Hard x Soft x Deep Skills: O que são e como definem a cultura da empresa

Este artigo foi publicado no dia 25/11/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

Ter diversidade cultural na empresa é necessário, ter personalidades diferentes na empresa é enriquecedor, mas isso tem limite. Porém o Deep skill positivo é inegociável

Todo grande evento de alto impacto emocional, tais como guerras ou pandemias, provocam uma elevação de consciência e aumento de humanização nas pessoas.

Com o COVID-19 não foi diferente, por isso recentemente alguns consultores resgataram, oportunamente, um assunto bastante esgotado, a importância e o peso do soft skill nos profissionais.

Para quem não conhece a expressão vou contextualizar trazendo um trecho do livro Aprenda a criar riqueza sem gerar miséria com a Tecno-Humanização.

Há décadas nos concentramos em desenvolver os chamados hard skills, que são os conhecimentos técnicos, específicos de cada área de atuação. Estes conhecimentos são importantes, necessários, porém não suficientes”.

A primeira evolução veio de estudos como o realizado por Stanford e a Fundação Carnegie Mellon. Entre 500 CEOs estabeleceu-se que 75% do sucesso no trabalho, a longo prazo, é derivado dos soft skills e somente 25% dos hard skills.

Os soft skills são importantes ao longo da vida e na maioria das vezes marcam a diferença entre o sucesso de uma pessoa, tecnicamente medíocre, do fracasso do especialista, brilhante tecnicamente.”

O livro segue com outro trecho:

“Portanto, além de hard e soft skill conhecidos no mercado, precisamos desenvolver o que a Tecno-Humanização chama de deep skills.

São competências e principalmente atitudes que farão com que consigamos a motivação suficiente para desenvolver os hard e soft skill.

Emilio Duró, consultor e palestrante espanhol, define parte destas competências como Quociente de otimismo. Segundo Duró, esta é a chave para multiplicar o seu rendimento profissional e também para ser feliz.

Podemos citar alguns exemplos dos diferentes tipos de skills:”

 

 

O que a felicidade, compaixão, ética e honestidade têm a ver com uma empresa?

Para muitos a ética e a honestidade são delimitadas pela governança, que diz o que podemos e o que não podemos fazer. Mas a governança não diz o que devemos e o que não devemos fazer, como mostramos no artigo Governança corporativa não garante ética.

Em minha empresa, em primeiro lugar, eu analiso o Deep Skill, busco profissionais, com carácter, honestos, honrados, positivos, etc. Depois eu olho o soft skill, e por último o hard skill.

Para mim é muito importante estar rodeado de boas pessoas, sejam colaboradores, parceiros e até clientes.

Isso eu faço por opção pessoal, por convicção, por gestão da minha empresa e por egoísmo.

Sim, por egoísmo já que eu quero preservar a saúde do meu cérebro.

Nossa personalidade tem um componente biogênico, mas também tem uma parte que é sociogênica, que é influenciada pelo nosso ambiente, as pessoas ao nosso redor, os alimentos que ingerimos, nosso estilo de vida, enfim.

Por isso, eu quero distância de pessoas sem valores morais, não as quero em meu círculo de relacionamento, e em nenhum caso as quero em minha equipe ou em minha empresa.

Porque a cultura organizacional, o engajamento ao propósito, a forma de atuar no mercado de uma empresa dependem das pessoas que fazem parte da organização.

Por isso, uma empresa deve considerar o Deep skill na contratação, cuidar do Soft skill para o desenvolvimento do ser humano e melhoria dos resultados e valorizar o Hard skill para alcançar a excelência na entrega.

Seus clientes agradecerão e você notará nos resultados.

 

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Como ganhar mercado através de conquistar o coração do cliente

Este artigo foi publicado no dia 09/11/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

Produtos de qualidade, preços competitivos, customer centric, experiência do cliente, e uma infinidade de técnicas e tendências que já não são suficientes

Crescer, crescer e crescer!

Aprendemos nas últimas décadas que todo negócio deve crescer, portanto ganhar market share tem sido obrigatório.

Encontrar nichos de mercado, oceanos azuis, novos negócios, enfim, seja o conceito ou a nomenclatura que for, o crescimento é o objetivo.

E este direcionamento é perfeitamente compreensível, enquanto a empresa cresce se fortalece no mercado e, na imensa maioria das vezes, por consequência enfraquece seus concorrentes.

Durante um tempo, muitos consultores aplicavam a alegoria de que um negócio é como uma bicicleta, se parar de pedalar a empresa cai.

Isso fazia sentido, porém, esta orientação ao crescimento ano após ano foi esgotando os espaços de mercado, e passamos a trabalhar para “roubar” mercado da concorrência.

Isso levou as empresas a buscarem diferenciação e a otimização de processos e custos, sem dúvida isso teve o seu lado positivo porque permitiu o surgimento de muitas ferramentas e metodologias e profissionalizar a gestão.

Além de buscar aumentar cota de mercado, o que representa um crescimento horizontal, muitas empresas buscam aumentar sua participação dentro dos próprios clientes, o que se denomina aumentar o share of wallet.

Até este ponto tudo funcionou, porém, a mesma motivação do crescimento ilimitado que fez com que as empresas e a economia crescessem é a mesma que contraria um dos princípios da Teoria Geral da Administração, que os recursos são finitos.

Enquanto há espaço para crescer, enquanto as coisas vão bem, todo mundo é bom e ético. Só conhecemos o caráter de um executivo quando as coisas estão difíceis.

E nos últimos anos vimos uma enorme quantidade de deslizes éticos em nome de um “bem maior”, seja ele manter os postos de trabalho da equipe, da geração de novos empregos ou da arrecadação de impostos. Isso sim, tudo amparado pela falsa segurança que transmite a governança corporativa. Para saber mais, ler o artigo Governança corporativa não garante ética.

O crescimento se mostrou nocivo, por isso a Tecno-Humanização recomenda que as empresas elaborem seus planos baseados no desenvolvimento e não no crescimento. Para entender a diferença, leia o artigo Crescimento vs. Desenvolvimento.

