Liderança: Faça o que eu mando, não faça o que eu faço

 

 

ALEX (CEO): José, vamos comer alguma coisa rapidinho aqui perto porque temos pouco tempo.

JOSÉ: Tudo bem, Seu Alex.

Enquanto esperam por uma mesa no restaurante, Alex observa como todo mundo está usando o celular.

 

Ao sentar-se, Alex pergunta:

ALEX (CEO): José, além do LinkedIn que eu te pedi, você tem outras redes sociais?

JOSÉ: Tenho não, Seu Alex.

ALEX (CEO): Olha, eu tenho, mas não uso.

Você reparou que está todo mundo com o celular nas mãos? Todo mundo fotografando o prato e ninguém se conversa!

Eu não gosto de redes sociais porque é tudo falso.

É um mundo paralelo, onde as pessoas postam o que gostariam de ser ou ter, não o que são. Só mostram a parte mais bonita de suas vidas, e quando não há parte uma bonita, elas inventam para parecer que tem uma vida interessante…

Bem, a nossa comida chegou.

No caminho de volta a empresa…

ALEX (CEO): José, como estão indo os cursos online?

JOSÉ: Eu fazendo tudinho como o senhor mandou Seu Alex.

Amanhã vou começar aquele de mindi-não-seiquê.

Risos…

ALEX (CEO): Mindfulness José. Significa atenção plena, isso é muito bom. Eu pedi pra colocarem este curso para o pessoal porque eu li na Harvard Business Review que isso aumenta a produtividade.

É muito bom meditar José, deixar a mente em branco…

JOSÉ: Eita! Que coisa esquisita essa de deixar a mente em branco. E se eu esquecer tudo o que eu aprendi?

ALEX (CEO): Muito pelo contrário, vai te ajudar a melhorar a memória e o raciocínio.

JOSÉ: E o senhor? Faz esse tal de mindfulness?

ALEX (CEO): Eu não faço, mas faço outro tipo de meditação.

Um tempo atrás, depois que o Steve Jobs e outros líderes famosos foram para a Índia, virou moda e eu fui também e aprendi a meditar lá. Só que ultimamente não tenho feito muito.

Mas, em uma semana, os funcionários vão começar a meditar toda manhã, antes de começarem a trabalhar.

Como somos uma empresa moderna e pensamos nas pessoas, vamos fazer um esforço e parar 15 minutos todos os dias para que todos possam meditar.

Precisamos render mais!

 

Saindo do elevador…

Espera, espera! – grita Alex.

Um funcionário que estava entrando na empresa segura a porta pra que ele e José possam entrar.

ALEX (CEO): José, enquanto eu faço uma ligação, pede para Susana me mandar o material daquele treinamento de Líder 4.0 por e-mail, por favor.

Vamos contratar mais um curso.

Como te falei investimos muito em educação corporativa.

JOSÉ: Ela falou que já mandou pelo sistema Seu Alex.

ALEX (CEO): Eu sei, mas é muito chato esse sistema, eu não sei usar direito, não lembro minha senha, enfim, melhor por e-mail mesmo.

 

No final da tarde Cláudio vem à sala de Alex.

CLAUDIO (CHRO): Alex, tem um minuto?

ALEX (CEO): Tenho sim. Diga.

CLAUDIO (CHRO): Lembra na reunião sobre diversidade que vimos que o nosso turnover estava alto e pensávamos que era pela diversidade?

Adotamos algumas medidas, melhorou, mas ainda não resolveu.

Vamos ver agora se com este curso de líder 4.0 a gente consegue melhorar isso.

ALEX (CEO): Com certeza sim! Enquanto isso, faz uma análise nas entrevistas demissionais para entender os motivos.

CLAUDIO (CHRO): Já fiz isso. Mas as pessoas mentem, é raro a pessoa que fala verdade na entrevista demissional. Se ela saiu da empresa queimada, ela não fala porque não quer que a empresa melhore. Se ela está saindo numa boa, ela também não fala porque tem medo de ficar mal com a empresa e quando pedirem referência dela a gente não falar bem.

Enfim, por aí a gente não consegue informação útil.

ALEX (CEO): José, fica de olho nisso também.

Você que conversa com o pessoal operacional, presta atenção porque mesmo a nós sendo tão bons, dando tanto treinamento para as pessoas, eles vão embora.

JOSÉ: Eu já sei, Seu Alex.

CLAUDIO (CHRO): Como assim?!!! Você sabe o que está acontecendo para que a gente não consiga engajar talento?

JOSÉ: É simpres. Ocêis contrataram um curso pras pessoas pensarem e deixar a cabeça em branco (mindfulness), mas vocês mesmo não fazem.

ALEX (CEO): Eu já te falei, nós não temos tempo pra isso, e vários executivos fazem o seu tipo de meditação.

JOSÉ: Pois é. Ocêis perguntaram pras pessoa se elas também não tem o jeito delas de se concentra? Ou se elas queria fazer esse trem aí?

CLAUDIO (CHRO): Mas isso é bom pra elas e custa caro. Estamos fazendo isso pensando nelas, e na produtividade é claro. Todo mundo ganha.

JOSÉ: Qué vê otra coisa?

A semana passada eu fiz o curso de segurança, e lá diz que cada pessoa deve entrar na empresa com o seu crachá. Hoje o Seu Alex pediu pra segurarem a porta pra ele entrá.

ALEX (CEO): Espera um momento, eu sou o dono da empresa. Será que vou ter que pedir permissão para entrar na minha própria empresa?

CLAUDIO (CHRO): José, essa regra se aplica aos funcionários, como diretores temos alguns privilégios.

Além do mais, essa norma é difícil de ser cumprida.

Quando o pessoal vai almoçar juntos, é comum segurarem a porta para os colegas entrarem, por cortesia.

JOSÉ: Mas por que tem isso no curso?

CLAUDIO (CHRO): Porque segue as melhores práticas do mercado. E, entre mim e você, como quase ninguém cumpre, se quisermos podemos utilizar como argumento em caso de demissões complicadas.

JOSÉ: Tem mais, o Seu Alex falou na reunião que gastou um dinheirão no sistema de workflow, mas hoje pediu pra Susana um documento por fora do sistema.

ALEX (CEO): Você está me controlando agora? Eu fiz isso porque não tenho tempo e eu vi que a HSM publicou que uma das principais características de um líder 4.0 é a gestão de tempo.

JOSÉ: Não é isso, Seu Alex, mas se vocês falam uma coisa e fazem outra… fica difícil das pessoa acreditá nus cêis.

Lá na roça o pai armoçava com os peão, tava junto, e o que ele pedia pra todo mundo ele também fazia.

Se eu fosse ocêis, eu num gastava dinhero com esse novo curso.

Depois cêis vão fazê tudo diferente mesmo.

Há muito tempo já num funciona essa conversa de “Faça o que eu mando e não faça o que eu faço”.

 

 

Imagens: BE&SK

Otimização de custos: forma “granfina” de enganar o cliente

 

Precisamos aumentar a nossa rentabilidade. Para isso, podemos aumentar a receita e/ou reduzir custos.

