O desafio de vencer o medo à transformação em tempos de transformações

Este artigo foi publicado no dia 10/12/2019 na minha coluna no R7 e inova360

 

O medo é a principal emoção que pode bloquear o nosso desenvolvimento.

O medo é uma das emoções que nos acompanha ao longo de toda a nossa vida.

Temos medo a coisas que não controlamos ou julgamos ser mais poderosas que nós.

Desde animais selvagens à morte.

Em muitas ocasiões, o medo nos salva ou nos protege de perigos.

Mas também existem medos do desconhecido, de eventos e processos que nos tiram da zona de conforto.

E nosso cérebro está pensado para proteger, nosso sistema límbico tem a função de economizar energia, física e mental, e manter-nos vivos.

Portanto, ele nos colocará todos os impedimentos, lógicos ou não, para evitar que corramos perigos físicos ou que tomemos decisões que nos gerem stress.

Os medos de ameaças tangíveis e conscientes são mais fáceis de resolver, porém existem bloqueios que são muito difíceis de solucionar, não pelo problema em si, mas porque são imperceptíveis aos olhos de quem sofre com eles.

A falta de consciência deste medo invisível impede quem o tem de elimina-lo.

Por exemplo, imagine que você não esteja satisfeito em seu trabalho, o lógico seria, primeiro tentar identificar e resolver o que te faz insatisfeito neste trabalho. Se não conseguir ou não for possível porque não depende de você, o próximo passo é mudar de trabalho, de empresa, de profissão, enfim…

Porém, o medo gera resistência à mudança, a falta de garantias de que a nova profissão ou a nova empresa vai te dar a satisfação buscada, impedem muita gente de mudar e, automaticamente, passamos a buscar desculpas e justificativas para não nos sentirmos covardes ou fracassados. Este é um mecanismo de defesa de nosso cérebro, o qual chamamos dissonância cognitiva, e você pode conhecer um pouco mais a respeito em meu artigo Neurodiversidade como vantagem competitiva.

A dissonância cognitiva é a base da hipocrisia. Daqueles que pregam uma coisa e fazem outra. Em muitos casos, o comportamento hipócrita não é por má fé, ele simplesmente está sendo controlado pelo nosso medo e não pela nossa razão.

Quando um executivo sabe que as práticas de sua empresa não são as melhores, sabe o que deve fazer para mudar, mas não tem nenhuma garantia de que as mudanças trarão o resultado desejado, dispara-se o alarme do medo.

Neste caso, as análises de risco ajudam no processo de tomada de decisão, mas, e quando o executivo nem leva o caso à discussão e análise?

O medo é tão grande que enterra a oportunidade antes mesmo que ela seja avaliada.

Tenho visto muitos profissionais em transição de carreira, buscando cursos de especialização (pós-graduação ou MBA), geralmente na mesma área em que já atuam. Não que isso seja ruim, mas é fazer “mais do mesmo”.

Aprender o mesmo e fazer da mesma forma de sempre. Óbvio que vão adquirir novos conhecimentos e aprender novas ferramentas. O problema, na minha opinião, é que não vão mudar seu mindset e, portanto, vão aplicar novas ferramentas, porém, com a mesma visão.

O que isso significa na prática?

Que tudo seguirá igual!

Mas este profissional, provavelmente reclame da sociedade que em que vivemos.

Pois é, ele tem a oportunidade de muda-la, mas não o faz por medo. E se convence de que, ele não tem força pra mudar a sociedade, de que sozinho ele não consegue nada, e assim por diante.

Da mesma forma, empresas tem problemas de crescimento, de rentabilidade, de captação e engajamento de talento, de transformação digital, de propósito, de resultados, enfim… os desafios de qualquer empresa.

Elas continuam buscando resolver novos problemas com os métodos antigos…

Infelizmente tenho que dar uma notícia.

Não vai funcionar!

Temos que sair da zona de conforto e o primeiro passo para que isso aconteça é mudar o Mindset. Só assim teremos outra visão sobre o mundo e sobre os negócios que nos permitirá transformar realmente a empresa.

E qual a garantia de sucesso se transformarmos empresa?

Nenhuma.

A única garantia que temos é a do fracasso por insistir em fazer o mesmo.

Em seu livro insights, Walter Longo comenta que “Daqui para a frente, empresas NÃO MORREM só por fazerem coisas erradas. Elas morrem também por fazerem a coisa certa por um tempo longo demais.

Neste processo de transformação, temos que combinar 3 elementos: Tecnologia, Negócio e Pessoas, e trabalhá-los de forma integrada e sistêmica.

É exatamente isso que a Tecno-Humanização faz.

Agora, sabem o que me inspirou escrever este artigo?

Esta semana dei uma palestra em um evento fantástico, o Inception 2019, organizado pela MobLee, empresa que possui uma solução para gestão de eventos.

O André Rodrigues, CEO da empresa, me falou sobre o grande desafio que é, sendo uma empresa de tecnologia, organizar um evento para profissionais e especialistas de eventos.

As noites sem dormir e o medo que provoca este tipo de situação.

Achei fantástica a ousadia!

Se a empresa dele quer ter sucesso, entender as necessidades (não gosto da expressão dor) de seus clientes, ele precisa passar por isso, mesmo que dê muito medo.

Tenho certeza que o aprendizado foi muito rico e útil, e fará com que sua empresa melhore sua solução e ofereça cada vez melhores serviços e experiência.

Eu tenho utilizado um pensamento como filosofia de vida há anos, e tem me ajudado a me desenvolver como pessoa e profissional.

Em processos de tomada de decisão, obviamente considerando o risco, eu não faço nada que me mantenha em minha zona de conforto.

Ninguém evolui fazendo o mesmo, aquilo que já está dominado.

Desafie-se sempre.

A única forma crescer, é fazendo o que nos dá medo.

 

Imagem: Pixabay

Neurodiversidade como vantagem competitiva

Este artigo foi publicado: no dia 26/11/2019 na estréia da  minha coluna no IT Forum 365

 

A Tecno-Humanização vai além da diversidade e inclui em seus projetos a Neurodiversidade

Primeiro artigo nesta coluna e primeiro desabafo. Mas prometo que não será um desabafo chato.

Você já “chantageou” uma criança pra ela comer saudável?

Ofereceu algo ela gostava muito, inclusive sobremesa extra, para que pudesse comer verdura?

Ter que contar histórias, dar chocolate, deixar brincar uma hora a mais, ter que explicar uma e outra vez a importância e os benefícios de comer verduras e legumes para o seu desenvolvimento, enfim, o que quase todo pai e mãe faz ou já teve que fazer.

Mostrar e explicar as coisas, mesmo que seja óbvio, a uma criança se chama ensinar, e é obrigação dos adultos.

Ter que explicar e convencer a um adulto de mais de 50 anos que ele deve comer verduras, que precisa olhar para os dois lados para atravessar a rua, não beber em copo de pessoas estranhas, pode ser, no mínimo uma situação “kafkiana”.

Pois é  assim que me sinto escrevendo este artigo.

Seguindo essa lógica, pode parecer absurdo em 2019 ainda ter que explicar diversidade e inclusão. Contudo, se algum aspecto da condição humana não está claro, temos o dever de contribuir para que esteja.

Temos 7,7 bilhões de pessoas no mundo, somos 7,7 bilhões de seres humanos diferentes. Ah! Claro que temos características comuns, mas todos temos nossas particularidades.

Dito isto, então…

O que nos torna especiais?

Ser diferentes.

O que nos atrai no outro?

A diferença.

O que fez a humanidade evoluir?