O desenvolvimento é mais amplo e tem o crescimento como parte de seu conceito.

Porém, a forma que a Tecno-Humanização orienta as empresas a ampliarem sua participação nos orçamentos de seus clientes (share of wallet) é aumentando o share of heart, ou seja, aumentado o espaço no coração de seus clientes.

Há cinco anos a conquista de clientes pelo engajamento a um propósito, por ser uma empresa consciente, pela humanização era apenas uma tendência, hoje é uma necessidade.

Para que o conceito do share of heart fique mais claro podemos citar como exemplo o que a marca de roupa Reserva fez no dia das mães de 2019.

A Reserva decidiu fechar todas as lojas no dia das mães, que é o considerado o segundo dia mais forte do comércio, depois do Natal.

O fechamento implicou a perda de 5% da receita do mês, porém, para ser coerente com o que a empresa acredita, tomaram a decisão de comunicar a seus clientes e pedir que antecipassem suas compras.

A justificativa para a ação era “porque nossos colaboradores também têm mãe” e merecem passar este dia com elas.

A marca não revelou o impacto da ação, mas os resultados da Reserva têm crescidos todos os anos, até o ponto de ser tornar atrativa e fazer uma aliança com o grupo Arezzo&Co criando o maior grupo de moda e lifestyle do país.

Para aumentar as vendas as vezes não é necessário fazer promoções, ou lançar novas coleções, basta conquistar o coração de seus clientes, trocando o share of wallet pelo share of heart.

Qual a responsabilidade do consumidor no caos corporativo?

Este artigo foi publicado no dia 19/10/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Toda história tem dois lados e pode ser contada de diferentes formas. Consumidor consciente cria empresas conscientes, consumidor irresponsável…

Em mais de 70 artigos tenho falado sobre a responsabilidade das empresas na construção social.

Tenho apontado os pontos que considero importantes para as empresas elevarem seu nível de consciência e humanização para melhorarem seus resultados e construírem um mundo melhor.

Em muitas situações tenho denunciado, segundo minha visão, os despropósitos, hipocrisias, irresponsabilidades, sejam propositais ou por falta de conhecimento.

Mas será que o consumidor não tem nenhuma parcela de culpa em tudo isso?

Uma empresa obedece a dois vetores de força, um deles é a ambição de seus acionistas e o segundo é o comportamento de seus clientes.

Quanto maior a ambição maior a probabilidade de se tornar ganância.

E seguindo a brilhante frase de Eliyahu M. Goldratt:

“Diga-me como me medes e eu te direi como me comportarei”

A ambição desmedida de crescimento, só focada em resultados financeiros, aumenta consideravelmente o risco de cometer deslizes éticos em nome de um bem maior.

Normalmente as justificativas são gerar empregos e arrecadar mais impostos, mas a realidade é que esse bem maior normalmente é o bem próprio.

O segundo vetor de força é o comportamento do consumidor.

Pode ser consciente, buscando produtos e empresas conscientes e pagando um preço justo, ou pode ser como tem sido…

Exigindo menores preços, comprando em sites com produtos de procedência duvidosas ou diretamente de uma produção que provoca injustiça social.

Quantas vezes, em bate-papo com amigos vemos as pessoas reclamando que a qualidade dos produtos tem baixado, os comércios locais estão fechando, o desemprego aumentando, o governo não faz nada, e dez minutos depois conta que comprou um produto em um site chinês.

O produto comprado pode ser mais barato por vários motivos. Primeiro por economia de escala, por ter menor tributação, menor custo produtivo, mas também pode ser porque não respeita as condições mínimas de trabalho, não paga um salário justo, e assim por diante.

Mas não importa, como é mais barato eu fecho os olhos e compro.

Se a pessoa que produziu vive em condições de miséria não é nosso problema, está longe mesmo…

Se eu contribuo para destruir empregos e empresas locais, não me importa.

O único que importa é comprar mais barato!

Veja bem, não quero insinuar um comportamento protecionista e me fechar para o mundo, talvez é importante sempre avaliar com uma perspectiva mais ampla que o preço do produto.

O consumidor também deve elevar seu nível de consciência e considerar o impacto de seu comportamento.

Não seria justo considerar que todos os problemas que temos na sociedade são responsabilidade das empresas.

O consumidor tem o poder de mudar as empresas, mas não o exerce, é mais fácil reclamar, porém fazer o mesmo.

E não me refiro somente a produtos, também a serviços e conteúdos.

Conheço pessoas que passaram anos reclamando que a programação da TV caiu a qualidade, mas consome.

Reclama que não se fazem música como antigamente, mas consome a atual.

Então do que estamos falando?

Se eu considero que a qualidade não é boa, eu não devo consumir. Esta é a minha forma de exigir um aumento de qualidade.

Se a TV aberta é ruim em sua opinião e você não pode pagar por um conteúdo de maior qualidade, vá a biblioteca pública de sua cidade e pegue um livro e não dê sua audiência a quem não a merece.

Não é uma questão de dinheiro e sim de consciência.

Consumidor exigente motiva a empresas serem melhores e oferecem produtos de maior qualidade a preços mais competitivos.

Consumidor consciente exerce um vetor de força em mesma direção, porém sentido contrário à ganância corporativa, reduzindo seu impacto negativo.

Consumidor medíocre e irresponsável contribuem para que empresas sejam inconscientes, exercendo uma força na mesma direção e sentido de sua ganância, potencializando e incentivando seu comportamento nocivo.

Que tipo de consumidor é você?

Melhor ainda.

Que tipo de consumidor você quer (e vai) ser?

 

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Qual será o futuro do trabalho no novo normal?

Este artigo foi publicado no dia 13/10/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Estamos em um momento único de ressignificação da importância do trabalho para nós, os tipos de profissões e os modelos de trabalho do futuro

Você já ouviu ou se fez esta pergunta ultimamente?

Ela tem sido motivo de debate frequente nas Lives durante a pandemia.