Podemos piorar a fórmula, piorar a qualidade do produto para quebrar antes e comprarem mais, podemos reduzir o tamanho da embalagem, assim como configurar a máquina para colocar umas gramas a menos nas embalagens, alguns metros a menos no rolo, o cliente não tem como conferir mesmo…

Onde está o limite entre a otimização e a ética?

ALEX (CEO): José, hoje eu tenho um almoço com um amigo. Ele é presidente de uma grande indústria alimentícia e quero que você me acompanhe.

Os almoços e jantares de negócios fazem parte do dia-a-dia de um executivo e você precisa começar a aprender como se comportar e como eles funcionam. O bom é que hoje é com um amigo, portanto, você não precisa se preocupar.

É importante que você observe tudo, pois é uma boa forma de aprender.

JOSÉTá bão Seu Alex. A gente vai comer essas comida esquisita ou comida de verdade?

Risos…

ALEX (CEO): Fica tranquilo! É um bom restaurante, mas tem “comida de verdade”, como você diz.

Vamos lá?

Tudo era muito diferente para o José.

Manobrista na porta do restaurante, uma pessoa com guarda-sol para acompanhar o cliente até a porta, outra pessoa pra recepcioná-lo na entrada, mais uma pra acompanhar até a mesa, enfim… muita gente pra servir.

Alguns minutos depois, chegou o amigo do Alex e começaram a conversar sobre amenidades, família, política, viagens, etc., e José só observando, até chegar o momento de falar de negócios.

ALEX (CEO): E como estão os negócios?

O amigo olhou para o José e depois para Alex, como se estivesse perguntando com o olhar se o José era de confiança.

Alex entendeu e disse para ele não se preocupar, já que o José é como se fosse um familiar, então a conversa poderia fluir tranquilamente. Ressaltou também que está ensinando a ele tudo o que sabe.

AMIGO DO ALEX: No ano passado o EBITDA* aumentou 8,5%, mesmo durante uma pandemia. Nossos concorrentes caíram entre um 10% e um 20%. Mas já sabe como funciona isso, nunca é suficiente, este ano temos de crescer de novo.

O amigo percebeu que o José arregalou os olhos com os números (mesmo sem saber o que era EBITDA).

AMIGO DO ALEX: José, já que o Alex está te ensinando como funciona este mundo, deixa eu te explicar. A gente é pago para cumprir objetivos, não importa como. Na verdade, existem algumas regras que se chamam governança e obviamente a lei.

E quando a gente acaba o ano fiscal, zera tudo, e o próximo ano começa tudo de novo, só que com um objetivo maior e mais difícil.

É muita pressão.

JOSÉ: Ah! Agora eu entendo. É por isso que o senhor ia pescar cada vez que acabava o ano?

ALEX (CEO): Isso mesmo José, era meu ritual para desestressar um pouco. Ter um tempo só pra mim.

Alex dirige-se a seu amigo.

ALEX (CEO): Qual o seu plano pra esse ano?

AMIGO DO ALEX: Sinceramente, estou tão esgotado que estou fazendo o que eu pensava que nunca faria.

Praticamente esgotamos a via de incrementar receita de forma orgânica, o mercado está recessivo pela pandemia e a concorrência agressiva, está difícil roubar market share.

Reduzir custo então, já tocamos o osso.

O caminho é a inovação, e estamos fazendo parceria com startupshackathons, mas isso é uma roleta russa. A gente pode encontrar uma solução ou um produto amanhã e arrebentar, ou pode não encontrar nunca.

ALEX (CEO): E o que vocês vão fazer pra crescer neste cenário?

O executivo resistiu um pouco antes de contar na frente do José, como se tivesse vergonha de falar o que estava fazendo.

AMIGO DO ALEX: O ano passado começamos a trabalhar a otimização e a engenharia de produção. Começamos a reduzir sutilmente as embalagens ou o produto.

Por exemplo, estamos configurando as máquinas para colocar 5 gramas a menos de margarina em cada pote. Foi assim que batemos a meta do ano passado.

Este ano vamos fazer com os biscoitos.

José, isso não é nada ilegal, nós informamos na embalagem o novo peso.

JOSÉ: Eu num falei nada não senhor.

AMIGO DO ALEX: Eu sei, não estou me justificando, só estou te dizendo como parte de seu aprendizado. Nós, eu o seu chefe, não fazemos nada ilegal, a pressão é grande, exploramos o limite, mas cumprimos as leis e as regras. Isso é importante que você aprenda.

E é importante que saiba que tem gente no mercado que vende produtos abaixo das especificações, mas nós não.

Papel higiênico abaixo da metragem, manteiga com menos quantidade porque injetam “bolha de ar” nas máquinas para preencher menos potes, enfim…

JOSÉ: Sim senhor.

AMIGO DO ALEX: Você sabia que a maioria dos consumidores não olha o peso ou quantidade dos produtos? Mas, se questionarem a redução, dizemos que nos adequamos a realidade do mercado, que as pesquisas mostram que os consumidores se preocupam com sua saúde e esperam produtos com porções menores.

Desta forma, tudo resolvido.

JOSÉ: Obrigado pela explicação.

Falaram um pouco mais de negócios, mercado, bolsa, política e terminaram o almoço.

Na volta ao escritório, Alex comenta a José:

ALEX (CEO): José, essas duas horas custam uma fortuna. Além de tudo o que você ouviu, e espero que tenha assimilado, ele foi super gentil te orientando em relação à otimização de custos na produção. É um grande aprendizado, José.

Você gostou?

JOSÉ: Depende.

ALEX (CEO): Depende de quê?

JOSÉ: Eles reduzem os preços também?

Alex solta uma gargalhada.

ALEX (CEO): Não, José! Com a inflação aumentando, flutuação do câmbio encarecendo a matéria-prima, aumento do frete, risco país, índice de confiança e macroeconômicos ruins, seria impossível manter o preço, que dirá reduzir.

Eles cresceram no ano passado reduzindo a quantidade do produto, porém aumentando o preço.

JOSÉ: Imaginei. Então Seu Alex, a minha resposta é não.

ALEX (CEO): Como assim?

JOSÉ: O senhor me perguntou se eu gostei do que ele me ensinou. E a minha resposta é não.

Lá na roça o Tião, que vende queijo, quando o pessoal pechincha no preço ou quer ficar com o troco, ele fala:

  • “A diferença entre você me dar 1 real e eu te dar 1 real, é 2 real”.

Se o amigo do senhor reduz o produto e sobe o preço, significa um aumento em dobro.

Pode ser legal, que nem ele falou, mas acho que não é ético não.

O senhor vai me desculpar Seu Alex, mas fazer isso, pra mim, é uma forma “granfina” de enganar o cliente…

 

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PS: a grafia correta da palavra “granfina” dita pelo matuto é grã-fina.

*EBITDA = Sigla para earnings before interest, taxes, depreciation and amortization, em português, lucro antes de juros, impostos depreciação e amortização. Em definição simples, serve para medir a eficácia das operações financeiras de uma empresa.

 

Imagem: BE&SK

Humildade intelectual é sinal de inteligência

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

 

ALEX (CEO): Não concordo!

É um absurdo sem tamanho, temos que continuar fazendo o que sempre fizemos.

Aborte esta ideia absurda, já!

 

José entra na sala do Alex.

JOSÉ: Dia Seu Alex, Dia Seu Felipe!

