Por favor, precisamos de CEOs Tecno-Humanistas

Este artigo foi publicado no dia 13/02/2020 na minha coluna no IT Forum 365

Tempo de leitura: 7min e 25seg

Os objetivos do CEO tradicional e de um Tecno-Humanista são os mesmos, a diferença é que o segundo é muito mais efetivo pela forma de alcança-los

 

Um CEO deve determinar a estratégica da empresa. Para o nível acima, ele deve apresentar, defender e ser o ponto focal entre o conselho e a equipe executiva. Para sua equipe, ele deve comunicar o plano estratégico, liderar a equipe executiva para que os objetivos sejam implementados e os resultados alcançados.

Na prática ele é medido por tudo isso, porém, pago pelos resultados que entrega.

No artigo onde falo que governança não garante ética, cito uma adaptação de Eliyahu M. Goldratt a uma frase bíblica: “Diga-me como me medes e eu te direi como me comportarei”.

Se o CEO é pago pelo resultado financeiro, ele coloca o resultado no centro do seu processo de toma da decisão, simples assim. Por essa razão, os executivos orientados a objetivos sempre foram, e ainda são muito valorizados.

Um CEO deve realmente ser orientado a objetivos, e não devemos mudar sua característica, mas sim rever a forma como se atinge o objetivo. Colocar o ser humano no centro do processo de inovação, de transformação digital, enfim, no centro do processo de tomada de decisão.

Tudo é por e para o ser humano!

Desta forma, os resultados passarão a ser consequência, e não objetivo final.

Empresas humanizadas são mais rentáveis!

O CEO que queira alcançar, ou melhorar muito, seus resultados, deve levar esta visão humanista ao seu planejamento estratégico.

Não basta planejar o crescimento do negócio e depois encaixar a todas as peças da engrenagem, inclusive os recursos humanos, em função disso, como era feito no passado.

Muitos CEOs consideravam possuir uma visão humanista ao dar treinamento ou algum benefício social acima da média do mercado. Ou então, em ações de pseudo-responsabilidade-corporativa, com muito boas intenções, mas hipócritas em sua essência, mesmo que de forma involuntária ou inconsciente.

Os CEOs de agora, que precisamos cada vez mais nas empresas, são pessoas que colocam o ser humano no centro do processo, ajudam em seu desenvolvimento e atuam baseados em um sistema de gestão de triple bottom line, onde olham não apenas o resultado financeiro, mas também o impacto social e o impacto meio-ambiental da operação.

A partir desta visão, o CEO pode desenhar, criar e implementar modelos de negócios rentáveis, conscientes e humanizados.

Caso exista algum tipo de ceticismo ou resistência a alcançar resultados através dessas premissas, a Tecno-Humanização tem ferramentas, modelos e uma metodologia que mostra o “porquê” e, principalmente, o “como” fazer.

Este trabalho de mudança de Mindset, grosso modo, a forma que temos de ver o mundo, vem em primeiro lugar, tanto no trabalho de planejamento, como no de implantação de um modelo Tecno-Humanizado.

Outra mudança significativa…

Hoje, na imensa maioria das empresas, o processo de transformação digital é liderado pelo CIO.

Da mesma forma que o CEO, ao ser medido somente pelo resultado financeiro, pensava somente em como alcança-lo, se o CIO é medido pela transformação digital, ele focará prioritariamente na tecnologia para alcançar seus objetivos.

Como consequência, segundo a McKinsey, 70% dos processos de transformação digital não funcionam.

A massiva digitalização de processos travestida de transformação digital pelo mercado, quase sempre se limita a otimizar o existente. E isso os estudos sobre o tema têm provado não ser suficiente. Dependendo do tipo de tecnologia aplicada, há de se fazer mudanças mais estruturais no modelo de negócio, quase como uma consequência natural.

A transformação digital, ou tecnológica, como define a Tecno-Humanização, é somente um meio e não um fim.

O objetivo deve ser transformar a empresa, construir um modelo que seja rentável, consciente e humanizado, e depois aplicar a tecnologia para viabiliza-lo.

Portanto, o verdadeiro processo de transformação surge no CEO, que passa a ser responsável para estratégia, inovação e transformação do negócio.

Obviamente, o CEO não será responsável por implementar a transformação tecnológica, nem liderar pessoalmente a inovação, mas sim liderar e transmitir a cultura de inovação e transformação da empresa. Em outras palavras, ele precisa ser o principal sponsor (patrocinador) do processo.

Desta forma, asseguramos que ambos pilares, tecnologia e modelo de negócio, estão a serviço da estratégia e do negócio, ao invés de se preocuparem apenas com suas respectivas áreas ou departamento.

Seguindo a série que começou no artigo anterior, “Basta! O Diretor de Recursos Humanos Deve Acabar”, onde você pode entender o porquê da mudança de nomenclatura, fazemos a segunda alteração no organograma da empresa.

Com a visão e incumbência de liderar o processo estratégico da empresa baseado na transformação, inovação e humanização, o CEO passa a se chamar Responsável pela Tecno-Humanização.

 

Um CEO faz tudo, dentro da governança, para alcançar os resultados financeiros, um CEO Tecno-Humanista constrói uma sociedade melhor, faz tudo por e para o ser humano, e como consequência, consegue melhores resultados financeiros.

Se neste momento você está se questionando por que um CEO deve se preocupar em construir uma sociedade melhor sendo que não é sua função, você precisa se Tecno-Humanizar.

E se pensou que você já é humano fora da empresa, ajuda muita gente em sua vida pessoal, mas na empresa você é pago para entregar retorno ao acionista, que é quem te paga, você precisa se Tecno-Humanizar urgentemente.

Ter o lucro como um fim, se mostrou nocivo, temos que mudar a forma de fazer as coisas, corrigir a rota e buscar o lucro sem destruir.

Por isso precisamos de um CEO Tecno-Humanista, que seja capaz de criar riqueza sem gerar miséria.

 

Imagem: Pixabay

Assine a Newsletter

Inscreva-se aqui e receba as últimas novidades da Tecno-Humanização no seu e-mail.

Show Buttons
Hide Buttons