Iluminismo Tecno-Humanizado: Inovação, tecnologia, negócio, consciência e humanização

Este artigo foi publicado no dia 18/11/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

A ignorância é uma benção, mas ao ler este artigo você não poderá alega-la, terá que escolher: Seguir o atual ou o Iluminismo Tecno-Humanizado. 

Analisando a história, encontramos aprendizados que nos trouxeram até aqui como sociedade, e analisando o momento atual vemos o que devemos fazer para construir o futuro.

O Renascimento (século XIV – XVI), recebeu este nome devido a enorme revalorização à antiguidade clássica, porém com grandes transformações no âmbito político, cultural, social e econômico. Por exemplo, foi neste período que se produziu a transição do feudalismo ao capitalismo.

O ser humano ganhou espaço e passou a ser colocado no centro da criação, o que deu nome à principal corrente de pensamento da época, o humanismo.

No final do Renascimento (XVI) o surgimento de mentes brilhantes que construíram um movimento cultural e científico sem precedentes até o momento, iniciando a primeira Revolução científica.

Entre os séculos XVII e XVIII a Revolução científica continuou, porém dentro do período criativo mais rico da humanidade, o Iluminismo.

As ideias estavam centradas na razão como principal fonte de autoridade e defendiam ideais como liberdade, progresso, tolerância e fraternidade.

Estes ideais claramente foram se perdendo até os dias de hoje por diferentes motivos e nas últimas décadas construímos uma sociedade ilusoriamente próspera.

Nunca tivemos acesso a tantos bens de consumo e acesso a tanta tecnologia, mas isso não tem impedido que sejamos infelizes.

Hoje, em teoria, ninguém morre de uma simples infecção de dente, ou de doenças que matavam há um século, temos mais saneamento básico e conforto, e isso transmite uma sensação equivocada de segurança e progresso.

Obvio que estou generalizando e sei que ainda temos muito a fazer.

Mas é inegável que evoluímos bastante e tem gente pensando que isso é suficiente.

O modelo construído está baseado em que a sociedade do bem-estar está diretamente relacionada com o consumo. Ele é o combustível das empresas e o motor do consumidor.

Este modelo só para em pé se as empresas continuarem produzindo, crescendo e gerando lucro a seus acionistas, por outro lado as pessoas só são felizes quando compram e recebem sua dose de dopamina pela recompensa de ter conseguido um objetivo material.

Tenho a sensação de que as novas gerações sabem que este modelo é nocivo, que deixou um rastro de sangue enorme e que não estão dispostos a repetir o mesmo erro.

Cada dia surgem startups com impactos sociais e meio ambientais positivos. Elas são mais valorizadas pelos investidores, pelos clientes e pela sociedade.

Temos todos os ingredientes para construir um novo movimento que pode marcar uma época.

O século XXI não é uma continuação do século XX, é o momento de reconstruir o que foi destruído, corrigir os erros cometidos, explorar as ferramentas que temos à disposição, que são muitas.

Temos uma nova geração mais consciente, a pandemia elevou o nível de consciência e humanização das pessoas, e temos mais tecnologia e conhecimento do que podemos utilizar.

Se unirmos a tecnologia disponível e aplicarmos com consciência podemos mudar o rumo da história e construir uma sociedade, como o nosso propósito descreve, próspera e fraterna.

Colocar este conhecimento a disposição das startups é, no mínimo responsável, ignora-lo e seguir aplicando as fórmulas antigas para criar o novo é medíocre, se for por ignorância ou egoísta se for por interesse.

Estamos diante de uma grande oportunidade, podemos criar o novo Iluminismo Tecno-Humanizado. Explorar a riqueza da inovação, aplicando tecnologia para humanizar as empresas.

Temos o poder da escolha, podemos seguir o caminho da inércia e nos deixar levar pelo fácil e obvio ou ser promotores de um movimento que deixará um legado positivo para as próximas gerações.

E você? Qual é a sua escolha?

