Comunicação e Integração em Home Office

Este artigo foi publicado no dia 07/07/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

Melhorar a comunicação e manter a equipe integrada com essa nova realidade é um dos maiores desafios das organizações

Para algumas empresas o Home Office foi imposto pela pandemia.

Seja por cultura, por estilo ou por convicção, muitas empresas já permitiam o trabalho em casa, porém muitas outras empresas não tinham em sua rotina esta forma de trabalho.

Do dia pra noite, todos tiveram que adaptar-se.

Pouco a pouco as empresas começaram a ver muitos benefícios, porém alguns desafios.

Talvez os dois principais sejam:

Como melhorar a comunicação e a integração da equipe em Home Office?

A comunicação, é sem dúvida alguma, a principal característica de nossa evolução como espécie.

Graças a ela podemos expressar sentimentos, compartilhar conhecimento ou transmitir ideias.

Fazemos isso todos os dias milhares de vezes, porém não percebemos sua importância até ter alguns aspectos limitados.

O estudo realizado, em 1960, pelo Professor Albert Mehrabian, da University of California, Los Angeles (UCLA), tão discutido como seguido até hoje, estabeleceu a regra 7-38-55.

Os números representam o peso relativo ou importância atribuída às três grandes áreas da comunicação: o conteúdo das palavras (7%), o tom de voz (38%) e linguagem corporal (55%).

Por outro lado, estudos do professor Júlio Monteiro Teixeira, indicam que 80% de nossas percepções com o meio, se dá através da visão, que é nosso sentido mais importante.

Em 2012 o Hospital e Instituto Neurológico de Montreal, no Canadá, demonstrou, pela primeira vez, o cruzamento entre os sistemas de visão e de olfato no cérebro.

O olfato é o único sentido que tem conexão com o nosso sistema límbico, sistema cerebral responsável por gerenciar nossas emoções e pela nossa memória afetiva.

Então deixa expor o meu raciocínio para citar tantos estudos científico (além de gostar de me documentar).

A comunicação é a principal ferramenta para o desenvolvimento de qualquer atividade em grupo.

Se mais da metade de nossa comunicação se refere à linguagem corporal.

A linguagem corporal fundamentalmente é captada por nossa visão. A visão é nosso sentido mais importante e está conectado com o olfato.

O olfato está conectado diretamente com a área do cérebro que gerencia as emoções.

E em Home Office, em muitos momentos, as vezes a maior parte do tempo, eliminamos todos estes sentidos da comunicação, apagando a câmera.

As empresas passam de ter reuniões presenciais onde as pessoas recebiam todos esses inputs, mesmo sem ser conscientes, a eliminar a visão, o olfato e não poder ler a linguagem corporal em suas comunicações.

Ainda é cedo para medir o impacto desta nova forma de comunicação.

Mas já podemos afirmar que, sem dúvida alguma, o impacto será grande, e negativo, principalmente em colaboradores com mentalidade da geração X e anteriores.

Outro aspecto importante a ser considerado nesta nova forma de trabalhar é como manter a equipe integrada, tanto os membros atuais, como os novos colaboradores que se integram ao time.

O time atual, que já se conhecem, sentem falta do contato, muitos porque já são amigos e compartilham hobbies, outros pelo simples motivo de serem sinestésicos, e precisam de contato.

Os bate-papo informais no almoço, as conversas (ou reuniões) na máquina de café consolidam a equipe e desapareceram do dia para noite.

A comunicação corporativa e a integração estão diretamente associadas à cultura da empresa e à maturidade do time.

Por isso, a comunicação costuma ser mais fluida com a equipe atual.

E como fazer com os novos colaboradores?

Como integrar os novos membros da equipe?

Por trás da comunicação e da integração existem valores como respeito, tolerância, confiança.

Como transmitir valores, que fazem parte da cultura da empresa hoje, aos novos colaboradores?

Como fazer com que aprendam e assimilem essa cultura sem vivencia-la, somente dando next em um treinamento online?

A imensa maioria das empresas estão enfrentando-se a este tipo de situações.

São desafios enormes da nossa nova realidade.

Amanhã, no quadro Visão Tecno-Humanista do programa Inova360, na Record News, às 8:00hs, conversaremos com o Head de P&D Tech da Riachuelo, que nos contará o momento da área de tecnologia e inovação e passará ao programa qual é o seu desafio para que o programa possa desenhar uma solução.

 

Imagem: Rawpixel

Home office, aumento de produtividade no novo normal

Este artigo foi publicado no dia 26/05/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

Revisar os processos de home office está na agenda de todas as empresas

Tem executivo dando pulos de alegria por aí.