Existem muitas variáveis a serem avaliadas.

Por um lado, a tecnologia que vai modificar os tipos de trabalho e a forma de executa-los. A tecnologia vai eliminar profissões e criar outras, destruir muitos postos de trabalho e criar outros que exigem qualificações diferentes.

O comportamento das novas gerações tem provocado uma grande mudança no trabalho e nas relações com as empresas.

As bases do compromisso do trabalhador com a empresa costumavam ser à necessidade ou a resignação, e agora passou a ser o propósito.

Embora ainda tenha um componente importante de subsistência, o trabalho aumentou consideravelmente seu peso na satisfação e desenvolvimento da vida pessoal do trabalhador.

A pandemia acelerou algumas tendências e consolidou outras como o trabalho à distância.

Qual o melhor modelo?

Presencial, home office, híbrido?

Por outro lado, a legislação e a cultura não estão preparadas para estes possíveis novos modelos.

Não basta dizer que agora podemos trabalhar de qualquer lugar e pronto, as pessoas se adaptam. É necessário que todos os implicados, a empresa, os líderes, os colaboradores, os clientes e parceiros entendam isso e atuem em consequência.

Qualquer que seja o modelo, exigem um processo de aculturamento e adaptação para que isso seja sustentável ao longo do tempo.

Os questionamentos e reflexões são constantes e necessários, mas o que me preocupa são as milhares ou milhões de pessoas que estão assistindo este momento como expectador.

Esperando o “como vai ser o futuro do trabalho”, esperando que alguém decida e defina como vai ser seu próprio futuro.

E se a pessoa não gostar do futuro que outros decidiram por ela?

Ela pode reclamar?

Por poder, pode… afinal de contas reclamar é um dos esportes nacionais.

Mas onde e para quem se reclama se você não gosta do mundo que criaram pra você enquanto você se omitia?

Tem um guichê pra isso?

Há uma frase que eu gosto muito do dramaturgo francês Philippe Destouches que diz:

Os ausentes nunca têm razão

Temos uma oportunidade grandiosa de participar deste debate, de somar, de agregar nossa visão, entender os diferentes interesses e pontos de vista, e dar o seu.

Devemos mudar a pergunta de como será o futuro do trabalho? por uma oração mais inclusiva e auto responsável e passar a dizer como eu quero que seja o futuro do trabalho.

Aproveitar ainda para incluir na equação a variável mais importante de todas e gerar a reflexão como eu quero que seja O MEU trabalho do futuro?

Entender todas as mudanças que estão acontecendo e criar a sua própria. Criar o seu espaço dentro do espaço maior.

E para isso não é necessário grandes recursos nem grandes oportunidades, basta entender que é possível você criar o seu trabalho do futuro ideal.

A partir daí, se buscam os recursos necessários e se constrói com o que se tem.

Acompanhe e participe ativamente deste momento de transformação do futuro do trabalho, absorva todas as informações, entenda todas as perspectivas, e crie o seu futuro do trabalho.

Você pode começar nesta quarta-feira, dia 14/10, no quadro Visão Tecno-Humanista do programa Inova360 na Record News, às 8h, vamos iniciar o estudo de caso da STATE Innovation Hub conversando com o Fernão Barboza e vamos abordar o futuro do trabalho pelo ponto de vista da Tecno-Humanização.

Depois, continuaremos o debate em uma Live, às 19h e você pode fazer parte deste processo de inovação aberta, inscrevendo-se aqui.

 

 

Imagem: Freepik

Cultura organizacional na aquisição e fusão de empresas

Este artigo foi publicado no dia 26/05/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

Empresa não compra empresa, ela une grupos de pessoas

“Eu pensei que o mais difícil seria educar meus filhos.

Que nada, o mais difícil é unir famílias”.

Essa frase é da minha tia, ela me disse isso quando meus primos começaram a se casar e para ela, o grande desafio, do qual dependia a harmonia de sua família, era saber integrar os novos genros e noras.

Pessoas que vinham com outros valores, outra educação e outros costumes.

Se, no caso da família, onde as pessoas se amam e escolhem estar juntas, gera-se vários conflitos e requer esforço, tolerância e sabedoria para que as coisas funcionem, imagem em uma empresa que compra a outra e entra mudando as coisas sem pedir licença?

A empresa que compra não pergunta, nem deve, aos colaboradores se eles querem ser comprados, se eles querem mudar a forma de trabalhar, se eles gostam do novo modelo, enfim, é um processo que normalmente é considerado intrusivo e agressivo.

Compradores e consultores passam meses analisando os indicadores financeiros e de negócio. Se audita o caixa, o endividamento, o patrimônio líquido, se revisa com lupa a contabilidade, os critérios de avaliação de ativos, se avaliam os riscos fiscais, tributários, trabalhistas, contabilizados e ocultos.

Ao outro lado da balança se coloca a oportunidade de negócio, a carteira de cliente, as marcas, os contratos assinados, os contatos e relacionamentos que passarão a formar parte da nova empresa.

Quase nunca se inclui nesta avaliação a cultura organizacional, isso mesmo, a cultura da empresa é um intangível que, na maioria das vezes, é o fator diferencial de sucesso ou fracasso de uma integração.

Somente um pequeno grupo, normalmente os executivos que promoveram a operação, enxergam os benefícios reais de unir forças e as sinergias de negócio.

Enquanto na imensa maioria das pessoas se produz uma reação inconsciente que levanta barreiras psicológicas que podem ser muito prejudiciais.

O raciocínio é simples e básico.

De um lado se pensa: se eu comprei a sua empresa é porque eu sou melhor que você.

Esse sentimento de superioridade, mesmo que não explícita, é palpável nas primeiras reuniões.

Do outro lado, surgem dois comportamentos, os que se sentem inferiores e se resignam, e os que, para não sentir-se inferior, justificam terem sido comprados por terem feito um grande trabalho, porque são bons, que a empresa que comprou seria incapaz de fazer tão bem e teve que, a base do talão de cheque, adquirir seu expertise.