 

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É preciso ter coragem para criar modelos de negócios conscientes e humanizados

Este artigo foi publicado no dia 03/11/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

Devemos ser gratos ao que conquistamos nas últimas décadas e riqueza gerada, mas chegou a hora de reconhecer que é o momento de mudar a forma de fazer negócios

O que você acharia se o governo decidisse que você não tem o direito de comprar o seu próprio carro, que ele se autoproclamasse responsável de repartir a riqueza e definisse que, como não há dinheiro para comprar carro pra todo mundo, além do transporte público, o meio de locomoção individual será bicicleta para todos. Porém, pelo histórico deste modelo, com o tempo tão pouco haveria recursos para manter as bicicletas, e elas ficariam velhas, obsoletas e malcuidadas.

Este cenário não funciona e sou totalmente contrário a ele porque acredito na propriedade privada, na meritocracia e na liberdade de escolha.

Mas quando olho para o outro modelo, no que eu acreditava, o cenário que vejo é, pessoas que se convenceram que comprando 5 carros de luxo estão gerando emprego para que outros possam andar com suas bicicletas velhas, e mais, o imposto gerado fará com que o estado construa ciclovias.

A teoria é boa, funcionou por muito tempo, porém ao incluirmos o ego e a avareza corporativa na equação, o modelo desmoronou.

Não acredito em sociedades que nivelam por baixo a pessoas com talentos e capacidades diferentes.

Mas também não acredito em um modelo onde há uma concentração de riqueza a ponto de gerar um desequilíbrio social que nos leve ao caos.

Segundo o relatório de Oxfam, Recompensem o trabalho, e não a riqueza, de toda a riqueza gerada no mundo em 2017, 82% foi parar nas mãos do 1% mais rico do planeta. Enquanto isso, a metade mais pobre da população global – 3,7 bilhões de pessoas – não ficou com nada.

Estes números demonstram que o modelo socioeconômico que temos, está esgotado.

O modelo corporativo que busca somente o lucro pelo lucro, e menos ainda ao que buscam somente o lucro justificando que estão criando riqueza para todos.

Somos parte de um ecossistema único, vivemos em sociedade e, inevitavelmente há uma interdependência de todos.

A inconsciência corporativa de fazer mais com menos e de crescer dois dígitos ano sobre ano por tempo ilimitado, sem se importar com as consequências provocadas nos levaram ao limite do aceitável.

As políticas de crescimento agressivas e sem limites corromperam o modelo de economia de mercado, que até o momento era o melhor modelo que disponível e agora geram tanto ou mais problemas que soluções.

O ex-primeiro ministro britânico Benjamin Disraeli disse:

Uma sociedade só tem chance quando os homens de bem tem a mesma audácia que os corruptos”.

Esta frase foi dita no contexto político, mas se pensarmos que todos nós, seja por ambição desmedida ou simplesmente por covardia, corrompemos um modelo e provocamos um desequilibro que nos prejudica a nós mesmo.

Chegou a hora, na verdade já passou o momento de reinventar o capitalismo, melhora-lo, aproveitar tudo o que ele tem de bom, que são muitas coisas, e corrigir os pontos que não funcionaram que também são muitos.

Construir uma economia próspera baseada na empatia e na compaixão não é trivial.

É complexo porque existem muitas crenças e paradigmas que foram construídos nas últimas décadas, incluso que contam com o aval dos resultados porque funcionaram durante um tempo.

É muito mais fácil seguir a corrente e se esconder atrás dos clichês de que “isso é assim”, “esse é o jogo” ou “eu não posso fazer nada”.

A frase mais covarde que um executivo pode dizer, após fazer algo que ele sabe que não está bem ou que ele não acredita, é:

“Se eu não fizer alguém vai fazer”.

Se não estamos satisfeitos com a sociedade em que vivemos, façamos algo para mudar. Se não estamos felizes, façamos algo para ser.

Criar empresas humanizadas, que constroem uma sociedade melhor, requer coragem e humildade.

Humildade para reconhecer que o modelo atual está esgotado.

E coragem para colocar como prioridade o coletivo e colocar o ser humano no centro do processo de transformação.

Aplicar a tecnologia para humanizar empresas, resistir a tentação de deixar o fácil para fazer o correto.

E aprender a criar riqueza sem gerar miséria com a Tecno-Humanização.

 

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Crescimento vs. Desenvolvimento: digitalizar o jogo acelera o colapso

Este artigo foi publicado no dia 30/07/2019 em minha coluna no portal portal R7 e no portal Inova360.

