Tendências Tecno-Humanizadas para 2020

Este artigo foi publicado no dia 07/01/2020 no IT Forum 365

 

Temos uma oportunidade única de Tecno-Humanizar o mundo. Posso contar com você?

Começamos um novo ano, uma nova década e um novo ciclo.

A década passada foi de grande importância para a humanidade, aprendemos muitas coisas. Embora estejamos informatizando as empresas e digitalizando processos há mais de quase 50 anos, foi nesta década que cunhamos a expressão transformação digital.

Nunca tivemos tanto recurso disponível para investimentos em novos negócios, tanta tecnologia disponível, barata e acessível. Somos privilegiados porque vivemos um momento ímpar da história da humanidade.

Quando Juscelino Kubitschek anunciou em seu governo um plano de desenvolvimento agressivo, que tinha como slogam 50 anos em 5, parecia uma loucura para a maioria dos mortais.

Hoje, vivendo em uma sociedade exponencial, Juscelino seria considerado conservador para alguns e lento para outros.

O primeiro campus de pesquisa de Inteligência Artificial foi criado em 1.956 no Dortmouth College, porém, evoluiu mais nos últimos 5 anos que em toda sua história.

Blockchain foi criado em 2008 e já teve mais impacto para a humanidade que tecnologias que estão no mercado há mais de cinquenta anos.

Plataformas integradoras como Amazon Alexa, Google Home, entre outras, estão fomentando e incrementando o uso de IoT no entorno doméstico, enquanto a indústria 4.0 está levando IoT para a indústria e para o agronegócio.

Carros autônomos, drones, big data, analytics, impressora 3D, computer vision, e uma longa lista de tecnologias que vão impactar a humanidade de maneira jamais vista.

Porém, esta década será lembrada como um dos momentos mais delicados da nossa história.

O homem acelerou forte na direção equivocada, e esteve a ponto de colidir.

Esta nova década que se inicia é muito mais do que uma simples passagem de ano no calendário.

É o momento de corrigir rota e ajustar o rumo.

Nos últimos 5 anos o homem apostou todas as suas fichas na tecnologia, e cá entre nós…

Pensar que a tecnologia resolveria todos os problemas das empresas e da humanidade foi o nosso maior problema.

Diversos estudos de diferentes consultoras mostram que mais de 70% dos processos de transformação digital não alcançaram seus objetivos.

E para a Tecno-Humanização estava claro que isso iria acontecer. Certamente que não nos alegramos com essa constatação, e era uma questão de tempo que a nossa visão se confirmasse.

Diante dessa realidade, nós, Tecno-Humanistas, acreditamos que os maiores desafios da próxima década são:

 

1º – Unir tecnologia e pessoas para evitar o autocanibalismo corporativo

Nenhuma atividade produtiva sobreviveria sem tecnologia, mas nenhuma sociedade existiria sem pessoas.

Recentemente circularam na internet vídeos de empresas que mostravam orgulhosas suas fábricas totalmente automatizadas. Talvez os exemplos mais conhecidos são o da Império, cervejeira do Rio de Janeiro e um frigorífico da JBS na Austrália, totalmente robotizados. Não havia nenhuma intervenção humana direta no processo produtivo.

Em um destes casos, o vídeo que tinha o intuito de transmitir uma imagem de empresa inovadora e moderna, foi totalmente contraproducente.  A empresa recebeu muitas críticas em suas redes sociais pelo problema social de desemprego que gera.

Portanto buscar o equilíbrio entre tecnologia e pessoas é o nosso maior desafio. Tudo é feito por e para as pessoas. Por isso, a Tecno-Humanização coloca o ser humano no centro do processo de inovação e transformação digital.

A tecnologia é somente um meio para viabilizarmos empresas humanizadas.

E a boa notícia é que empresas humanizadas são mais rentáveis.

 

2º – Buscar os resultados extraordinários através da humanização das empresas

A Tecno-Humanização inverte a dinâmica das empresas.

Hoje, normalmente, elas pensam no resultado como um fim, aplicam a tecnologia para alcança-los e depois treinam as pessoas para que elas se sintam parte.

Este modelo é artificial e não tem funcionado.

