Primeiro crescer, depois ajudar

Este artigo foi publicado no dia 03/03/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

A prioridade de qualquer negócio é crescer, ganhar dinheiro, a responsabilidade social corporativa vem depois

Nunca foi tão fácil empreender, porém, continua sendo extremamente difícil fazer com que o seu empreendimento funcione e sobreviva.

Existem inúmeras iniciativas, hubs de inovação, incubadora, aceleradoras, hackathon, investidores anjos, e por aí vai. Até reality show de startups na TV.

Associado a este ecossistema, inúmeros profissionais e serviços surgem como mentores e prestadores de serviços. Escolas de negócio, trazendo receitas de sucesso do Vale do Silício, enfim…

Muita coisa nova acontecendo, relativamente recente, porém, para construir algo realmente novo e disruptivo devemos romper com algumas crenças limitantes do passado.

Vou me concentrar em uma específica, porque me chamou a atenção ter surgido em uma conversa com uma pessoa que eu acabava de conhecer.

Um profissional, jovem (millennial), tomou a decisão de aplicar todo o conhecimento que adquiriu em sua carreira e empreender. Nos apresentaram, conversamos sobre a Tecno-Humanização, e ele me comentou que havia gostado, que o conceito está alinhado com o que ele pensa e acredita.

Mas, de repente, uma frase sua me golpeou o estômago. A frase não é literal, mas expressa o sentido do que ele disse: “Queremos ter um modelo consciente, mas ainda é muito cedo, precisamos crescer primeiro, depois vamos ajudar a sociedade.”

Vocês conhecem a roda de rato? Pois é…

Onde o rato corre e não chega a lugar nenhum.

Esta frase é uma verdadeira construtora de roda de rato.

É ingênuo pensar que é devo construir um modelo baseado unicamente no lucro, e pensar que depois que tiver dinheiro, vou retribuir e devolver à sociedade uma migalha do que ganhei.

Em linguagem de startup, primeiro escalar, depois give back.

O problema deste modelo é que, e se você cresce, mas fica refém do crescimento. Seja o empreendedor ou seus investidores, todos querem, e muitas vezes precisam, de crescer, crescer e crescer.

A transformação a um modelo consciente e humanizado quase sempre vem pela necessidade, quando a empresa está enfrentando problemas, precisa se reinventar e já tentou todas as alternativas tradicionais de “fazer mais com menos”.

A ideia de que primeiro é preciso crescer para depois ajudar, provavelmente, esteja baseada na crença, muitas vezes inconsciente, de que ser rentável e humanizado são posturas antagônicas.

O pensamento de “ou eu ganho dinheiro ou eu sou bonzinho” nos foi transmitido por décadas, mas não condiz com a realidade atual, por dois motivos.

O primeiro é que empresas conscientes e humanizadas são mais rentáveis e lucrativas, segundo estudos fora e no Brasil.

Segundo, porque o grau de consciência tem aumentado, a busca por empresas, produtos e serviços conscientes é cada vez maior, o número de startups que já nascem com esta pegada é enorme e muitas empresas tradicionais estão se transformando.

A televisão, até muito pouco tempo atrás, foi o principal motor do consumo e do consumismo. Hoje, a televisão já transmite programas que ensinam consumo consciente. É uma grande mudança de paradigma.

O whole foods, aplicando conceitos de capitalismo consciente, colocou em xeque o varejo americano e a maior empresa varejista do mundo, o Walmart.

Todas as empresas que atravessaram crises ou sobreviveram a grandes momentos de transformações, eram genuínas.

Se eram inovadoras, eram de verdade, se eram austeras ou agressivas comercialmente, eram de verdade.

Construa seu modelo de negócio, desde o primeiro minuto, pensando em gerar lucro, ter um impacto social e meio ambiental positivo. Se precisar de ajuda de uma metodologia para isso, busque, mas não inicie de uma forma para mudar depois, é complicar sem necessidade, e o pior, nem sempre é possível.

Se você quer sobreviver em uma era de propósito, consciência e humanização, seja genuíno, e construa um negócio Tecno-Humanizado.

 

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Todo mundo pode empreender! Será?

Este artigo foi publicado no dia 14/01/2020 no R7 e inova360.

 

Os livros de autoajuda dizem que você pode tudo, inspiram e motivam as pessoas se lançarem. Mas isso é bom?

Você pode tudo!

Todo mundo pode tudo!

Você pode ser o que quiser!

São os mantras dos livros de autoajuda, e quem sou eu para discordar.

As redes sociais estão cheias de histórias de superação onde pessoas vencem barreiras aparentemente intransponíveis e alcançam objetivos improváveis, que mostram que tudo é possível.

Mensagens inspiradoras e positivas são sempre bem-vindas!

Mas devem ser feitas, sempre, com responsabilidade. E isso nem sempre acontece.

Para cada história de sucesso, há milhares ou milhões de pessoas que ficaram pelo caminho. O risco, e em minha opinião a irresponsabilidade, dos livros de autoajuda e das histórias de superação da internet, é que transmitem uma ilusão de que é fácil converter a exceção em regra.

Vou contar uma experiência pessoal.