Sermos diferentes.

O que provoca inovação?

A diferença (de visão, de opinião, de experiência, de vivência…).

O que as empresas precisam para sobreviver?

Diferenciação e inovação.

O que contratamos para nossa empresa?

O igual. O padrão. O que se molda em um perfil previamente traçado e estudado.

Então espera um momento, porque agora fiquei confuso.

Se a diferença é o que gera inovação e a empresa contrata “iguais”, como ela pode inovar?

Para tentar entender este comportamento incoerente, precisamos de alguns conceitos.

Um dos princípios de funcionamento do cérebro e, por consequência, da mente humana é o princípio da busca por consistência.

Quando processamos informações conflitantes em nosso cérebro, isso provoca um desconforto, que é chamado de dissonância cognitiva. O cérebro automaticamente, e de forma inconsciente, trabalha para recuperar a consistência, criando crenças e imagens, mesmo que distorcidas, e a nossa parte racional as justifica.

Isso explica o porquê, normalmente, temos uma imagem sobre nós mesmos superior a que os outros tem de nós. Nos consideramos mais honestos que a média, mais inteligentes que a média e assim por diante.

Outro conceito que gostaria de trazer é o de distância psicológica. Quanto mais distante estamos de um julgamento moral ou de uma tomada de decisão, mas racional ela se torna.

Vou trazer um exemplo para ilustrar a dissonância cognitiva e a distância moral.

A maioria das pessoas acham linda e louvável a atitude de alguém que adota uma criança transexual ou a um bebê com síndrome de abstinência porque a mãe usou drogas durante a gravidez, e dizem que fariam o mesmo.

Este pensamento, automaticamente serve para construir uma imagem positiva de si mesma.

Mas quando ela tem que tomar uma decisão ou atitude assim, quando pensa nos preconceitos e sofrimentos que sofrerá por adotar uma criança trans ou doente, normalmente muda de opinião.

E para resolver esta dissonância cognitiva, o racional busca justificativas para manter a imagem de boa pessoa, argumentando com pensamentos do tipo:

Eu faria se pudesse”; “Agora não é o momento”.

Ou a frase clássica, “eu não tenho nada contra os homossexuais, eu até tenho um amigo gay”, e tem alguns que arrematam dizendo “e gosto dele pra caramba”.

Este é o mesmo processo que seguem muitas empresas. Não contratam pessoas que se vestem diferente, que pensam diferente, que sentem diferente, porque tem uma crença tão arraigada que não deve se “misturar”.

Somos naturalmente diferentes, ainda bem! Portanto, a diversidade e a inclusão nas organizações deveriam ser naturais.

Mas seria ingenuidade minha pensar assim. Afinal, somos hipócritas, como demonstramos no exemplo acima.

Mas será que precisa ser sempre assim? Será que não da pra mudar esse modo de agir e de pensar?

Graças aos millennials, algumas empresas encontraram o poder da diversidade e como ela contribui para seus processos de inovação, de humanização e para seus resultados.

A Tecno-Humanização vai além da diversidade, e traz a seus projetos a Neurodiversidade. Somos neurodiversos por definição, mesmo que não tenhamos nenhuma patologia ou distúrbio.

Em minha jornada de construção da metodologia da Tecno-Humanização eu encontrei a Specialisterne, empresa que desenvolveu uma metodologia para capacitar e promover a inclusão no mercado de pessoas com Transtorno do Espectro Autista – TEA.

A Specialisterne capacita pessoas como TEA, desde de programação à robótica. E pensemos juntos:

Quais características mais relevantes são necessárias em um bom programador?

Raciocínio lógico, boa memória, concentração e atenção ao detalhe.

Quais características pessoas com TEA possuem de forma acentuada?

Bingo!!!

Eu já dei palestra para plateias enormes (mais de 1.000 pessoas) e também já falei para altos executivos, incluindo presidentes de grandes multinacionais. Esse é o meu trabalho e, para mim, é super tranquilo.

Mas tenho que reconhecer, a palestra que eu dei para os 20 alunos da Specialisterne foi diferente.

O pessoal da Specialisterne, muito gentil, procurou me instruir antes, dizendo pra eu não me sentir mal caso eles não demonstrassem empatia ou não aplaudissem efusivamente, que isso não significaria que não tivessem gostado da palestra.

Ao final, fui aplaudido efusivamente, 4 deles aplaudiram em pé e alguns vieram me cumprimentar e me abraçaram.

Foi emocionante e, para os que me conhecem, para este tipo de coisas, sou de lágrima fácil. Chorei muito!

Conclusão: empresas neurodiversas são mais criativas e inovadoras!

Em nosso próximo podcast, que eu incluirei ao final deste artigo, eu vou conversar com o Marcelo Vitoriano, diretor geral da Specialisterne, para conhecer melhor a empresa, o impacto de seu trabalho e como estes profissionais estão gerando uma vantagem competitiva para seus clientes.

 

 

Imagem: Pixabay e Gerd Altmann

Seja egoísta, ajude o próximo!

Este artigo foi publicado: no dia 30/11/2019 na minha coluna no R7 e no portal Inova360.

 

O altruísmo corporativo aumenta o engajamento dos colaboradores e a lucratividade da empresa

Cada um por si e Deus pra todos.

Se você é vítima da crença arcaica tenho uma boa notícia, ela caducou.

Estamos na era da colaboração, portanto, temos que pensar no coletivo e não somente no individual.

Vou te dar 3 motivos para pensar no próximo: Por consciência, porque está na moda ou por egoísmo.

Isso mesmo, você leu certo, por egoísmo.

Está comprovado cientificamente que ajudar o próximo faz bem!

Jorge Moll Neto, PhD, fundador e coordenador da Unidade de Neurociência Cognitiva e Comportamental e cofundador e presidente do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, demonstrou em um estudo científico os benefícios do altruísmo.

Ele comparou a resposta cerebral (bioquímica e cognitiva) em três situações:

Quando você ganha dinheiro.

Quando você doa parte deste dinheiro que ganhou à uma causa que você acredita ou considera nobre.

Quando você nega a doação por não acreditar na causa.

Quando você ganha dinheiro, ativa o mesolímbico dopaminérgico, a região cerebral da recompensa e gera uma sensação de bem-estar.

Ao opor-se à doação, você também ativa o sistema de recompensa, porém ativa simultaneamente outras regiões do cérebro que estão relacionadas à sentimentos aversivos que reduzem ou até pode anular as boas sensações.

No caso da doação, você ativa o sistema de recompensa e ativa também circuitos seletivos relacionados a sentimentos afiliativos que são próprios de cuidados mãe-filho, formação de casais ou de proteção ao cônjuge, portanto, o sentimento de bem-estar se vê potencializado produzindo uma sensação de prazer maior a quando se ganha.

A lembrança da experiência prazerosa de ajudar o próximo é de longo prazo, porque fica registrada no sistema límbico do cérebro, onde temos a nossa memória sensorial e afetiva.

Isso não acontece com as teóricas sensações de bem-estar ao comprar uma roupa ou um celular, que em poucos dias desaparecem e precisamos de “outra dose”.

O terceiro grande benefício é a influência que fazer o bem tem em nosso entorno, as pessoas que são contagiadas com o seu exemplo.

O quarto e último beneficio, obviamente, é de quem recebe a ajuda.

Portanto…

SEJA EGOÍSTA!

AJUDE O PRÓXIMO!

Você ajudará a uma pessoa ou causa, à sociedade e, de forma cientificamente comprovada, sobretudo, ajudará a você mesmo.