FELIPE (CMO): Só se for pra você José…

 

Felipe sai da sala visivelmente frustrado.

ALEX (CEO): Bom dia, José!

Espero que você esteja animado porque hoje a agenda está cheia.

Ah! Se quiser, aproveita pra sair hoje à noite, porque eu tenho a minha reunião semanal com o grupo de líderes, e nessa você não pode ir.

O dia passou voando. Entre reuniões, a maioria internas, vídeos, etc.

ALEX (CEO): José, vou pra casa tomar uma ducha e ir à reunião.

O que você decidiu?

JOSÉ: Vou pra casa Seu Alex.

 

No caminho de volta, Alex passa o tempo todo ao telefone.

Alex entra e sai de casa resmungando, claramente indignado com alguma coisa.

Às 23h, Alex chega em casa, continua bravo, e vê José sentado na varanda, olhando pro jardim.

Alex abre um vinho e senta-se, calado, ao lado do José.

JOSÉ: O que aconteceu Seu Alex?

O senhor está injuriado o dia todo, é pela briga com o Seu Felipe hoje de manhã?

ALEX (CEO): Não, na empresa está tudo bem.

Aquilo não foi briga não.

JOSÉ: Uai! Então por que o senhor está bravo o dia inteiro?

ALEX (CEO): Lá no grupo de líderes, tem um cara lá que está metendo os pés pelas mãos. Ele nem pertence ao grupo de ex-presidentes do grupo e já está querendo mudar as coisas.

Aliás, é mais ou menos parecido com o caso do Felipe.

Eu criei esta empresa e há anos fazemos as coisas do mesmo jeito. Agora o Felipe quer mudar tudo.

Eu sei o que precisamos fazer.

Eu tenho mais experiência.

Nós estamos lá há muito tempo, já fizemos muitas coisas e esse rapaz está apresentando ideias sem sequer me consultar.

Onde já se viu!!!

Quem ele pensa que é?

 

José ouve com atenção, mas continua olhando para o jardim.

ALEX (CEO): José? Você está prestando atenção?

JOSÉ: Estou sim, Seu Alex.

ALEX (CEO): E não vai falar nada?

JOSÉ: Posso falar?

ALEX (CEO): Claro!

JOSÉ: É que o senhor tá falando que não gosta que façam nada sem pedir permissão pro senhor, né?

ALEX (CEO): Isso é diferente. Aqui eu estou perguntando (portanto, te dou permissão para responder)

Lá no grupo de líderes é diferente. Apesar de falarmos que somos todos iguais, na prática, são os jovens que ouvem os mais velhos e não o contrário.

JOSÉ: Mas como funciona Seu Alex? Os jovens têm que ouvir os antigo, mas podem tentar fazer as coisa do diferente ou eles têm que ouvir e obedecer?

ALEX (CEO): No nosso grupo de ex-presidentes, nós ouvimos todo mundo, e se a ideia for boa, a gente faz.

O problema é que não aparece nenhuma ideia interessante.

Nós estamos lá há anos e já fizemos tudo!

O que uma pessoa que ainda nem foi presidente pode saber que a gente já não saiba?

E esse foi pior ainda, porque ele até conversou com alguns ex-presidentes, mas não falou comigo.

JOSÉ: Entendi! Então o senhor está bravo porque ele falou com outros ex-presidentes e não falou com o senhor?

ALEX (CEO): Não! Bem, mais ou menos. Lá, não se faz nada sem passar por mim. Agora ele vai ver só, vou articular aqui para dinamitar a ideia dele.

JOSÉ: Mas se a ideia for boa?

ALEX (CEO): Pelo o que eu ouvi dizer por aí, não deve ser.

JOSÉ: Ah! O senhor nem sabe qual é a ideia?

ALEX (CEO): Ele cometeu um erro grave, não veio até mim… Não interessa se a ideia dele é boa ou não.

 

José ficou pensativo.

JOSÉ: Seu Alex, o senhor conhece a música Meu Disfarce do Chitãozinho & Xororó? É um modão.

ALEX (CEO): Não! Não ouço este tipo de música.

O que ela tem?

JOSÉ: Nela tem uma frase que diz:

“Digo coisas que não faço, faço coisas que não digo”.

Lá ele fala sobre o amor, mas aqui também serve, porque é isso que cêis tão fazendo.

Cêis falam que todo mundo é igual, que todo mundo pode apresentar projetos, mas quando alguém faz isso sem pedir a bença pro senhor, o senhor, sem conhecer a ideia, fala que é absurda.

Pro grupo dos cêis evoluir é preciso dar oportunidade para novas ideias, e para isso é preciso de humildade Seu Alex.

Humildade intelectual?

ALEX (CEO): Será possível? O que você quer dizer com isso? Até você, José?

Fala em tom irritado.

 

JOSÉ: Mesmo não gostando de sertanejo, o senhor sabe quem é o Chitãozinho & Xororó?

ALEX (CEO): Sei, claro.

JOSÉ: O Xororó é o pai da Sandy, e ela convidou o pai pra gravar uma música juntos.

O Xororó já gravou mais de 70 discos, meu pai tem todos. Ele já vendeu 40 milhão de disco.

Quem tava fazendo o arranjo e a produção da música era o Lucas Lima, o marido da Sandy. Aquele da família Lima, sabe?

ALEX (CEO): Sei! Onde você quer chegar José?

JOSÉ: Sabe por que o Xororó se manteve no mais alto até hoje? Mesmo com a onda do sertanejo universitário?

O Xororó tem 51 anos de carreira e o Lucas tem 38 anos de idade.

E sabe o que o Xororó disse quando chegou no estúdio?

“Lucas, eu ia te pedir, você como arranjador, pra dar uma sugestão”.

E sabe o que é melhor de tudo?

Ele ouviu e seguiu a sugestão.

Entre a experiência (e a voz) do Xororó, a voz maravilhosa da Sandy, as ideias e o talento do Lucas, o trabalho final ficou maravilhoso.

Lá na roça a gente não se importa quem dá a ideia, se a ideia é boa, todo mundo abraça.

O senhor deveria ouvir o projeto dessa pessoa, antes de julgá-lo (e condená-lo).

O ego, a vaidade, a arrogância e a soberba não são boas companheiras.

ALEX (CEO): Você está me chamando de arrogante?!!!

Você não entendeu nada José!!!

Eu sou mais velho e, por isso, sei mais.

JOSÉ: Por isso mesmo Seu Alex.

O pai falava: “quanto mais velho eu sou, mais eu sei”.

Mas cada dia aparece uma coisa nova pra aprender e aí eu aprendo que num sei nada.

Sabe Seu Alex, acho que aqui na cidade cêis confunde humildade com servidão.

Lá no sítio nóis senti orgulho de ser humilde, mas isso num significa que nóis agacha a cabeça pra tudo não.

O nosso orgulho é por saber que nóis num sabe tudo.

De respeitá a natureza e saber que nóis nunca vai controla ela. De usar a sabedoria popular.

De saber que antes de falar, nóis temo que ouvir, por isso nóis tem dois ouvidos e só uma boca.

A Humildade intelectual é sinal de inteligência Seu Alex.

Quer vê só? Feche os olhos e ouve essa música, é bonita demais da conta!