Com 26 anos eu saí do país, sem falar o idioma do país para onde eu fui, com pouco dinheiro, sem experiência internacional e com uma esposa grávida. Trabalhei muito, me esforcei e venci. Construí minha vida, minha família e uma excelente carreira, cheguei executivo de uma multinacional.

Mas também conheci centenas de pessoas que foram para o mesmo país e cidade que eu, trabalharam tão duro quanto, mas voltaram frustrados e com uma mão na frente e outra atrás.

Lembro até hoje da conversa com uma prima, que me disse “eu quero sair do país, aqui nada dá certo pra mim, ninguém me da uma oportunidade.”

Ela sempre teve uma visão de que o mundo estava contra ela, que ninguém gostava dela, enfim…

E continuou…

“Quero ir para fora como você, eu não tenho preguiça, trabalho no que precisar. Como não falo nenhum idioma, além do português, minha ideia é trabalhar de garçonete, trabalhar duro, mais e melhor que todos as outras garçonetes, aprender o idioma nas minhas horas de folga, e tenho certeza que em alguns meses, com muito esforço, serei promovida a responsável dos garçons, depois a gerente, e em poucos anos, talvez seja sócia ou monte meu próprio negócio.”

Eu a ouvi com paciência e fiz somente uma pergunta:

“O plano me parece fantástico, mas por que você não faz o mesmo aqui? O que te faz pensar que sair do seu país, ir para um lugar onde você não fala o idioma, não conhece a cultura e não tem documentação, vai ser mais fácil que aqui?”

Ela ficou em silêncio, embora nunca me dissesse, mas eu imagino que tenha sentindo um ódio mortal de mim, por eu ter, supostamente, me unido ao resto da humanidade para estar “contra ela”.

Eu não sou ninguém para dizer quem deve ou não deve sair do país, quem deve ou não deve empreender, enfim, todo mundo tem o direito de fazer o que quiser, porém, me preocupa que tomem este tipo de decisão baseados somente nos casos de sucesso, que são a imensa minoria.

Os aspirantes a empreendedores devem considerar também os milhões de casos de fracassos e, o mais importante, saber se tem as características, as competências e as habilidades necessárias para empreender.

Eu não concordo com os livros de autoajuda que dizem que todo mundo pode tudo. Melhor dizendo, eu concordo apenas parcialmente com esta afirmação.

Sim, todo mundo pode fazer o que quiser, mas nem todo mundo pode fazer o que quiser com excelência.

E neste pequeno matiz é onde reside a diferença entre o sucesso e o fracasso.

Todo mundo pode ser vendedor?

É óbvio que sim.

Mesmo pessoas tímidas, que não se comunicam ou se expressam com eloquência.

Pessoas que não saibam negociar.

Enfim, existem cursos que podem te ensinar todas as competências necessárias para ser um vendedor. E isso ajuda muito.

Agora, a pergunta que devemos nos fazer:

Todo mundo pode ser um excelente vendedor?

Eu entendo que não.

Todo mundo pode ser jogador de futebol? Sim!

Todo mundo pode ser um craque? Não!

Todo mundo pode empreender? Claro que sim.

Todo mundo vai ter sucesso como empreendedor? Não!

A diferença entre um empreendedor “normal” e um empreendedor brilhante pode ser a falência.

Em um mundo cada vez mais competitivo, na corrida das startups não tem havido espaço para empreendedores normais, padrões e muito menos para medíocres.

Temos que ser responsáveis com as mensagens que damos, não podemos empurrar todo mundo da beirada do precipício para descobrir quem é capaz de voar.

Para empreender é necessário muito mais que um curso do Sebrae.

Isto é só uma pequeníssima parte. É necessário ter competências e principalmente atitudes que nem todo mundo tem. E não há nenhum problema nisso.

Como eu tratei em meu artigo A bipolaridade do empreendedorismo: Gênio ou inútil, nem todo mundo precisa ser empreendedor, executivo, chefe, rico, ou ter qualquer outro estereótipo para ser feliz.

Eu jamais diria se você deve ou não empreender.

Só te convido a uma reflexão e, mais que isso, a uma ação concreta.

Antes de queimar a sua rescisão e suas economias em um empreendimento, você deve saber se tem o perfil de empreendedor.

Existem ferramentas e profissionais no mercado que podem te ajudar com isso.

Conhecer os gaps que você tem e avaliar se o esforço para reduzir ou eliminar estes gaps valem a pena.

A partir daí, começa o processo para empreender.

E se o esforço for tão grande a ponto de não valer a pena?

Não há problema algum.

Quem disse que você precisa empreender para se realizar?

E se conseguir, mas não for acima da média?

Também não há problema algum.

Quem disse que você precisa ser um empreendedor brilhante e de sucesso para ser feliz?

 

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Os 4 passos para empreender com sucesso!

Este artigo foi publicado no dia 08/01/2020 no R7 e inova360.

 

Nunca foi tão fácil empreender, e nunca foi tão difícil fazer com o que o empreendimento dê certo

A receita do sucesso de muitos colunistas, blogueiros, youtubers ou influencers digitais é dar receitas de como ter sucesso.