 

A transformação digital é nociva não pela tecnologia em si, mas porque parte de uma premissa equivocada e perversa

O que me motivou a escrever este texto foi o artigo da semana passada, no qual dei a minha visão sobre as prioridades dos CEOs a respeito da inovação. O fato de que a principal prioridade seja o crescimento ficou martelando em minha cabeça.

Basta olhar à nossa volta e ver como é nociva a busca pelo crescimento ilimitado. Para sermos capazes de analisar este cenário, é importante entendermos as diferenças entre crescimento e desenvolvimento.

Enquanto o crescimento está relacionado a indicadores quantitativos, o desenvolvimento é muito mais amplo e qualitativo. Ele representa a aplicação da riqueza gerada pelo crescimento, a forma que é transformada em educação, saúde, cultura e qualidade de vida.

No caso do setor público, o crescimento de um país é medido pelo PIB (Produto Interno Bruto), ou seja, representa a soma, em valores monetários, de todos os bens e serviços finais produzidos pelo país.

Vamos analisar somente o ponto de vista de crescimento, tomando a China como exemplo. Se ela continuar crescendo como cresceu na última década, teríamos duas Chinas antes de 2030. O problema é que não cabem duas Chinas no planeta, não haveria clientes para duas produções chinesas.

Sem contar que, para a produção chinesa crescer a este ritmo seria necessário canibalizar e transferir a produção de outro país para a China, o que gera desemprego local, e todas as consequências negativas associadas.

Óbvio que não podemos manter as produções locais por imposição, temos que buscar melhorar a competitividade do país, mas isso é assunto para outro artigo.

No caso das empresas, os indicadores de crescimento são faturamento e lucro, e qual o caminho que as empresas encontraram para crescer?

A transformação digital!

Aplicar tecnologia para reduzir custos, otimizar processos, melhorar experiência do cliente, aumentar o alcance geográfico e as vendas.

Essa transformação digital só acelera o colapso econômico e social e não pela tecnologia por si só, mas porque parte de uma premissa equivocada e perversa.

É nossa obrigação buscar desenvolvimento, criar organizações Tecno-Humanizadas, que aplicam tecnologia para transformar seus produtos, serviços e modelos de negócios em operações rentáveis e humanizadas.

Claro que as empresas devem crescer, vender mais, otimizar custos e recursos, negociar com seus fornecedores, competir, e ganhar dinheiro.

Isso se chama boa gestão e a sobrevivência da empresa depende disso. A questão é que não podemos buscar o crescimento a qualquer custo.

Ao trocar crescimento por desenvolvimento, inevitavelmente a empresa promove o desenvolvimento de tudo e todos à sua volta de forma harmônica e sustentável ao longo do tempo.

Para que isso não seja apenas uma declaração de boas intenções, vamos mostrar a diferença entre um modelo de negócio de uma empresa de sapatos que busca crescimento e outra desenvolvimento.

Uma empresa de sapatos, para crescer da forma tradicional, busca reduzir o custo da matéria prima, de mão de obra, de produção, e aumentar as vendas.

Para reduzir os custos de matéria prima, é comum não se preocupar com a origem ou seu processo produtivo. Para reduzir o custo de produção e mão de obra há dois caminhos, ou automatizar a produção o máximo que puder ou levar a produção para China (exemplo que ilustra o que comentei sobre canibalização e transferência de produção).

Utiliza-se de tecnologias de IoT, Big Data, Analytics e IA para mapear os hábitos de consumo dos clientes e criar campanhas de marketing para gerar demanda. Aplica-se gatilhos mentais para induzir o consumismo e compras por impulso, mesmo sabendo que talvez os clientes não precisem do produto naquele momento. Isso é transformação digital aplicada ao crescimento.

Porém, se a empresa utiliza materiais reciclados ou sustentáveis, tanto no sapato como na embalagem, ela se preocupa pela origem da matéria prima e que o processo produtivo seja sustentável, humanizado e justo.

Se a empresa trabalha com conceito de co-criação (inovação colaborativa) para criar novas estampas, parte da produção é feita por uma fábrica nacional, outra parte é feita por células produtivas formadas por mulheres em situação de vulnerabilidade, que participam de um ONG e receberam maquinaria e treinamento para trabalhar.

A empresa não se aproveita da situação laboral desfavorável destas mulheres, muito pelo contrário, paga salários justos acima da média do mercado. Não se trata de assistencialismo, a empresa oferece dignidade através do trabalho.