E o que isso tem a ver com o mundo corporativo?

O primeiro é que não podemos nos esquecer jamais que as empresas não são formadas por “recursos”, e sim por pessoas, que pensam e sentem.

Se uma empresa considera o impacto social em suas decisões e ações, isso faz com que seus colaboradores se sintam mais comprometidos e orgulhos da organização onde trabalham.

Isso, associado ao propósito da empresa (é importante que a empresa tenha um propósito), eleva o nível de engajamento do colaborador a um sentimento de pertencimento que não se consegue com dinheiro.

Uma empresa que se preocupa, e principalmente se ocupa, do impacto social de seu negócio muda de patamar para seus colaboradores, clientes e parceiros.

E isso se nota nos resultados.

Raj Sisodia, Jagdish N. Sheth e David Wolfe mostram em seu livro Firms of Endearment (empresas carinhosas em tradução livre).

Segundo os autores, empresas, do S&P 500, com paixão, propósito e compaixão cresceram 14x mais.

 

 

SER GENEROSO E ALTRUÍSTA É RENTÁVEL!

Talvez você esteja pensando, isso só funciona lá fora.

No Brasil isso não daria certo.

Pois é, você errou de novo.

Em meus treinamentos, eu apresento um estudo feito no Brasil, que mostra que as empresas brasileiras, humanizadas e conscientes foram 6x mais rentáveis.

Portanto, se achava bobagem a sua empresa pensar no impacto social (de verdade) ou se pensava que eu sou um romântico e utópico, reveja seus conceitos.

Humanize sua empresa, faça com que ela seja pense no próximo, mesmo que seja por interesse e benefício próprio, a sociedade agradece do mesmo jeito.

Mas não pense que isso se resolve com uma campanha do agasalho ou que a Responsabilidade Social Corporativa, usada de forma hipócrita, vai resolver o seu problema.

Também não estamos falando de empresas que só visam lucro e, o empresário, em sua vida privada, é filantropo.

Precisamos de algo verdadeiro e genuíno.

Seja egoísta, ajude o próximo!

O maior beneficiado será você.

 

Imagens: Pixabay e BE&SK

Como medir o ROI da humanização em tempo de transformação digital?

Este artigo foi publicado: no dia 12/11/2019 na minha coluna no R7 e no portal Inova360.

 

Precisamos rever os conceitos de ativos intangíveis na era do propósito

É possível medir o retorno de um abraço, da sinergia ou do propósito?

Não há dúvidas de que para gerir um negócio é preciso quantificar as ações e os investimentos.

E a necessidade de controlar os recursos e otimizar os resultados das últimas décadas gerou uma cultura de quantificação de qualquer ação ou investimento realizados pela empresa.

Na década de 70 Gartner criou o conceito de ROI1 (Return on Investment) que, traduzindo para o português, significa Retorno sobre o Investimento.

Outro indicador de gestão muito utilizado é o Payback, porque, tão importante quanto saber qual é o retorno sobre o investimento, é saber em quanto tempo eu vou recuperar os recursos investidos.

Em uma empresa bem administrada não se faz nada sem medir o ROI e a contribuição desta forma de atuar para a economia foi enorme. Graças a isto muitas empresas conseguiram manter suas as portas abertas ou crescer.

Estes conceitos foram levados às escolas de negócio e moldaram os executivos das décadas de 70 e 80.

Em seguida, surgiu a primeira dificuldade. Percebeu-se que a empresa possui muitos ativos intangíveis, como a marca, patentes, direitos autorais, licenças e franquias, dentre outros. E assim, surgiram especialistas em calcular, ou ao menos estimar, o valor destes ativos intangíveis.

Para que isso não se convertesse em achismo, o estado tivesse controle sobre os impostos, a concorrência entre empresas fosse leal e o mercado pudesse medir o valor e o desempenho das empresas de forma equânime, se fez necessário a criação de normas contábeis específicas e minimamente convergentes no âmbito internacional das mesmas.

Desta forma, tudo voltou ao seu devido lugar segundo os gestores, entenda-se, a boa e velha planilha. Tudo se mede, tudo se calcula e tudo se controla.

Os presidentes executivos voltaram a dormir tranquilos.

Com o crescimento das empresas de internet, baseadas em software, chegou a próxima dificuldade. Sim, o software já era contemplado nas normas contábeis como um ativo intangível, porém, neste caso é diferente. Não se trata de um bem adquirido pela empresa para gerir seu negócio, e sim, trata-se de o negócio em si; o software é a empresa ou a empresa é o software.

As avaliações são as mais diversas e as estimações muitas vezes das mais originais. Disto falaremos no próximo artigo sobre Valuation e a possível bolha que está se formando.

Voltando à mensuração das atividades atuais, a dificuldade chegou com a transformação digital. As empresas têm investido muito dinheiro em seus processos de transformação digital e, seguindo as recomendações dos gurus, fomentando-a como ponto principal da melhora na experiência do cliente (CX).

Medir o ROI da experiência do cliente passou a ser o desafio das empresas, segundo uma pesquisa do Gartner1. Em 2016 apenas 10% das empresas que investiram em CX conseguiram medir seu retorno, que é uma taxa muito baixa.

Quanto ao restante de empresas, 22% verificavam o retorno de maneira informal e sem dados financeiros, 23% esperavam conseguir medir no futuro, 13% não viam nenhum tipo de retorno e 14% não tinham certeza sobre a eficácia do investimento.

Porém, no ano seguinte, a pesquisa mostrou o crescimento das empresas que mediam formalmente o ROI dos investimentos em CX, chegando a 48%.

Estas medições são feitas através de KPI – sigla em inglês para “Key Performance Indicator”, que poderíamos traduzir como Indicadores Chaves.

Por exemplo, os principais KPIs utilizados para medir a experiência do cliente são o valor da vida útil do cliente, que é uma projeção simples de quanta receita um cliente pode, em média, gerar para a empresa – up-sell e cross-sell e a taxa de conversão.

Agora os presidentes executivos podem dormir tranquilos novamente?

Claro que não!!!

Ao menos em minha opinião, não deveriam.

Por dois motivos:

1º. Alguns destes cálculos são baseados em projeções e estimativas;

2º. Segundo e principal motivo é que nos últimos anos iniciamos uma nova era, onde o intangível não é mais somente o software ou a marca, incluímos duas variáveis nas organizações que nem o Comitê de Pronunciamentos Contábeis e muito menos a maioria dos gestores sabem como fazer para medir o ROI: Comportamento e Emoções.

Houve uma mudança brutal no comportamento das novas gerações e as emoções começaram a ser mostradas e devem ser consideradas dentro das organizações, como vimos no artigo Portal do Profissionalismo, onde as empresas não contratam um profissional e sim um ser humano completo.

Embora a discussão não deveria ser se a empresa deve ou não investir em propósito, felicidade, conscientização ou humanização, porque para a Tecno-Humanização este debate já deveria fazer parte do passado, ainda há muito trabalho por fazer neste campo.

Pasmem, mas ainda existem muitos executivos presos a um passado em que se buscava quantificar e controlar a quantidade de idas ao banheiro dos empregados. Sim, empregados, porque neste caso não posso usar o termo colaborador. Aqui, quando digo passado, não me refiro ao tempo cronológico, e sim, à mentalidade dos executivos.

Não nos surpreende o fato de, em geral, serem os mesmos executivos que se perguntam porque estão encontrando tantas dificuldades para captar e engajar talentos em suas empresas e melhorar seus resultados.

E de quem é a culpa?