Oferecer uma receita, lista, dicas, passos, lições de como ser milionário, como ter sucesso, como aprender inglês em 7 dias, ou qualquer coisa, vende! E como vende!!!

Então, eu também vou dar a minha receita. Em apenas 4 passos vou te ensinar como fazer para empreender com sucesso.

Empreender vem do Latim, IMPREHENDERE, que significa colocar em desenvolvimento e/ou execução, realizar tarefas.

Esta lista vai te ajudar em qualquer época do ano, mas principalmente no início, onde, com certeza, após o Réveillon, você fez a sua listinha de projetos, profissionais e pessoais, para 2020.

 

1º Passo: NÃO COPIE NINGUÉM, SEJA VOCÊ

Existem biografias fantásticas, elas devem servir para inspirar, mostrar que outras pessoas fizeram as coisas, não para que você faça as suas.

Ler o livro do Steve Jobs serve para ver como ele resolveu seus problemas, como ele desenvolveu seus negócios. Talvez te de ideias, insights, mas jamais para que você tente copiar e ser Steve Jobs.

Assistir ao filme Bohemian Rhapsody ou Rocketman, tentar se comportar como Freddie Mercury ou ser tão excêntrico como Elton John não vai te converter em um deles.

Existem diferentes versões de uma passagem sobre Mozart que é muito ilustrativa.

Mozart recebeu uma carta de um jovem de 15 anos perguntando como ele poderia compor uma ópera. Mozart respondeu que, com 15 anos, ele era muito jovem para compor uma ópera, que era algo muito complexo.

O jovem não se conformou e enviou outra carta questionando a resposta de Mozart, enfatizando como ele poderia dizer isso se ele próprio compôs sua primeira ópera aos 9 anos. Mozart respondeu novamente dizendo: “É verdade, mas eu não perguntei a ninguém como se fazia”.

Tentar copiar padrões é um erro porque você tenta fazer algo que outro já fez, porém, em outras circunstâncias, com outras habilidades ou competências, em outro entorno, enfim…

O Steve Jobs não leu “seu” próprio livro para aprender como ele tinha que ser, ele simplesmente foi.

Provavelmente ele se inspirou em outras pessoas, mas não copiou ninguém.

 

2º Passo: OUÇA TODO MUNDO, E FAÇA O QUE ACHAR CERTO

 A este tipo de comportamento, eu chamo de técnica da avó.

Com 18 anos eu comprei uma moto, cada vez que eu ia na casa da minha avó, ela me dizia para não andar no sol, não andar na chuva, não pegar estrada, enfim, recomendações de avó.

Eu dizia que sim a tudo.

Não fazia nenhum sentido discutir com minha avó de mais de 70 anos que só estava preocupada com o neto. Depois, eu fazia o que achava certo.

Leia muito, veja como outras pessoas fazem as coisas, converse com muita gente, ouça todo mundo, estude, depois, decida, com toda esta informação, o que faz sentido pra você.

Inclua uma variável importante a tudo – SEU FEELING.

Estude muito, aprenda todas as técnicas, desenvolva todas as competências possíveis e aplique todas elas com o coração, e não com a razão. O seu sentimento é tão ou mais importante que a técnica.

Seguir o que manda uma determinada instituição que da cursos que vêm da ONU, uma universidade por mais renomada que seja ou as melhores práticas do Vale do Silício sem aplicar fatores locais e pessoais, o seu sentimento e propósito, em minha modesta opinião, é uma barbaridade.

 

3º Passo: NÃO PEÇA CONSELHOS, BUSQUE MENTORIA

Pedir conselhos também não é uma boa ideia.

Porque quem da conselhos, normalmente, da um conselho a si mesmo. Diz ao outro o que ele gostaria de ser ou fazer, mesmo que de forma inconsciente. Ou, pior ainda, diz ao outro o que deve fazer, por interesse próprio, levando ao outro a uma posição que vai beneficia-lo.

Por último, e mais perigoso, a “internet” está cheia de pessoas que dão conselhos e “ensinam” técnicas maravilhosas sem nunca terem usado. Há pessoas que leram a Lei do Triunfo, de Napoleon Hill, e vendem cursos dos segredos das mentes milionárias.

Detalhe, muitas destas pessoas, e eu conheço alguns, estavam em uma situação extremamente delicada financeiramente. Não te parece estranho que a pessoa que vai te ensinar ser milionário, em alguns casos, tenha menos dinheiro que você?

Atualmente há muitos empreendedores de palco, que nunca levantaram uma empresa, nunca quebraram, enfim…

Tudo isso é tão absurdo como um celibatário dando orientações para a vida sexual de um casal.

Não espere que alguém te diga o que fazer. Se soubesse o segredo do sucesso, certamente usaria para ele.

Um mentor vai te ajudar a alcançar seus objetivos de forma mais rápida e assertiva. Porém, para que uma pessoa te ajude a encontrar o melhor caminho, ela já deve ter trilhado, de preferência mais de uma vez, diferentes caminhos iguais ou similares. Portanto, cuidado para não contratar um mentor que tenha muitas técnicas de mentoria, mas seja um “celibatário” em sua área de atuação.

