Iluminismo Tecno-Humanizado: Inovação, tecnologia, negócio, consciência e humanização

Este artigo foi publicado no dia 18/11/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

A ignorância é uma benção, mas ao ler este artigo você não poderá alega-la, terá que escolher: Seguir o atual ou o Iluminismo Tecno-Humanizado. 

Analisando a história, encontramos aprendizados que nos trouxeram até aqui como sociedade, e analisando o momento atual vemos o que devemos fazer para construir o futuro.

O Renascimento (século XIV – XVI), recebeu este nome devido a enorme revalorização à antiguidade clássica, porém com grandes transformações no âmbito político, cultural, social e econômico. Por exemplo, foi neste período que se produziu a transição do feudalismo ao capitalismo.

O ser humano ganhou espaço e passou a ser colocado no centro da criação, o que deu nome à principal corrente de pensamento da época, o humanismo.

No final do Renascimento (XVI) o surgimento de mentes brilhantes que construíram um movimento cultural e científico sem precedentes até o momento, iniciando a primeira Revolução científica.

Entre os séculos XVII e XVIII a Revolução científica continuou, porém dentro do período criativo mais rico da humanidade, o Iluminismo.

As ideias estavam centradas na razão como principal fonte de autoridade e defendiam ideais como liberdade, progresso, tolerância e fraternidade.

Estes ideais claramente foram se perdendo até os dias de hoje por diferentes motivos e nas últimas décadas construímos uma sociedade ilusoriamente próspera.

Nunca tivemos acesso a tantos bens de consumo e acesso a tanta tecnologia, mas isso não tem impedido que sejamos infelizes.

Hoje, em teoria, ninguém morre de uma simples infecção de dente, ou de doenças que matavam há um século, temos mais saneamento básico e conforto, e isso transmite uma sensação equivocada de segurança e progresso.

Obvio que estou generalizando e sei que ainda temos muito a fazer.

Mas é inegável que evoluímos bastante e tem gente pensando que isso é suficiente.

O modelo construído está baseado em que a sociedade do bem-estar está diretamente relacionada com o consumo. Ele é o combustível das empresas e o motor do consumidor.

Este modelo só para em pé se as empresas continuarem produzindo, crescendo e gerando lucro a seus acionistas, por outro lado as pessoas só são felizes quando compram e recebem sua dose de dopamina pela recompensa de ter conseguido um objetivo material.

Tenho a sensação de que as novas gerações sabem que este modelo é nocivo, que deixou um rastro de sangue enorme e que não estão dispostos a repetir o mesmo erro.

Cada dia surgem startups com impactos sociais e meio ambientais positivos. Elas são mais valorizadas pelos investidores, pelos clientes e pela sociedade.

Temos todos os ingredientes para construir um novo movimento que pode marcar uma época.

O século XXI não é uma continuação do século XX, é o momento de reconstruir o que foi destruído, corrigir os erros cometidos, explorar as ferramentas que temos à disposição, que são muitas.

Temos uma nova geração mais consciente, a pandemia elevou o nível de consciência e humanização das pessoas, e temos mais tecnologia e conhecimento do que podemos utilizar.

Se unirmos a tecnologia disponível e aplicarmos com consciência podemos mudar o rumo da história e construir uma sociedade, como o nosso propósito descreve, próspera e fraterna.

Colocar este conhecimento a disposição das startups é, no mínimo responsável, ignora-lo e seguir aplicando as fórmulas antigas para criar o novo é medíocre, se for por ignorância ou egoísta se for por interesse.

Estamos diante de uma grande oportunidade, podemos criar o novo Iluminismo Tecno-Humanizado. Explorar a riqueza da inovação, aplicando tecnologia para humanizar as empresas.

Temos o poder da escolha, podemos seguir o caminho da inércia e nos deixar levar pelo fácil e obvio ou ser promotores de um movimento que deixará um legado positivo para as próximas gerações.

E você? Qual é a sua escolha?