Neste caso, você me comprou porque tem mais dinheiro, mas eu sou melhor que você.

Se estes pensamentos já não fosse os suficientemente ruins, temos que somar outras variáveis negativas ao processo de integração.

A incerteza e o medo ao desconhecido.

O que vai acontecer?

Como vai ser a partir de agora?

A tendência natural é que a cultura que deva prevalecer é a do comprador. Mas isso não tem por que ser assim, o mais inteligente é olhar o que tem de melhor em cada uma e construir uma nova.

Não me refiro a que deva existir uma relação de igualdade, é perfeitamente compreensível que o comprador queira fazer prevalecer alguns valores básicos de sua empresa, mas ao menos ter a abertura de explorar e conhecer o outro lado.

Quando se tenta impor uma nova forma de pensar, normalmente a resistência natural de se declarar inferior sabota totalmente o processo.

Não deve haver lados, a partir de agora ambas empresas passam a ser uma, não tem melhores nem piores, compradores e comprados, e sim uma única equipe com um objetivo comum.

Obviamente isso é muito teórico e fácil de dizer, e complexo de implantar, porque uma empresa não compra outra empresa, ela incorpora pessoas, que tem seus medos, seus sonhos, seus planos, sua forma de fazer as coisas há décadas, e se isso não for considerado na aquisição, os números projetados não se cumprem.

Entender todo este processo é fundamental e o mais inteligente é trabalhar o engajamento dos novos colaboradores a um propósito, a algo que eles considerem maiores que as empresas que acabaram de fazer uma mera transação econômica.

Se são capazes de ver isso, o potencial da empresa se multiplica por N, e a integração será um sucesso.

Em empresas de alta performance, os colaboradores não seguem a chefes, nem sequer a líderes, servem a um propósito maior.

 

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Primeiro crescer, depois ajudar

Este artigo foi publicado no dia 03/03/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

A prioridade de qualquer negócio é crescer, ganhar dinheiro, a responsabilidade social corporativa vem depois

Nunca foi tão fácil empreender, porém, continua sendo extremamente difícil fazer com que o seu empreendimento funcione e sobreviva.

Existem inúmeras iniciativas, hubs de inovação, incubadora, aceleradoras, hackathon, investidores anjos, e por aí vai. Até reality show de startups na TV.

Associado a este ecossistema, inúmeros profissionais e serviços surgem como mentores e prestadores de serviços. Escolas de negócio, trazendo receitas de sucesso do Vale do Silício, enfim…

Muita coisa nova acontecendo, relativamente recente, porém, para construir algo realmente novo e disruptivo devemos romper com algumas crenças limitantes do passado.

Vou me concentrar em uma específica, porque me chamou a atenção ter surgido em uma conversa com uma pessoa que eu acabava de conhecer.

Um profissional, jovem (millennial), tomou a decisão de aplicar todo o conhecimento que adquiriu em sua carreira e empreender. Nos apresentaram, conversamos sobre a Tecno-Humanização, e ele me comentou que havia gostado, que o conceito está alinhado com o que ele pensa e acredita.

Mas, de repente, uma frase sua me golpeou o estômago. A frase não é literal, mas expressa o sentido do que ele disse: “Queremos ter um modelo consciente, mas ainda é muito cedo, precisamos crescer primeiro, depois vamos ajudar a sociedade.”

Vocês conhecem a roda de rato? Pois é…

Onde o rato corre e não chega a lugar nenhum.

Esta frase é uma verdadeira construtora de roda de rato.

É ingênuo pensar que é devo construir um modelo baseado unicamente no lucro, e pensar que depois que tiver dinheiro, vou retribuir e devolver à sociedade uma migalha do que ganhei.

Em linguagem de startup, primeiro escalar, depois give back.

O problema deste modelo é que, e se você cresce, mas fica refém do crescimento. Seja o empreendedor ou seus investidores, todos querem, e muitas vezes precisam, de crescer, crescer e crescer.

A transformação a um modelo consciente e humanizado quase sempre vem pela necessidade, quando a empresa está enfrentando problemas, precisa se reinventar e já tentou todas as alternativas tradicionais de “fazer mais com menos”.

A ideia de que primeiro é preciso crescer para depois ajudar, provavelmente, esteja baseada na crença, muitas vezes inconsciente, de que ser rentável e humanizado são posturas antagônicas.

O pensamento de “ou eu ganho dinheiro ou eu sou bonzinho” nos foi transmitido por décadas, mas não condiz com a realidade atual, por dois motivos.

O primeiro é que empresas conscientes e humanizadas são mais rentáveis e lucrativas, segundo estudos fora e no Brasil.

Segundo, porque o grau de consciência tem aumentado, a busca por empresas, produtos e serviços conscientes é cada vez maior, o número de startups que já nascem com esta pegada é enorme e muitas empresas tradicionais estão se transformando.

A televisão, até muito pouco tempo atrás, foi o principal motor do consumo e do consumismo. Hoje, a televisão já transmite programas que ensinam consumo consciente. É uma grande mudança de paradigma.

O whole foods, aplicando conceitos de capitalismo consciente, colocou em xeque o varejo americano e a maior empresa varejista do mundo, o Walmart.

Todas as empresas que atravessaram crises ou sobreviveram a grandes momentos de transformações, eram genuínas.

Se eram inovadoras, eram de verdade, se eram austeras ou agressivas comercialmente, eram de verdade.

Construa seu modelo de negócio, desde o primeiro minuto, pensando em gerar lucro, ter um impacto social e meio ambiental positivo. Se precisar de ajuda de uma metodologia para isso, busque, mas não inicie de uma forma para mudar depois, é complicar sem necessidade, e o pior, nem sempre é possível.

Se você quer sobreviver em uma era de propósito, consciência e humanização, seja genuíno, e construa um negócio Tecno-Humanizado.

 

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Como medir o ROI da humanização em tempo de transformação digital?

Este artigo foi publicado: no dia 12/11/2019 na minha coluna no R7 e no portal Inova360.