 

4º Passo: NÃO ACREDITE EM RECEITAS PRONTAS, ELAS NÃO EXISTEM

O imediatismo e a preguiça são a combinação perfeita para formar clientes de receitas prontas.

O filósofo, professor e escritor Mario Sergio Cortella diz que prometeu a todos os seus filhos que, quando cumprissem 12 anos, ele os ensinaria o “segredo da vida”.

O filho mais velho, no dia do aniversário de 12 anos, o acordou às 4h da manhã, ansioso por aprender o tão esperado o segredo da vida.

E seu pai disse:

“Vaca não dá leite”

“Você tem que tirar”

Este ensinamento é fantástico, e deveríamos tê-lo como guia. A única receita pronta que funciona é o trabalho.

Portanto, se você começou a ler este artigo buscando 4 passos que te dissesse o que você tem que fazer, me desculpe, procurou a pessoa errada.

Eu não sei o que você tem que fazer para ter sucesso, mas disse o que você não deve fazer. Note que em 3 dos 4 passos, comecei o título do tópico com a palavra “não” – “não copie…”; “não peça…” e “não acredite…”.

Mas por que as pessoas buscam receitas prontas?

Porque tem medo de explorar, de errar, de fazer.

É sempre muito mais fácil que alguém nos diga o passo a passo.

Mas como isso não existe, a maioria das pessoas se conforma com a mediocridade.

Rodrigo Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, diz:

“A diferença entre o medo e a coragem, é a ação”

Pare de buscar receitas e trabalhe.

Acerte, erre, mas faça.

Aja, e agora!

 

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Você acha que não está exposto à transformação digital?

Este artigo foi publicado no dia 20/12/2019 na minha coluna no R7 e inova360

 

Pensar que seu negócio é pequeno demais para se Tecno-Humanizar, ou que a transformação digital não vai te afetar, é assinar o seu atestado de óbito corporativo.

Frequentemente vejo empresários dizendo “a minha empresa é muito pequena para um processo de transformação digital ou de negócios…

Diante deste pensamento, a pergunta me faço é: desde quando fazer as coisas corretamente exige um tamanho mínimo de empresa?

Um dos maiores erros que pode cometer um gestor ou um empreendedor é sofrer o efeito Dunning-Kruger. Isso pode condenar a sua empresa à morte.

Este efeito foi estudado em meados de 1990 por David Dunning e seu aluno Justin Kruger da Universidade de Cornell. Tudo começou quando McArthur Wheeler, de 44 anos, roubou dois bancos em plena luz do dia, sem máscaras nem disfarces. Ao ser preso e interrogado, ele não entendia como havia sido descoberto já que ele havia aplicado limão em seu rosto, conforme lhe haviam dito, acreditando que isso o faria invisível perante as câmeras de segurança.

Este crime, absurdo e inusitado, gerou o seguinte questionamento no professor David Dunning, da Universidade de Cornell:

“Poderia ser possível que minha própria incompetência me deixasse inconsciente dessa mesma incompetência?”

Dunning convidou um aluno brilhante, Justin Kruger, para realizar um estudo e encontrar uma resposta a esta pergunta.

O estudo demonstrou que quanto maior a incompetência de uma pessoa, menos consciente ela é sobre sua incompetência. Por outro lado, as pessoas com maior conhecimento, paradoxalmente, tendem a subestimar suas competências.

O resultado faz todo o sentido, já que para que uma pessoa reconheça e aceite sua própria incompetência sobre um determinado assunto, deveria ter os conhecimentos necessários para julgar se é incompetente ou não. Ao não ter esses conhecimentos não pode ser consciente de sua incompetência…

E o que a psicologia e o efeito Dunning-Kruger tem a ver com Transformação Tecnológica ou de Negócios?

Muito simples, o efeito Dunning-Kruger corporativo não se refere à incompetência, e sim à falta de conhecimento de uma área específica. E esse desconhecimento que sofre a maioria das empresas e profissionais liberais pode ser seu maior inimigo.

Ao não conhecer e/ou entender os impactos da transformação digital em seu negócio, ele é incapaz de julgar os riscos e oportunidades ao qual o profissional ou a empresa estão expostos.

O executivo sabe da importância e, além disso, da necessidade de realizar uma transformação em seu negócio, mas, em muitos casos, desconhece a magnitude da transformação à sua volta (conceito de transformação digital ativa e passiva).

É igualmente perigoso perder os trens das oportunidades que passam à sua frente como, por exemplo, não enxergar as ameaças que se aproximam vindas de fora de seu setor (concorrência transversal), sem que ele tenha o conhecimento e a metodologia adequada para detectá-los.

Normalmente os empresários e executivos se protegem inconscientemente de sua falta de conhecimento justificando que seu negócio é diferente, que tem particularidades e que está protegido por regulamentações, leis e conselhos regionais. Mais ainda, que seu negócio é único e isso lhe outorga um manto protetor (ou uma capa de super-herói) que lhe protege de todas transformações que estão acontecendo no mundo real…

Eles utilizam as mesmas muletas de sempre para justificar as dificuldades em seus negócios e, assim, atribuem os problemas basicamente a 4 coisas:

1) Problemas sistêmicos: crise econômica, excesso de burocracia, carga tributária, lei trabalhista, etc.