 

 

Silêncio por uns segundos…

ALEX (CEO): Boa noite José!

JOSÉ: Boa noite Seu Alex!

Só mais uma coisinha!

Posso pedir um favor pro senhor?

Assiste o vídeo o Xororó dando uma aula de humildade e por favor compartilha com os amigo de nariz empinado do senhor.

ALEX (CEO): Se eu não tivesse prometido cuidar de você pro seu pai…

Alex se levantou bravo e saiu, talvez irritado consigo mesmo.

[Este vídeo deveria ser mostrado em todas as escolas de negócio. Vale a pena assistir e aprender. É uma lição de humildade que mostra que a excelência e a inovação só podem chegar com a humildade intelectual das equipes]

 

Imagem: BE&SK

Senso de dono: Cada um no seu quadrado e o ser humano no de ninguém

 

ALEX (CEO): Bom dia, pessoal!

Após a revisão dos nossos resultados do último mês, estou super satisfeito! Parabéns a todos os líderes, estamos bem em todos os KPI’s.

Batemos todas as metas!

SANTOS (CRO): Eu gostaria de aproveitar para dizer que conseguimos bater a meta de vendas, mas não dá mais pra trabalhar desse jeito.

ALEX (CEO): Como assim Santos?

SANTOS (CRO): Este mês não sei se vamos conseguir chegar… 

ALEX (CEO): Não começa a chorar que estamos no início do ano e o target já está negociado Santos.

SANTOS (CRO): Não estou negociando nada, estou falando sério. Eu tive que parar toda a equipe de vendas durante 3 dias, porque o Fábio bloqueou os fornecedores. Eles não entregavam os produtos, os projetos pararam e os clientes não deixavam faturar… Tivemos que ficar cuidando disso ao invés de vender.

FABIO (CFO): Se quiséssemos cumprir com os KPI’s financeiros, tínhamos que cobrar dos clientes e não pagar os fornecedores por uns dias. Não é o fim do mundo, vai, todo mundo faz isso!

O Alex vive dizendo que temos que ter senso de dono, que cada um tem que cuidar de sua área como se fosse sua, não é?

Foi o que fiz, cuidei da minha.

SANTOS (CRO): Mas eu não posso queimar a relação com os clientes, pedindo para eles liberarem o pagamento sem ter o projeto terminado. No próximo projeto isso vai custar dinheiro.

FABIO (CFO): Aí o Breno aperta um pouco os fornecedores, reduz os custos do projeto e tudo resolvido. (tom de ironia, uso de brincadeiras para cutucar o colega).

BRENO (COO): Claro, como se tudo já não estivesse apertado… Aproveitando o gancho, se quiserem suspender os fornecedores grandes OK, mas, não suspendam os parceiros de serviços pequenos. Primeiro porque eles param de trabalhar e segundo porque nós os asfixiamos desse jeito. 

FABIO (CFO): Breno, a política é para todos, senão a auditoria nos levanta uma inconformidade. Se a empresa não tem fôlego, não entra na piscina. Se quiser trabalhar com a gente, tem que aceitar as nossas regras. Quem é o cliente aqui? Nós ou eles? Você vive os chamando de parceiros, mas eles não passam de fornecedores que deveriam agradecer por dar-lhes projetos.

BRENO (COO): Que fácil se vê o mundo detrás da calculadora, no conforto do ar-condicionado da sua sala… Mas quando a equipe está no cliente, final de semana às 2h da manhã e precisamos da ajuda de um desses “fornecedores” como você se chama. Eu ligo, sem PO*, sem contrato, e o cara vem salvar o projeto, pra você bater as suas tão sonhadas metas…

ROSA (CLO): Tem fornecedor atuando sem PO nos clientes? Nem me fale isso, eu prefiro não saber. Isso é totalmente non compliance.

BRENO (COO): Tranquilo! Antes acontecia bastante, mas agora não acontece. Quase nunca.

(Sussurrou Breno)

Mas pera lá, não temos que cuidar do negócio como se fosse nosso? E a regra não tem que ser a mesma para todos?

Eu tenho que me virar para fazer as coisas acontecerem. Porque, se eu não entregar, é a minha cabeça que rola.

Portanto, cuido do meu negócio como se fosse meu, respeitando a governança da empresa, mesmo que seja no limite.

ALEX (CEO): E eu que pensei que a reunião de hoje seria tranquila. Era para comemorar os bons resultados, todo mundo vai ganhar dinheiro.

Mas já que vocês entraram no tema, todas estas coisas são normais. Fazem parte do negócio. Afinal, se quisermos ser competitivos lá fora, temos que aprender a ser aqui dentro também.

Agora vamos mudar de assunto…

CLAUDIO (CHRO): Eu tenho um tema muito preocupante. Apesar de a empresa estar batendo as metas, ganhando dinheiro a rodo, enfim, tudo indo muito bem, o nosso turnover não para de aumentar no último ano.

ALEX (CEO): Mesmo depois da divulgação da GPTW**?

CLAUDIO (CHRO): Sim!

FABIO (CFO): Se as pessoas não querem trabalhar aqui… Melhor que não fiquem mesmo. E o melhor de tudo isso é que se eles saem espontaneamente, não temos que pagar nada.

ALEX (CEO): Cláudio, precisamos entender o que está acontecendo e buscar uma solução rápida.

 

Neste momento, Alex olhou pro José e percebeu que ele tinha algo a dizer.

ALEX (CEO): José? Algum comentário?

JOSÉ: Pra falar a verdade Seu Alex, eu já estou aqui há algumas semanas e tava estranhando que tudo fosse tão certinho. Todo mundo tão amiguinho, hoje deu pra ver um pouco de bate boca, que nem quando o pai ia lá no buteco, tomava umas cana e começava a falar de futebol.

ALEX (CEO): Tá, mas o que você achou da discussão de hoje? 

JOSÉ: Ôceis fala o tempo todo que o mais importante pra empresa são os clientes. Os funcionário também são importante porque eles são os que trabaiam, num é?

ALEX (CEO): Sim. E nossa empresa é totalmente customer centric. Os objetivos que colocamos para todas as áreas são pensando nele, que elas façam seu melhor para entregar a excelência ao cliente.

JOSÉ: Pelo jeito não tá dando certo não Seu Alex. Acho que os objetivo dos cêis ficou mais importante. O senhor começou a reunião falando que o cêis bateram as metas e que todo mundo ia ganhar dim-dim.

Falaram de um monti de coisas, e quando falaram das duas coisas mais importante foi pra dizer que tiveram que pedir favor pros cliente pra bater as meta interna, e que os povo está pegando a matula e indo embora. 

Todo mundo tem o seu objetivo, mas quem tem o objetivo de atender o cliente e cuidar das pessoas?

ALEX (CEO): Todos os que estamos nesta sala, José. 

JOSÉ: Pois é… cêis falam desse tal “senso de dono”. Lá na roça a gente sabe que cachorro com dois dono morre de fome.

Pelo jeito aqui todo mundo faz ou acha que faz a “sua” coisa certa, pro seu próprio interesse, mas ninguém faz o que deve ser feito.

Que nem aquela música, cada um no seu quadrado, mas as pessoa não estão no quadrado de ninguém. 

 

 

*PO = Purchase order, em português, Ordem de compra ou pedido de compra.

