

Se você sabe o que esta frase significa e representa, porém, estas expressões não fazem parte de seu vocabulário, não se preocupe, isso só mostra que você não é um papagaio que repete as expressões da moda só para parecer hipster (palavra inglesa usada para descrever um grupo de pessoas com estilo próprio e que habitualmente inventa moda, determinando novas tendências alternativas.

Se você não entendeu a frase, não se sinta um peixe fora d’agua, e fique tranquilo, eu vou te ajudar.

Estamos presenciando a loucura de viver em um mundo volátil, incerto, complexo e ambíguo (VUCA), com tecnologias que surgem, crescem e desaparecem a velocidade de vertiginosa (exponenciais), muitas vezes além da minha capacidade de assimilação. Estas tecnologias promovem um processo que busca melhorar a experiência do cliente, otimiza processos, reduz custo, aumenta a assertividade das empresas substituindo processos manuais por tecnologia digital (transformação digital). Toda essa tecnologia viabiliza novos modelos de negócios que rompem completamente os modelos atuais (disruptivo).

Ficou um pouco mais claro?

Então sigamos em frente.

E por que você precisa saber essas coisas, se você não se dedica a trabalhar com isso?

Por um motivo muito simples, toda essa loucura vai te impactar, vai mexer com você, vai mudar o seu estilo de vida, pessoal e profissional, você querendo ou não.

Então, o mais inteligente é saber o que está acontecendo à sua volta, pra dançar conforme a música, ou se a música não te agradar, trocar de baile.

Com frequência, não saber o que vai acontecer, ou o que está acontecendo, nos provoca ansiedade. Não conseguir acompanhar o ritmo, poderia provocar ou acentuar sentimentos depressivos.

A sensação de não pertencimento a um movimento tão forte de transformação é horrível. Por isso, muitas vezes jogamos o jogo, sem saber o porquê, nem para quê, estamos fazendo o que fazemos.

A principal característica do efeito manada é correr na mesma direção e sentido dos que estão a minha volta. Temos muito arraigadas crenças que nos foram transmitidas em nossa infância.

“Quem bate primeiro, bate duas vezes.”

“Quem chegar por último é a mulher do padre.”

E assim por diante.

Temos que correr, correr, correr e correr.

Só que ir a velocidades muito altas oferece inúmeros perigos.

Não nos dá tempo de planejar corretamente o percurso e podemos errar a rota.

Não temos tempo de desfrutar da viagem. E, o pior de tudo, muitas vezes não sabemos pra onde estamos indo, só vamos.

Saber o destino, nosso objetivo, é fundamental para traçar a rota adequada.

E se já tivermos passado do nosso objetivo?

Cada vez mais isso tem acontecido.

Tenho conversado com pessoas que correm tanto que ultrapassam seus objetivos e nem percebem. Correr virou fim e não meio.

Mas passar do ponto de freada tem riscos e consequências graves.

Um deles é chegar ao fim da vida, cansados, esgotados, olhar à sua volta e não entender o porquê nem para quê estão ali.

Chegar a um destino que não é o seu, olhar pra trás e ver que sua vida foi pequena, que a única coisa que você fez foi correr.

Ou então, viver uma vida à velocidade maior do que a necessária, provocar acidentes, chocar-se com obstáculos e tomar um susto desnecessário a cada momento.

Sim, é filosófico e transcendental questionarmos qual é o objetivo de vida, qual o legado quero deixar, para que faço o que faço, vale a pena fazer o que faço.

E o principal, por quem eu faço tudo isso?

São essas perguntas que, ao correr tanto, não temos tempo de responder.

E se não paramos para isso, sabe quando as faremos?

Normalmente em um leito de hospital.

Quem nunca viu uma pessoa que, após ter um infarto ou ser diagnosticado com câncer, mudar completamente seu estilo de vida?

Normalmente, essas pessoas passam a dedicar mais tempo à família, se alimentam melhor, praticam atividades físicas, desfrutam da natureza, desvirtualizam os encontros, abraçam, beijam e dizem “eu te amo” com mais frequência.

Realmente é preciso esperar tomar uma pancada deste tipo para entender isso?

Não importa o quanto você corra, o quanto você saiba dos termos da moda do início do artigo. Ao final, tudo o que fazemos é por e para o ser humano, sempre.

Podemos sair, correr, acelerar, isso tudo faz parte do contexto e do momento, mas sempre sabendo pra onde ir, e principalmente, pra onde voltar. Revisitar a essência, nunca se distanciar mais do que o necessário da nossa fonte de energia vital, e voltar ao básico sempre, porque é lá onde sempre esteve, e sempre estará, o que buscamos.

 

Imagem: Pixabay