Parece um modelo de negócio dos sonhos?

Pois é, ele existe, a empresa é brasileira e se chama Linking DOTZ.

Esse modelo também precisa das mesmas ferramentas e tecnologias que o anterior, ou seja, Big Data, Analytics, IA, marketing digital, etc. A diferença é que quando essa empresa cresce todos crescem à sua volta e isso é desenvolvimento.

Veja o case no canal observatório BE&SK.

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Transtorno Dissociativo Corporativo: o gap entre a fala e a atitude

Este artigo foi publicado no dia 16/07/2019 em minha coluna do portal R7 e do portal Inova360.

 

O desafio de alinhar a expectativa entre o que você espera da sociedade e o que você faz para que ela seja como você espera

É surpreendente o que nós encontramos no dia-a-dia do mundo corporativo. A falta de coerência entre o que se fala e o que se faz é assustadora. Acredito que todos poderíamos dar uma lista de situações onde o chefe ou os colegas disseram uma coisa e fizeram outra, ou pior ainda, a própria cultura da empresa contrariou na prática aquele quadro obsoleto de missão, visão e valores na recepção da empresa.

Quantas vezes vimos o auditor de uma certificação qualquer sair pela porta e a empresa continuar trabalhando “como sempre”? Embora isso desanime, desmotive e seja frustrante, não é sobre isso que vamos falar.

O Transtorno Dissociativo Corporativo ao que eu me refiro é a incapacidade das empresas entenderem o impacto de suas ações na sociedade.

“Eu? Eu não tive nada a ver com isso”

Vou explicar com um exemplo:

TODAS as empresas sofreram com a greve geral dos caminhoneiros de 2018. Pois é. Eu já tive a oportunidade de perguntar a vários empresários e diretores de compras. E qual foi a sua participação no que aconteceu? As reações variaram entre surpresa e indignação: “Eu? Eu não tive nada a ver com isso”. Tivemos algumas respostas objetivas: o problema é a dolarização do petróleo nacional, o alto imposto do frete e o do petróleo, a má gestão do governo no momento da crise. Outras respostas foram as de sempre, a culpa da inflação, do universo, do lobo mau, do boitatá, etc. Mas em todos os casos, a culpa sempre é de outro.

Fiz outra pergunta: “Quantas vezes vocês, negociando com empresas logísticas (prática salutar), alcançaram o preço objetivo de compra e continuaram pressionando para ver se conseguiam um desconto adicional”? Silêncio administrativo e olhar de “não fui eu”.

Pois é, esses executivos bateram suas metas (ou as superaram), ganharam dinheiro, alguns foram promovidos pela “excelente” gestão dos recursos e redução de custos. Automaticamente ao serem estranguladas, as empresas de logística fazem o mesmo com os caminhoneiros (a maioria terceirizados).

Depois de vários anos atuando desta forma, as consequências chegaram. As pessoas que criaram o problema (ou ao menos grande parte dele) são as mesmas que reclamam da situação e, pior, são incapazes de relacionar uma coisa com outra.

Quantas grandes empresas têm reclamado da queda na qualidade de serviço de seus fornecedores. Essa reclamação, em muitos casos está totalmente justificada, porém não percebem que ela é feita minutos após à reunião onde se decidiu criar uma LPU (Lista Unitária de Preços) que exige prazo de entrega agressivo, estoques, entregas em todo o país, porém nenhum compromisso de compra, nem definição de quantos produtos irão para cada estado.

Percebem a dissociação das tomadas de decisão e das consequência destas de decisões?

Há dois anos atrás eu dei uma palestra, ia doar o valor cobrado a uma entidade que trata crianças com lesão cerebral, porém eu estava começando e os valores ainda eram baixos e só daria para comprar duas cadeiras de rodas. Então liguei para alguns amigos que me ajudaram a completar o dinheiro e comprar uma scooter. Fiz uma rifa e multipliquei o dinheiro por 4x. Eu ofereci a rifa para uma conhecida que trabalhava no departamento de RH de uma grande multinacional. Ela ficou positivamente surpresa, elogiou a causa dizendo que era fantástico ajudar quem precisa, principalmente pessoas com necessidades especiais e comprou a rifa.