Provavelmente eles devem considerar que, primeiro, é por culpa da falta de comprometimento desta nova geração de insolentes e descomprometidos e, segundo pela crise econômica.

Aqui, o nosso trabalho é ajuda-los a mudar o Mindset.

Vencida esta fase, a questão agora é se devemos medir estas ações.

Investir em felicidade e humanização sim é matemático e mensurável, mas não espere e não busque o ROI de cada ação que realize. A Tecno-Humanização te dará um retorno enorme no triple bottom line, a empresa será mais rentável e consciente, porque as ações e os investimentos em conscientização e humanização não se medem em si mesmas, e sim, nos resultados globais da empresa, frente aos aspectos econômico, social e meio-ambiental.

Portanto, reformulo a pergunta que fiz no início do artigo.

É necessário medir o retorno de um abraço, da sinergia ou do propósito?

 

1. ROI é um termo muito comum no mundo dos negócios e quer dizer retorno sobre algum investimento realizado.

2. Pesquisa Gartner

 

Imagem: Pexel

A bipolaridade do empreendedorismo: gênio ou inútil

Este artigo foi publicado: no dia 05/11/2019 na minha coluna no R7 e no portal Inova360 e no dia 15/11/2019 no It Forum 365.

 

O crescimento da cultura empreendedora e os exemplos do setor tecnológico estão criando a tirania da obrigatoriedade do sucesso

Segundo os cânones impostos atualmente, você tem somente duas possibilidades, ser gênio ou inútil!

De que lado você está?

Segundo as redes sociais, os livros de autoajuda, algumas escolas de negócio pouco serias, palestrantes motivacionais depressivos e consultores de empreendedorismo teóricos, você pode tudo!

Aliás, segundo o “Vale do Silício” você não só pode tudo como deve ser o melhor em menos de um ano, já que vivemos em uma era exponencial.

Tomemos muito cuidado com isso!

Alguns pseudo consultores de empreendedorismo, que nunca empreenderam, somente leram meia dúzia de livros a respeito, se dedicam a transformar a exceção em regra, banalizando a genialidade.

Estas pessoas, usando frases de efeitos e técnicas de motivação, criaram a sensação de que você pode, deve e tem que ser o próximo Bill Gates, Steve Jobs, Jeff Bezos & cia, ou você é um inútil.

Mas de onde vem este entendimento e esta exigência?

São muitos os motivos, mas todos apontam para o mesmo setor: tecnologia.

Se olharmos os rankings das marcas/empresas mais valiosas do planeta dos últimos anos, independente da fonte que escolha, veremos que o número de empresas de tecnologia tem crescido. Este ano, 8 das 10 primeiras da lista são de tecnologia – Amazon, Apple, Google, Microsoft, Samsung, Facebook, Alibaba, Tencent e AT&T.

Vejam que Amazon e Alibaba deixaram de ser empresas de varejo para serem consideradas marketplace e, portanto, portais de serviços e produtos cujo core business é a tecnologia.

Se analisarmos a performance dos dez melhores CEOs em 2019, segundo um estudo da Harvard Business Review, cinco são do setor tecnológico – NVIDIA, SalesForce, Texas Instruments, Adobe e Microsoft.

NVIDIA e Texas não são conhecidas pelo grande público, mas têm crescido muito no mercado de componentes eletrônicos, que suporta aos crescimentos dos gigantes da lista anterior.

Segundo a lista da Forbes, 6 dos 10 maiores bilionários do mundo, são do setor da tecnologia – Jeff Bezos, Bill Gates, Carlos Slim, Larry Ellison, Mark Zuckerberg e Larry Page.

Enquanto as escolas de negócio ensinam que as empresas devem ser Customer Centric (orientada ao cliente), o mercado da transformação digital tem conduzido a todas as empresas e segmentos a serem Digital Technology Centric (centralizada na tecnologia digital).

Esta exposição massiva e o consumo superficial de manchetes com limitação de caracteres das redes sociais, a busca de receitas-de-bolo rápida de enriquecimento nos transmite a sensação de que temos que empreender, virar um unicórnio em no máximo 18 meses e se não o fazemos e não entramos nos rankings, teremos fracassados.

Por certo, se alguém acha difícil ou pouco provável atingir um valor de mercado de USD 1 bilhão em menos de 18 meses, temos mais de uma dezena de startups no mundo que já alcançaram. O caso que mais chamou a atenção foi o da jet.com que conseguiu esta façanha em 4 meses.

Fico feliz por eles, mas o problema que os pseudo consultores tomam este tipo de dado como a barra de medir e passam a dizer que, se alguém no Vale do Silício ou na Singularity disse que é padrão, todos devemos segui-lo (mesmo que não tenha sido dito por ninguém).

Outro dia li uma frase fantástica do Marc Tawil, que estava associada a outro contexto, porém serve perfeitamente aqui.

“Não compare o seu bastidor com o palco do outro”.

É obvio que devemos estudar estes cases, conhecer os hábitos de pessoas que se sobressaem, aprender e até copiar o que faça sentido, mas por favor, não imitem nem tentem ser quem não são.

Você não é Steve Jobs, e não precisa ser.

Você não é Jeff Bezos, ainda bem, você é quem é.

Embora seja óbvio, é necessário dizer que não precisa ser gênio, nem CEO, nem rico e muito menos famoso para ser feliz.

Não precisa virar unicórnio pra ter sucesso.

E muito menos o crescimento deve ser em 6 meses.

Como falamos no artigo Dessingularizando a Singaluridade, temos que correr sem atropelar.

Esta pressão adicional, e artificial, que criamos pode agravar os quadros de depressão e transtornos de ansiedade crescentes que estamos vivendo?

Não podemos afirmar, mas sem dúvida é uma variável a mais a ser considerada.

Não foi uma nem duas vezes que vi pessoas no LinkedIn dando conselhos e oferecendo cursos, como uma “receita infalível” e o passo-a-passo para transformar a sua mente em uma mente milionária.

Estas pessoas, algumas delas eu conheço, leram o segredo das mentes milionárias do Napoleon Hill e vendem cursos a respeito. Porém uma delas me disse que queria fazer o workshop da Tecno-Humanização, mas estava sem dinheiro.

Ler um livro e montar um curso a respeito, OK.

Ter problemas financeiros, acontece, todos temos em algum momento de nossas vidas.

Mas padecer do problema que se promete resolver…

Prestem muita atenção sobre a fonte onde você busca conhecimentos e ensinamentos.

Tem pessoas que nunca empreenderam dando mentoria de empreendedorismo.

E são estas pessoas que inundam as redes sociais com mensagens que você pode tudo, que você pode ser um gênio, que você pode empreender e ter sucesso. Na verdade, não passa de mensagens de autoafirmação e principalmente, serve de terapia para elas mesmas, não pra você.

E para isso, ler e ouvir (profissionais sérios e competentes) é muito importante. Porém, o único fator que te permite mudar a sua condição é FAZER, REALIZAR, EXECUTAR.

Se não sabe por onde começar, busque ajuda de um mentor.

Se não sabe como fazer, busque uma metodologia.

Se não consegue fazer, busque um especialista (sério) em inteligência emocional para desbloquear seus medos.

E ignore os cânones impostos pelo mercado, entre um gênio e um inútil, existem milhões de possibilidades que são perfeitamente válidas.

Basta encontrar a SUA, não a de outros.

 

Fontes:

Harvard Business

Review

Forbes Fleximize

 

Imagem: Pixabay

Tecnologia: da escassez à abundância

Este artigo foi publicado: no dia 29/10/2019 na minha coluna no R7 e no portal Inova360 e no dia 08/11/2019 no IT Forum 365.

