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Senso de dono: Cada um no seu quadrado e o ser humano no de ninguém

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data Publicado dia 20/02/2021 hora 08h56
Áudio descritivo

 

ALEX (CEO): Bom dia, pessoal!

Após a revisão dos nossos resultados do último mês, estou super satisfeito! Parabéns a todos os líderes, estamos bem em todos os KPI’s.

Batemos todas as metas!

SANTOS (CRO): Eu gostaria de aproveitar para dizer que conseguimos bater a meta de vendas, mas não dá mais pra trabalhar desse jeito.

ALEX (CEO): Como assim Santos?

SANTOS (CRO): Este mês não sei se vamos conseguir chegar… 

ALEX (CEO): Não começa a chorar que estamos no início do ano e o target já está negociado Santos.

SANTOS (CRO): Não estou negociando nada, estou falando sério. Eu tive que parar toda a equipe de vendas durante 3 dias, porque o Fábio bloqueou os fornecedores. Eles não entregavam os produtos, os projetos pararam e os clientes não deixavam faturar… Tivemos que ficar cuidando disso ao invés de vender.

FABIO (CFO): Se quiséssemos cumprir com os KPI’s financeiros, tínhamos que cobrar dos clientes e não pagar os fornecedores por uns dias. Não é o fim do mundo, vai, todo mundo faz isso!

O Alex vive dizendo que temos que ter senso de dono, que cada um tem que cuidar de sua área como se fosse sua, não é?

Foi o que fiz, cuidei da minha.

SANTOS (CRO): Mas eu não posso queimar a relação com os clientes, pedindo para eles liberarem o pagamento sem ter o projeto terminado. No próximo projeto isso vai custar dinheiro.

FABIO (CFO): Aí o Breno aperta um pouco os fornecedores, reduz os custos do projeto e tudo resolvido. (tom de ironia, uso de brincadeiras para cutucar o colega).

BRENO (COO): Claro, como se tudo já não estivesse apertado… Aproveitando o gancho, se quiserem suspender os fornecedores grandes OK, mas, não suspendam os parceiros de serviços pequenos. Primeiro porque eles param de trabalhar e segundo porque nós os asfixiamos desse jeito. 

FABIO (CFO): Breno, a política é para todos, senão a auditoria nos levanta uma inconformidade. Se a empresa não tem fôlego, não entra na piscina. Se quiser trabalhar com a gente, tem que aceitar as nossas regras. Quem é o cliente aqui? Nós ou eles? Você vive os chamando de parceiros, mas eles não passam de fornecedores que deveriam agradecer por dar-lhes projetos.

BRENO (COO): Que fácil se vê o mundo detrás da calculadora, no conforto do ar-condicionado da sua sala… Mas quando a equipe está no cliente, final de semana às 2h da manhã e precisamos da ajuda de um desses “fornecedores” como você se chama. Eu ligo, sem PO*, sem contrato, e o cara vem salvar o projeto, pra você bater as suas tão sonhadas metas…

ROSA (CLO): Tem fornecedor atuando sem PO nos clientes? Nem me fale isso, eu prefiro não saber. Isso é totalmente non compliance.

BRENO (COO): Tranquilo! Antes acontecia bastante, mas agora não acontece. Quase nunca.

(Sussurrou Breno)

Mas pera lá, não temos que cuidar do negócio como se fosse nosso? E a regra não tem que ser a mesma para todos?

Eu tenho que me virar para fazer as coisas acontecerem. Porque, se eu não entregar, é a minha cabeça que rola.

Portanto, cuido do meu negócio como se fosse meu, respeitando a governança da empresa, mesmo que seja no limite.

ALEX (CEO): E eu que pensei que a reunião de hoje seria tranquila. Era para comemorar os bons resultados, todo mundo vai ganhar dinheiro.

Mas já que vocês entraram no tema, todas estas coisas são normais. Fazem parte do negócio. Afinal, se quisermos ser competitivos lá fora, temos que aprender a ser aqui dentro também.

Agora vamos mudar de assunto…

CLAUDIO (CHRO): Eu tenho um tema muito preocupante. Apesar de a empresa estar batendo as metas, ganhando dinheiro a rodo, enfim, tudo indo muito bem, o nosso turnover não para de aumentar no último ano.

ALEX (CEO): Mesmo depois da divulgação da GPTW**?

CLAUDIO (CHRO): Sim!

FABIO (CFO): Se as pessoas não querem trabalhar aqui… Melhor que não fiquem mesmo. E o melhor de tudo isso é que se eles saem espontaneamente, não temos que pagar nada.

ALEX (CEO): Cláudio, precisamos entender o que está acontecendo e buscar uma solução rápida.

 

Neste momento, Alex olhou pro José e percebeu que ele tinha algo a dizer.

ALEX (CEO): José? Algum comentário?

JOSÉ: Pra falar a verdade Seu Alex, eu já estou aqui há algumas semanas e tava estranhando que tudo fosse tão certinho. Todo mundo tão amiguinho, hoje deu pra ver um pouco de bate boca, que nem quando o pai ia lá no buteco, tomava umas cana e começava a falar de futebol.

ALEX (CEO): Tá, mas o que você achou da discussão de hoje? 

JOSÉ: Ôceis fala o tempo todo que o mais importante pra empresa são os clientes. Os funcionário também são importante porque eles são os que trabaiam, num é?

ALEX (CEO): Sim. E nossa empresa é totalmente customer centric. Os objetivos que colocamos para todas as áreas são pensando nele, que elas façam seu melhor para entregar a excelência ao cliente.

JOSÉ: Pelo jeito não tá dando certo não Seu Alex. Acho que os objetivo dos cêis ficou mais importante. O senhor começou a reunião falando que o cêis bateram as metas e que todo mundo ia ganhar dim-dim.

Falaram de um monti de coisas, e quando falaram das duas coisas mais importante foi pra dizer que tiveram que pedir favor pros cliente pra bater as meta interna, e que os povo está pegando a matula e indo embora. 

Todo mundo tem o seu objetivo, mas quem tem o objetivo de atender o cliente e cuidar das pessoas?

ALEX (CEO): Todos os que estamos nesta sala, José. 

JOSÉ: Pois é… cêis falam desse tal “senso de dono”. Lá na roça a gente sabe que cachorro com dois dono morre de fome.

Pelo jeito aqui todo mundo faz ou acha que faz a “sua” coisa certa, pro seu próprio interesse, mas ninguém faz o que deve ser feito.

Que nem aquela música, cada um no seu quadrado, mas as pessoa não estão no quadrado de ninguém. 

 

 

*PO = Purchase order, em português, Ordem de compra ou pedido de compra.

**GPTW = Great place to work, em português, melhores empresas para se trabalhar. Anualmente é divulgado um ranking com as organizações consideradas as melhores, no âmbito nacional, regional, setorial e temático.

 

 

Imagem: BE&SK

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