2) Crise política: instabilidade, corrupção, etc.

3) Falta de mão de obra qualificada e comprometimento

4) Se consideram pequenos demais

 

Porém, estes pontos são somente a ponta do iceberg e usá-los como escudo (desculpa) para justificar a situação de seu negócio é extremamente ingênuo e perigoso.

Os três primeiros fazem parte da cultura do país, crescemos ouvindo isso e os tomamos como verdades absolutas. Não quero dizer com isso que estes pontos não existam e que seus impactos não são relevantes. É óbvio que sim! Mas não são, em absoluto, impedimento para desenvolver seu negócio.

Entretanto, o quarto motivo não faz nenhum sentido – dizer que se é pequeno demais para passar por um processo de Tecno-Humanização seria como dizer que só precisamos aprender a falar quando atingimos a maioridade.

Uma banca de jornal, um vendedor ambulante, uma rede de lojas ou uma grande indústria pode, e deve, Tecno-Humanizar seu negócio.

Também não há momento. Se as coisas vão bem, você deve preparar o seu negócio para a próxima onda. Se vão mal, deve transformá-lo para evitar a quebra.

Porém, a transformação, digital e de negócio são complexas, não há receita pronta e, muito menos, mágica. Tentar fazer isso sozinho pode tornar pior a emenda que o soneto.

Para mitigar este enorme risco, as empresas não precisam saber tudo. Não há como eliminar totalmente o efeito Dunning-Kruger, elas precisam abrir sua mente, reconhecer a incompetência. Isso não é pejorativo, é de sábios, e contar com a ajuda de um mentor de transformação externo para que ajudá-las neste processo.

 

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A bipolaridade do empreendedorismo: gênio ou inútil

Este artigo foi publicado: no dia 05/11/2019 na minha coluna no R7 e no portal Inova360 e no dia 15/11/2019 no It Forum 365.

 

O crescimento da cultura empreendedora e os exemplos do setor tecnológico estão criando a tirania da obrigatoriedade do sucesso

Segundo os cânones impostos atualmente, você tem somente duas possibilidades, ser gênio ou inútil!

De que lado você está?

Segundo as redes sociais, os livros de autoajuda, algumas escolas de negócio pouco serias, palestrantes motivacionais depressivos e consultores de empreendedorismo teóricos, você pode tudo!

Aliás, segundo o “Vale do Silício” você não só pode tudo como deve ser o melhor em menos de um ano, já que vivemos em uma era exponencial.

Tomemos muito cuidado com isso!

Alguns pseudo consultores de empreendedorismo, que nunca empreenderam, somente leram meia dúzia de livros a respeito, se dedicam a transformar a exceção em regra, banalizando a genialidade.

Estas pessoas, usando frases de efeitos e técnicas de motivação, criaram a sensação de que você pode, deve e tem que ser o próximo Bill Gates, Steve Jobs, Jeff Bezos & cia, ou você é um inútil.

Mas de onde vem este entendimento e esta exigência?

São muitos os motivos, mas todos apontam para o mesmo setor: tecnologia.

Se olharmos os rankings das marcas/empresas mais valiosas do planeta dos últimos anos, independente da fonte que escolha, veremos que o número de empresas de tecnologia tem crescido. Este ano, 8 das 10 primeiras da lista são de tecnologia – Amazon, Apple, Google, Microsoft, Samsung, Facebook, Alibaba, Tencent e AT&T.

Vejam que Amazon e Alibaba deixaram de ser empresas de varejo para serem consideradas marketplace e, portanto, portais de serviços e produtos cujo core business é a tecnologia.

Se analisarmos a performance dos dez melhores CEOs em 2019, segundo um estudo da Harvard Business Review, cinco são do setor tecnológico – NVIDIA, SalesForce, Texas Instruments, Adobe e Microsoft.

NVIDIA e Texas não são conhecidas pelo grande público, mas têm crescido muito no mercado de componentes eletrônicos, que suporta aos crescimentos dos gigantes da lista anterior.

Segundo a lista da Forbes, 6 dos 10 maiores bilionários do mundo, são do setor da tecnologia – Jeff Bezos, Bill Gates, Carlos Slim, Larry Ellison, Mark Zuckerberg e Larry Page.

Enquanto as escolas de negócio ensinam que as empresas devem ser Customer Centric (orientada ao cliente), o mercado da transformação digital tem conduzido a todas as empresas e segmentos a serem Digital Technology Centric (centralizada na tecnologia digital).

Esta exposição massiva e o consumo superficial de manchetes com limitação de caracteres das redes sociais, a busca de receitas-de-bolo rápida de enriquecimento nos transmite a sensação de que temos que empreender, virar um unicórnio em no máximo 18 meses e se não o fazemos e não entramos nos rankings, teremos fracassados.