Poucas semanas depois, em uma reunião com o grupo de análise de riscos de negócio, ela comentou ao diretor geral da empresa que a empresa tinha a obrigação legal de contratar pessoas com necessidades especiais, segundo ela, diante do alto custo para contratar e a dificuldade de encontrar as pessoas com o perfil adequado, ela estava fazendo um estudo para saber o que era melhor para empresa: Contratar pessoas com necessidades especiais ou pagar a multa para o governo.

Ou seja, a mesma pessoa, que em sua vida privada acha louvável a iniciativa de ajudar crianças com lesão cerebral quando passa pela porta da empresa, avalia pagar a multa para não ter trabalho para integrar pessoas com necessidades especiais.

Eu não tive a oportunidade de falar com ela sobre isso, mas provavelmente ela não relacione uma coisa com outra.

Ninguém quer a antena ao lado de casa

A verdade é que todo mundo quer ter um bom sinal de celular, mas ninguém quer a antena ao lado de casa. Assim não é possível. Da mesma forma, todo mundo quer viver em uma sociedade melhor, porém, em muitas ocasiões, decisões pessoais e profissionais nos levam no sentido oposto.

As pessoas e empresas dissociam suas decisões corporativas do seu entorno e não enxergam (ou não querem enxergar) seu impacto na sociedade e no meio ambiente. Se auto enganam e dormem tranquilas dizendo que cumprem a lei, como o caso da pessoa de RH. Pagar a multa está previsto em lei, o que não significa que seja humano e ético.

O astrofísico canadense Hubert Reeves disse: “O Homem é a mais insana das espécies. Adora um Deus invisível e mata a Natureza visível… sem perceber que a Natureza que ele mata é o Deus invisível que ele adora”.

Este é o quarto motivo, ou o motivo +1 que eu citei no artigo entenda porque humanizar as empresas é urgente, necessário e rentável .

É possível a coexistência de um mundo fraterno e próspero: a escolha é individual e o resultado coletivo.

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Entenda porque humanizar as empresas é urgente, necessário e rentável

Este artigo foi publicado no dia 09/07/2019 em minha coluna no portal R7 e no portal Inova360.

 

Estamos a ponto de colapsar o planeta e a economia e as pessoas atuam como se não vivessem aqui

Nos últimos 60 anos nós aprendemos em todo curso de gestão e escolas de negócio que a única função de uma empresa é gerar lucro.

Esse conceito de capitalismo tradicional foi forjado nas teorias de Milton Friedman, prêmio Nobel de economia em 1976, assessor de três presidentes americanos, economista neoliberal que acreditava que uma empresa, ao pertencer ao acionista, tinha como única obrigação maximizar o lucro ao seu dono e o marco de atuação deveria ser a lei, ponto final.

O bem-estar social, o meio-ambiente e qualquer outra questão era responsabilidade do estado, que por certo ele acreditava deveria ser o menor possível, porque o mercado regularia a economia.

Este modelo de capitalismo tradicional funcionou por muito anos, foi extremamente importante para o desenvolvimento da economia e da sociedade, porém, ao longo dos anos foi levado ao extremo e já não nos atende.

O primeiro princípio da Business Trasnformation Tecno-Humanizado é que todo modelo, com o passar do tempo, se deteriora e se desvia de seu propósito inicial.

Eu sou capitalista, acredito na propriedade privada, na meritocracia, que os cidadãos que estudam mais, que trabalham mais, que geram mais riqueza para a empresa e para a sociedade devam ser melhores remunerados e reconhecidos.

Todas essas coisas fazem sentido para mim, o que deixou de fazer é quando, para alcançar os objetivos no final do trimestre ou do ano fiscal, as empresas cometam barbaridades, quase todas imorais ou antiéticas e algumas ilegais.

As empresas se concentraram (e se concentram) no crescimento e não no desenvolvimento. E a pressão é tão grande que, para alcançar este crescimento, o foco está 100% no resultado e vale tudo para alcançá-lo.

Para a Tecno-Humanização, NÃO VALE TUDO, por convicção, por lógica e por fatos.

Ou mudamos a forma de atuar ou colapsaremos a economia, a sociedade e o planeta, e eu vou te dar 3 motivos que demonstram a necessidade de humanizar as empresas, colocar o ser-humano no centro, parar de olhar para o próprio umbigo e olhar para o todo, para o conjunto da obra. Os resultados devem ser consequência e não objetivo.