 

Precisamos rever os conceitos de ativos intangíveis na era do propósito

É possível medir o retorno de um abraço, da sinergia ou do propósito?

Não há dúvidas de que para gerir um negócio é preciso quantificar as ações e os investimentos.

E a necessidade de controlar os recursos e otimizar os resultados das últimas décadas gerou uma cultura de quantificação de qualquer ação ou investimento realizados pela empresa.

Na década de 70 Gartner criou o conceito de ROI1 (Return on Investment) que, traduzindo para o português, significa Retorno sobre o Investimento.

Outro indicador de gestão muito utilizado é o Payback, porque, tão importante quanto saber qual é o retorno sobre o investimento, é saber em quanto tempo eu vou recuperar os recursos investidos.

Em uma empresa bem administrada não se faz nada sem medir o ROI e a contribuição desta forma de atuar para a economia foi enorme. Graças a isto muitas empresas conseguiram manter suas as portas abertas ou crescer.

Estes conceitos foram levados às escolas de negócio e moldaram os executivos das décadas de 70 e 80.

Em seguida, surgiu a primeira dificuldade. Percebeu-se que a empresa possui muitos ativos intangíveis, como a marca, patentes, direitos autorais, licenças e franquias, dentre outros. E assim, surgiram especialistas em calcular, ou ao menos estimar, o valor destes ativos intangíveis.

Para que isso não se convertesse em achismo, o estado tivesse controle sobre os impostos, a concorrência entre empresas fosse leal e o mercado pudesse medir o valor e o desempenho das empresas de forma equânime, se fez necessário a criação de normas contábeis específicas e minimamente convergentes no âmbito internacional das mesmas.

Desta forma, tudo voltou ao seu devido lugar segundo os gestores, entenda-se, a boa e velha planilha. Tudo se mede, tudo se calcula e tudo se controla.

Os presidentes executivos voltaram a dormir tranquilos.

Com o crescimento das empresas de internet, baseadas em software, chegou a próxima dificuldade. Sim, o software já era contemplado nas normas contábeis como um ativo intangível, porém, neste caso é diferente. Não se trata de um bem adquirido pela empresa para gerir seu negócio, e sim, trata-se de o negócio em si; o software é a empresa ou a empresa é o software.

As avaliações são as mais diversas e as estimações muitas vezes das mais originais. Disto falaremos no próximo artigo sobre Valuation e a possível bolha que está se formando.

Voltando à mensuração das atividades atuais, a dificuldade chegou com a transformação digital. As empresas têm investido muito dinheiro em seus processos de transformação digital e, seguindo as recomendações dos gurus, fomentando-a como ponto principal da melhora na experiência do cliente (CX).

Medir o ROI da experiência do cliente passou a ser o desafio das empresas, segundo uma pesquisa do Gartner1. Em 2016 apenas 10% das empresas que investiram em CX conseguiram medir seu retorno, que é uma taxa muito baixa.

Quanto ao restante de empresas, 22% verificavam o retorno de maneira informal e sem dados financeiros, 23% esperavam conseguir medir no futuro, 13% não viam nenhum tipo de retorno e 14% não tinham certeza sobre a eficácia do investimento.

Porém, no ano seguinte, a pesquisa mostrou o crescimento das empresas que mediam formalmente o ROI dos investimentos em CX, chegando a 48%.

Estas medições são feitas através de KPI – sigla em inglês para “Key Performance Indicator”, que poderíamos traduzir como Indicadores Chaves.

Por exemplo, os principais KPIs utilizados para medir a experiência do cliente são o valor da vida útil do cliente, que é uma projeção simples de quanta receita um cliente pode, em média, gerar para a empresa – up-sell e cross-sell e a taxa de conversão.

Agora os presidentes executivos podem dormir tranquilos novamente?

Claro que não!!!

Ao menos em minha opinião, não deveriam.

Por dois motivos:

1º. Alguns destes cálculos são baseados em projeções e estimativas;

2º. Segundo e principal motivo é que nos últimos anos iniciamos uma nova era, onde o intangível não é mais somente o software ou a marca, incluímos duas variáveis nas organizações que nem o Comitê de Pronunciamentos Contábeis e muito menos a maioria dos gestores sabem como fazer para medir o ROI: Comportamento e Emoções.

Houve uma mudança brutal no comportamento das novas gerações e as emoções começaram a ser mostradas e devem ser consideradas dentro das organizações, como vimos no artigo Portal do Profissionalismo, onde as empresas não contratam um profissional e sim um ser humano completo.

Embora a discussão não deveria ser se a empresa deve ou não investir em propósito, felicidade, conscientização ou humanização, porque para a Tecno-Humanização este debate já deveria fazer parte do passado, ainda há muito trabalho por fazer neste campo.

Pasmem, mas ainda existem muitos executivos presos a um passado em que se buscava quantificar e controlar a quantidade de idas ao banheiro dos empregados. Sim, empregados, porque neste caso não posso usar o termo colaborador. Aqui, quando digo passado, não me refiro ao tempo cronológico, e sim, à mentalidade dos executivos.

Não nos surpreende o fato de, em geral, serem os mesmos executivos que se perguntam porque estão encontrando tantas dificuldades para captar e engajar talentos em suas empresas e melhorar seus resultados.

E de quem é a culpa?

Provavelmente eles devem considerar que, primeiro, é por culpa da falta de comprometimento desta nova geração de insolentes e descomprometidos e, segundo pela crise econômica.

Aqui, o nosso trabalho é ajuda-los a mudar o Mindset.

Vencida esta fase, a questão agora é se devemos medir estas ações.

Investir em felicidade e humanização sim é matemático e mensurável, mas não espere e não busque o ROI de cada ação que realize. A Tecno-Humanização te dará um retorno enorme no triple bottom line, a empresa será mais rentável e consciente, porque as ações e os investimentos em conscientização e humanização não se medem em si mesmas, e sim, nos resultados globais da empresa, frente aos aspectos econômico, social e meio-ambiental.

Portanto, reformulo a pergunta que fiz no início do artigo.