Tenho vários exemplos de empresas que dizem que se preocupam com as pessoas, que são humanizadas, porque dão treinamento aos colaboradores, porque permitem que façam 20% ou 30% das horas de Home Office, porque estabelecem uma política de feedback ou, a que mais me chamou a atenção, foi uma empresa que visitei, que disse que da chocolate de sobremesa. O chocolate libera endorfina, um neurotransmissor que da uma sensação de felicidade, e a empresa diz que é humanizada.

Pois é… em neurociência, isso se chama, dissonância cognitiva, que é um mecanismo que temos para, mesmo não sendo verdade, nos auto enganarmos e nos fazer sentir melhor. Para saber mais, leia o artigo O desafio de vencer o medo à transformação em tempos  de transformações.

Temos muito trabalho pela frente, e a principal crença que temos que quebrar é a de que, para que uma empresa seja humanizada e consciente ela tem que abrir mão do lucro. Nada mais longe da verdade.

 

3º – Considerar os sentimentos no mundo corporativo e mudar nosso Mindset

Ainda temos pessoas que pensam que somos capazes de separar nossa vida pessoal da profissional, que temos duas personalidades diferentes e que separamos os sentimentos de cada uma delas.

Primeiro, a pessoa física e a jurídica habitam são personas que habitam o mesmo, único e indivisível, ser humano. Não dá nem devemos separa-los.

Segundo, já passamos da fase de tentar controlar as ações das pessoas através da criação de processos. Já passamos a fase de estruturar o padrão mental dos colaboradores para que “pensem” exatamente a empresa quer que pensem.

Agora estamos na fase de transformar o Mindset, primeiramente dos líderes e depois do restante da organização. Sair do Mindset fixo, onde o problema é de terceiros, a culpa é sempre de outros, para um Mindset de crescimento.

Mudar a visão da empresa neste processo de transformação que estamos vivendo.

Implantar um sistema de gestão de triple bottom line, atuando efetivamente, não somente no impacto financeiro do seu negócio, como no impacto social e meio-ambiental.

Quer crescer em 2020?

Aumentar seu negócio?

Inovar e fazer uma transformação digital humanizada?

Captar e engajar talentos?

Melhorar seus resultados através da humanização?

Espero que as empresas tenham aprendido que a tecnologia está para nos servir, não o contrário e que em 2020 aprendam a criar riqueza sem gerar miséria com a Tecno-Humanização.

 

Imagem: Pixabay

O desafio de vencer o medo à transformação em tempos de transformações

Este artigo foi publicado no dia 10/12/2019 na minha coluna no R7 e inova360

 

O medo é a principal emoção que pode bloquear o nosso desenvolvimento.

O medo é uma das emoções que nos acompanha ao longo de toda a nossa vida.

Temos medo a coisas que não controlamos ou julgamos ser mais poderosas que nós.

Desde animais selvagens à morte.

Em muitas ocasiões, o medo nos salva ou nos protege de perigos.

Mas também existem medos do desconhecido, de eventos e processos que nos tiram da zona de conforto.

E nosso cérebro está pensado para proteger, nosso sistema límbico tem a função de economizar energia, física e mental, e manter-nos vivos.

Portanto, ele nos colocará todos os impedimentos, lógicos ou não, para evitar que corramos perigos físicos ou que tomemos decisões que nos gerem stress.

Os medos de ameaças tangíveis e conscientes são mais fáceis de resolver, porém existem bloqueios que são muito difíceis de solucionar, não pelo problema em si, mas porque são imperceptíveis aos olhos de quem sofre com eles.

A falta de consciência deste medo invisível impede quem o tem de elimina-lo.

Por exemplo, imagine que você não esteja satisfeito em seu trabalho, o lógico seria, primeiro tentar identificar e resolver o que te faz insatisfeito neste trabalho. Se não conseguir ou não for possível porque não depende de você, o próximo passo é mudar de trabalho, de empresa, de profissão, enfim…

Porém, o medo gera resistência à mudança, a falta de garantias de que a nova profissão ou a nova empresa vai te dar a satisfação buscada, impedem muita gente de mudar e, automaticamente, passamos a buscar desculpas e justificativas para não nos sentirmos covardes ou fracassados. Este é um mecanismo de defesa de nosso cérebro, o qual chamamos dissonância cognitiva, e você pode conhecer um pouco mais a respeito em meu artigo Neurodiversidade como vantagem competitiva.