**GPTW = Great place to work, em português, melhores empresas para se trabalhar. Anualmente é divulgado um ranking com as organizações consideradas as melhores, no âmbito nacional, regional, setorial e temático.

 

 

Imagem: BE&SK

Diversidade para mulher, negro, LGBT+ e inglês ver…

 

 

CLAUDIO (CHRO): A reunião de hoje é pra falar sobre diversidade.

Temos vários temas a tratar e eu gostaria de apresentar a vocês a importância que tem pra gente buscar paridades.

Mas antes, quero comentar que esta semana pagamos a inscrição para conseguir a certificação Great Place to Work – GPTW (Melhor lugar para trabalhar)

Começa a apresentação sobre diversidade e o plano de ação. Após 40 minutos de apresentação…

 

ALEX (CEO): Parabéns Claudio! Alcançar estes parâmetros de diversidade para equipararmos ao mercado é inegociável, precisamos fazer.

A gente nunca fechou as portas pra ninguém, não discriminamos cores, raças, sexo, classes sociais.

Não discriminamos ninguém, e me orgulho disso, mas agora temos que fazer mais do que isso, e um ponto importante, temos que mostrar o que fazemos.

Portanto pessoal, se tiverem amigos ou amigas negras, orientais, gays ou com necessidades especiais, indiquem para as posições.

Precisamos mostrar que nos importamos com esses coletivos.

 

FELIPE (CMO): Cláudio, quando sair a certificação GPTW, me avisa porque preparo o material para divulgação.

Eu também vou começar a preparar um material com fotos de “pessoas diferentes”, sem ser tão explícito como a Benetton, mas passando uma imagem diversidade.

 

ALEX (CEO): Outra coisa Claudio, negros e orientais são visíveis, mas gays, como as vezes não da pra saber, provavelmente a gente já tenha vários trabalhando aqui. Podemos começar fazendo um comitê para que eles… não sei como dizer, se declarem, digam o que pensam e proponham alguma mudança nas políticas da empresa se considerarem necessário.

Temos que mostrar que esse pessoal nos importa. É tendência mostrar-nos tolerantes às diferenças e dar voz a todos.

Aproveitando a reunião, como ficou aquele assunto da contratação das pessoas com necessidades especiais que comentamos na reunião risco.

 

CLAUDIO (CHRO): Sim, está avançado. Vou pedir pra Beth nos atualizar. Um segundo.

Beth, te mandei um link, entra na reunião para falar do status da contratação das pessoas com necessidades especiais, por favor.

 

Beth entra na videoconferência.

 

BETH (RH): Olá a todos!

A situação é a seguinte:

Por lei, nós somos obrigados a contratar pessoas com necessidades especiais.

Mas nosso negócio é muito específico e temos dificuldade em encontrar no mercado pessoas com a formação e perfil que buscamos.

 

BRENO (COO): Quantas pessoas deficientes precisamos contratar?

 

BETH (RH): 30

 

BRENO (COO): Eu consigo absorver uma boa parte na área de suporte se fecharmos o projeto Abadia. Vou precisar de gente.

 

BETH (RH): Sim, é para a sua área mesmo que estávamos pensando.

 

SANTOS (CSO): Boa, porque pra mim não dá porque não podemos colocar este tipo de gente para atender clientes, nem presencial nem por vídeo porque não é o tipo de imagem que queremos dar.

 

CLAUDIO (CHRO): Santos… (em tom de chamada de atenção)

 

BETH (RH): Sr. Santos, talvez seja melhor dizer que o mercado não está preparado para ter pessoas com necessidades especiais ou diversas em posições face-to-face.

Nós até achamos uma pessoa para sua área, mas o tipo de deficiência dela nos obrigava a fazer algumas modificações no prédio.

Existem algumas empresas de recrutamento e seleção especializadas, mas são caras.

Então o Cláudio me pediu pra fazer o cálculo para saber se compensa contratar essas pessoas ou pagar a multa que a lei estabelece. Devemos ter o número até terça que vem, e eu passo pra vocês tomarem a decisão na próxima reunião, OK?

 

ALEX (CEO): OK! Obrigado Beth, bom trabalho. Precisamos mesmo otimizar ao máximo porque os objetivos do próximo ano serão agressivos.

Bem pessoal, ao trabalho!

Obrigado!

Alex e José, voltando para casa.

 

ALEX (CEO): E aí José? Tudo bem?

 

JOSÉ: Tudo sim senhor.

 

ALEX (CEO): Hoje eu estou feliz, porque depois do poema sobre o Mundo moderno que você me contou ontem, hoje eu vi que podemos começar mudar o mundo se conseguirmos o GPTW e aumentar a diversidade na empresa seguindo as best practices12 do mercado, você não acha?

 

JOSÉ: Quer saber mesmo a minha opinião?

 

ALEX (CEO): Claro!

 

JOSÉ: Então lá vai.

O senhor falou que se sente orgulhoso de não discriminar ninguém e ter as portas da empresa abertas para todo tipo de pessoa.

Mas se o senhor só contrata estagiários e trainee que sabe inglês e espanhol, que estudaram nas melhores universidades do país, e lá só estuda gente rica.

 

ALEX (CEO): Mas aí é porque buscamos a excelência. Queremos os melhores profissionais.

 

JOSÉ: Então tá, mas não diga não discrimina.

Ceis pedi tanta coisa pra entrar aqui, que no final a maioria, pra num fala todos, que o senhor contrata são brancos e ricos.

Isso não é uma forma de discriminar?

 

ALEX (CEO): Nunca tinha pensado por este ângulo. José, você acabou de dar a primeira contribuição à empresa. Claudio, pensa em uma solução pra isso.

Mais alguma coisa José?

 

JOSÉ: Sim senhor, mas essa eu acho que não tem muita importância.

 

ALEX (CEO): Tudo é importante aqui.

 

JOSÉ: Então tá. Como se discute essa tal de diversidade quando na reunião tinha sete homens e uma mulher? E pior ainda, nenhum negro. E sem homi que gosta de homi eu não sei.

Lá no rancho a gente diz que uma pessoa não pode falar de porco se nunca pisou no chiqueiro.

Olhares incômodos…

E por último, teve uma coisa que o senhor Claudio falou que deixou a cabeça loca.

 

ALEX (CEO): O que foi?

 

JOSÉ: Ele disse que vocês querem ter o tal do certificado de melhor empresa pra se trabaiá, num é?

 

ALEX (CEO): Isso.

 

JOSÉ: Mas na minha cabeça isso não conjumina ser a melhor empresa pra se trabaiá e fazer o cálculo se vale a pena ou não contratar pessoas com pobrema.

O senhor pode me explicar?

 

ALEX (CEO): Veja bem… São coisas diferentes… Com o tempo você vai entender o que a pressão pelos números faz.

 

JOSÉ: Eu acho que não Seu Alex. O senhor até pode ter boa intenção, mas parece que essa tal diversidade que ceis falam aqui, como diria a mãe, é só pra inglês vê…

Mundo VUCA, Mundo BANI, Mundinho m…

 

ALEX (CEO): Que manhã bonita! Temperatura agradável, o parque está vazio. Perfeito!

JOSÉ: Aqui  na cidade é tudo diferente, mas esse parque é gostoso. Como se chama?