É necessário medir o retorno de um abraço, da sinergia ou do propósito?

 

1. ROI é um termo muito comum no mundo dos negócios e quer dizer retorno sobre algum investimento realizado.

2. Pesquisa Gartner

 

Imagem: Pexel

O desemprego pós-transformação digital

Este artigo foi publicado: no dia 08/10/2019 na minha coluna no R7 e no portal Inova360.

 

Já passamos da fase de perguntar se a transformação digital vai destruir postos de trabalho, agora a questão é como lidar com isso

O que o trabalho representa pra você?

Depende quem seja o seu interlocutor a resposta será diferente.

Para o empresário com propósito, o caminho para mudar o mundo ganhando dinheiro.

Para o empresário sem propósito, uma forma de ganhar dinheiro mudando o mundo (ou não).

Existe um grupo que diz que é um mal necessário, outro que ama o que faz, que é vocacional, e para a imensa maioria das pessoas, uma forma de subsistência, o ganha-pão.

Mas existe um denominador comum entre todos eles, consciente ou inconscientemente, todos sentem realizados ao ver o resultado de seu trabalho e esforço.

Não importa se a motivação é a necessidade ou a paixão, todos, sem exceção, ao realizar um bom trabalho se sentem bem consigo mesmo.

Conheço pessoas que maldizem o domingo a noite, e reclamam a cada manhã de seu trabalho, de seu chefe, de seus colegas, porém quando o perdem… é um drama.

O trabalho tem um papel fundamental, tanto socialmente como em nossa estrutura mental, não somente pelo fator econômico, mas pela dignidade que outorga a quem o realiza.

Do outro lado da mesa, o lado do empregador, a palavra de ordem nas organizações é otimizar recursos e automatizar, pensando em redução de custos.

Há alguns meses, eu recebi em vários grupos de WhatsApp que participo um vídeo de uma fábrica cervejeira totalmente automatizada.

Em um extremo os apaixonados por tecnologia exaltando as maravilhas da robótica e dizendo que este é o futuro, no outro, sindicalistas abominando a eliminação de mão de obra.

Desde o ponto de vista da Tecno-Humanização, consideramos que nenhuma empresa, hoje em dia, sobreviveria sem tecnologia, porém, nenhuma sociedade existiria sem pessoas.

As empresas devem ser conscientes disso, pensar somente na redução de custos é uma visão míope, de curto prazo e chega a ser irresponsável.

Vamos extrapolar o exemplo desta fábrica a todas as empresas que buscam a tão sonhada otimização de recursos (levada ao extremo).

Pessoas sem trabalho não consomem!

Se automatizarmos todas as fábricas, teremos as empresas mais otimizadas do cemitério.

A empresa quebra porque não tem clientes.

E as pessoas morrem de inanição porque não tem trabalho.

Me desculpem a inocência, talvez eu tenha uma visão romântica (e utópica) do mundo, mas alguém pode me explicar como este modelo socioeconômico, criado por executivos “inteligentes”, se sustenta além do fechamento do ano fiscal?

Sinceramente, foge à minha compreensão que estes executivos não enxerguem como este modelo é autodestrutivo. Gera um desequilíbrio que simplesmente nos levaria ao caos.

Mas quem se importa com o próximo ano se o único que interessa é o fechamento deste ano fiscal? Melhor dizendo, o bônus se bater as metas este ano.

No seriado Designated Survivor (S2 Ep4), o presidente dos EUA pede a um grande empresário para reduzir o ritmo da automatização de suas fábricas. O motivo? Frear o desemprego.

O empresário diz, “isso vai me custar uma fortuna” e pergunta “e por quê eu faria isso?”

Mas o que mais me chamou a atenção foi a forma que utiliza para se autoconvencer que “isso é assim”.

“Sr. presidente, o futuro está chegando você querendo ou não, você pode tentar conter essa corrente, mas um dia a represa vai acabar rompendo”.

 

 

As vezes assumimos que as coisas vão acontecer independentemente de nossas ações, por geração espontânea, como forma de nos sentirmos melhores por fazer coisas das quais não nos orgulhamos.

É como dizer que, isso vai acontecer de qualquer forma, portanto, se eu não fizer outro fará, então faço eu.

Me desculpem de novo, mas a destruição massiva de postos de trabalho, e o caos derivado da mesma, só vai acontecer se quisermos e fizermos com que aconteça. O que acontecerá no futuro é absolutamente consequência das decisões que tomemos hoje, e a responsabilidade é total e exclusivamente nossa.

A preocupação do presidente na serie é justa e também ocorre na vida real. Existem grupos de discussões, tanto na Europa como nos EUA, buscando alternativas para que o desemprego massivo que teremos não gere um caos social.

É muito comum que me peçam, em minhas palestras e treinamentos, minha visão sobre se as empresas devem automatizar as fábricas ou aplicar tecnologia para automatizar processos.

Automatização, sim!

Automatização total, não!

Até onde as empresas devem ir?

Onde está o limite?

Não existe receita pronta, cada empresa é uma empresa, cada ciclo produtivo é diferente assim como a cultura organizacional de cada organização.

Conheço empresas, como por exemplo a Sarah Oliver Handbags, que produzia bolsas de crochês com anciãos de casas de repouso americanas. Se levassem a produção à China ou a automatizassem conseguiriam reduzir o custo em mais de 60%, porém preferiam causar impacto positivo nos idosos locais, dando-lhes um trabalho e dignidade. Seus clientes reconheciam isso e compravam as bolsas mesmo sendo mais caros.

A Tecno-Humanização eleva o nível de consciência e humanização da empresa para que ela seja capaz de decidir onde coloca a sua barra.

De qualquer forma, isso ajuda, mas não evita o desemprego.

O segundo ponto é saber como tratar os casos de desligamento, inevitáveis do processo de transformação digital.

Existem muitas coisas que podem ser feitas.

Criar ecossistemas produtivos para estas pessoas.