Por certo, se alguém acha difícil ou pouco provável atingir um valor de mercado de USD 1 bilhão em menos de 18 meses, temos mais de uma dezena de startups no mundo que já alcançaram. O caso que mais chamou a atenção foi o da jet.com que conseguiu esta façanha em 4 meses.

Fico feliz por eles, mas o problema que os pseudo consultores tomam este tipo de dado como a barra de medir e passam a dizer que, se alguém no Vale do Silício ou na Singularity disse que é padrão, todos devemos segui-lo (mesmo que não tenha sido dito por ninguém).

Outro dia li uma frase fantástica do Marc Tawil, que estava associada a outro contexto, porém serve perfeitamente aqui.

“Não compare o seu bastidor com o palco do outro”.

É obvio que devemos estudar estes cases, conhecer os hábitos de pessoas que se sobressaem, aprender e até copiar o que faça sentido, mas por favor, não imitem nem tentem ser quem não são.

Você não é Steve Jobs, e não precisa ser.

Você não é Jeff Bezos, ainda bem, você é quem é.

Embora seja óbvio, é necessário dizer que não precisa ser gênio, nem CEO, nem rico e muito menos famoso para ser feliz.

Não precisa virar unicórnio pra ter sucesso.

E muito menos o crescimento deve ser em 6 meses.

Como falamos no artigo Dessingularizando a Singaluridade, temos que correr sem atropelar.

Esta pressão adicional, e artificial, que criamos pode agravar os quadros de depressão e transtornos de ansiedade crescentes que estamos vivendo?

Não podemos afirmar, mas sem dúvida é uma variável a mais a ser considerada.

Não foi uma nem duas vezes que vi pessoas no LinkedIn dando conselhos e oferecendo cursos, como uma “receita infalível” e o passo-a-passo para transformar a sua mente em uma mente milionária.

Estas pessoas, algumas delas eu conheço, leram o segredo das mentes milionárias do Napoleon Hill e vendem cursos a respeito. Porém uma delas me disse que queria fazer o workshop da Tecno-Humanização, mas estava sem dinheiro.

Ler um livro e montar um curso a respeito, OK.

Ter problemas financeiros, acontece, todos temos em algum momento de nossas vidas.

Mas padecer do problema que se promete resolver…

Prestem muita atenção sobre a fonte onde você busca conhecimentos e ensinamentos.

Tem pessoas que nunca empreenderam dando mentoria de empreendedorismo.

E são estas pessoas que inundam as redes sociais com mensagens que você pode tudo, que você pode ser um gênio, que você pode empreender e ter sucesso. Na verdade, não passa de mensagens de autoafirmação e principalmente, serve de terapia para elas mesmas, não pra você.

E para isso, ler e ouvir (profissionais sérios e competentes) é muito importante. Porém, o único fator que te permite mudar a sua condição é FAZER, REALIZAR, EXECUTAR.

Se não sabe por onde começar, busque ajuda de um mentor.

Se não sabe como fazer, busque uma metodologia.

Se não consegue fazer, busque um especialista (sério) em inteligência emocional para desbloquear seus medos.

E ignore os cânones impostos pelo mercado, entre um gênio e um inútil, existem milhões de possibilidades que são perfeitamente válidas.

Basta encontrar a SUA, não a de outros.

 

Fontes:

Harvard Business

Review

Forbes Fleximize

 

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Dessingularizando a Singularidade

Este artigo foi publicado: no dia 17/08/2019 no ITForum365 e no dia 20/08/2019 em minha coluna no portal R7 e no portal Inova360.

 

Todo modelo, com o tempo, se deteriora e se distancia de seu propósito inicial

Um bom dia 4.0 pra você!

Você quer um café disruptivo ou exponencial?

As frases acima pareceram estúpidas? Pois é, você tem razão, elas são mesmo.

Você achou que elas te fizeram perder tempo?

É assim que eu me sinto quando leio a quantidade de bobagens e modismos que as pessoas seguem sem saber porque o estão fazendo.

Vivemos em uma era rodeados de tecnologias e modelos de negócios disruptivos e exponenciais, e segundo especialistas, isso nos levará a singularidade.

O conceito da singularidade foi emprestado da física, ele é usado para descrever fenômenos tão extremos que as equações não são capazes de descrever e levam as leis da física ao absurdo. Talvez o exemplo mais significativo que ilustre este fenômeno seja o buraco negro.

Peter H. Diamandis, vendo como se comportavam as tecnologias e startups no Vale do Silício, com crescimentos exponenciais criou a Singularity University, uma das mais prestigiosas escolas de inovação do mundo atualmente.

Por lá passam muitos gurus, dando palestras e cursos imersivos para milhares de pessoas de todo o mundo, onde transmitem que entre 2010 e 2140 a humanidade será levada a um estágio de singularidade, onde as tecnologias evoluem cada vez mais aceleradamente, se integram uma com as outras, causam impacto e transformam rapidamente a realidade. Segundo os especialistas, não é possível prever o que acontecerá ao chegarmos no momento da singularidade.

Baseado nos princípios da singularidade, tomando a previsão dos gurus como certa e inevitável, desenvolvemos um modelo de negócio tão absurdo como a própria singularidade. Acredito que a nossa forma de atuar nos levará ao caos muito antes que a singularidade em si. Seremos capazes de gerar o nosso próprio buraco negro pela quantidade de bobagens que fazemos sem perceber, somente por seguir a corrente.

