A inovação é uma cultura e a criatividade um processo!

Este artigo foi publicado no dia 26/06/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

Não vivemos em uma era de mudanças e sim uma mudança de era. Ninguém sabe como será o futuro e as empresas precisam ser pré-ativas para criar o seu

Nenhuma empresa está obrigada a mudar, a escolha de sobrevivência é decisão de cada um.

Em um mundo de transformação contínua, tecnologia e comportamental, e velocidade exponencial, a inovação se tornou uma ferramenta fundamental e imprescindível para toda organização.

Porém existem muitas formas diferentes de ver a inovação.

 

VISÃO HIPSTER

Há pessoas que tem uma visão glamorosa da inovação, que frequentam eventos caríssimos para poder ouvir e estar ao lado de executivos de empresas inovadoras, fazem cursos em escolas de negócio com puffs coloridos, estudam cases das empresas mais inovadoras do mundo, se aprendem as palavras da moda e participam de programas de imersões aos principais polos de inovação do planeta: China, Israel ou ao Vale do Silício nos EUA.

Este tipo de aproximação tem o seu valor, mas só é recomendada por empresas na fase inicial ou na fase muito avançada de inovação.

Para empresas que estão em sua fase inicial serve como inspiração, porém custa muito dinheiro e a empresa precisa ter certeza que vai ter a disciplina para se aprofundar e implantar uma cultura de inovação, do contrário, é jogar dinheiro fora.

Normalmente nestas imersões as empresas te mostram a importância e os resultados positivos de inovar, mas não te contam o caminho que deve ser percorrido para chegar até este ponto, principalmente os fatores humanos e culturais, que são os mais importantes.

Para empresas que estão em uma fase avançada, que já tenham cultura de inovação, pode ser interessante ver tendências e fazer benchmark.

Porém, para empresas que estão no meio do caminho, este tipo de viagens me parecem as excursões que eu fazia ao zoológico com a minha escola.

Matava aula, comia um lanche diferente, passeava com meus amigos e não aprendia nada sobre a fauna.

E quando aprendia, não servia para nada porque não podia aplicar os conhecimentos em casa porque os animais que tinha em meu entorno não se pareciam aos animais do zoológico.

É preciso ter muito cuidado, porque em empresas com este tipo de visão tem uma grande concentração de oportunistas, de inovadores de palco e de pessoas com um ego infinitamente maior que sua capacidade de inovar.

Elas costumam ser muito atrativas para pessoas mais preocupadas em parecer que ser inovadores.

 

VISÃO DE TECNOLOGIA

Com uma visão mais operacional, mais pé no chão, ainda tem um grande de profissionais com uma visão de tecnologia.

Eles normalmente trabalham em empresas que associam inovação exclusivamente à tecnologia, e o uso desta tecnologia em sua cadeia produtiva, para solucionar os problemas do dia a dia ou otimizar suas operações.

Mesmo que atuem de forma proativa e que ampliem o alcance do processo a áreas não operacionais, isso não é inovação, é melhoria contínua digital e para a Tecno-Humanização não é suficiente.

Este modelo não é sustentável por dois motivos.

O primeiro é porque otimizar e digitalizar os processos atuais garante a excelência operacional, mas quem garante que o negócio de hoje vai continuar existindo o ano que vem?

O segundo fator é porque esta forma de pensar e atuar depende de que o gestor de cada área tenha a iniciativa, queira explorar uma ideia, própria ou de terceiros, que esteja disposto a assumir os riscos, que consiga os recursos para desenvolver a ideia, e por último que a implemente.

Na VISÃO TECNO-HUMANSITA a inovação é uma cultura e a criatividade é um processo.

Para cada gota de inspiração é necessário baldes de gotas de transpiração.

A inovação é responsabilidade de todos em uma organização e para que funcione é preciso construir uma base sólida.

A Mundial Logistics Group, é um operador logístico brasileiro com 21 anos de experiência de mercado, focado na prestação de serviços para as áreas de Supply Chain, Logística e Marketing Promocional de empresas nacionais e multinacionais e trouxe ao Visão Tecno-Humanista o desafio de como criar cultura de inovação.

No segundo episódio do quadro Visão Tecno-Humanista do programa inova360, vamos sugerir à Mundial Logistics os 7 pilares da cultura de inovação, de acordo com nossa metodologia.

Todos os pontos são necessários para criar uma cultura de inovação, e trabalho final que realizamos, paralelo a este processo é uma condição sinequanon para a Tecno-Humanização.

Não basta inovar, é preciso inovar com propósito, pensando no impacto financeiro, no impacto social e no impacto meio-ambiental, porque há uma diferença enorme entre inovar com ou sem propósito, como mostramos no artigo de mesmo nome que pode ser lido aqui.

O programa será exibido na Record News nesta quarta-feira, dia 24/06/2020 às 8h da manhã, e posteriormente visto em nosso canal do Youtube.

 

Imagem: Pixabay

Qual será a comida do futuro?

Este artigo foi publicado no dia 28/01/2020 na minha coluna no R7 e no inova360

 

Cápsulas, shakes, impressora 3D, Robô cozinhando, enfim, são muitas opções que a tecnologia nos traz. Mas faz sentido?

Nas últimas feiras de tecnologia e inovação, sempre há um grande espaço reservado para a gastronomia.

O maior ativo de uma pessoa hoje é o tempo, ninguém tem tempo pra nada, ou ao menos é isso que a maioria das pessoas dizem. Ninguém tem paciência pra nada, todo mundo estressado, enfim…

Portanto, seguindo a linha de pensamento de muitas escolas de negócio e empreendedorismo, que uma startup deve curar a dor do cliente (eu não estou de acordo), as startups enxergam nesta dor uma oportunidade e se colocam mãos-a-obra.