 

Imagem: Pixabay

Como ganhar mercado através de conquistar o coração do cliente

Este artigo foi publicado no dia 09/11/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

Produtos de qualidade, preços competitivos, customer centric, experiência do cliente, e uma infinidade de técnicas e tendências que já não são suficientes

Crescer, crescer e crescer!

Aprendemos nas últimas décadas que todo negócio deve crescer, portanto ganhar market share tem sido obrigatório.

Encontrar nichos de mercado, oceanos azuis, novos negócios, enfim, seja o conceito ou a nomenclatura que for, o crescimento é o objetivo.

E este direcionamento é perfeitamente compreensível, enquanto a empresa cresce se fortalece no mercado e, na imensa maioria das vezes, por consequência enfraquece seus concorrentes.

Durante um tempo, muitos consultores aplicavam a alegoria de que um negócio é como uma bicicleta, se parar de pedalar a empresa cai.

Isso fazia sentido, porém, esta orientação ao crescimento ano após ano foi esgotando os espaços de mercado, e passamos a trabalhar para “roubar” mercado da concorrência.

Isso levou as empresas a buscarem diferenciação e a otimização de processos e custos, sem dúvida isso teve o seu lado positivo porque permitiu o surgimento de muitas ferramentas e metodologias e profissionalizar a gestão.

Além de buscar aumentar cota de mercado, o que representa um crescimento horizontal, muitas empresas buscam aumentar sua participação dentro dos próprios clientes, o que se denomina aumentar o share of wallet.

Até este ponto tudo funcionou, porém, a mesma motivação do crescimento ilimitado que fez com que as empresas e a economia crescessem é a mesma que contraria um dos princípios da Teoria Geral da Administração, que os recursos são finitos.

Enquanto há espaço para crescer, enquanto as coisas vão bem, todo mundo é bom e ético. Só conhecemos o caráter de um executivo quando as coisas estão difíceis.

E nos últimos anos vimos uma enorme quantidade de deslizes éticos em nome de um “bem maior”, seja ele manter os postos de trabalho da equipe, da geração de novos empregos ou da arrecadação de impostos. Isso sim, tudo amparado pela falsa segurança que transmite a governança corporativa. Para saber mais, ler o artigo Governança corporativa não garante ética.

O crescimento se mostrou nocivo, por isso a Tecno-Humanização recomenda que as empresas elaborem seus planos baseados no desenvolvimento e não no crescimento. Para entender a diferença, leia o artigo Crescimento vs. Desenvolvimento.

O desenvolvimento é mais amplo e tem o crescimento como parte de seu conceito.

Porém, a forma que a Tecno-Humanização orienta as empresas a ampliarem sua participação nos orçamentos de seus clientes (share of wallet) é aumentando o share of heart, ou seja, aumentado o espaço no coração de seus clientes.

Há cinco anos a conquista de clientes pelo engajamento a um propósito, por ser uma empresa consciente, pela humanização era apenas uma tendência, hoje é uma necessidade.

Para que o conceito do share of heart fique mais claro podemos citar como exemplo o que a marca de roupa Reserva fez no dia das mães de 2019.

A Reserva decidiu fechar todas as lojas no dia das mães, que é o considerado o segundo dia mais forte do comércio, depois do Natal.

O fechamento implicou a perda de 5% da receita do mês, porém, para ser coerente com o que a empresa acredita, tomaram a decisão de comunicar a seus clientes e pedir que antecipassem suas compras.

A justificativa para a ação era “porque nossos colaboradores também têm mãe” e merecem passar este dia com elas.

A marca não revelou o impacto da ação, mas os resultados da Reserva têm crescidos todos os anos, até o ponto de ser tornar atrativa e fazer uma aliança com o grupo Arezzo&Co criando o maior grupo de moda e lifestyle do país.

Para aumentar as vendas as vezes não é necessário fazer promoções, ou lançar novas coleções, basta conquistar o coração de seus clientes, trocando o share of wallet pelo share of heart.