 

1º MOTIVO: MEIO-AMBIENTE

A Global Footprint Network, organização que estuda o consumo e analisa a nossa “pegada” pelo planeta, diz que “a humanidade quebrou seu limite: Nossos dados indicam que as emissões de carbono combinadas com todas as outras demandas humanas na biosfera consomem mais de 170% do que a Terra repõe – portanto, agora usamos quase dois planetas.”

Em 2018, a sociedade esgotou os recursos naturais renováveis do planeta no dia 01 de agosto (overshoot day), o resto do ano vivemos em déficit, destruindo o planeta.

Segundo a mesma entidade, precisaríamos de 5 planetas para viver com o estilo de vida americano, e de quase 2 planetas (1,8) para viver como vivemos no Brasil.

Talvez o primeiro, seja pelo consumismo e aqui, pelo desperdício.

Estamos a ponto de colapsar o planeta e as pessoas e empresas atuam como se não vivessem aqui.

Isso nos leva ao primeiro ponto do título desta matéria, precisamos tomar medidas urgentes. Mas se você não se sensibiliza por isso, não se preocupa pelo seu próprio futuro nem pelos seus descendentes, temos outro motivo.

 

2º MOTIVO: SAÚDE

As doenças das últimas décadas são a depressão e a ansiedade, os dois vilões que destroem vidas e famílias inteiras.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), nos últimos dez anos a incidência de depressão cresceu 18,4% atingindo 4,4% da população mundial.

Estes números são piores no Brasil, estamos acima da média mundial, chegando à 5,8% da população. Somos o campeão de depressão da América Latina e o segundo das Américas, ficando atrás somente dos EUA (5,9%).

Este título não é motivo de orgulho e sim de preocupação extrema.

O Brasil é recordista mundial em ansiedade. A prevalência na população mundial é de 3,6% e no Brasil atinge 9,3% da população, ou seja, um número 2,5 vezes maior.

Se tomarmos os dados do Ministério do Trabalho, a ansiedade e a depressão são a segunda causa de adoecimento no trabalho e a primeira causa de afastamento do trabalho.

A conclusão é simples, as empresas são um foco (não o único) de adoecimento da população em doenças tão graves como estas.

Isso nos leva ao segundo ponto do título, trabalhar de uma forma diferente, encarar os negócios com uma visão mais humanista para mudar este cenário é absolutamente necessário.

Se o meio-ambiente e a saúde não são suficientes, talvez você entenda outra linguagem.

 

3º MOTIVO: LUCRO

Empresas conscientes e humanizadas são mais rentáveis!

O estudo do instituto do capitalismo consciente americano, publicado no livro FIRMS ENDEARMENT, mostra que empresas conscientes do S&P 500, foram 14 vezes mais rentáveis das que não o são.

Para que não se diga que isso só acontece lá fora, que no Brasil não funciona, que não somos conscientes e nunca vamos ser (esse complexo de vira-lata que temos), vejamos o exemplo a seguir.

Um trabalho de doutorado na EESC-USP, baseado no estudo do Prof. Raj Sisodia (co-autor do livro anteriormente citado) realizado por Pedro Paro, ao comparar as 500 maiores empresas do Brasil, avaliando a rentabilidade acumulada, constatou que o desempenho financeiro das Empresas Humanizadas do Brasil (EHBR) é 6 vezes superior no longo prazo.

Se uma empresa humanizada contribui para o meio-ambiente, para a sociedade e é mais rentável, inevitavelmente surgem duas perguntas:

Por quê as empresas não são humanizadas?

Porque aprendemos que para ser executivos tínhamos que ser agressivos e orientados a objetivos (a qualquer custo).

Mas agora que já sabemos as consequências desta conduta, refaçamos a pergunta.

Por quê não humanizamos as empresas?

Porque a maioria das pessoas não sabem como fazer, não existia uma metodologia para ajudar e guiar a empresa nesta direção.

A BE&SK criou a metodologia da Tecno-Humanização das organizações, que é um framework de Technology, Business & Mindset Transformation, para transformar empresas em organizações rentáveis e humanizadas.

PD: O motivo “+1” está no artigo Transtorno Dissociativo Corporativo: o gap entre a fala e a atitude

Assista o video do canal observatório BE&SK e veja um exemplos de empresas conscientes e humanizadas.

Imagem: Pixabay