 

No último século a tecnologia salvou mais vidas que em toda a história da humanidade

A tecnologia, demonizada por alguns e idolatrada por muitos, foi um gatilho que mudou a história da humanidade.

Ela nos permitiu, nos últimos 50 anos, melhorar nossa qualidade de vida, ajudou a reduzir a fome e a miséria, erradicar ou curar doenças. Seja diretamente, seja apoiando novos protocolos ou ainda incentivando novas condutas.

A taxa de mortalidade infantil reduziu quase 60% no mundo e mais de 90% no Brasil, passando de 16,9% a 1,44%, entre 1960 e 2018. A Pobreza também reduziu drasticamente, passando de 42,1% da população em 1981 para 10% em 2015. Estes dados são publicados pelo Banco mundial.

Uma parte importante dos méritos desta melhoria, sem dúvida, se deve à tecnologia. Equipamentos e medicamentos que melhoraram (e salvaram) direta ou indiretamente muitas vidas.

Sem dúvida estes dados são importantes e nos deixa feliz, mas não podemos nos acomodar. A leitura dos dados em valor relativo pode ser enganosa, quando se trata de vidas.

Basta que uma pessoa morra por falta de acesso à tecnologia, alguém que poderia ter sido salva e não foi porque não fomos capazes de construir um modelo mais humanizado de sociedade, teremos falhado.

Temos muita tecnologia disponível. Daí a entrar no mérito se ela é acessível para todo mundo já é uma outra discussão, que será tema de um outro artigo em separado.

Fato é que, mesmo reduzindo a porcentagem, em valor absoluto, ainda temos muita gente sofrendo ou morrendo no mundo. A diferença é que antes se morria ou sofria por falta de tecnologia, hoje por falta de consciência ou por ganância.

Criamos empresas que adoecem pessoas ou, no mínimo, as faz sofrer e, o pior, ainda estamos longe de atuar de maneira profilática para evitar que sofram. Enfim, estamos melhor que no século 18?  Em termos relativos sim, em valores absolutos não, em termos tecnológicos sim, em termos humanos… bastante questionável…

Em outras palavras, evoluímos muito em termos tecnológicos, mas ainda estamos longe de resolver os reais problemas da humanidade.

O dado positivo é que nunca tivemos uma oportunidade tão grande de utilizarmos a tecnologia a nosso favor, com o propósito genuíno de construir uma sociedade. Portanto, não podemos desperdiça-la!

Vejamos alguns exemplos de como podemos mitigar os problemas das necessidades básicas do ser humano:

Alimentação: Não me refiro somente à melhoria de produtividade, no sentido maior produção por hectare, porque isso já fazemos com excelência. Obviamente isso ajuda a humanidade porque temos que alimentar a uma população cada vez maior. Temos projetos verdadeiramente disruptivos, como carnes de laboratório (já comentei alguns exemplos no canal observatório BE&SK), ovo sintético (pó e líquido), produção de arroz em água salgada e assim por diante.

Saúde: Muito além das curas de doenças, já temos óculos que fazem deficientes visuais enxergarem através de som, impressoras 3D que imprimem órgãos em testes avançados e iniciando os testes temos tratamentos com nanorobôs, que podem aplicar quimioterapia somente na célula cancerígena, por exemplo. Sem contar as tecnologias que permitem exames laboratoriais básicos em domicílio. A inovação, neste caso, se observa mais pelo modelo de negócio do que pela tecnologia em si. Outro exemplo, o marketplace de saúde webmd, que reúne médicos, laboratório, hospitais, recebeu mais visitas e teve mais consultas online, que todas as consultas presenciais feitas por todos os médicos americanos juntos.

Moradia: Conceitos de casas sustentáveis, utilizando materiais recicláveis e reutilizáveis, aplicando tecnologias como impressoras 3D ou nanotecnologia. Este tipo de projeto reduz o custo, o tempo de construção e o impacto meio-ambiental, não gerando resíduo da obra. Outros conceitos como motorhomes minimalistas para nômades digitais ou tecnologias como IoT para eficiência energética, e assim por diante.

Educação: Inteligência artificial, realidade virtual, realidade aumentada tem enriquecido o conceito de ensino a distância, não obstante, a maior revolução tem sido em relação à democratização do conhecimento através das MOOC (Massive Open Online Course). Atualmente existem milhares (ou milhões) de Cursos Abertos Online gratuitos disponíveis em vários idiomas. (Em breve faremos artigos específicos para educação e saúde)

 

Poderia citar uma lista de 20, 50 ou 100 tecnologias que estão à nossa disposição. Porém, as tecnologias por si só não resolverão os nossos problemas.

E sabem por quê?

Porque muitas delas vão de encontro aos interesses de empresários sem visão, de investidores ou de grandes grupos econômicos.

Para que possamos levar estas tecnologias e gerar abundância à sociedade, precisamos de dois aspectos adicionais à tecnologia.

Mudança de Mindset e novos modelos de negócio, mais conscientes e humanizados.

Para abordar estes três pontos, tecnologia, modelos de negócios rentáveis e conscientes e mentalidade, é necessária uma metodologia. Seria muito difícil ter sucesso se não os abordamos de forma integrada e sistêmica.

A maioria das startups já estão nascendo com esta visão, porém, o que acontece com as empresas atuais?

As estatísticas de vida útil das empresas mostram que haverá uma renovação muito maior ao que já vimos ao longo da história, porém, não é realista pensar que devemos matar todas as empresas atuais e substituir por startups, temos que buscar a forma de ajudar as empresas existentes.

O principal objetivo da Tecno-Humanização é unir tecnologia e pessoas, para transformar empresas tradicionais em organizações rentáveis, conscientes e humanizadas, através de seus 3 pilares:

Tecnology, Business & Mindset Transformation.

Porque este é o caminho que encontramos para aplicar tecnologia para levar-nos de um modelo de escassez para um modelo de prosperidade e abundância acessível a todos.

 

Fonte dos dados:

Dados do Banco Mundial sobre taxa de mortalidade infantil no Brasil

Dados do Banco Mundial sobre pobreza

 

Imagens:  Pixabay

Empresas humanizadas são mais profissionais

Este artigo foi publicado: no dia 22/10/2019 na minha coluna no R7 e no portal Inova360.

 

Da porta para dentro da empresa, somos profissionais. Esta frase, tão famosa no passado, ainda é válida nos dias de hoje?

A sua empresa possui o Portal do Profissionalismo?

Se você não sabe o que é, deixe-me explicar.

Estes “portais” eram muito comuns na entrada das empresas no século passado. Acreditava-se que tinham um grande poder, pois faziam com que cada pessoa que passasse por ele deixasse do lado de fora os problemas, todas as preocupações e a vida pessoal, só passando por ele o lado profissional do colaborador.

Ultimamente, as empresas têm sofrido muito com isso. Seus portais do profissionalismo não têm funcionado como no passado.

E de quem é a culpa?

Infelizmente é assim que ainda pensam alguns executivos. São capazes de enxergar as transformações do novo momento que estamos vivendo, mas continuam buscando culpados pelas coisas que não funcionam como funcionavam no passado.

Outros pensam que a evolução da espécie humana mudou algo em nós e, aparentemente. o portal deixou de ter efeito. Portanto, é preciso construir um portal novo para as novas gerações.

Em minha visão, pensar desta forma é de uma ingenuidade despropositada pois o portal nunca funcionou! Nem nunca funcionará!

A diferença é que antes a maioria das pessoas fingiam separar quem elas eram no trabalho de quem eram em sua vida pessoal e outras acreditavam realmente que isso era possível e tentavam, de fato, fazê-lo.

