Primeiro crescer, depois ajudar

Este artigo foi publicado no dia 03/03/2020 na minha coluna no R7 e inova360

 

A prioridade de qualquer negócio é crescer, ganhar dinheiro, a responsabilidade social corporativa vem depois

Nunca foi tão fácil empreender, porém, continua sendo extremamente difícil fazer com que o seu empreendimento funcione e sobreviva.

Existem inúmeras iniciativas, hubs de inovação, incubadora, aceleradoras, hackathon, investidores anjos, e por aí vai. Até reality show de startups na TV.

Associado a este ecossistema, inúmeros profissionais e serviços surgem como mentores e prestadores de serviços. Escolas de negócio, trazendo receitas de sucesso do Vale do Silício, enfim…

Muita coisa nova acontecendo, relativamente recente, porém, para construir algo realmente novo e disruptivo devemos romper com algumas crenças limitantes do passado.

Vou me concentrar em uma específica, porque me chamou a atenção ter surgido em uma conversa com uma pessoa que eu acabava de conhecer.

Um profissional, jovem (millennial), tomou a decisão de aplicar todo o conhecimento que adquiriu em sua carreira e empreender. Nos apresentaram, conversamos sobre a Tecno-Humanização, e ele me comentou que havia gostado, que o conceito está alinhado com o que ele pensa e acredita.

Mas, de repente, uma frase sua me golpeou o estômago. A frase não é literal, mas expressa o sentido do que ele disse: “Queremos ter um modelo consciente, mas ainda é muito cedo, precisamos crescer primeiro, depois vamos ajudar a sociedade.”

Vocês conhecem a roda de rato? Pois é…

Onde o rato corre e não chega a lugar nenhum.

Esta frase é uma verdadeira construtora de roda de rato.

É ingênuo pensar que é devo construir um modelo baseado unicamente no lucro, e pensar que depois que tiver dinheiro, vou retribuir e devolver à sociedade uma migalha do que ganhei.

Em linguagem de startup, primeiro escalar, depois give back.

O problema deste modelo é que, e se você cresce, mas fica refém do crescimento. Seja o empreendedor ou seus investidores, todos querem, e muitas vezes precisam, de crescer, crescer e crescer.

A transformação a um modelo consciente e humanizado quase sempre vem pela necessidade, quando a empresa está enfrentando problemas, precisa se reinventar e já tentou todas as alternativas tradicionais de “fazer mais com menos”.

A ideia de que primeiro é preciso crescer para depois ajudar, provavelmente, esteja baseada na crença, muitas vezes inconsciente, de que ser rentável e humanizado são posturas antagônicas.

O pensamento de “ou eu ganho dinheiro ou eu sou bonzinho” nos foi transmitido por décadas, mas não condiz com a realidade atual, por dois motivos.

O primeiro é que empresas conscientes e humanizadas são mais rentáveis e lucrativas, segundo estudos fora e no Brasil.

Segundo, porque o grau de consciência tem aumentado, a busca por empresas, produtos e serviços conscientes é cada vez maior, o número de startups que já nascem com esta pegada é enorme e muitas empresas tradicionais estão se transformando.

A televisão, até muito pouco tempo atrás, foi o principal motor do consumo e do consumismo. Hoje, a televisão já transmite programas que ensinam consumo consciente. É uma grande mudança de paradigma.

O whole foods, aplicando conceitos de capitalismo consciente, colocou em xeque o varejo americano e a maior empresa varejista do mundo, o Walmart.

Todas as empresas que atravessaram crises ou sobreviveram a grandes momentos de transformações, eram genuínas.

Se eram inovadoras, eram de verdade, se eram austeras ou agressivas comercialmente, eram de verdade.

Construa seu modelo de negócio, desde o primeiro minuto, pensando em gerar lucro, ter um impacto social e meio ambiental positivo. Se precisar de ajuda de uma metodologia para isso, busque, mas não inicie de uma forma para mudar depois, é complicar sem necessidade, e o pior, nem sempre é possível.

Se você quer sobreviver em uma era de propósito, consciência e humanização, seja genuíno, e construa um negócio Tecno-Humanizado.

 

Imagem: Pixabay