ALEX (CEO): Parque Villa Lobos! 

Vamos aproveitar enquanto estamos caminhando pra eu te contar sobre o Mundo VUCA e o Mundo BANI, porque depois quando começar a correr… não dá mais pra falar.

Vamos lá.

O termo VUCA foi criado pelo exército americano no final dos anos 80, em um cenário pós guerra-fria e é um acrônimo, uma sigla, das palavras em inglês: Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity, ou seja, Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade.

No início dos anos 2000, este conceito chegou forte no mundo corporativo e nos ajudou a ver que o mundo era:

Volátil porque as mudanças no mundo empresarial começaram a acontecer muito rápido. Isso nos obriga a sermos ágeis.

Incerto porque tudo muda o tempo todo, fica cada vez mais difícil prever os resultados futuros.

Complexo porque agora tudo está conectado e qualquer coisa que aconteça em outro lugar nos afeta aqui, e isso torna os nossos cenários econômicos complexos.

E por fim, Ambíguo, isso significa que é difícil se planejar, por conta da falta de clareza e pela falta de controle de todas as variáveis de qualquer problema.

Este conceito tornou-se popular há alguns anos e, ao entendê-lo, passamos a gerir nossos negócios de uma maneira diferente.

José, como bom observador, fica concentrado na explicação de Alex, e claramente se sente orgulhoso de seus conhecimentos.

ALEX (CEO): Entendeu? 

JOSÉ: Não!

ALEX (CEO): Como não?!!!

 JOSÉ: Seu Alex, ceis complica demais da conta as coisas e coloca nome complicado pra tudo. Quer só:

Lá na roça, as coisas muda muito rápido, o clima, os preço do mercado, as vontade do pai, os animais que tem dia que estão bão e no outro já não tão. Isso é esse tal de volátil?

E incerto então?

A gente nunca tem certeza do que plantar, se a lavoura vai ser boa, se a safra vai ser boa, se não vai ter praga, se o preço vai compensar.

nóis nunca tivemos certeza de nada.

Quer que eu continue?

ALEX (CEO): OK, já entendi. Você quer me dizer que lá no sítio vocês também tem um ambiente VUCA?

JOSÉ: Não Seu Alex, o que eu quero dizer é que as coisas são assim desde que o mundo é mundo, e no sítio não precisamos de ninguém pra nos contar isso.

ALEX (CEO): Entendi… Mas agora você vai ver porque já não falamos do Mundo VUCA, agora estamos vivendo em um Mundo BANI. Quer ver você se sair dessa, seu matuto metido sabichão. (risos)

Este conceito foi criado pelo antropólogo, autor e futurista norte-americano Jamais Cascio, que observou a pandemia tornar o Mundo VUCA ultrapassado.

Agora vivemos em um mundo BANI que significa “Brittle, Anxious, Nonlinear, Incomprehensible”, ou seja, Frágil, Ansioso, Não-linear e Incompreensível.

Frágil porque a pandemia nos mostrou que estamos expostos a qualquer coisa e não somos nada perante a natureza.

A consciência dessa nossa fragilidade criou um mundo Ansioso.  Esta doença está se convertendo em uma das doenças mais comuns de nossos tempos e o Brasil é o país com o maior número de pessoas com transtorno de ansiedade do mundo!

Não-linear é uma característica de nossos tempos, os eventos parecem desproporcionais e totalmente desconexos. Não há um padrão, uma sequência de eventos e organizações estruturadas e rígidas não conseguem atender ao mercado.

As tomadas de decisões corporativas sempre devem obedecer a uma lógica e estar baseada em dados, porém, a lógica já não funciona. Às vezes quanto mais dados e mais análises, pior. E isso torna nosso mundo Incompreensível e nós executivos temos um grande desafio.

E agora? O que tem a dizer?

JOSÉ: Me desculpa, eu não quero ofender o senhor nem esse antro-não-sei-o-quê que criou essa bobada.

Quem está perto da natureza e do ser humano, é perfeitamente consciente de que não somos nada.

As pragas surgem sem avisar.

A morte idem, meu pai estava bão num mês no outro ele morreu.

E claro, como respeitamos a natureza e suas leis, respeitamos o altíssimo, cada um com sua crença, não ficamos ansiosos por aquilo que ainda não aconteceu.

Uma pergunta Seu Alex, esse povo que inventa esse Mundo que o senhor falou aí, ganha dinheiro com isso?

ALEX (CEO): Ganha sim. 

JOSÉ: Então tá explicado tanta floritura para algo que sempre foi assim e sempre será.

Eu acredito que temos que lutar para melhorar o Mundo que o Chico Anysio descreveu, e o senhor pode fazer isso.

ALEX (CEO): Que mundo é esse José?

JOSÉ: Era isso o que eu meu pai queria que eu fizesse quando me mandou pra morar com o senhor, lutar contra esse mundo. O senhor pode se sentar?

[José começa a recitar o texto]

“E vamos falar do mundo, mundo moderno
marco malévolo
mesclando mentiras
modificando maneiras
mascarando maracutaias
majestoso manicômio
meu monólogo mostra
mentiras, mazelas, misérias, massacres
miscigenação
morticínio, maior maldade mundial
madrugada, matuto magro, macrocéfalo
mastiga média morna
monta matumbo malhado
munindo machado, martelo
mochila murcha
margeia mata maior
manhazinha move moinho
moendo macaxeira
mandioca
meio-dia mata marreco
manjar melhorzinho
meia-noite mima mulherzinha mimosa
maria morena
momento maravilha
motivação mútua
mas monocórdia mesmice
muitos migram
macilentos
maltrapilhos
morarão modestamente
malocas metropolitanas
mocambos miseráveis
menos moral
menos mantimentos
mais menosprezo
metade morre
mundo maligno
misturando mendigos maltratados
menores metralhados
militares mandões
meretrizes marafonas
mocinhas, meras meninas,
mariposas
mortificando-se moralmente
modestas moças maculadas
mercenárias mulheres marcadas
mundo medíocre
milionários montam mansões magníficas
melhor mármore
mobília mirabolante
máxima megalomania
mordomo, Mercedes, motorista, mãos
magnatas manobrando milhões
mas maioria morre minguando!
moradia meiágua, menos, marquise
mundo maluco
máquina mortífera
mundo moderno melhore
melhore mais
melhore muito
melhore mesmo
merecemos
maldito mundo moderno
mundinho merda!”

Alex não conseguiu conter as lágrimas.

ALEX (CEO): José, você não deixa de me surpreender. Então vamos para o escritório transformar esse “mundinho merda”. 

 

Imagem: BE&SK

Como pode funcionar o marketing de conteúdo se todo mundo quer falar, e quase ninguém está disposto a ouvir?

 

FELIPE (CMO): Bom dia pessoal! Amanhã vamos apresentar o plano de marketing do próximo ano, mas já posso antecipar a vocês, que além das ações corporativas, vamos apoiar-nos muito na geração de conteúdo por parte dos executivos, queremos transmitir uma imagem próxima ao consumidor e vocês terão que ser ativos nas redes sociais.

ALEX (CEO): Quem vai criar os conteúdos?