Não estou dizendo com isso que não devemos ser conscientes da exponencialidade dos negócios e das tecnologias. Muito menos que fechemos os olhos à nova realidade, positiva e negativa, que elas nos proporcionam.

O que digo é que busquemos o equilíbrio. Alguém falou, seja quem for, que este é o caminho, todos vamos como cordeirinhos sem questionar.

Querem exemplos?

Estamos orientando os jovens as construírem startups sob o mantra de que uma empresa deve curar a “dor do cliente”. Isso significa que se uma empresa vive de curar a dor do cliente, o que ela deseja com todas as suas forças quando se levanta pelas manhãs?

Que o cliente tenha dor! E se ele não tem? Nós criamos!

Chamamos o departamento de marketing e criamos uma campanha para gerar dor no cliente, porque disso vivemos, de curar a dor que, em muitos casos, nós mesmos causamos. Por exemplo, na Tecno-Humanização, isso não é aceitável.  Uma empresa deve aliviar a dor do cliente, mas deve existir para curar a causa da dor, isso é muito mais consciente e humanizado.

Outro ponto que me chama a atenção é o modismo com o qual eu comecei o artigo, a indústria 4.0. Todo mundo fala disso o tempo todo, o que por um lado é bom, mas quando vejo os dados do estudo Indústria 2027 feito pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), a MEI e o Instituto Euvaldo Lodi que mostram que somente 1,7% das indústrias atuam no padrão 4.0, e que não existe a intenção de 21% dos empresários atuarem neste padrão nos próximos 10 anos (o que é uma eternidade). Então eu me pergunto, será que as empresas estão falando de indústria 4.0 porque tem real interesse em adotá-los ou querem parecer que estão atualizadas, mas continuam fazendo o mesmo?

Tem muita gente que confunde agilidade e aceleração com pressa.

Exigimos que tudo seja urgente, com a desculpa da exponencialidade, mas nós mesmos não somos. Estamos adestrando, infelizmente é essa palavra,  jovens empreendedores a construírem pitches de 3 minutos para explicarem o seu modelo de negócio. E sabem por quê?

Porque alguém disse que é o tempo que um investidor (que se chama de anjo) está disposto a dedicar do seu precioso tempo para ouvir o que um jovem tem a dizer, e baseado nestes 180 segundos, decidir se compra o seu sonho ou não.

É obvio que quando estamos diante da oportunidade de apresentar nosso negócio a um investidor, não podemos ser prolixos. A capacidade de síntese é uma característica de pessoas que se comunicam bem, se expressam bem e normalmente são eficientes. Todas elas são competências muito valorizadas no mundo dos negócios e na vida. Mas os cursos de empreendedorismo não ensinam isso, simplesmente exigem que o pitch tenha 3 minutos, porque “é assim que se faz no Vale do Silício”. “Mentores” de empreendedorismo mandam seus mentorados fazerem cursos com fonoaudiólogo e aprenderem a respirar.

Isso é absurdo e chega ser cruel, mas a máquina de moer de carne que criamos é assim. Com o objetivo de colocar um pouco de bom-senso neste processo de aceleração desmedido, existem alguns movimentos que surgiram nos EUA e muitas startups começam a rejeitar o modelo de crescimento acelerado.

Isso está crescendo tão rápido (de forma acelerada e exponencial) que a Zebras Unite já tem 40 filiais e 1.200 membros em todo o mundo. Este crescimento chamou a atenção dos investidores e já tem algumas Venture Capitals oferecendo um modelo de crescimento e remuneração menos agressivo.

Tem muita gente que confunde agilidade e aceleração com pressa.

São coisas muito diferentes, e ao crescer com pressa deixamos coisas pelo caminho, aprendizados, ajustes no produto e no negócio. Outro dia vi uma entrevista do Oswaldo Montenegro que dizia que se arrepende de algumas coisas em sua carreira, e uma delas é que, pela sua ansiedade patológica, ter feito algumas coisas com pressa e não ter dado o acabamento que aquilo merecia.

Será que não é possível correr para acompanhar o ritmo global sem atropelar?

Eu acho que sim.

Por certo, há 4 parágrafos atrás, eu teria terminado meu tempo de apresentação a um investidor anjo.

Imagem: Pixabay

Inovações com (e sem) propósito

Este artigo foi publicado no dia 23/07/2019 em minha coluna no portal portal R7 e no portal Inova360.

 

Nunca tivemos tantas oportunidades de construir empresas rentáveis e uma sociedade melhor por meio da inovação

Há dois anos eu assisti uma palestra, onde havia um slide mostrando que, segundo a McKinsey, 85% dos CEOs consideravam que seus modelos de negócio estavam em risco e somente 8% mostravam-se satisfeitos com seus processos de inovação.

Em dois anos, muita coisa aconteceu, temos mais tecnologia que nunca, recursos, metodologia, conhecimentos e muita necessidade em todos os âmbitos da sociedade e dos negócios, portanto, todos os ingredientes para inovar.