Imaginem por um momento que você estivesse passando qualquer uma destas situações:

O seu filho está doente, te olha com aqueles olhinhos lacrimejantes de febre, quando você vai sair de casa;

Sua mãe está com alguma doença grave;

Seu irmão tem problemas financeiros;

Seu melhor amigo foi mandado embora e está com depressão;

Você está passando por uma situação sentimental delicada, seu relacionamento está acabando.

Mas não é somente situações negativas, também podem ser positivas:

Você recebeu uma proposta de emprego na empresa que queria;

O seu primeiro filho, tão desejado e aguardado, está pra nascer;

Está em processo de compra de uma casa, um carro ou algum bem que seja importante pra você;

Você acabou de se apaixonar.

Enfim, como você pôde perceber, para estar exposto a estes exemplos e outras centenas deles, basta estar vivo.

Eu tenho feito esta pergunta a vários empresários e executivos:

Sinceramente você acha possível criar processos à prova de emoções de seus colaboradores?

O mais incrível é que alguns pensam que sim! Acreditam que, independente de quem o execute, será feito da mesma maneira.

Querem ver um exemplo como este pensamento é absurdo?

Vejamos, um analista de crédito, seguindo estritamente os processos, aprova um crédito com o mesmo critério se na semana anterior o pai dele faleceu ou o filho dele nasceu?

São emoções e estado de ânimo radicalmente opostos e, obviamente, o analista de crédito, ainda que imbuído de toda sua boa fé e profissionalismo, não analisaria o crédito como o mesmo critério.

Para que não fique somente no terreno do achismo ou da opinião pessoal, Richard Thaler, economista americano, ganhou o prêmio Nobel de economia em 2017 com seu estudo de economia comportamental, onde demonstrou que não é possível separar as emoções dos processos de tomadas de decisões econômicas.

Portanto, Thaler somente demonstrou o que já sabíamos e tínhamos vergonha de admitir. Ou seja, não é possível separar as emoções da razão, não é possível separar parte de nós, somos um todo.

A empresa contrata um ser humano, uma pessoa completa, e querer que ele só traga ao trabalho o profissional e deixe “o resto” em casa. É possível?

Por favor, em que mundo vivemos?

É obvio que não tratamos igual ao presidente da empresa, que um cliente ou nossa avó. O comportamento deve ser diferente, porém, nossa forma de pensar e, principalmente, nossos valores, são os mesmos.

Se você acredita que pode ser profissional e agressivo na empresa, se você é capaz de despedir seu melhor amigo para alcançar os resultados, espremer até praticamente asfixiar seu fornecedor, fazer qualquer coisa para subir na empresa e, em casa você é “bonzinho”, em algum dos dois lugares, você está fingindo ser quem não é.

E esta “atitude esquizofrênica” imposta pelo mercado tem vida curta. Não é possível viver assim por muito tempo sem sofrer ou ficar doente.

Reconhecer que as emoções fazem parte do processo é o primeiro passo para humanizar a empresa, para abrir as portas ao ser humano completo, não somente o profissional, eliminar portais imaginários e banir do mundo corporativo frases como estas:

“Da porta para dentro somos profissionais”.

“Os problemas ficam do lado de fora”.

“Aqui se vem trabalhar não fazer amigos”.

“O único que vale aqui é resultado, os sentimentos não importam”.

Acredito que todos nós já ouvimos ou até dissemos algumas delas, mas não se sinta culpado por isso. Não devemos nos julgar, nem nos considerar más pessoas por isso. Este tipo de comportamento foi o que aprendemos nas escolas de negócio e nas empresas e pensávamos ser a forma correta de atuar. E, sejamos sinceros, funcionou por um bom tempo.

A tecnologia também contribuiu para este processo, tendo em vista que ela levou o trabalho para fora do escritório físico e “invadiu” a casa e a vida pessoal do colaborador. Sendo assim, para que se mantenha o equilíbrio, da mesma forma, a empresa deveria permitir que o colaborador traga sua vida pessoal para o trabalho também. Tudo isso, obviamente, obedecendo à uma lógica de sensatez e sem exageros.

Mas quando isso deixou de funcionar?

Quando chegamos ao limite e não conseguíamos, ou não queríamos, fingir mais, quando quem ainda tentava fingir começou a adoecer. E o maior gatilho da mudança foi quando chegou uma nova geração que se recusou a aceitar essa dualidade pessoal-profissional.

Somos quem somos, somos um ser completo (e maravilhoso), e tentar “comprar” somente um pedacinho é desrespeitar nossa plenitude; chega ser cruel desde o ponto de vista pessoal e, o pior, pouco inteligente do ponto de vista corporativo, porque não permite explorar todo o nosso potencial.

Ao contrário do que pensam os executivos favoráveis ao conceito do Portal do Profissionalismo, quanto mais a empresa cuida do ser humano, mais o ser humano entrega o melhor profissional à empresa, portanto…

Empresas humanizadas são mais profissionais!

Como complemento ao artigo, conversamos com Tania Moura, VP da ABRPH (Associação Brasileira de Profissionais de Recursos Humanos), para conhecer sua visão sobre empresas humanizadas, vale a pena ouvir.

 

 

Imagens:  Pixabay

Organizações multigeracionais

Este artigo foi publicado: no dia 28/08/2019 no ITForum365 e no dia 03/09/2019 em minha coluna no portal R7 e no portal Inova360.

 

Pela primeira vez na história da humanidade temos quatro gerações simultâneas no mercado de trabalho

Na minha época…

Quando eu era criança esta frase gerava certo pânico porque eu sabia que vinha história antiga que não me interessava. De jovem, passei a gostar porque era a oportunidade que eu tinha de conhecer os meus antepassados e entender melhor o meu presente. De adulto, senti muito não poder desfrutar mais das histórias porque os mais velhos já não estavam…

Qualquer semelhança NÃO é mera coincidência com as empresas.

Antes o jovem fazia trabalhos menos nobres e os mais velhos tinham o conhecimento, experiência e, portanto, o poder.

A transição era feita de forma gradativa e todos os jogadores aceitavam o jogo como parte de seu plano de carreira.

Porém, com a democratização da informação, o conhecimento chegou mais rápido aos jovens, a sociedade exponencial permite que a intensidade em que vivemos acelere o processo de experiências e maturidade das novas gerações e isso nos leva à que os jovens já não queiram esperar a “sua vez”, eles a fazem.

Tudo isso tem gerado muito conflito nas organizações.

Ainda tem gente dizendo, nos bate-papos de amigos de 50+, coisas do tipo: “A geração de hoje não quer saber nada com nada”, “são muito mi-mi-mi”, “não estão comprometidos”.

Em paralelo, os (cada vez) mais jovens estão traçando seu caminho, alguns ainda aceitam o mundo corporativo tradicional, porém sem aceitar seu tradicionalismo e questionando tudo, e outros estão empreendendo.

Até aqui nada novo, só estava contextualizando, mas…

A novidade é que pela primeira vez na história da humanidade, temos quatro gerações simultaneamente no mercado de trabalho.

Não há opção, aprendemos a lidar com a multigeracionalidade ou temos um problema.

Além de ser uma bobagem, não é necessário aceitar 100% do que pensa e faz cada geração, mas é fundamental entendê-las, aceitar o que se está de acordo, debater o que não, mudar o que se pode e respeitar o que não se pode.

Para isso precisamos de duas características fundamentais: respeito e tolerância. Ambas são inerentes a organizações humanizadas.