A produtividade aumentou nos últimos dois meses.

Mas isso é real e sustentável?

Em minha opinião não.

O aumento de produtividade atual se deve a três fatores:

Primeiro, a maior comodidade em trabalhar em casa, ter flexibilidade e poder compaginar com a vida pessoal. Além do mais, as regras se flexibilizaram um pouco. Se o cachorro da vizinha late ninguém torce o bico, se o filho entra na sala ninguém leva as mãos à cabeça, porque todos estamos no mesmo barco. Óbvio, que devemos manter uma certa ordem e respeito. Não vale tudo, mas, sem dúvida, hoje temos códigos de condutas mais flexíveis.

O segundo ponto que contribuiu para o aumento da produtividade é a falta de disciplina e regras. Pessoas começam a trabalhar, almoçam em 15 minutos, continuam trabalhando e não tem hora para terminar o expediente.

O terceiro é o medo do desemprego. Com uma economia turbulenta e instável, a falta de horizonte do fim da pandemia e a incerteza de como tudo isso vai impactar as nossas vidas, levaram os colaboradores a se dedicarem mais para, em caso de reestruturação na empresa, não sejam eles os escolhidos na lista dos dispensados.

Os pontos dois e três não são sustentáveis ao longo do tempo, e em breve perderão força. Não é saudável trabalhar 14 horas, sem tempo de descanso, e não é sustentável trabalhar por medo. Manter este ritmo provocaria efeitos muito negativos.

O primeiro motivo vai prevalecer, e sem dúvida, vai fazer as empresas a repensarem seus processos de home office.

No período pós pandemia haverá um aumento na adoção de home office e diminuição de infraestrutura física nos escritórios.

Porém, o processo de home office deverá ser estruturado. As pessoas deverão receber treinamentos específicos; criar ambientes adequados; as empresas deverão colaborar com esta infra: cadeira, webcam, microfone, iluminação, até a acústica, se necessário.

É buscar o equilíbrio para manter a saúde do colaborador e do negócio. Não acredito em postos de trabalhos 100% presenciais, nem tão pouco 100% online. O ser humano precisa de contato, precisa do olho no olho com seu line manager, precisa sentir o ambiente e a cultura da empresa, e pode e deve ter a flexibilidade de trabalhar de sua casa enquanto cuida de seus filhos ou de seus pais.

Agora, um ponto chave em toda esta transição, além da infra mencionada acima, é a segurança e o que significa essa transformação digital acelerada para as organizações.

Para falar sobre isso, conversamos com uma das melhores corporações globais especialistas em segurança e nativa da nuvem. Segundo a Netskope, para a empresa, a segurança dos dados envolve princípios básicos, como proteção do dispositivo conectado para uso corporativo e boas práticas de compartilhamento. E neste momento de mudanças e incertezas, no qual as empresas precisam tomar decisões rapidamente, que os agentes mal intencionados (hackers) se aproveitam.

Por este motivo, é preciso antecipar algumas situações, como avaliar o grau de exposição dos dados e as lacunas na segurança que envolvem as equipes remotas. É preciso analisar, por exemplo, se os colaboradores estão enviando dados sensíveis para serviços em nuvem não corporativa. Ou se as crianças estão acessando sites com alto risco em dispositivos corporativos. São possíveis brechas que precisam ser antecipadas pelo departamento de TI.

Outro cenário de risco nas infraestruturas de tecnologia é o aumento acelerado no uso de rede privada virtual (VPN) para acessar redes corporativas. Antes, quando o acesso remoto era mais pontual, ninguém imaginaria tantos usuários utilizando os recursos ao mesmo tempo. Em TI, existe um conceito conhecido como Zero Trust, ou Confiança Zero. Em outras palavras, significa que a permissão aos sistemas deve ser de acordo com a necessidade do usuário.

Existe um certo consenso entre os líderes de segurança de TI que o acesso às VPNs dever ser revisto com base na política de Zero Trust. A ideia é monitorar o tráfego de dados e detectar qualquer tipo de falha e comportamento fora do padrão.  Ou seja, é vital que as empresas se adaptem a esse novo normal. E, desta forma, é possível aumentar exponencialmente o nível de segurança para proteger os dados independentemente da origem do acesso, seja do escritório ou dentro de casa.

Eu compartilho a visão da Netskope sobre a segurança na nuvem, que deve ser a base para que as empresas construam seu modelo de Home Office.

 

Imagem: Freepik