Dar orientações, treinamentos e formação de diferentes tipos, mostrar que o mundo mudou (e muito), debater sobre o futuro das profissões, orientações sobre empreendedorismo, e principalmente alertar que, daqui pra frente, muita gente não vai viver de um emprego e sim de seu talento conectado em rede.

Eu comecei este artigo perguntando o que o trabalho representa pra você?

Sou consciente da importância do trabalho e também das consequências pela falta dele.

Mas eu não me preocupo pelo emprego, e sim com o ser humano que está por trás dele.

E você?

 

Imagens:  Pixabay

Os efeitos do excesso de tecnologia no ser humano e nas empresas

 

Este artigo foi publicado: no dia 01/10/2019 em minha coluna no portal R7 e no portal Inova360.

 

Todo excesso causa patologia! E o excesso de tecnologia está provocando doenças nas pessoas e problemas nas empresas

Pela primeira vez na história a quantidade de tecnologia disponível supera a nossa capacidade de assimilação e compreensão.

Esta é uma afirmação dura, porém verdadeira.

Vou tratar este tema em duas partes, primeiro falando sobre o impacto nas pessoas e depois nas empresas.

Você já teve a sensação de que foi superado pela quantidade de tecnologia e que não entende mais tudo o que está acontecendo à sua volta?

A cada bate-papo com amigos aprendemos a usar uma função nova que ainda não conhecíamos em nossos aplicativos ou instalamos algo novo que ainda não tínhamos.

Após mais de 6 milhões de anos de evolução e haver superado tantas dificuldades, o ser humano tem a falsa sensação de que controla tudo.

De repente, a quantidade de tecnologia desbordou esta sensação de controle.

E agora?

Todo excesso é prejudicial, sem exceção.

Nos inícios dos anos 90, o psicólogo britânico David Lewis, publicou um artigo “Dying for information” (Morrendo pela informação), e propôs o termo, Síndrome de Fatiga de Informação (IFS – Information Fatigue Syndromme). Com este artigo se iniciou um estudo que finalmente, em 1999, culminou em um livro “Information Overload”.

Após duas décadas, a quantidade de informação se multiplicou de forma exponencial, aumentaram os canais e a velocidade que ela circula e agravou este distúrbio.

Embora isso continue sendo um problema, em algumas pessoas disparou-se um mecanismo de defesa a este excesso de informação que é o de passar a ignorar toda a informação.

O cérebro diz, se eu não posso assimilar e filtrar toda a informação, eu simplesmente bloqueio e ignoro. O extremo de tentar ler e entender tudo não é bom, o de ignorar também não…

Mas antes mesmo de resolvermos este problema já surgiu outro, que talvez devesse ser chamada de Incapacidade de Assimilação da Tecnologia, ou para manter o padrão do IFS, TAI (Technology Absorption Inability).

A falta de capacidade de entender o processo de transformação tecnológica é tão grande, a falta de visão e de respostas sobre o futuro das profissões e dos postos de trabalhos derivados do processo de transformação digital é tão exageradamente grande, que está contribuindo fortemente para o aumento do Transtorno de Ansiedade.

Como apontado, o segundo motivo para humanizar as empresas no artigo – Entenda porque humanizar as empresas é necessário, urgente e rentável – mostramos que o Brasil é o campeão mundial de Transtorno de ansiedade quase três vezes acima da média mundial.

Este problema impacta as organizações de duas maneiras, a primeira é pelo absenteísmo. A depressão e o transtorno de ansiedade, segundo dados do Ministério do Trabalho, é a segunda causa de adoecimento no trabalho e a primeira causa de afastamento. Se as empresas não quiserem olhar pelo lado humano (que deveriam), ao menos que o façam pelo impacto e interesse econômico.

Construímos empresas que nos adoecem e isso não é motivo de orgulho para nenhum de nós.

O segundo problema que as empresas se enfrentam é que, ao existir tanta tecnologia, dedicam uma quantidade enorme de tempo em escolher uma tecnologia, estudam como integrar com as tecnologias atuais, iniciam a implantação e, em muitas ocasiões, antes mesmo de terminar já surgiu outra tecnologia.

Se a empresa cair na armadilha de focar somente na tecnologia, sem entender que ela é somente um meio e não um fim em si mesma corre o risco de ficar presa em uma teia de aranha onde faz muito esforço, investe alta soma e não sai do lugar.

Para profissionais liberais ou pequenos empreendedores esta situação também gera muita angústia, porque eles normalmente não têm conhecimentos nem equipe técnica para ajuda-los neste processo.

Em um workshop recente, uma participante disse que havia decidido fazer o workshop porque a falta de conhecimento profundo sobre o impacto da tecnologia no negócio dela, e isso lhe gerava angústia.

A incerteza tem um poder destrutivo muito grande em nossas vidas e empresas, não nos podemos permitir o luxo deixar que se instale em nós.

Então como devemos atuar?

Proibir e limitar as tecnologias?

Só de escrever a palavra proibir me provocou rechaço. Isto, em minha opinião está fora de cogitação.

Seria a mesma bobagem que se discutiu quando surgiu o documentário Super Size Me, alguém consumiu, de forma voluntária, durante 30 dias comida processada do McDonald’s, engordou e teve vários distúrbios em sua saúde.

Devemos proibir o fast food?

Claro que não!

Cada um deve controlar o próprio consumo.

No máximo, podemos fazer como o documentário e questionar o marketing, o incentivo inconsciente deste tipo de alimentação, os gatilhos mentais e técnicas utilizadas para atrair crianças, enfim, tudo isso é melhorável, porém, jamais proibir.

Da mesma forma acontece com a tecnologia, não devemos demoniza-la, e sim, aprender a utiliza-la a nosso favor.

O melhor, e talvez único, caminho para as empresas não caírem na roda de rota, de onde provavelmente fiquem pressas, correndo sem sair do lugar, fazendo investimento de milhões em tecnologia e avançando muito pouco (ou nada) seria contratar um profissional especializado em transformação, que entenda de tecnologia porém que tenha como principal característica e linha de trabalho, um perfil humanista.