E surgem diferentes vertentes no mercado para resolver isso.

Há um grupo que surge da evolução da indústria de suplementos. Com o aumento da longevidade do ser humano, é necessário tomar suplementos vitamínicos, porque não estamos biologicamente preparados para viver tanto tempo sem ajuda da tecnologia.

Surfando essa onda, algumas empresas, como a Ocean Droop ou como Koz Susani Design, em seu projeto Just Add Water, estão trabalhando nas “comidas de astronautas”, transformando alimentos, de forma concentrada, em pílulas.

Outra linha segue por robotizar a elaboração das comidas, desde de soluções como a da empresa brasileira Bionicook, que criou a primeira rede de fast food 100% automatizada do planeta, capaz de preparar lanches on demand, feitos na hora sem intervenção humana, ou até uma solução mais gourmet como a Moley Robotics que criou braços robóticos capazes de fazer receitas que são introduzidas em sua plataforma.

Um grupo de pesquisadores estão apostando em impressoras 3D capazes de “imprimir” comida.

Já temos impressoras que imprimem pizza, doces, mas, nesta linha, o projeto que mais me chama a atenção é o criado pela designer de alimentos Chloé Rutzerveld, que criou uma impressora 3D que imprime uma base de carbo-hidrato e nela plantou vegetais e cogumelos, criando um ecossistema comestível.

Com tanta tecnologia os restaurantes tradicionais estão buscando formas de inovar e manter o seu espaço.

Temos restaurantes embaixo do mar nas ilhas Malvinas (Ithaa Undersea Restaurant) ou no céu, a 50 metros de altura, sustentado por um guindaste, como o projeto Dinner in the sky, que surgiu na Bélgica e já está em mais de 40 países, inclusive Brasil.

Outros restaurantes inovam no modelo de negócio, como o Benihana, que conheci como estudo de caso no meu MBA antes mesmo de ver o espetáculo oferecido pelo chef em uma mesa em U. Para quem ainda não conhece, vale a pena ver o chef de cozinha fazendo acrobacias e preparando sua comida na sua frente. Também tem restaurantes que permitem que você possa cozinhar, como o Tantra, em São Paulo, ou trazer os ingredientes para que o chef cozinhe pra você.

Enfim, diferentes modelos, alguns são variações dos modelos atuais outros muito futuristas, que reduzem o prazer de comer e, principalmente, a importância das refeições familiares a uma capsula.

Eu já tive duas ou três conversas sobre isso com uma pessoa que está convencida, ou abduzida, que o futuro da comida está em shakes, que ela vende em espaços denominados EVS, Espaço de Vida Saudável.

Segundo ela, esta “refeição” que inicialmente só tinha o objetivo de ajudar as pessoas a emagrecerem, agora tem muita tecnologia por trás e se converterá na comida do futuro. “Não temos mais tempo para cozinhar, nem fazer refeições longas, temos que produzir”

Produzir o quê?

Para quê e para quem?

Sim, claro que temos que produzir, mas não podemos esquecer a importância da gastronomia na história da humanidade e na cultura dos povos. Não é possível entender uma cultura de um país sem considerar sua gastronomia.

Uma capsula pode conter todos os nutrientes e suplementos necessários para a saúde (sempre com acompanhamento profissional) ou um shake pode até ser uma solução temporária para eliminar peso.

Mas eles jamais conterão as memórias afetivas, o cheiro e o sabor da comida dos domingos na casa da avó. Aquele bolo feito com muito mais amor que ingredientes. As risadas das primeiras receitas de recém-casado que não deram certo. As longas conversas em família aos domingos, ou os jantares em família onde contamos como foi o nosso dia.

Tudo isso faz parte de algo que vai muito além da alimentação do corpo. Me permitam contar uma história pessoal.

Em 2007, eu morava em Madri, minha esposa estava grávida do nosso segundo filho, e teve alguns problemas que nos impediu viajar nas férias de verão daquele ano.

Eu tinha que buscar atividades para fazer com a minha primogênita de 10 anos naquele longo período de férias escolares.

A ideia veio rápido, eu já cozinhava com ela quase todos os finais de semana, era uma atividade pai & filha. Escolhíamos receitas, íamos comprar os ingredientes e cozinhávamos. Depois, oferecíamos os pratos à minha esposa.

Busquei um curso de culinária para pais e filhos e não encontrei. Depois de muito insistir, convenci uma escola a criar um. Eles criariam as aulas, baseadas nas receitas do chef inglês Jamie Oliver (minha filha era fã) e eu me encarregava de trazer pais e filhos para o curso. Convenci meu chefe, colegas de trabalho, amigo, e conseguimos viabilizar o curso.

Durante 8 sábados, das 11h às 13h tínhamos aula, cozinhávamos e depois almoçámos o que havíamos feito. Minha filha, hoje adulta, se lembra de tudo com muito carinho. Além de cozinhar, passamos tempo juntos, aprendemos, acertamos, erramos, enfim, vivemos.

Sim, a tecnologia está à nossa disposição para nos servir, ajudar na correria do dia a dia, mas não podemos permitir que ela substitua parte da nossa cultura e de nossas vidas.

Ah! O meu segundo filho, aquele da gravidez complicada, já tem 12 anos e faz um risoto de queijo brie com presunto de parma delicioso!

 

Imagem: Pixabay