FELIPE (CMO): Ah! Não se preocupe! Nosso time de conteudistas fará todo o trabalho. Alex, no seu caso, nós cuidaremos da sua rede social, embora você também possa interagir com o público caso queira. Se houver alguma questão ou comentário que mereça a sua atenção, nós perguntaremos a você. Vamos intensificar a estratégia do marketing de conteúdo. Acabamos de contratar uma pessoa para ficar olhando o mercado e as redes sociais, assim nos manteremos atualizados e poderemos escrever sobre as últimas tendências. José, no seu caso que está começando é fundamental você comentar artigos e postagem de outras pessoas que tenham relevância e autoridade digital. Isso se chama subir em ombros de gigante. Esse conceito é bem antigo, procede de Isaac Newton, que escreveu em 1675: “Se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes.” Não importa se você conhece a pessoa, o importante é pegar carona na relevância dela. Você deve reenviar algum post e postar com frequência, no mínimo diária. Solicitar conexão com pessoas importantes para sua rede. Entendeu?

JOSÉ: Entendi sim.

FELIPE: De qualquer forma, vou pedir para te mandarem uma guia que temos para te ajudar no início. Até amanhã!

 

FIM DA REUNIÃO

 

Alex notou que José passou o dia mais calado, porém ficou receoso de perguntar o que estava acontecendo na frente de outras pessoas, quis evitar o constrangimento da reunião de ESG e decidiu perguntar no carro, no caminho de volta a casa.

ALEX (CEO): E aí José! Está tudo bem?  O que achou sobre o marketing de conteúdo?

JOSE: Pra ser sincero com o senhor, estou um pouco injuriado com esse tal de LinkedIn.

 

Risos do Alex…

 

ALEX (CEO): Eu notei que você estava mesmo calado. O que aconteceu?

JOSE: O senhor quer mesmo saber?

ALEX (CEO): Claro! Estamos sozinhos e pode me contar.

JOSE: Oh! Eu mandei convite pra um monte de gente, ninguém me respondeu. Quando eu coloquei que era trainee e assistente direto do senhor, choveu conexão… Por quê?

ALEX (CEO): Ah! Isso é normal no mundo corporativo. Quem não tem cargo importante, quer se conectar com quem tem. Quem tem cargo importante só se conecta com outro do mesmo nível. Com o tempo você se acostuma. Mas era só isso que te deixou chateado?

JOSE: Não senhor. Eu mandei mensagem para algumas pessoas, elas leram e não responderam. Será que é porque eu não sou importante ou é por falta de educação mesmo?

ALEX (CEO): Não fique chateado, pensa que você é apenas um trainee, e os diretores de empresas não tem tempo pra te responder.

JOSE: Mas lá no sítio, quando alguém pergunta ou pede alguma coisa, as pessoas respondem, mesmo que seja para dizer que não podem fazer o que pedimos. Lá nóis é simples mas tem educação.

ALEX (CEO): Não tome isso como algo pessoal. Sem contar que tem muita gente que se conecta a todo mundo porque está interessado em quantidade. Tem gente que se coloca meta de número de conexão: “Quero ter 10.000 conexões em 3 meses”, e passa o dia fazendo isso.

JOSE: Mas para quê?

ALEX (CEO): Para quando publicarem qualquer conteúdo, ele ser lido por mais pessoas.

JOSE: Mas se as pessoas passam o tempo todo se conectando e publicando, quando terão tempo de ler tudo o que os outros publicam também.

ALEX (CEO): Isso é impossível. Se eu fosse ler tudo o que me mandam e publicam, eu não trabalharia.

JOSE: Então agora que eu me perdi de vez Seu Alex. Me desculpe a minha “ingnorância” mas… Se o marketing de conteúdo significa publicar estórias, lá no sítio a gente chama de causo, para as pessoas verem, como isso pode dar certo se nesse tal de LinkedIn todo mundo só quer falar, e quase ninguém quer ouvir?

ALEX (CEO): Olha, mais uma vez eu não sei o que te responder, mas desta vez eu estou feliz. Quero que você faça essa pergunta ao Felipe amanhã na reunião. Toda nossa estratégia está baseada em marketing de conteúdo, vamos investir muito dinheiro nisso e estou curioso pra saber o que ele vai responder. Talvez em um mundo VUCA ou BANI que estamos vivendo agora, tenhamos que repensar algumas coisas.

JOSE: Mundo o quê Seu Alex?

Alex dá uma enorme gargalhada.

ALEX (CEO): Me desculpa José, falei como se estivesse falando com algum executivo. Já estamos chegando, mas te prometo que amanhã, durante a nossa caminhada eu te explico o que é o Mundo VUCA, Mundo BANI e as diferenças entre eles.

JOSE: Cada coisa estranha “oceis” fala.

ALEX (CEO): Agora vamos descansar. Isso se eu conseguir porque essa sua perguntinha do marketing me deixou com a pulga atrás da orelha.

 

 

Imagem: BE&SK

Como as empresas ESG pretendem construir um mundo melhor fazendo o que fazem?


 

ALEX (CEO): Bom dia a todos!

Antes de começar a reunião, gostaria de apresentar a todos vocês o José, meu novo trainee.

Ele vai me acompanhar no dia a dia, quero que seja um ano especial para ele.

José não tem uma formação acadêmica avançada, portanto, se ele não entender alguma coisa, conto com a ajuda de todos para darmos a melhor formação possível.

Bem, vamos começar!

Me contem sobre as iniciativas ESG.

 

 

FABIO (CFO): Bom dia Alex e seja muito bem-vindo José.

Em 2016 a ONU criou o PRI – Principles for Responsible Investment e os maiores e mais importantes fundos de investimento aderiram estes princípios e portanto devem agir em consequência.

Atualmente o PRI exige que 50% dos recursos administrados pelos fundos passem pelo filtro ESG. A partir de abril de 2021, o patamar mínimo subirá para 90%, portanto, se queremos existir para os investidores e para o mercado, devemos ser ESG.

ALEX (CEO): Mas nós somos uma empresa bastante correta, temos forte governança, temos programas de voluntariado, temos ISO14001, isso não é suficiente?

CLAUDIO (CHRO): Sem dúvida isso ajuda, temos várias iniciativas em andamento, mas para ser ESG é preciso ter tudo isso de forma mais estruturada.

ALEX (CEO): E quem deve estruturar isso?

CLAUDIO (CHRO): Muitas empresas estão concentrando as iniciativas ESG na diretoria de Relações com os Investidores.

ALEX (CEO): Antes de decidir quem vai liderar as iniciativas, eu quero uma lista de todas as ações que temos em andamento. Como a maioria delas estão com recursos humanos, quero que você consolide a lista e apresente na próxima reunião mostrando o que já temos e o que falta para sermos considerados ESG.

FABIO (CFO): Alex, ser considerado uma empresa ESG não serve somente para captar investimentos ou transmitir boa imagem para o mercado, os bancos também oferecem melhores taxas de juros na captação de recursos, e isso é fundamental para alcançarmos os objetivos de rentabilidade este ano, portanto eu quero estar próximo a este projeto.

ALEX (CEO): Claro Fábio. Já temos várias empresas ESG no país: indústrias, bancos, elétricas. Não podemos ficar de fora, portanto, temos que ser ESG sim ou sim.