E como se faz isso?

Antes de dar alguns exemplos de como a Tecno-Humanização leva isso às empresas, vou contar um caso que ilustra o que fazemos.

Em um colégio, aumentou muito a violência entre alunos do ensino médio e do ensino fundamental. Os maiores hostilizavam os mais novos.

A diretora tomou uma medida brilhante, criou um programa onde cada criança mais velha almoçava com um mais novo, e lhes incentivava a conversar. Eles tinham que contar coisas de suas vidas, o que eles gostavam, o que havia acontecido no dia anterior etc..

No início, as conversas eram monossilábicas (típicas em adolescentes), mas após dois meses, eles conversavam e se divertiam.

Após três meses a escola desenvolveu atividades integradas entre grupos de diferentes idades.

O interessante que os relacionamentos passaram a ter um vínculo de carinho e cuidado, similar ao de irmão mais velho. O resultado foi sensacional, a violência e hostilidade desapareceram e a conclusão foi: conhecer e reconhecer no outro, através de conversas, um ser humano que como você, tem medos, tristezas, alegrias, sonhos etc..

A Tecno-Humanização se inspirou neste caso para aplicar algumas das técnicas que utilizamos para humanizar as empresas.

Vamos a alguns exemplos.

Em 2016 eu conheci um App que se chamava Never eat alone (hoje tem outro nome), que foi criado para ajudar as pessoas socializarem em grandes corporações e não almoçarem sozinhas. Eu usei o App a meu favor e o apliquei para criar conexões nas empresas. Três almoços da semana eram aleatórios (o algoritmo escolhia pessoas por áreas de afinidades), outro dia a pessoa podia agendar com uma pessoa específica, de pessoas de outras áreas ao presidente da empresa, e outro dia estava permitido agendar com amigos da empresa. Nestes almoços as pessoas eram instruídas a conversarem sobre assuntos não relacionados à empresa.

Outra ferramenta que utilizamos é uma plataforma que eu tive o imenso prazer de conhecer e participar este ano, a AWAKEN TALKS. É uma plataforma onde pessoas contam suas histórias de vida, seus momentos de despertar e suas superações, e através delas inspiram  outras pessoas.

Desde o ponto de vista corporativo, quando as pessoas percebem que o “colaborador 436”, que se senta na outra ponta do andar, é um ser humano, como eu e como você, que padece das mesmas angústias ou que se fortalece com as dificuldades da vida, surge empatia e tratar com o “Sr. José do faturamento”, um senhor desconhecido de cara fechada, passa a ser muito mais fácil.

Ao trazer estas técnicas, entre outras, rompemos a barreira do preconceito etário e criamos uma convivência mais respeitosa e enriquecedora através da empatia.

No contexto das organizações multigeracionais, não é garantido que uma pessoa da geração baby boomer ou X, possa agregar algo em projetos de holocracia, métodos ágeis ou tecnologias exponenciais, mas com certeza podem dar o equilíbrio que qualquer empresa precisa, podem inspirar, podem mostrar como se faz as coisas e em muitos casos, como não devemos fazê-las, seja por orientação ou por exemplo.

Não estamos vivendo em uma era de mudanças e sim uma mudança de era.

O que nos trouxe até aqui, não é o que vai nos levar daqui em adiante, portanto, em muitos casos é importante entender o modelo anterior para não o repetir.

Em qualquer caso, saber aproveitar os benefícios da multigeracionalidade é ter um negócio mais saudável construindo um mundo melhor.

Imagem: Pixabay

Cuidar das pessoas aumenta a taxa de sucesso da transformação digital

Este artigo foi publicado: no dia 21/08/2019 no ITForum365 e no dia 27/08/2019 em minha coluna no portal R7 e no portal Inova360.

 

Contratar uma empresa de tecnologia para fazer sua transformação digital é tão absurdo quanto um laboratório farmacêutico cuidar da sua saúde

Sinceramente eu não entendo…

Se você não contrata um laboratório farmacêutico para cuidar da sua saúde, por quê contrata uma empresa de tecnologia para fazer a sua transformação digital? Se você contratasse um laboratório farmacêutico para cuidar da sua saúde, o que ele te recomendaria como a única solução para ser saudável?

O que ele te venderia? REMÉDIO.

A questão é que para cuidar da sua saúde você não precisa de remédio, você precisa dormir bem, se alimentar de forma saudável, praticar atividade física, buscar equilíbrio em sua espiritualidade, e, eventualmente, quando fica doente, você precisa de remédio. É exatamente isso que acontece quando você contrata uma empresa de tecnologia para fazer o seu processo de transformação digital, eles te vendem TECNOLOGIA.

E para um processo de transformação tecnológica, você precisa fundamentalmente, preocupar-se e ocupar-se das pessoas, depois do modelo de negócio e para viabilizar esta transformação, aplicar tecnologia.

Leia o artigo –  Fique atento: as tecnologias analógicas também vão impactar a sua vida para entender porque eu já não falo transformação digital e sim transformação tecnológica

Esse é um erro de conceito e o mais comum no processo de transformação digital das empresas. Olhar somente para a tecnologia é se preocupar com o final sem cuidar do processo de transformação em si.

A BE&SK encontrou o modelo matemático que explica este erro e mostra o caminho para corrigi-lo.

Modelo matemático: Viés da sobrevivência

Durante a segunda guerra mundial os EUA encomendaram a seus engenheiros que reforçassem seus aviões para evitar que fossem abatidos.

Como era inviável por peso, blindar todo o avião, os engenheiros analisaram os aviões que regressavam de combate e definiram as áreas com mais furos de balas como as áreas mais frágeis e, portanto, as que deveriam ser reforçadas.

Esta estratégia se mostrou um fracasso e os aviões americanos continuavam a serem abatidos. E sabe por quê? Porque os aviões analisados eram os que sobreviviam ao ataque, portanto, os furos de balas mostravam as áreas, que mesmo atingidas, não eram tão críticas porque o avião resistia ao ataque.

O matemático e estatístico Abraham Wald, que conhecia o viés de sobrevivência, e participou do SRG (grupo de pesquisa de estatística) encarregado de resolver este problema, mostrou que as partes que deveriam ser reforçadas eram justamente as que não possuíam tiros, porque provavelmente eram as que, quando atingidas derrubavam os aviões (tanque de combustível, motor e piloto).

Hoje, este modelo matemático, com ferramentas mais modernas, é usado por fundos de investimentos para bater índices de referências do SP&500.

Como o viés de sobrevivência nos ensina a aumentar a taxa de sucesso do processo de transformação digital?

Ao aplicar tecnologia para resolver seus problemas atuais, a imensa maioria por não dizer todos, estão relacionados ao crescimento, tais como aumentar as vendas (receita), reduzir custos, otimizar seu negócio e seus processos, isso significa blindar a parte que, mesmo atingida, mantém o avião no ar.

Não é a tecnologia que vai resolver estes problemas, ela só vai digitalizá-lo.

E como eu mostrei em meu artigo Crescimento vs. desenvolvimento, digitalizar este jogo só acelera o colapso.

Quando uma empresa digitaliza seus processos para melhorar a experiência do cliente, ela impacta seus clientes, transformando a forma de entregar seu produto e a forma deles consumi-lo. Isso gera mudança de comportamento nos clientes e na sociedade.

Quando a tecnologia é usada para otimizar processos, isso impacta os produtos, serviços, colaboradores, a forma de trabalhar, a cultura organizacional etc.

Em qualquer caso, sejam impactos internos ou externos, a transformação digital não acontece no datacenter, ela SEMPRE acontece nas pessoas.