É preciso ter coragem para criar modelos de negócios conscientes e humanizados

Este artigo foi publicado no dia 03/11/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

Devemos ser gratos ao que conquistamos nas últimas décadas e riqueza gerada, mas chegou a hora de reconhecer que é o momento de mudar a forma de fazer negócios

O que você acharia se o governo decidisse que você não tem o direito de comprar o seu próprio carro, que ele se autoproclamasse responsável de repartir a riqueza e definisse que, como não há dinheiro para comprar carro pra todo mundo, além do transporte público, o meio de locomoção individual será bicicleta para todos. Porém, pelo histórico deste modelo, com o tempo tão pouco haveria recursos para manter as bicicletas, e elas ficariam velhas, obsoletas e malcuidadas.

Este cenário não funciona e sou totalmente contrário a ele porque acredito na propriedade privada, na meritocracia e na liberdade de escolha.

Mas quando olho para o outro modelo, no que eu acreditava, o cenário que vejo é, pessoas que se convenceram que comprando 5 carros de luxo estão gerando emprego para que outros possam andar com suas bicicletas velhas, e mais, o imposto gerado fará com que o estado construa ciclovias.

A teoria é boa, funcionou por muito tempo, porém ao incluirmos o ego e a avareza corporativa na equação, o modelo desmoronou.

Não acredito em sociedades que nivelam por baixo a pessoas com talentos e capacidades diferentes.

Mas também não acredito em um modelo onde há uma concentração de riqueza a ponto de gerar um desequilíbrio social que nos leve ao caos.

Segundo o relatório de Oxfam, Recompensem o trabalho, e não a riqueza, de toda a riqueza gerada no mundo em 2017, 82% foi parar nas mãos do 1% mais rico do planeta. Enquanto isso, a metade mais pobre da população global – 3,7 bilhões de pessoas – não ficou com nada.

Estes números demonstram que o modelo socioeconômico que temos, está esgotado.

O modelo corporativo que busca somente o lucro pelo lucro, e menos ainda ao que buscam somente o lucro justificando que estão criando riqueza para todos.

Somos parte de um ecossistema único, vivemos em sociedade e, inevitavelmente há uma interdependência de todos.

A inconsciência corporativa de fazer mais com menos e de crescer dois dígitos ano sobre ano por tempo ilimitado, sem se importar com as consequências provocadas nos levaram ao limite do aceitável.

As políticas de crescimento agressivas e sem limites corromperam o modelo de economia de mercado, que até o momento era o melhor modelo que disponível e agora geram tanto ou mais problemas que soluções.

O ex-primeiro ministro britânico Benjamin Disraeli disse:

Uma sociedade só tem chance quando os homens de bem tem a mesma audácia que os corruptos”.

Esta frase foi dita no contexto político, mas se pensarmos que todos nós, seja por ambição desmedida ou simplesmente por covardia, corrompemos um modelo e provocamos um desequilibro que nos prejudica a nós mesmo.

Chegou a hora, na verdade já passou o momento de reinventar o capitalismo, melhora-lo, aproveitar tudo o que ele tem de bom, que são muitas coisas, e corrigir os pontos que não funcionaram que também são muitos.

Construir uma economia próspera baseada na empatia e na compaixão não é trivial.

É complexo porque existem muitas crenças e paradigmas que foram construídos nas últimas décadas, incluso que contam com o aval dos resultados porque funcionaram durante um tempo.

É muito mais fácil seguir a corrente e se esconder atrás dos clichês de que “isso é assim”, “esse é o jogo” ou “eu não posso fazer nada”.

A frase mais covarde que um executivo pode dizer, após fazer algo que ele sabe que não está bem ou que ele não acredita, é:

“Se eu não fizer alguém vai fazer”.

Se não estamos satisfeitos com a sociedade em que vivemos, façamos algo para mudar. Se não estamos felizes, façamos algo para ser.

Criar empresas humanizadas, que constroem uma sociedade melhor, requer coragem e humildade.

Humildade para reconhecer que o modelo atual está esgotado.

E coragem para colocar como prioridade o coletivo e colocar o ser humano no centro do processo de transformação.

Aplicar a tecnologia para humanizar empresas, resistir a tentação de deixar o fácil para fazer o correto.

E aprender a criar riqueza sem gerar miséria com a Tecno-Humanização.

 

Imagem: Pixabay