Temos que atuar rapidamente, vamos criar uma agenda e reuniões periódicas. Claudio, organize isso por favor.

José, o que achou da sua primeira reunião?

Deu pra entender alguma coisa?

JOSÉ: Preferiria falar sozinho com o senhor.

ALEX (CEO): Pode falar aqui, não precisa ter vergonha. Essa é a minha equipe de confiança. E não me chame de senhor. rsrsrs

JOSÉ: Desculpe, mas pra falar a verdade Alex eu fiquei um pouco confuso.

ALEX (CEO): O que não ficou claro pra você? O conceito de ESG? Ainda temos uns minutos de agenda, pode perguntar.

JOSÉ: A parte de que vocês querem ser uma empresa ESG porque ganha mais dinheiro eu entendi. Também entendi que vocês querem ser reconhecidos como uma empresa ESG, pra tá no grupinho das empresas da moda. Lá na minha cidade isso se chama ser exibido. Mas tem uma coisa que eu não consegui entender.

Vocês disseram que ter essas iniciativas ESG são para empresas que querem construir um mundo melhor, não é?

ALEX (CEO): Isso mesmo José. Não é só pra ser mais rentável ou para “parecer bonzinho”, empresas ESG querem construir um mundo mais justo e responsável.

JOSÉ: Foi nessa parte que embaralhou minha cabeça Seu Alex. E não importa, eu poderia perguntar sobre qualquer tipo de empresa, a minha dúvida é para todas. Vocês falaram que na lista de empresas ESG estão as empresas mais responsáveis do mundo.

Pra vocês que são sabidos vai ser fácil responder minha dúvida.

Mas, por exemplo, como um “banco ESG” pretende construir uma sociedade melhor cobrando 300% de juros ao ano no cartão de crédito do meu primo Jão?

Olhares envergonhados entre os executivos e silêncio incômodo na sala…

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ALEX (CEO): Bem José, o mundo corporativo é complicado… Mas com o tempo você vai entender.

JOSÉ:  Acho difícil Seu Alex. Eu imagino que o trabalho dos engravatados desses prédios tudo em volta é tentar resolver esse tipo de pobrema, e se tanta gente estudada ainda não conseguiu é porque não deve ser fácil. Não é mesmo?

ALEX (CEO): Bem…

Agora temos que ir almoçar rapidinho porque depois temos muito trabalho pela frente. Nos próximos dias você terá treinamento, depois conversamos sobre isso.

Por certo, você já criou o seu LinkedIn?

Como profissional é importante você ter visibilidade nesta rede.

E como na próxima semana o pessoal de marketing vai nos apresentar o plano do próximo ano, preciso que você tenha o seu perfil ativo.

JOSÉ: Sim senhor.

Informações complementares no artigo do UOL Brasil lidera juros de cartão na América Latina, com taxas de agiota.

 

 

Para mais detalhes sobre bancos brasileiros veja o artigo Bancos brasileiros têm a maior rentabilidade sobre patrimônio entre bancos com ativos acima de US$ 100 bilhões. ItauUnibanco perde a liderança para o Santander Brasil.

 

Tudo começou quando um executivo contratou um matuto como trainee…

 

Alex, executivo de uma grande empresa, após o fechamento de ano fiscal, bateu todas as metas e recebeu uma promoção. Como todos os anos, após este período de muita pressão e estresse combinou com seus amigos passar uns dias pescando e descansando em seu rancho.

Para manter sua imagem de bom anfitrião, resolveu chegar dois dias antes para preparar tudo.

Ao chegar ao rancho, encontrou o Zé, filho único do caseiro, chorando.

ALEX: Bom dia Zé, o que aconteceu?

Seu Alex, me desculpe receber o senhor assim, chorando, mas meu pai está morrendo e quer falar com o senhor.

Alex correu para falar com o caseiro.

ALEX: Chico o que aconteceu? Por que você não me contou que estava doente?

CHICOSeu Alex, o senhor é muito ocupado, tem coisas mais importantes pra se preocupar. O senhor sabe que eu trabalho para sua família há mais de 40 anos, entreguei minha vida pra cuidar deste lugar como se fosse meu…

ALEX: Eu sei Chico, sempre te consideramos como da família, e por isso eu vou te levar ao médico e você vai se curar.

CHICO: Obrigado Seu Alex, mas o doutor que passa por aqui me falou que só Deus pode me ajudar. Eu só estou aguentando porque precisava conversar com o senhor.

ALEX: O que eu posso fazer por você?

CHICOSeu Alex, eu nunca pedi nada, mas agora que vou morrer, não quero que o meu filho fique desamparado e sozinho neste rancho. Quero um futuro melhor pro meu menino. Ele quer ficar no meu lugar, diz que é feliz aqui, mas eu quero que ele aprenda mexer nesses computadores que o senhor deve ter lá na sua empresa, isso é o futuro.

O senhor poderia dar um trabalho pra ele na sua empresa?

ALEX: Chico, meu pai te queria como um irmão, eu te respeito como um tio, por isso, não se preocupe, eu vou cuidar do seu filho. Você tem a minha palavra.

Todo ano temos um programa de trainee e eu vou indicá-lo.

Ele está fazendo faculdade?

CHICO: Eu não sei o que é isso que o senhor falou. O Zé fez uns cursos por aqui, dessas coisas de empresas, mas eu não sei muito bem o que é, melhor o senhor falar com ele.

ALEX: O programa de trainee da minha empresa é só para universitários das principais universidades do país, precisa falar inglês e espanhol, e ainda valoramos que tenha feito intercâmbio…

Os testes são exigentes e provavelmente ele não passaria, mas não se preocupe Chico, eu vou fazer diferente, vou colocar o seu filho para trabalhar diretamente comigo. Vou ensinar a ele tudo o que eu sei. Ele será uma espécie de assessor pessoal.

Chico, se emociona, e chorando chama a seu filho.

CHICOFio, eu sei que você quer ficar no rancho, mas vou te fazer meu último pedido. Quero que você me prometa que vai trabalhar com o Seu Alex lá na cidade. Ele falou que vai cuidar d’ocê e te ensinar tudo o que ele sabe. Me promete?

: Pai, o senhor sabe que eu quero ficar aqui, mas se esse é seu último desejo… eu quero fazer um trato com o senhor. Eu vou cumprir sua vontade, vou pra cidade estudar e trabalhar com o Seu Alex, mas um dia eu volto. Tá bão?

Poucas horas depois, Chico faleceu, Alex cancelou a pescaria e voltou pra cidade com seu novo trainee…

 

PRIMEIRO DIA DE TRABALHO

ALEX: Zé, aqui na empresa eu vou te chamar de José, é mais elegante.

Bom dia José! Tudo bem?

Está preparado para o seu primeiro dia de trabalho na empresa?

JOSÉ: Bom dia Sr. Alex!

Estou sim.

ALEX: José, não precisa de me chamar de senhor aqui.

E outra coisa, pode perguntar tudo o que quiser. Não guarde nenhuma pergunta.

Você deu sorte de começar hoje.

A primeira reunião é sobre o nosso projeto para ser uma empresa ESG, um tema super atual.

 

Se você quer saber como foi a primeira reunião do matuto corporativo, leia o 1º episódio da série, que será publicado na próxima semana.

 

Imagem: BE&SK
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