Ao colocar a tecnologia no centro do processo de transformação digital a empresa está olhando para o lado errado.

Como resolver este problema?

A Tecno-Humanização coloca o ser-humano no centro do processo de inovação e transformação digital, a partir dele, desenha uma organização rentável e consciente que resolva problemas reais do ser-humano, e então, aplica tecnologia para viabilizar este modelo.

Obviamente a tecnologia tem muita relevância no processo de transformação tecnológica, porém elas são um meio e não um fim me si mesma.

A tecnologia representa menos de 20% do processo de transformação tecnológico de uma empresa, e sua função é viabilizar um processo de transformação mais amplo.

Esta afirmação é feita de acordo com o modelo de transformação digital ativa e passiva da BE&SK (escreverei um artigo em breve falando sobre isso), e ajuda as empresas a entenderem o porquê os estudos de McKinsey, Forbes, Wipro, Gartner, mostram que mais de 70% dos processos de transformação digitais não funcionam.

Todo processo de transformação, seja tecnológico, de negócio, comportamental, sempre começa e termina no ser-humano, organizações e negócios só existem por e para o ser-humano, pensar de forma diferente é atuar contra si mesmo.

E neste caso, termino como comecei.

Sinceramente eu não entendo…

Imagem: Pixabay

Dessingularizando a Singularidade

Este artigo foi publicado: no dia 17/08/2019 no ITForum365 e no dia 20/08/2019 em minha coluna no portal R7 e no portal Inova360.

 

Todo modelo, com o tempo, se deteriora e se distancia de seu propósito inicial

Um bom dia 4.0 pra você!

Você quer um café disruptivo ou exponencial?

As frases acima pareceram estúpidas? Pois é, você tem razão, elas são mesmo.

Você achou que elas te fizeram perder tempo?

É assim que eu me sinto quando leio a quantidade de bobagens e modismos que as pessoas seguem sem saber porque o estão fazendo.

Vivemos em uma era rodeados de tecnologias e modelos de negócios disruptivos e exponenciais, e segundo especialistas, isso nos levará a singularidade.

O conceito da singularidade foi emprestado da física, ele é usado para descrever fenômenos tão extremos que as equações não são capazes de descrever e levam as leis da física ao absurdo. Talvez o exemplo mais significativo que ilustre este fenômeno seja o buraco negro.

Peter H. Diamandis, vendo como se comportavam as tecnologias e startups no Vale do Silício, com crescimentos exponenciais criou a Singularity University, uma das mais prestigiosas escolas de inovação do mundo atualmente.

Por lá passam muitos gurus, dando palestras e cursos imersivos para milhares de pessoas de todo o mundo, onde transmitem que entre 2010 e 2140 a humanidade será levada a um estágio de singularidade, onde as tecnologias evoluem cada vez mais aceleradamente, se integram uma com as outras, causam impacto e transformam rapidamente a realidade. Segundo os especialistas, não é possível prever o que acontecerá ao chegarmos no momento da singularidade.

Baseado nos princípios da singularidade, tomando a previsão dos gurus como certa e inevitável, desenvolvemos um modelo de negócio tão absurdo como a própria singularidade. Acredito que a nossa forma de atuar nos levará ao caos muito antes que a singularidade em si. Seremos capazes de gerar o nosso próprio buraco negro pela quantidade de bobagens que fazemos sem perceber, somente por seguir a corrente.

Não estou dizendo com isso que não devemos ser conscientes da exponencialidade dos negócios e das tecnologias. Muito menos que fechemos os olhos à nova realidade, positiva e negativa, que elas nos proporcionam.

O que digo é que busquemos o equilíbrio. Alguém falou, seja quem for, que este é o caminho, todos vamos como cordeirinhos sem questionar.

Querem exemplos?

Estamos orientando os jovens as construírem startups sob o mantra de que uma empresa deve curar a “dor do cliente”. Isso significa que se uma empresa vive de curar a dor do cliente, o que ela deseja com todas as suas forças quando se levanta pelas manhãs?

Que o cliente tenha dor! E se ele não tem? Nós criamos!

Chamamos o departamento de marketing e criamos uma campanha para gerar dor no cliente, porque disso vivemos, de curar a dor que, em muitos casos, nós mesmos causamos. Por exemplo, na Tecno-Humanização, isso não é aceitável.  Uma empresa deve aliviar a dor do cliente, mas deve existir para curar a causa da dor, isso é muito mais consciente e humanizado.

Outro ponto que me chama a atenção é o modismo com o qual eu comecei o artigo, a indústria 4.0. Todo mundo fala disso o tempo todo, o que por um lado é bom, mas quando vejo os dados do estudo Indústria 2027 feito pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), a MEI e o Instituto Euvaldo Lodi que mostram que somente 1,7% das indústrias atuam no padrão 4.0, e que não existe a intenção de 21% dos empresários atuarem neste padrão nos próximos 10 anos (o que é uma eternidade). Então eu me pergunto, será que as empresas estão falando de indústria 4.0 porque tem real interesse em adotá-los ou querem parecer que estão atualizadas, mas continuam fazendo o mesmo?

Tem muita gente que confunde agilidade e aceleração com pressa.

Exigimos que tudo seja urgente, com a desculpa da exponencialidade, mas nós mesmos não somos. Estamos adestrando, infelizmente é essa palavra,  jovens empreendedores a construírem pitches de 3 minutos para explicarem o seu modelo de negócio. E sabem por quê?

Porque alguém disse que é o tempo que um investidor (que se chama de anjo) está disposto a dedicar do seu precioso tempo para ouvir o que um jovem tem a dizer, e baseado nestes 180 segundos, decidir se compra o seu sonho ou não.

É obvio que quando estamos diante da oportunidade de apresentar nosso negócio a um investidor, não podemos ser prolixos. A capacidade de síntese é uma característica de pessoas que se comunicam bem, se expressam bem e normalmente são eficientes. Todas elas são competências muito valorizadas no mundo dos negócios e na vida. Mas os cursos de empreendedorismo não ensinam isso, simplesmente exigem que o pitch tenha 3 minutos, porque “é assim que se faz no Vale do Silício”. “Mentores” de empreendedorismo mandam seus mentorados fazerem cursos com fonoaudiólogo e aprenderem a respirar.

Isso é absurdo e chega ser cruel, mas a máquina de moer de carne que criamos é assim. Com o objetivo de colocar um pouco de bom-senso neste processo de aceleração desmedido, existem alguns movimentos que surgiram nos EUA e muitas startups começam a rejeitar o modelo de crescimento acelerado.

Isso está crescendo tão rápido (de forma acelerada e exponencial) que a Zebras Unite já tem 40 filiais e 1.200 membros em todo o mundo. Este crescimento chamou a atenção dos investidores e já tem algumas Venture Capitals oferecendo um modelo de crescimento e remuneração menos agressivo.

Tem muita gente que confunde agilidade e aceleração com pressa.

São coisas muito diferentes, e ao crescer com pressa deixamos coisas pelo caminho, aprendizados, ajustes no produto e no negócio. Outro dia vi uma entrevista do Oswaldo Montenegro que dizia que se arrepende de algumas coisas em sua carreira, e uma delas é que, pela sua ansiedade patológica, ter feito algumas coisas com pressa e não ter dado o acabamento que aquilo merecia.

Será que não é possível correr para acompanhar o ritmo global sem atropelar?

Eu acho que sim.

Por certo, há 4 parágrafos atrás, eu teria terminado meu tempo de apresentação a um investidor anjo.

Imagem: Pixabay