Que coloque as pessoas no centro do processo de inovação e transformação digital e entenda que a tecnologia está para nos servir e que é um meio e não um fim.

Imagens:  Pixabay

Inovações com (e sem) propósito

Este artigo foi publicado no dia 23/07/2019 em minha coluna no portal portal R7 e no portal Inova360.

 

Nunca tivemos tantas oportunidades de construir empresas rentáveis e uma sociedade melhor por meio da inovação

Há dois anos eu assisti uma palestra, onde havia um slide mostrando que, segundo a McKinsey, 85% dos CEOs consideravam que seus modelos de negócio estavam em risco e somente 8% mostravam-se satisfeitos com seus processos de inovação.

Em dois anos, muita coisa aconteceu, temos mais tecnologia que nunca, recursos, metodologia, conhecimentos e muita necessidade em todos os âmbitos da sociedade e dos negócios, portanto, todos os ingredientes para inovar.

Porém, há algumas semanas, para minha surpresa, me deparo com este gráfico abaixo extraído dos resultados do Gartner Survey 2019.

Os altos executivos continuam pensando em crescimento, porém não priorizam a inovação.

Crescer sem inovar, só tem um caminho, maximizar receita canibalizando market share do concorrente, e muitas vezes penalizando a rentabilidade para isso, e reduzindo custo, seja via reestruturação, otimização de processos e aplicando tecnologia que substitui mão-de-obra não criativa.

Há três problemas aqui, primeiro pensar em crescimento e não em desenvolvimento. É muito diferente uma coisa da outra e publicarei um artigo sobre isso na próxima semana. O segundo problema é que o caminho de “fazer mais com menos” está esgotado. Não me refiro às empresas mal administradas, que ainda tem caminho por percorrer neste aspecto, falo em nome dos profissionais que já não aguentam mais este modelo. Este tipo de ação é um verdadeiro espanta talentos, porque está baseado na pressão desmedida e no crescimento soma zero que, para um ganhar, o outro tem que perder. O terceiro e preocupante ponto está na baixa prioridade da inovação.

Ainda temos muitos empresários que pensam que inovar é para grandes empresas, para multinacionais ou que são necessários investimentos milionários. No outro extremo, tem os que pensam que basta montar uma sala colorida, puffs, mesas de ping pong, liberar o dress code e flexibilizar os horários.

Outro dia me deparei com um diretor de marketing de uma grande empresa que buscava um palestrante para um evento que estavam organizando e o requisito básico era que o palestrante tivesse feito algum curso na Singularity, como se isso fosse garantia de conhecimento em inovação.

Óbvio que a Singularity é uma referência e seus cursos são ótimos, porém não o são por si só. Neste caso, a visão era tão pobre que não importava o conteúdo, bastava dizer que esteve lá.

Inovações pouco úteis

Deixando as que não inovam e as que só se preocupam em aparentar que são inovadoras sem ser, por incrível que pareça, há um grupo pior ainda. O grupo das empresas que gastam mal os recursos e inovam sem nenhum propósito.

Outro dia eu me deparei com um post, em uma rede social, onde estavam comentando o incrível que era umas cadeiras que possuíam motores nas rodas, vários sensores, e tudo isso para que?

Para que, quando acabasse o expediente no escritório ou a reunião, bastasse bater palma e as cadeiras voltariam ao seu lugar.

O que a empresa ganharia com isso? Economizar o salário da pessoa que arruma as cadeiras? Como empresa e como sociedade, não seria melhor dedicar o esforço em educar as pessoas para cada uma colocar a sua cadeira no lugar e investir este dinheiro e tecnologia em melhorar a qualidade de vida de pessoas sem mobilidade? Este é um claro exemplo de inovação sem propósito.

Ainda bem que eu pesquisei e descobri que as cadeiras foram lançadas pela Nissam (sim, a dos carros) e se trata apenas de uma campanha publicitária para mostrar e testar o seu sistema de estacionamento automático. Outro ponto negativo para a pessoa que postou a informação. Além elogiar uma tecnologia absurda, em minha opinião, não checou a fonte, pois não se tratava de um produto comercial real.

Mas as reflexões feitas anteriormente continuam sendo válidas. Eu trouxe esse exemplo por não se tratar de um produto real (não quero ofender nenhum produto mesmo que ao meu modo de ver seja inútil), eu só quero mostrar como empresas desaproveitam a tecnologia com inovações pouco úteis.

Olhar diferente para o que nos rodeia

Para nossa sorte, a imensa maioria de startups que surgem buscam, por meio da inovação, construir um mundo melhor, e suas inovações passam a ser seu diferencial competitivo.

Inovar não depende exclusivamente de tecnologia ou grandes investimentos, basta ter um olhar diferente para as coisas que nos rodeiam e buscar soluções, de produtos, serviços ou modelos de negócios diferentes.

Vemos empresas como a Bananatex, que criou o primeiro tecido durável do mundo feito com folha da bananeira e impermeável com cera de abelha (assista o vídeo ao final do artigo).

A Function X, que anunciou que lançará no final de 2019 o primeiro celular P2P baseado em blockchain. Isso elimina totalmente as operadoras e garante a segurança da informação.

Sim, estas tecnologias precisaram de altos investimentos, porém, por outro lado temos exemplos onde inovar não está relacionado com investimento e sim com um olhar diferente e desejo de construir um mundo melhor.

Podemos citar a Zerezes, empresa brasileira que fabrica armação de óculos com materiais reciclados, e o carro chefe são as armações de madeira, ou ainda a Fruta Imperfeita, que vende cestas de frutas e legumes imperfeitos na estética, porém perfeitos de sabores. Estas frutas e legumes seriam descartados para o consumo, apodreciam e seriam jogados fora.

O denominador comum destas empresas é a geração de competitividade e rentabilidade com impactos positivos, tanto social como de meio ambiente

Inovação não faz sentido se não for para gerar abundância e inclusão social.

Assista o video do canal observatório BE&SK.

Imagem: Pixabay

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