Porém, há algumas semanas, para minha surpresa, me deparo com este gráfico abaixo extraído dos resultados do Gartner Survey 2019.

Os altos executivos continuam pensando em crescimento, porém não priorizam a inovação.

Crescer sem inovar, só tem um caminho, maximizar receita canibalizando market share do concorrente, e muitas vezes penalizando a rentabilidade para isso, e reduzindo custo, seja via reestruturação, otimização de processos e aplicando tecnologia que substitui mão-de-obra não criativa.

Há três problemas aqui, primeiro pensar em crescimento e não em desenvolvimento. É muito diferente uma coisa da outra e publicarei um artigo sobre isso na próxima semana. O segundo problema é que o caminho de “fazer mais com menos” está esgotado. Não me refiro às empresas mal administradas, que ainda tem caminho por percorrer neste aspecto, falo em nome dos profissionais que já não aguentam mais este modelo. Este tipo de ação é um verdadeiro espanta talentos, porque está baseado na pressão desmedida e no crescimento soma zero que, para um ganhar, o outro tem que perder. O terceiro e preocupante ponto está na baixa prioridade da inovação.

Ainda temos muitos empresários que pensam que inovar é para grandes empresas, para multinacionais ou que são necessários investimentos milionários. No outro extremo, tem os que pensam que basta montar uma sala colorida, puffs, mesas de ping pong, liberar o dress code e flexibilizar os horários.

Outro dia me deparei com um diretor de marketing de uma grande empresa que buscava um palestrante para um evento que estavam organizando e o requisito básico era que o palestrante tivesse feito algum curso na Singularity, como se isso fosse garantia de conhecimento em inovação.

Óbvio que a Singularity é uma referência e seus cursos são ótimos, porém não o são por si só. Neste caso, a visão era tão pobre que não importava o conteúdo, bastava dizer que esteve lá.

Inovações pouco úteis

Deixando as que não inovam e as que só se preocupam em aparentar que são inovadoras sem ser, por incrível que pareça, há um grupo pior ainda. O grupo das empresas que gastam mal os recursos e inovam sem nenhum propósito.

Outro dia eu me deparei com um post, em uma rede social, onde estavam comentando o incrível que era umas cadeiras que possuíam motores nas rodas, vários sensores, e tudo isso para que?

Para que, quando acabasse o expediente no escritório ou a reunião, bastasse bater palma e as cadeiras voltariam ao seu lugar.

O que a empresa ganharia com isso? Economizar o salário da pessoa que arruma as cadeiras? Como empresa e como sociedade, não seria melhor dedicar o esforço em educar as pessoas para cada uma colocar a sua cadeira no lugar e investir este dinheiro e tecnologia em melhorar a qualidade de vida de pessoas sem mobilidade? Este é um claro exemplo de inovação sem propósito.

Ainda bem que eu pesquisei e descobri que as cadeiras foram lançadas pela Nissam (sim, a dos carros) e se trata apenas de uma campanha publicitária para mostrar e testar o seu sistema de estacionamento automático. Outro ponto negativo para a pessoa que postou a informação. Além elogiar uma tecnologia absurda, em minha opinião, não checou a fonte, pois não se tratava de um produto comercial real.

Mas as reflexões feitas anteriormente continuam sendo válidas. Eu trouxe esse exemplo por não se tratar de um produto real (não quero ofender nenhum produto mesmo que ao meu modo de ver seja inútil), eu só quero mostrar como empresas desaproveitam a tecnologia com inovações pouco úteis.

Olhar diferente para o que nos rodeia

Para nossa sorte, a imensa maioria de startups que surgem buscam, por meio da inovação, construir um mundo melhor, e suas inovações passam a ser seu diferencial competitivo.

Inovar não depende exclusivamente de tecnologia ou grandes investimentos, basta ter um olhar diferente para as coisas que nos rodeiam e buscar soluções, de produtos, serviços ou modelos de negócios diferentes.

Vemos empresas como a Bananatex, que criou o primeiro tecido durável do mundo feito com folha da bananeira e impermeável com cera de abelha (assista o vídeo ao final do artigo).

A Function X, que anunciou que lançará no final de 2019 o primeiro celular P2P baseado em blockchain. Isso elimina totalmente as operadoras e garante a segurança da informação.

Sim, estas tecnologias precisaram de altos investimentos, porém, por outro lado temos exemplos onde inovar não está relacionado com investimento e sim com um olhar diferente e desejo de construir um mundo melhor.

Podemos citar a Zerezes, empresa brasileira que fabrica armação de óculos com materiais reciclados, e o carro chefe são as armações de madeira, ou ainda a Fruta Imperfeita, que vende cestas de frutas e legumes imperfeitos na estética, porém perfeitos de sabores. Estas frutas e legumes seriam descartados para o consumo, apodreciam e seriam jogados fora.

O denominador comum destas empresas é a geração de competitividade e rentabilidade com impactos positivos, tanto social como de meio ambiente

Inovação não faz sentido se não for para gerar abundância e inclusão social.

Assista o video do canal observatório BE&SK.

Imagem: Pixabay