Como é o profissional de um futuro singular?

Este artigo foi publicado no dia 13/08/2019 em minha coluna no portal portal R7 e no portal Inova360.

Tempo de leitura: 4min 58seg

O executivo agressivo abre espaço para o executivo consciente

Eu já coloquei em meu Curriculum e em meu LinkedIn que eu era orientado a objetivos. Lembro-me quando o meu chefe direto, ao me promover a diretor, me deu os parabéns, disse que eu merecia aquele reconhecimento, porém aquilo era somente uma formalidade, que eu só seria considerado um bom executivo quando despedisse o meu melhor amigo, se necessário, porque isso mostraria meu comprometimento com os resultados e objetivos da empresa.

Nos últimos 30 anos aprendemos nos MBAs das melhores escolas de negócios que, além de competências técnicas, sociais e emocionais, uma característica extremamente valorizada nos executivos é a orientação a objetivos.

Quem trabalha em multinacional sabe a importância de ser assertivo em seus forecasts (previsão de resultados). Neste tipo de empresa se assina o forecast com sangue e, cumpri-los ou não, depende a continuidade no cargo.

No setor de tecnologia, falo com conhecimento de causa, os fabricantes, para cumprir seus compromissos de vendas aprovam descontos elevados nos fechamentos de trimestres e de ano fiscal. Batem suas metas, cumprem os compromissos com seus chefes e ganham seus bônus. A empresa apresenta os resultados de crescimentos que os analistas esperam, as ações sobem e os executivos são promovidos e reconhecidos.

A parte não tão bonita desta história é que tudo está baseado somente em crescimento (ler artigo Crescimento vs. Desenvolvimento), ao aprovar descontos agressivos a empresa sacrificou rentabilidade para crescer, e normalmente no primeiro dia útil do novo ano fiscal, seja necessário reduzir custos e recortar o número de headcount (número de colaboradores).

Ser orientado a objetivos não pode ser considerado algo ruim, muito pelo contrário, continua sendo importante e necessário. O problema vem da pressão excessiva pelo resultado, a qualquer custo, e isso leva algumas pessoas a fazerem qualquer coisa para alcançá-lo.

Neste momento, vários profissionais estarão lendo e se auto justificando dizendo “fiz o que tinha que fazer”, “é meu trabalho”, “eu nunca fiz nada fora da lei”, “eu tinha o respaldo do compliance da empresa”, e assim por diante.

Eu não condeno nem julgo ninguém, eu também já fui assim. A diferença é que eu entendi que não podia continuar fomentando uma economia de escassez, onde eu era pressionado e pressionava muito para alcançar os resultados, e isso levava a destruir postos de trabalho e negócios para alcançar os meus objetivos.

Eu achava péssimo a política do “fazer mais com menos”, eu achava terrível que amigos meus fossem mandados embora, e até eu mesmo já passei por isso.

Se você leu o artigo “Transtorno Dissociativo Corporativo: o gap entre a fala e a atitude” sabe que eu fazia isso e depois reclamava das consequências dos meus atos e não associava o desemprego aos meus atos.

E neste caso, é pior ainda, eu não só permitia, mas tinha um papel ativo neste processo.

Nos últimos anos, com a economia baseada em crescimento, aprendemos que esse comportamento é normal, que é assim que funciona e acabamos acreditando nisso.

Então devemos ser orientados a objetivos ou não? A resposta é fácil, claro sim! Quem não tem objetivos não avança. Quem não sabe para onde ir é arrastado pelas circunstâncias. Portanto ser orientado a objetivos é fundamental, tanto pessoal como profissionalmente.  O problema não está na orientação à objetivos e sim em sua definição.

Os objetivos quantitativos devem, sempre, estar acompanhados dos qualitativos. O marco de atuação não deve ser a lei e sim a ética. A lei é o mínimo e básico, devemos elevar a forma que atuamos para não ter o que reclamar.

Isso é muito mais fácil falar do que fazer, tem muita gente que dirá que tem que jogar o jogo porque tem conta para pagar, porque não tem escolha. Este ponto é delicado, sempre temos escolha, mesmo que elas não sejam fáceis.

Não reclame daquilo que você permite!

 
Veja como um executivo agressivo resolve os problemas  no canal observatório BE&SK

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