A dissonância cognitiva é a base da hipocrisia. Daqueles que pregam uma coisa e fazem outra. Em muitos casos, o comportamento hipócrita não é por má fé, ele simplesmente está sendo controlado pelo nosso medo e não pela nossa razão.

Quando um executivo sabe que as práticas de sua empresa não são as melhores, sabe o que deve fazer para mudar, mas não tem nenhuma garantia de que as mudanças trarão o resultado desejado, dispara-se o alarme do medo.

Neste caso, as análises de risco ajudam no processo de tomada de decisão, mas, e quando o executivo nem leva o caso à discussão e análise?

O medo é tão grande que enterra a oportunidade antes mesmo que ela seja avaliada.

Tenho visto muitos profissionais em transição de carreira, buscando cursos de especialização (pós-graduação ou MBA), geralmente na mesma área em que já atuam. Não que isso seja ruim, mas é fazer “mais do mesmo”.

Aprender o mesmo e fazer da mesma forma de sempre. Óbvio que vão adquirir novos conhecimentos e aprender novas ferramentas. O problema, na minha opinião, é que não vão mudar seu mindset e, portanto, vão aplicar novas ferramentas, porém, com a mesma visão.

O que isso significa na prática?

Que tudo seguirá igual!

Mas este profissional, provavelmente reclame da sociedade que em que vivemos.

Pois é, ele tem a oportunidade de muda-la, mas não o faz por medo. E se convence de que, ele não tem força pra mudar a sociedade, de que sozinho ele não consegue nada, e assim por diante.

Da mesma forma, empresas tem problemas de crescimento, de rentabilidade, de captação e engajamento de talento, de transformação digital, de propósito, de resultados, enfim… os desafios de qualquer empresa.

Elas continuam buscando resolver novos problemas com os métodos antigos…

Infelizmente tenho que dar uma notícia.

Não vai funcionar!

Temos que sair da zona de conforto e o primeiro passo para que isso aconteça é mudar o Mindset. Só assim teremos outra visão sobre o mundo e sobre os negócios que nos permitirá transformar realmente a empresa.

E qual a garantia de sucesso se transformarmos empresa?

Nenhuma.

A única garantia que temos é a do fracasso por insistir em fazer o mesmo.

Em seu livro insights, Walter Longo comenta que “Daqui para a frente, empresas NÃO MORREM só por fazerem coisas erradas. Elas morrem também por fazerem a coisa certa por um tempo longo demais.

Neste processo de transformação, temos que combinar 3 elementos: Tecnologia, Negócio e Pessoas, e trabalhá-los de forma integrada e sistêmica.

É exatamente isso que a Tecno-Humanização faz.

Agora, sabem o que me inspirou escrever este artigo?

Esta semana dei uma palestra em um evento fantástico, o Inception 2019, organizado pela MobLee, empresa que possui uma solução para gestão de eventos.

O André Rodrigues, CEO da empresa, me falou sobre o grande desafio que é, sendo uma empresa de tecnologia, organizar um evento para profissionais e especialistas de eventos.

As noites sem dormir e o medo que provoca este tipo de situação.

Achei fantástica a ousadia!

Se a empresa dele quer ter sucesso, entender as necessidades (não gosto da expressão dor) de seus clientes, ele precisa passar por isso, mesmo que dê muito medo.

Tenho certeza que o aprendizado foi muito rico e útil, e fará com que sua empresa melhore sua solução e ofereça cada vez melhores serviços e experiência.

Eu tenho utilizado um pensamento como filosofia de vida há anos, e tem me ajudado a me desenvolver como pessoa e profissional.

Em processos de tomada de decisão, obviamente considerando o risco, eu não faço nada que me mantenha em minha zona de conforto.

Ninguém evolui fazendo o mesmo, aquilo que já está dominado.

Desafie-se sempre.

A única forma crescer, é fazendo o que nos dá medo.

 

Imagem: Pixabay